sábado, 9 de agosto de 2025

Uma professora do passado

 

Hoje, um menino de sete anos me disse que eu não servia para nada. Assim começou meu último dia como professora primária em uma escola pública. Sem ironia. Sem raiva. Apenas uma voz indiferente, como se estivesse comentando sobre o tempo. 

‒ Você não sabe fazer TikToks. Minha mãe diz que pessoas velhas como você já deveriam se aposentar. 

Eu sorri. Aprendi a não levar para o lado pessoal. Mas mesmo assim... algo dentro de mim quebrou um pouco mais. 

Meu nome é professora Helena. Ensinei o 1º ano em uma cidadezinha nos arredores de Belo Horizonte por 36 anos. Hoje, arrumei minha sala pela última vez. Quando comecei, no fim dos anos 80, ensinar era um chamado. Um laço sagrado. As pessoas confiavam em nós. Até nos admiravam. Não ganhávamos muito, mas havia respeito. E isso valia mais do que qualquer salário. Os pais levavam bolo de fubá nas reuniões. As crianças faziam cartões de aniversário cheios de erros de português e corações tortos. E quando alguém lia sua primeira frase em voz alta... Era uma alegria que nenhum dinheiro podia pagar. 

Mas alguma coisa mudou. Devagar. Silenciosamente. Ano após ano. Até que um dia, olhei para minha sala e não reconheci mais o trabalho que tanto amei. Não é só por causa de tablets e lousas digitais – embora também seja. É o cansaço. A falta de respeito. A solidão. 

Antes, eu passava as tardes recortando maçãs de papel para enfeitar as paredes. Agora, passo preenchendo relatórios em um aplicativo de comportamento, caso algum pai resolva me processar. Já gritaram comigo na frente de toda a turma. Não alunos ‒ pais. Um deles me disse: 

‒ A senhora não sabe lidar com criança. Vi um vídeo no celular do meu filho. 

Ele tinha me filmado enquanto eu tentava acalmar outro aluno em crise. Ninguém perguntou como eu estava. Ninguém quis saber que eu estava funcionando à base de chiclete, café e pura força de vontade. As crianças também mudaram. E a culpa não é delas. Vivem num mundo acelerado, barulhento, desconectado. Chegam à escola sem dormir, viciadas em telas e emocionalmente despreparadas. Alguns vêm com raiva. Outros, com medo. Muitos não sabem segurar um lápis, esperar a vez ou dizer “por favor”. E esperam que a gente dê conta de tudo. Seis horas por dia. Sem assistentes. Com 28 alunos. E um orçamento que não dá nem pra bolo de aniversário. 

Lembro de quando minha sala era um abrigo. Tínhamos um cantinho da leitura com almofadas coloridas. Cantávamos toda manhã. Aprendíamos a ser gentis antes de aprender a somar. E agora? 

Agora me pedem para focar em “metas de aprendizagem”, “métricas”, “resultados mensuráveis”. Meu valor se mede pela forma como uma criança de seis anos preenche bolinhas em uma prova padronizada de março. Uma vez, um supervisor me disse: 

‒ Você é muito “afetiva”. Nosso município quer resultados. 

Como se conectar com crianças fosse um defeito. Mas eu continuei. Porque sempre existiram momentos. Pequenos. Sagrados. Uma criança que cochichou pra mim: 

‒ Você parece minha vó. Queria morar com você. Outra que deixou um bilhete na minha mesa: 

‒ Aqui me sinto seguro. 

Ou aquele menino tímido que finalmente me olhou nos olhos e disse: 

‒ Li sozinho. 

Agarrei esses momentos como se fossem boias salva-vidas. Porque eles me lembravam que, mesmo quando o mundo gritava o contrário, eu ainda estava fazendo algo que importava. Mas este último ano... me quebrou. A violência aumentou. Um aluno jogou uma cadeira pela sala. Outro me ameaçou: 

 Vou levar uma coisa de casa amanhã. 

E tudo porque pedi para ele sentar. O telefone da escola virou linha direta de emergência. A coordenadora pediu demissão em outubro. Em novembro, não havia mais professores substitutos. A exaustão virou uma névoa densa e constante. E eu?

Comecei a me sentir invisível. Substituível. Como uma máquina velha em um mundo digital que já não acredita no toque humano. Arrumei minha sala hoje. Arranquei desenhos desbotados das paredes – alguns de décadas atrás. Encontrei uma caixa de cartinhas de uma turma de 1995. Uma delas dizia: 

‒ Obrigado por gostar de mim mesmo quando fui bagunceiro. 

Chorei ao ler. 

Porque, naquela época, ser professora significava alguma coisa. Hoje, parece uma profissão pela qual a gente precisa pedir desculpa. Não houve festa. Nem discurso.

Só um aperto de mão do novo diretor, que me chamou de “senhora” e checou o celular no meio da despedida. Esqueci minha caixa de adesivos. Minha cadeira de balanço. Minha paciência. Mas levei comigo a lembrança de cada criança que um dia me olhou com encanto, com confiança ou com alívio. Isso é meu. Ninguém pode me tirar. Não sei o que vem agora. Talvez eu seja voluntária na biblioteca da cidade. Talvez eu aprenda a fazer pão caseiro. Ou talvez eu apenas me sente na varanda com um chá quente, lembrando de um tempo que era mais gentil. Porque sinto falta. Sinto falta de quando ser professora era ser aliada, não alvo. Quando escola e família caminhavam juntas. Quando educar era cultivar, não apenas medir desempenho. 

Se você já foi professor ou professora, você entende. A gente não fez isso pelas férias. Fizemos pelo menino que aprendeu a amarrar os cadarços. Pela menina que finalmente sorriu depois de semanas em silêncio. Pelos que precisavam de nós de um jeito que nenhuma prova consegue mensurar. Fizemos por amor. Por esperança. Por acreditar que ainda dava para mudar o mundo. Então, se um dia você encontrar uma professora – de ontem ou de hoje – agradeça. Não com uma xícara. Nem com uma maçã. Com sua voz. Seus olhos. Seu respeito. Porque num mundo que corre depressa demais, elas ficaram. Num sistema que desmoronou, elas resistiram. E numa sociedade que as esqueceu, elas se lembraram de cada criança. 

Que as professoras do passado saibam que não estão esquecidas. Que as de hoje saibam que não estão sozinhas. Simples assim.

 

Ruth Toledo


quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Morfologia

 

Morfologia é a parte da gramática que estuda as palavras, desde a sua estrutura e formação até as suas formas de flexão. As palavras se organizam em dez categorias, que são conhecidas como classes de palavras. 

As seis classes variáveis flexivas 

Substantivo 

Definição: Substantivo é a classe gramatical que dá nome a seres, coisas, espaços, sentimentos etc. O substantivo é assim chamado por dar significado a substâncias, sejam concretas e palpáveis, sejam apenas mentalmente apreendidas como substâncias, tais como nomes, qualidades, estados, processos, entre outros. 

Exemplos: amor, casa, Brasil, saci, Paraíba. 

Adjetivo 

Definição: Adjetivo é uma classe de palavras variável, pode flexionar-se em relação ao gênero (biforme ou uniforme), ao número (singular e plural) e ao grau (comparativo e superlativo). Sua principal função é acompanhar o substantivo, dando-lhe características ou apresentando algo que o particularize.

Exemplos: feliz, alegre, ansiosa, mau, bom, delicado, má, etc. 

Verbo 

Definição: Verbo é a classe de palavras que, do ponto de vista semântico, contêm as noções de ação, processo ou estado, e, do ponto de vista sintático, exercem a função de núcleo do predicado das sentenças. 

Exemplos: amar, vender, sorrir, pôr, chover, haver, etc. 

Pronome 

Definição: Pronome é uma classe de palavras variável cuja finalidade é substituir ou determinar (acompanhar) um substantivo. Eles se classificam em razão dessas funções. Aquele que substitui o nome é chamado de pronome substantivo, e o que o determina (acompanha) é o pronome adjetivo. 

Exemplos: nós, meu, este, alguém, aquele, aquilo, etc. 

Artigo 

Definição: Artigo é uma classe de palavras que acompanham substantivos, aparecendo antes deles para indicar se esses substantivos são determinados e específicos ou indeterminados e genéricos. Assim, os artigos podem ser classificados como definidos ou indefinidos, variando em gênero (masculino ou feminino) e em número (singular ou plural) de acordo com o termo que acompanham. 

Exemplos: a, o, as, os, um, uma, uns, umas, etc. 

Numeral 

Definição: Numeral é a classe de palavra variável que indica um número exato ou a posição que tal coisa ocupa numa série. Os numerais podem ser: cardinais (um dois, três), ordinais (primeiro, segundo, terceiro), fracionários (meio, terço, quarto) e multiplicativos (dobro, triplo, quádruplo). 

Exemplos: dois, septuagenário, um quinto, triplo, décimo, etc. 

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Macete mnemônico* para decorar as seis classes gramaticais acima, pense na palavra ► SAVPAN (Substantivo - Adjetivo - Verbo - Pronome - Artigo - Numeral) 

                       As quatro classes invariáveis inflexivas 

Preposição 

Definição: Preposição é a classe das palavras que ligam duas outras palavras, estabelecendo entre elas determinadas relações de sentido e de dependência. 

Exemplos: até, com, de, em, por, etc. 

Interjeição 

Definição: Interjeição é palavra invariável ou sintagma que formam, por si sós, frases que exprimem uma emoção, uma sensação, uma ordem, um apelo ou descrevem um ruído.  

Exemplos: psiu!, oh!, coragem!, meu Deus! etc. 

Conjunção 

Definição: Conjunção é um termo que liga duas orações ou duas palavras de mesmo valor gramatical, estabelecendo uma relação entre elas. 

Exemplos: e, mas, quando, ou, ora, porque, etc. 

Advérbio 

Definição: Advérbio é a palavra invariável que funciona como um modificador de um verbo (dormir pouco), um adjetivo (muito bom), um outro advérbio (deveras astuciosamente), uma frase (felizmente ele chegou), exprimindo circunstância de tempo, modo, lugar, qualidade, causa, intensidade, oposição, afirmação, negação, dúvida, aprovação etc. 

Exemplos: aqui, ontem, mal, quiçá, meio, não, sim, talvez, etc. 

Macete mnemônico* para decorar as quatro classes gramaticais acima, pense na palavra:PICA  (Preposição - Interjeição - Conjunção - Advérbio).

* Mnemônico é uma técnica ou dispositivo usado para melhorar a memória, auxiliando na retenção e lembrança de informações. Essencialmente, são ferramentas que transformam dados complexos ou difíceis de memorizar em algo mais simples e associativo, como frases, acrônimos, imagens ou histórias.  

SAVPAN = Substantivo – Adjetivo – Verbo ‒ Artigo ‒ Numeral ► variáveis flexivas. 

PICA = Preposição – Interjeição – Conjunção – Advérbio ► Invariáveis inflexivas.  


POUPE-ME

 Autoria: Silvana Duboc

Poupe-me.

Se era vingança, foi atingida.

Se foi ignorância, que seja corrigida.

Poupe-me de tanta humilhação,

de tanto sofrimento em vão.

 

Poupe-me da sua doença,

da sua falta de paciência

e de tanta agressividade.

Poupe-me da tempestade

que existe dentro de você.

 

Eu preciso viver

sem dores no corpo e na alma.

Eu preciso aprender

a estar sozinha, porém calma.

 

Poupe-me de desculpas,

de ter que ouvi-lo me pedir perdão.

 

Poupe-me de tanta chateação.

O problema já foi meu

agora é só seu,

entrego-lhe na sua mão. 

§ § § § § 

Este poema é para todas as mulheres que são agredidas, diariamente, pelos seus companheiros em todo o Brasil, independente de classe social.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Fundação do primeiro CTG gaúcho

 Abaixo está o famoso “Grupo dos 8”

São eles da esquerda para direita: 

Antônio João de Sá Siqueira 

Fernando Machado Vieira 

João Machado Vieira 

Cilço Campos 

Ciro Dias da Costa 

Orlando Jorge Degrazzia 

Ciro Dutra Ferreira 

João Carlos Paixão Cortes 

Que alguns meses depois dessa foto fundariam o primeiro CTG, no dia 24 de abril de 1948, com registro em ata, foi denominado o “35 – Centro de Tradições Gaúchas”, nome por sugestão de Barbosa Lessa. 

“Em qualquer chão – sempre gaúcho”. 

Foto de Pampa sem Fronteira Produções 

Em 24/4/1948, na rua Duque de Caxias, nº. 704 (no porão da residência do Dr. Carlos Simch), acontecia a fundação do 35 Centro de Tradições Gaúchas. Entre os fundadores Glaucus Saraiva (seu primeiro presidente), Barbosa Lessa e Paixão Cortes. Em maio do mesmo ano, já estavam instalados numa sala cedida pela Farsul, na avenida Borges de Medeiros, podendo também desfrutar do terraço daquela instituição. 

No esquema interpretativo para a fundação do 35, dispomos de diversas variáveis. Entre elas o voluntarismo dos “8 guris” do Colégio Júlio de Castilhos (um prato cheio pra quem gosta, na história, de ver primeiro o indivíduo), passando pelos reflexos da reabertura democrática pós Estado Novo (1937-45) e pela reação à americanização da cultura. E, ainda, pela sobrevivência da cultura gauchesca nas populações urbanas que, vindas para a capital em busca de oportunidades, sentiam-se descoladas de seu passado histórico-cultural. Algo próximas ao “gaúcho a pé” de Cyro Martins. 

Os que enfatizam que o 35 foi uma resposta ao antigauchismo vigente, alegam que na época até constrangimentos ocorriam para quem chimarreasse ou usasse bombacha em público. Não é o que a pesquisa revela. Pelo menos nas páginas da Revista do Globo, uma das acusadas de propagar o american way of live entre nós. No mesmo ano que o 35 foi criado, uma extensa reportagem desta revista nos dá conta do sucesso que eram os programas radiofônicos da Rádio Gaúcha, capitaneados por Cândido Norberto e Adroaldo Guerra, onde trovadores já afamados como Gildo de Freitas encantavam gaúchos e gaúchas a pé, com sua verve.  

Histórias de amor

 Compositores: Marco Sousa / Luiz Barbosa 

Canta Roberto Carlos

Roberto por Cícero Lopes

As histórias de amor

São às vezes parecidas,

Mas história de amor igual a nossa

Não são muitas nesta vida.

Quase sempre eu me vejo

Contemplando o nosso amor,

De sorrisos e alegrias,

Iluminado, encantador.

 

Você sempre planejando

Nossa casa, nosso canto,

E a doçura dos seus beijos

Pra brindar o nosso encontro.

E vivemos tudo isso

Na temperatura certa,

O calor dos nossos braços,

Nosso coração aperta.

Nosso amor é tão bonito,

Sentimento tão profundo.

Temos todas as estrelas

Iluminando o nosso mundo.

 

É assim meu amor por você,

Meu bem querer, como eu amo você.

É assim meu amor por você,

Meu bem querer, como eu amo você.

 

E vivemos tudo isso

Na temperatura certa.

O calor dos nossos braços,

Nosso coração aperta.

Nosso amor é tão bonito,

Sentimento tão profundo.

Temos todas as estrelas

Iluminando o nosso mundo.

 

É assim meu amor por você.

Meu bem querer, como eu amo você.

É assim meu amor por você.

Meu bem querer, como eu amo você.

 

É assim que eu amo você.

Meu bem querer, como eu amo você.

É assim meu amor por você...

domingo, 3 de agosto de 2025

A motivação para acordar feliz

 Visão geral criada por IA

A motivação para acordar de manhã varia de pessoa para pessoa, mas geralmente está ligada a um conjunto de fatores como propósito, responsabilidades, metas e desejos pessoais. Algumas pessoas são motivadas por suas responsabilidades diárias, como trabalho ou compromissos, enquanto outras são impulsionadas por seus objetivos de longo prazo e paixões. A busca por bem-estar, seja físico ou mental, também desempenha um papel importante, com muitos encontrando motivação em atividades como exercícios ou hobbies.  

Fatores que podem te fazer levantar de manhã: 

Propósito e metas: 

Ter um objetivo claro a alcançar, seja no trabalho, nos estudos ou em projetos pessoais, pode ser um forte motivador. 

Responsabilidades: 

O senso de dever e as obrigações do dia a dia, como trabalho, família ou estudos, podem ser a principal razão para acordar cedo.  

Desejos e sonhos: 

A busca por realizar seus desejos e alcançar seus sonhos pode ser uma poderosa força motriz para sair da cama.  

Bem-estar: 

A prática de atividades físicas, uma alimentação saudável e um bom descanso são essenciais para manter a disposição e a motivação para começar o dia. 

Rotina e hábitos: 

Estabelecer uma rotina matinal e criar hábitos saudáveis pode facilitar o despertar e aumentar a disposição.  

Motivação extrínseca: 

Reconhecimento profissional, recompensas financeiras e outras formas de validação externa podem impulsionar a motivação para acordar.  

Motivação intrínseca: 

A satisfação pessoal, o prazer em realizar tarefas desafiadoras e a sensação de progresso também são fatores importantes.  

Influência social: 

Compartilhar seus objetivos com amigos e familiares pode criar um senso de responsabilidade e aumentar a motivação para cumpri-los. 

Dicas para começar o dia com mais disposição: 

● Estabeleça uma rotina: Defina horários regulares para acordar e dormir, criando um ritmo natural para o seu corpo. 

● Pratique exercícios físicos: A atividade física libera endorfinas, que promovem bem-estar e disposição. 

● Alimente-se bem: Comece o dia com um café da manhã nutritivo para fornecer energia ao corpo.  

● Durma o suficiente: Garanta um sono de qualidade para acordar descansado e com energia.  

● Evite telas antes de dormir: A luz azul emitida por aparelhos eletrônicos pode prejudicar o sono.  

● Prepare o ambiente: Deixe o quarto escuro e silencioso para facilitar o sono e o despertar.  

● Seja grato: Comece o dia refletindo sobre as coisas boas da vida, isso pode aumentar a sensação de bem-estar.  

● Encontre o seu propósito: Descubra o que te motiva a acordar e invista tempo em atividades que te tragam satisfação. 

sábado, 2 de agosto de 2025

Haroldo Barbosa

 

É uma das maiores figuras da história da Música Popular Brasileira e de nossa comunicação! 

Ary Vidal, seu nome de pia, desdobrou-se em muitos: radialista, jornalista, discotecário, arquivista, humorista, diretor de rádio e TV, turfista, boêmio e muitas outras coisas, dentre elas compositor! 

Nascido em Laranjeiras, logo cedo Haroldo mudou-se para Vila Isabel, onde fez amizade com outro gênio da raça ‒ Noel Rosa – O Poeta do Samba, e seu irmão, Hélio Rosa, o qual lhe ensinou cavaquinho! 

O multifacetado artista iniciou no rádio como contrarregra, na equipe do Programa Casé, na Rádio Phillips; em seguida, transferiu-se junto com Ademar Casé para a Rádio Sociedade, onde organizou a discoteca e atuou, também, como locutor esportivo! 

Mestre, organizou todo o acervo de música da emissora, um dos mais importantes da época, e foi responsável pela criação dos primeiros jingles da publicidade brasileira! 

Ao longo de uma profícua carreira, trabalhou com outros monstros de nossa cultura popular, como César Ladeira, Geraldo Casé (avô da Regina Casé), Antônio Maria, Chico Anysio, Max Nunes, dentre tantos outros! 

O compositor tinha um estilo diferente de sua época, fazia um samba da cidade, do asfalto, urbano, de letras que são autênticas e refinadas crônicas sociais! 

Em seus 64 anos de vida, Haroldo valeu-se de sua verve jornalística para tecer bem-humoradas e inteligentes análises dos costumes da sociedade brasileira em suas letras! 

Suas composições foram gravadas por grandes cartazes de nossa música, tais como Elizeth Cardoso, a “Divina”, Aracy de Almeida, Francisco Alves, Orlando Silva, o “O Cantor das Multidões”, dentre muitos outros! 

Alguns de seus maiores sucessos são “De conversa em conversa” (com Lúcio Alves); “Adeus América” (com Geraldo Jacques), “Eu quero um samba” (com Janet Almeida), “Cabo Laurindo” (com Wilson Baptista), “Tim Tim por tim tim” (com Geraldo Jacques), e “Palhaçada (com Luiz Reis) clássico que vocês curtirão em versão ao vivo com o excepcional cantor Miltinho! Um gênio! 

Som do Animal 

Palhaçada

Cara de palhaço,

Pinta de palhaço,

Roupa de palhaço,

Foi este o meu amargo fim.

Cara de gaiato,

Pinta de gaiato,

Roupa de gaiato,

Foi o que eu arranjei pra mim.

 

Estavas roxa por um trouxa

Pra fazer cartaz.

Na tua lista de golpista

Tem um bobo a mais (eu).

Quando a chanchada deu em nada,

Eu até gostei,

E a fantasia, foi aquela que esperei.

 

Cara de palhaço,

Pinta de palhaço,

Roupa de palhaço,

Pela mulher que não me quer,

Mas se ela quiser voltar pra mim,

Vai ser assim:

Cara de palhaço,

Pinta de palhaço,

Até o fim!