segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Não erre mais! (1)

 Os sete pecados da pronúncia

Conhece a expressão “a sete chaves”? Pois saiba que ela esconde um senhor mistério. Trata-se do número. Em Portugal, lá pelo século 13, não havia cofres. Dinheiro, documentos, joias, metais preciosos & tudo o mais que exigia proteção guardavam-se em arcas de madeira. Elas tinham quatro fechaduras e, claro, quatro chaves. Cada uma ficava com um servidor pra lá de graduado e merecedor da total confiança do rei. Abrir o baú implicava cerimônia cuidadosa com a presença do quarteto. 

Pergunta-se: o que “a quatro chaves” tem a ver com “a sete chaves”? Resposta: o mistério. O povo considerou o quatro sem graça. Preferiu o cabalístico sete para designar segredo bemmmmmmmmmmmmmm guardado. A expressão dava ideia da curiosidade que o conteúdo tão protegido despertava em homens, mulheres e crianças.

Desvendado o enigma medieval, vale decifrar mistério contemporâneo. Trata-se da pronúncia de sete palavras. Por motivos que até Deus ignora, elas caíram na boca do povo e da elite. Mas, a exemplo do quatro que virou sete, trocou-se a sílaba tônica dos vocábulos. O resultado é um só: a silabada bate pesado nos ouvidos. Quem sente o golpe não deixa por menos. Foge. Os mais sensíveis são os apaixonados. Sem resistir à dor, eles partem pra outra. Perdem-se promessas, juras e eternidade. Confirma-se, assim, fato pra lá de conhecido. O amor é cego, mas não é surdo. Olho na fortona (de forte):

Subsídio

Esta palavra joga no time de subsolo, subserviente, subsalário, subsaariano, subsimilar, subsíndico, subsinuoso. Em todas, o s que vem depois do sub se pronuncia ssi. Sem tossir nem mugir.

Recorde

Recorde, concorde e acorde orgulhosamente pertencem à equipe das paroxítonas. A sílaba mandachuva é cor sim, senhor. Dizer “récord”? É a receita do cruz-credo (e da Globo). Xô!

Rubrica

Rubrica e (ele)fabrica são irmãzinhas inseparáveis. A força delas mora na casa do meio − a paroxítona (bri). A dupla tem vizinhos legais. À direita, a senhora oxítona. À esquerda, a dona proparoxítona. Confundir endereços? Valha-nos, Deus. Papai Noel entregará os presentes para quem não pediu. Convenhamos: ninguém merece pagar tal mico. 

Nobel

Mabel, papel e cruel se pronunciam do mesmo jeitinho. A sílaba tônica é a última. Na dúvida, pense um pouco. Se Nobel fosse paroxítona, pertenceria à gangue de móvel e automóvel. Teria acento. Como não tem, a conclusão é uma só. O nome do prêmio mais cobiçado do planeta é oxítono e não abre. PT saudações.

Ibero

É a forma alatinada de ibérico. Trissílabo e polissílabo têm o mesmo significado. Designam os originários da Península Ibérica, que engloba Portugal e Espanha. A menorzinha mantém a marca da grandona. A sílaba tônica de ambas é a mesma − be. Diga, pois, sem medo de errar: cúpula ibero-americana, povos ibero-americanos, presidentes ibero-americano.

Gratuito

Fortuito e circuito são como unha e carne. O ui forma ditongo. Não se separa nem com sangue, suor e lágrimas. Vamos combinar? Se a fortona recaísse no i, o acentão pediria passagem como em cuíca.

Linguiça

Tranquilo, cinquentenário & Cia. Perderam os anéis, mas mantiveram os dedos. Em bom português: a reforma ortográfica lhes cassou o trema, mas a pronúncia nem ligou. Sabida, hein? A reforma é ortográfica. Só atingiu a grafia das palavras.

(Do Correio Braziliense – Blog da Dad) 

Rabino não mente

 

O rabino tinha 12 filhos, precisava sair da casa onde morava e alugar outra, mas não conseguia por causa do monte de crianças. 

Quando ele dizia que tinha 12 filhos, ninguém queria alugar porque sabiam que a criançada iria destruir a casa e ele não podia dizer que não tinha filhos, não podia mentir, rabinos não podem mentir. Ele estava ficando desesperado, o prazo para se mudar estava se esgotando. 

Daí teve uma ideia: mandou a mulher ir passear no cemitério com 11 dos filhos. 

Pegou o filho que sobrou e foi ver casas junto com o agente da imobiliária. Gostou de uma e o agente perguntou quantos filhos ele tinha. 

Ele respondeu: 

- Eu tinha 12 filhos. 

Daí o agente perguntou: 

- E onde estão os outros? 

E ele respondeu, com um ar muito triste: 

- Estão no cemitério, junto com a mamãe deles. 

E foi assim que ele conseguiu alugar uma casa, sem mentir... 

A inteligência faz a diferença.

Não é necessário mentir, basta escolher as palavras certas...

Criando Raízes

 “Nossa força vem de nossas fraquezas.”

(Ralph Waldo Emerson)

Quando eu era pequeno, tinha um velho vizinho chamado Dr. Gibbs. Ele não se parecia com nenhum médico que eu jamais houvesse conhecido. Todas as vezes em que eu o via, ele estava vestido com um macacão de zuarte e um chapéu de palha cuja aba da frente era de plástico verde transparente. Sorria muito, um sorriso que combinava com seu chapéu − velho, amarrotado e bastante gasto. Nunca gritava conosco por brincarmos em seu jardim. Lembro-me dele como alguém muito mais gentil do que as circunstâncias justificariam.

Quando o Dr. Gibbs não estava salvando vidas, estava plantando árvores. Sua casa localizava-se em um terreno de dez acres, e seu objetivo na vida era transformá-lo em uma floresta.

O bom doutor possuía algumas teorias interessantes a respeito de jardinagem. Ele era da escola do “sem sofrimento não há crescimento”. Nunca regava as novas árvores, o que desafiava abertamente a sabedoria convencional. Uma vez perguntei-lhe por quê. Ele disse que molhar as plantas deixava-as mimadas e que, se nós as molhássemos, cada geração sucessiva de árvores cresceria cada vez mais fraca. Portanto, tínhamos que tornar as coisas difíceis para elas e eliminar as árvores fracas logo no início. 

Ele falou sobre como regar as árvores fazia com que as raízes não se aprofundassem, e como as árvores que não eram regadas tinham que criar raízes mais profundas para procurar umidade. Achei que ele queria dizer que raízes profundas deveriam ser apreciadas. 

Portanto, ele nunca regava suas árvores. Plantava um carvalho e, ao invés de regá-lo todas as manhãs, batia nele com um jornal enrolado. Smack! Slape! Pou! Perguntei-lhe por que fazia isso e ele disse que era para chamar a atenção da árvore.

O Dr. Gibbs faleceu alguns anos depois. Saí de casa. De vez em quando passo por sua casa e olho para as árvores que o vi plantar há cerca de vinte e cinco anos. Estão fortes como granito agora. Grandes e robustas. Aquelas árvores acordam pela manhã, batem no peito e bebem café sem açúcar. 

Plantei algumas árvores há alguns anos. Carreguei água para elas durante um verão inteiro. Borrifei-as. Rezei por elas. Todos os nove metros do meu jardim. Dois anos de mimos resultaram em árvores que querem ser servidas e paparicadas. Sempre que sopra um vento frio, elas tremem e balançam os galhos. São “árvores maricas”.

Uma coisa engraçada a respeito das árvores do Dr. Gibbs: a adversidade e a privação pareciam beneficiá-las de um modo que o conforto e a tranquilidade nunca conseguiriam. 

Todas as noites, antes de ir dormir, dou uma olhada em meus dois filhos. Olho-os de cima e observo seus corpinhos, o sobe e desce da vida dentro deles.

Frequentemente oro por eles. Oro principalmente para que tenham vidas fáceis. “Senhor, poupe-os do sofrimento.” Mas, ultimamente, venho pensando que é hora de mudar minha oração.

Essa mudança tem a ver com a inevitabilidade dos ventos gelados que nos atingem em cheio. Sei que meus filhos encontrarão dificuldades e, portanto, minha oração para que isto não aconteça é ingênua. Sempre há um vento gelado soprando em algum lugar. 

Portanto, estou mudando minha oração vespertina. Porque a vida é dura, quer o desejemos ou não. Em vez disso, vou orar para que as raízes de meus filhos sejam profundas, para que eles possam retirar forças das fontes escondidas do Deus eterno.

Muitas vezes oramos por tranquilidade, mas essa é uma graça difícil de alcançar.

O que precisamos fazer é orar por raízes que alcancem o fundo do Eterno, para que quando as chuvas caiam e os ventos soprem não sejamos varridos em direções diferentes.

(Philip Gulley)

(Do livro; “Histórias para Aquecer o Coração”) 

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Aprendizes...

 

Um discípulo foi até o porão do velho convento. 

Era naquele lugar que vivia um homem muito sábio. O jovem empurrou a pesada porta, entrou e demorou um pouco para acostumar os olhos com a pouca luminosidade. 

Finalmente, ele localizou o ancião sentado atrás de uma escrivaninha. Apesar do escuro, ele fazia anotações num grande livro. 

O discípulo se aproximou com respeito e perguntou, ansioso pela resposta: 

– Mestre, qual o sentido da vida? 

O monge permaneceu em silêncio. Apenas apontou um pedaço de pano no chão junto à parede. Depois apontou seu indicador para o alto, para o vidro da janela, cheio de poeira e teias de aranha. 

Mais que depressa, o discípulo pegou o pano e subiu – em uma estante. Conseguiu alcançar a vidraça, começou a esfregá-la com força, retirando a sujeira que impedia a transparência. 

O sol inundou o aposento e iluminou com sua luz dezenas de papiros e pergaminhos com anotações. 

Cheio de alegria, o jovem declarou: 

– Entendi, mestre. Devemos nos livrar de tudo aquilo que não permita o nosso aprendizado. Buscar tirar o pó dos preconceitos e as teias das opiniões que impedem que a luz do conhecimento nos atinja. Só então poderemos enxergar as coisas com mais nitidez. 

Fez uma reverência e saiu do aposento, a fim de comunicar aos amigos o que aprendera. 

O velho monge sentiu os raios do sol a invadir o quarto com a claridade da qual se desacostumara. Viu o discípulo se afastando, sorriu levemente e falou: 

– Mais importante do que aquilo que alguém mostra é o que o outro enxerga. Afinal, eu só queria que ele colocasse o pano no lugar de onde caiu. 

(Autor Desconhecido)

Manifesto Político

(Leia até o final) 

O presidente, o PL e todos os partidos do Centrão!

Nosso Grupo cumprirá o que promete:

Só os ignorantes podem crer que

não lutaremos contra as rachadinhas e a corrupção,

porque, se há algo certo para nós, é que

a honestidade e a transparência serão fundamentais

para alcançar nossos ideais.

Mostraremos que é grande estupidez crer que

as máfias continuarão no governo, como sempre.

Asseguramos, sem dúvida, que

a justiça social será o alvo de nossa ação.

Apesar disso, há idiotas que imaginam que

se possa governar com as manhas da velha política.

Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que

se termine com os marajás, as negociatas e as milícias.

Não permitiremos de nenhum modo que

nossas crianças morram de fome.

Cumpriremos nossos propósitos mesmo que

os recursos econômicos do País se esgotem.

Exerceremos o poder até que

compreendam que

Somos a nova política. 

(Leia, agora, de baixo para cima)  

CINEMÊS l

 (Histórico Diletante) 

Vocabulário:  

Coluna 1

Coluna 2

Coluna 3

Nível culto: 

0. Realização

1. Produção

2. Obra

 

0. Documental

1. Policial

2. Musical

  

0. Realista

1. Felliniana

2. Expressionista

Nível sábio: 

3. Expressão

4. Ficção

5. Chanchada

6. Aventura

 

3. Bíblica

4. Fantástica

5. Épica

6. Psicológica

 

3. Glauberiana

4. Desdramatizada

5. Neo-realista

6. De Terror

Nível gênio: 

7. Comédia

8. Cinematográfica

9. Superprodução

 

7. Maldita

8. Marginal

9. Independente

 

7. Do Cinema Novo

8. Da Avant-Garde

9. Da Nouvelle Vague

Louco: Qualquer das combinações possíveis, no singular ou no plural. 

Palavras alternativas: 

Coluna 1: Sátira, Classe B, Série.

Coluna 2: Comercial, Inédita, Engajada.

Coluna 3: Melodramática, Antropomórfica, Acadêmica. 

Indicações de Uso 

O cinema é uma atividade artística extraordinária. Seus dialetos são tão amplos e ricos que permitem um desdobramento semântico em duas categorias de termos e expressões: histórico/diletante e técnico/profissional. 

O linguajar histórico/diletante é especialmente indicado para espectadores e críticos (mesmo quando profissionais). Através de uma simples combinação das palavras propostas, você passará a ser considerado um expert incontestável, frequentador de cinematecas e salas especiais.

Principais locais de uso: filas pré-bilheteria e bares pós-sessão (Olaria). Pode ser também usado em atividades acadêmicas nas faculdades de Cinema e de Comunicação. É um campo de experiência onde professores estão quase tão despreparado quanto o aluno. Se for o seu caso, tasque ficha na prova, sem medo!

Exemplos de Aplicação 

Papinho informal: 

Valeu a pena enfrentar a fila. Fazia tempo que a gente não via uma Comédia maldita da nouvelle vague. Eu me lembrei muito de alguns classe B marginais engajados. Não é? 

Crítica fundamentada: 

Apesar de premiada em diversos festivais, a obra não deixa de ser apenas uma ficção documental realista com raízes em superadas realizações de expressão bíblica acadêmica. Serve apenas como exemplo de uma cinematografia comercial melodramática.

Dissertação universitária: 

As aventuras psicológicas realistas encerram sempre uma face independente glauberiana. são filmes inéditos em seu conteúdo e superproduzidos formalmente. Grandes teóricos avaliam que este gênero, de caráter épico e antropomórfico, será fatalmente substituído por produções fantásticas de inspiração felliniana.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Corrigindo velhos ditados

01 - “É dando que se... engravida”. 

02 - “Quem ri por último... é retardado ou burro”. 

03 - “Alegria de pobre... é impossível”. 

04 - “Quem com ferro fere... não sabe como dói”. 

05 - “Em casa de ferreiro... só tem ferro”. 

06 - “Quem tem boca... fala o que quiser. Quem tem grana é que vai a Roma.” 

07 - “Gato escaldado... morre!”. 

08 - “Quem espera... fica de saco cheio.” 

09 - “Quando um não quer... o outro insiste.” 

10 - “Os últimos serão... os desclassificados.” 

11 - “Há males que vêm para... ferrar com tudo mesmo!” 

12 - “Se Maomé não vai à montanha... é porque ele se mandou pra praia.” 

13 – “A esperança... e a sogra são as últimas que morrem.” 

14 - “Quem dá aos pobres... cria os filhos sozinha.” 

15 - “Depois da tempestade vem a... enchente.” 

16 - “Devagar é que... se demora a chegar.” 

17 - “Antes tarde do que... mais tarde.” 

18 - “Em terra de cego quem tem um olho é... caolho.” 

19 - “Quem cedo madruga... fica com sono o dia inteiro.” 

20 - “Pau que nasce torto... faz xixi no chão.”