sábado, 21 de março de 2026

Emprego dos pronomes demonstrativos

 

este, esse, aquele

00. Emprego dos demonstrativos: este – esta ‒ estes – estas – esse – essa – esses ‒ essas e suas variações: aquele ‒ aquela ‒ aqueles – aquelas: isto ‒ (só no singular) ‒ isso (só no singular): aquilo (só no singular).

O emprego dos pronomes demonstrativos e suas variações se efetua a partir dos seguintes critérios:

01. Em relação ao espaço: (= à proximidade ou afastamento das diferentes pessoas gramaticais) (= perto de mim ‒ perto de ti ‒ longe de nós). 

Observe as frases:

a) Balconista, quero comprar este terno que estou admirando. (perto da pessoa que fala = eu/mim) 

b) Dá-me esse açucareiro que está perto de ti, Marina. (perto da pessoa com quem se fala = tu/ti) 

c) Maria, conheces aquele senhor que está do outro lado da rua? (longe da pessoa que fala e da pessoa com que se fala = eu/tu = nós) 

Agora, devemos traçar as normas básicas para o emprego dos pronomes demonstrativos.

Usa-se: 

a) este (a): para algo que está aqui perto de mim (pronome pessoal) eu.

b) esse (a): para algo que está perto de ti (pronome pessoal) tu.

c) aquele (a): para algo que esteja longe de nós, isto é, de mim e de ti.

02. Em relação ao TEMPO: (presente, passado recente, passado mais afastado)

a) Este ► refere-se ao tempo atual, que está transcorrendo: (este dia ‒ esta semana ‒ este mês ‒ este ano ‒ esta década)

Esta noite de hoje está muito agradável.

Nesta semana irei ao cinema.

b) Esse ► refere-se a um tempo passado e, de preferência, não muito afastado:

Há duas semanas, fui para a fazenda de meus avós; esses dias foram muito felizes.

c) Aquele ► refere-se a um tempo anterior bem mais afastado:

Em 1945, naquele ano terminou a Segunda Guerra Mundial.

03. Em relação aos termos de uma ORAÇÃO ou PERÍODO:

a) Este refere-se ao termo mais próximo, isto é, ao nomeado em segundo lugar; e aquele indica o mais afastado, isto é, o enunciado em primeiro lugar.

Duas criaturas são dignas de admiração; os jovens e os velhos; estes, (os velhos) por sua experiência; aqueles, (os jovens) por seu idealismo.

b) Este indica a ideia que vamos mencionar, e esse se refere a uma ideia já referida.

Prestem muita atenção nesta frase, porque ela exemplifica isso que eu expliquei há pouco.

sexta-feira, 20 de março de 2026

12 Lições de Vida

 de uma Professora Aposentada

01. ► Toda criança difícil está pedindo algo que não sabe nomear. 

02. ► O aluno que mais me deu trabalho é o que mais me visita ainda hoje. 

03. ► Não existe criança burra, temos que incentivar o que ela gostaria mais de aprender. 

04. ► Elogie o esforço do aluno, não o resultado, positivo ou negativo. 

06. ► Incentivar a leitura, desde pequeno, vale mais que brinquedo caro. 

06. ► Não compare: cada semente tem seu tempo para germinar. Assim também é o aluno. 

07. ► Educação que fica para sempre, o aluno só aprende pelo exemplo. 

08. ► Disciplina sem afeto cria medo. 

09. ► O professor que mais o marcou, acreditava muito em você. 

10. ► Errar e admitir que errou ensina mais do que 100 aulas. 

11. ► Ensine os alunos para o mundo que eles irão enfrentar. 

12. ► Eu ainda, até hoje, sinto falta de alunos entrando barulhentos em minha sala de aula. 

(De um desenho feito por IA)

quinta-feira, 19 de março de 2026

Cuidado com psicopata!

 

(...) 

Esse distinto sentimento, o da compaixão, é subestimado. Poucas vezes é levado em consideração quando as pessoas vão avaliar outras pessoas. Quando você, leitor, escolheu seu cônjuge, chegou a cogitar se ele tem compaixão? Ele é capaz de sentir a dor do outro? Comove-se com a desgraça alheia? Ou para ele tanto faz? Cuidado: você estar dormindo ao lado de um psicopata. 

Esse pode ser, também, um critério sábio para a escolha de políticos. O seu candidato se importa com as outras pessoas? Ele realmente se comove com a infelicidade do outro? Ou ele só quer se manter no poder e destruir seus adversários? 

Compaixão. Pense nisso na próxima eleição. 

(Parte de uma crônica de David Coimbra, junho de 2021)

quarta-feira, 18 de março de 2026

A Nova Igreja

 

Um belo dia, um ignorante inteligente veste um manto ou põe um livro embaixo do braço e vai para as praças públicas proclamar aos quatro ventos que é um enviado de Deus. 

Em tom eloquente, o mensageiro anuncia que um anjo lhe apareceu em sonhos e deu-lhe a missão de avisar a todos que em breve, do céu, virão grandes castigos, dos quais só estarão a salvo aqueles que o seguir, contribuindo para formação do reino de Deus aqui na terra. 

Que o salvador virá na cauda de um cometa e arrebatará os eleitos, levando os batizados para o céu. Dentro de pouco tempo, essa nova igreja já arrasta uma multidão para os seus cultos e muito dinheiro para seus cofres. 

A congregação cresce tão rápido que um só pastor já não atende às necessidades da nova comunidade. Aí, o primeiro se proclama bispo e sagra o segundo, que ordena o terceiro, que promove o quarto, que nomeia o quinto. 

Assim, se forma o clero de homens e mulheres que regerão os destinos da nova comunidade, inclusive com poderes para sagrar e ordenar novos clérigos e pastores que serão os arautos da palavra de Deus, os quais irão expulsar demônios, fazer curas, batizar e servir de intermediários entre deus e os pecadores. 

Se você se perguntar, quem lhes deu a missão de pregar o Santo Evangelho e o poder para batizar? Certamente vão responder que foi o próprio Deus. 

Com o dinheiro arrecadado, o grupo compra carros de luxo para os membros, alugam ou compram canais de televisão e rádio. Constroem ou alugam barracões cada vez maiores para acomodar número dos seguidores que aumenta dia a dia. 

A nova igreja vai muito bem, até que alguém descobre que os lucros não estão sendo distribuídos em partes iguais conforme o combinado. A desigualdade no rateio provoca o cisma, os lesados abandonam a congregação e cada um dos dissidentes funda a sua própria igreja. 

Jhon Macker 

Recanto das letras

terça-feira, 17 de março de 2026

Biografia do Mestre Cartola

 

Nascido na rua Ferreira Vianna, no Catete, em 11.10.1908, era o primogênito dos oito filhos do casal Sebastião e Aída. Apesar de ter recebido o nome de Agenor, foi registrado como Angenor de Oliveira. Mas esse fato ele só viria a descobrir muitos anos mais tarde, ao tratar dos papéis para seu casamento com Dona Zica, nos anos de 1960. A partir de então, para não ter que providenciar a mudança do nome no cartório, passou a assinar oficialmente seu nome como Angenor de Oliveira. Ainda na infância, mudou-se com a família para o bairro das Laranjeiras, onde entrou em contato com os ranchos União da Aliança e Arrepiados. Neste último, tocava um cavaquinho que lhe fora dado pelo pai quando tinha somente 8 ou 9 anos de idade. Seu entusiasmo por esse rancho era tanto que, mais tarde, ao participar da fundação da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, em abril de 1929, sugeriu que aquela agremiação tivesse as mesmas cores do rancho Arrepiados: verde e rosa. Desde então, essas duas cores passaram a formar um símbolo dos mais reverenciados no mundo do samba. 

Na verdade, soube depois por Carlos Cachaça, que existira no Morro da Mangueira um antigo rancho de carnaval com o nome de Caçadores da Floresta, cujas cores eram exatamente o verde e o rosa. Em 1919, foi morar no Morro da Mangueira, aos 11 anos de idade. Sua família passava, então, por dificuldades financeiras. Pouco depois, começou a travar amizade com um outro morador da Mangueira, Carlos Cachaça, seis anos mais velho, e que se tornaria, além de amigo por toda a vida, o seu parceiro mais constante em dezenas de sambas. 

Fez o curso primário. Após a morte de sua mãe, abandonou os estudos para trabalhar, ao mesmo tempo em que se inclinava para a vida boêmia. Durante a adolescência trabalhou numa tipografia e também como pedreiro. Vem daí o apelido com que se tornaria reconhecido como um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira: enquanto trabalhava nas obras de construção, para que o cimento não lhe caísse sobre o cabelo, resolveu passar a usar um chapéu- de- coco que os colegas diziam parecer mais uma cartolinha. Assim, começou a ser chamado de “Cartola”. Nessa época, conheceu Deolinda, mulher sete anos mais velha, casada e com uma filha de dois anos. Certa vez, se sentiu doente e Deolinda, vizinha do barraco ao lado, se oferece para cuidar dele. Os dois acabam se envolvendo. Tinha na época apenas 18 anos e estava morando sozinho. Decidem viver juntos e Deolinda deixa o marido, levando a filha que o compositor irá criar como sua. Sob seu teto e de Deolinda, Noel Rosa foi se abrigar algumas vezes, à procura de um refúgio tranqüilo, como contam João Máximo e Carlos Didier em “Noel Rosa, uma biografia”. 

Participou da formação do Bloco dos Arengueiros, em 1925, que viria a ser o embrião da Mangueira. Em 1946, aos 38 anos de idade, contraiu meningite e ficou impossibilitado de continuar a trabalhar por um longo tempo. Com a morte de Deolinda, deixou o Morro da Mangueira, afastando-se do mundo do samba, por cerca de dez anos. Conseguiu trabalhos modestos, como o de lavador de carros e vigia de edifícios. Era esse o seu ofício, em meados dos anos 1950, num edifício em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. Numa noite de 1956, em que resolveu beber um café num botequim próximo ao edifício onde trabalhava, encontrou o escritor Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) que imediatamente o reconheceu. Ao ver o compositor naquele macacão, molhado, o escritor decidiu ajudá-lo. Na ocasião, era dado como desaparecido ou mesmo morto, por muitos de seus conhecidos e admiradores. O reencontro com Sérgio Porto foi definitivo para a retomada de sua carreira como músico e compositor. 

Começou a participar de programas na rádio Mayrink Veiga e depois foi trabalhar como contínuo no jornal Diário Carioca, por recomendação do cronista e pesquisador Jota Efegê. Empregou, anos depois, como contínuo do Ministério da Indústria e Comércio e teve uma casa em terreno doado pelo Governo do Estado da Guanabara. No início dos anos 1960, vivendo com Eusébia Silva do Nascimento, a Zica, abriu com ela o restaurante Zicartola, num casarão na Rua da Carioca, no Centro do Rio. A iniciativa contou com o apoio financeiro de empreendedores considerados “mangueirenses de coração”, como o empresário Renato Augustini. A receita para o sucesso do estabelecimento, que se tornaria uma página importante na história da música popular brasileira, era das mais simples e saborosas. Na cozinha, D. Zica comandava o tempero do feijão que lhe tornou famosa, enquanto ele fazia as vezes de mestre de cerimônias, propiciando o encontro entre sambistas do morro e compositores e músicos de classe média. No Zicartola, por exemplo, Paulinho da Viola começou a cantar em público. 

Em 1978, transferiu-se da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá, mas sempre voltava para visitar os amigos no morro onde crescera e se tornara famoso. Em 1979, descobriu que estava com câncer, doença da qual viria a morrer no ano seguinte, aos 72 anos de idade, em 30.11.1980. Após o velório na quadra da Estação Primeira de Mangueira, seu corpo foi sepultado no Cemitério do Caju. Durante os anos seguintes, viriam homenagens póstumas, discos e biografias que o confirmariam como um dos maiores nomes da música popular brasileira. Quando soube que o compositor se encontrava doente o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu crônica no Jornal do Brasil na qual dizia: “A delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução. Como bem me observou Jota Efegê, seu padrinho de casamento, trata-se de um distinto senhor emoldurado pelo Morro da Mangueira. A imagem do malandro não coincide com a sua. A dura experiência de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de carros, desconhecido e trazendo consigo o dom musical, a centelha, não o afetou, não fez dele um homem ácido e revoltado. A fama chegou até sua porta sem ser procurada. O discreto Cartola recebeu-a com cortesia. Os dois conviveram civilizadamente. Ele tem a elegância moral de Pixinguinha, outro a quem a natureza privilegiou com a sensibilidade criativa, e que também soube ser mestre de delicadeza.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Oração da Mulher

 

Senhor, me ajude a nunca desistir de ser mulher.

Coloque um espelho no meio do meu caminho entre a lavanderia,

o supermercado, o sapateiro...

E que, ao me olhar, eu goste do que vejo. 

Não deixe que eu passe uma semana sem usar batom bem vermelho,

uma bota bem alta ou um jeans bem justo.

Proteja meus cabelos do vento, os brinco e anéis dos olhares invejosos.

Nunca deixe faltar na minha vida comédias românticas e boas depiladoras. 

Se eu tiver vontade de chorar, faça com que eu chore um dilúvio.

E que tenha saído de casa sem pintar o olho.

Para cada dia triste, me dê uma vitrine com sapatos lindos. 

Já que eu nunca pedi milagres,

faça que minha celulites sejam ao menos discretinhas.

Dê-me saúde, tempo livre, e silêncio...

E que nunca falte perfume na minha bolsa. 

Nos engarrafamentos,

faça com que eu ligue o rádio e esteja tocando minha música preferida.

Dê-me forças para comer mais saladas, mais frutas.

Cegue meus olhos para as sujeiras dos cantos.

Ajude para que eu chegue do trabalho inteira. 

Em dias difíceis, dê-me persistência para seguir na dieta.

Dê também firmeza para os seios...

Proteja minhas poucas horas de sono

e não me julgue mal caso eu não acorde na hora. 

Não deixe que minha testa fique tão franzida

a ponto de parecer uma saia plissada.

E eu, uma louca estressada.

Faça com que o sol seja meu personal trainer,

meu complexo de vitaminas, meu carregador de bateria...

Mas quando eu pedir um diazinho de chuva, não pergunte por quê. 

Para cada batata quente no trabalho, me dê um café recém-passado.

Entenda que, quando rezo para cancelarem uma reunião

(não é gastar reza à toa, pode ter certeza).

No meio de tudo isso, faça com que eu ache tempo para:

Virar namorada de novo, Ir ao cinema, Jantar fora,

Dormir abraçadinha... 

Ilumine o espelho do banheiro e proteja meus cremes e segredos...

Ajude a não faltar gasolina e não furar o pneu e,

por favor, afaste os motoqueiros do meu retrovisor. 

Senhor, por pior que seja o meu dia...

Faça com que ele termine,

e não eu.

Amém!

Amizade é outra coisa!

 

Amizade não é algo que o faz sair do chão e o transporta para lugares que você nunca viu.  

O nome disso é avião. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que você esconde dentro de si e não mostra para ninguém. 

Isso se chama vibrador. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que te faz perder a respiração e a fala. 

O nome disso é bronquite asmática. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que chega de repente e o transforma em refém. 

Isso se chama sequestrador. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que voa alto no céu e deixa sua marca por onde passa. 

Isso se chama pombo com diarreia. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que você pode prender ou botar pra fora de casa quando bem entender. 

Isso se chama cachorro. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que lança uma luz sobre ti, te leva pra ver as estrelas e te traz de volta com algo dele dentro de ti. 

Isso se chama alienígena. Amizade é outra coisa. 

Amizade não é uma coisa que desapareceu e que, se encontrado, poderia mudar o que está diante de você. 

Isso se chama controle remoto de TV. Amizade é outra coisa. 

Amizade? 

Amizade é outra coisa! 

É amor, é respeito, é parceria!