sábado, 23 de novembro de 2024

A grande lição do meu pai

 

Passei uma hora no banco com meu pai, pois ele tinha que transferir um dinheiro. 

Eu não pude resistir a mim mesmo e perguntei a ele: 

‒ Pai, por que não ativamos seu banco pela Internet? 

‒ Por que eu faria isso? ‒ Ele perguntou. 

‒ Bem, assim você não terá que passar uma hora aqui para fazer uma transferência. Você pode até fazer suas compras online. Tudo será mais fácil! 

Eu estava bem animado em iniciá-lo no mundo do Internet banking. 

Ele perguntou: 

‒ Se eu fizer isso, não terei mais que sair de casa? 

‒ Sim, Sim!  ‒ Eu disse. 

Eu disse a ele que até os alimentos podem ser entregues na porta de casa, agora com a Amazon! 

Sua resposta me deixou sem palavras. 

Ele disse: 

‒ Desde que entrei neste banco hoje, encontrei quatro dos meus antigos amigos, conversei um pouco com o pessoal que agora me conhece muito bem. Você sabe que ando sozinho e tenho dificuldade para caminhar, uso bengala para me locomover, e esta é a companhia de que preciso. Gosto de me arrumar e vir ao banco. Tenho bastante tempo, é o toque físico que anseio. Dois anos atrás eu adoeci. O dono da loja, de quem compro frutas, veio me ver e se sentou ao lado da minha cama e chorou. Quando sua mãe caiu alguns dias atrás, durante sua caminhada matinal, o dono da mercearia local a viu e imediatamente pegou seu carro para levá-la para casa, pois ele sabe onde eu moro. 

Agora me diga uma coisa: Eu teria aquele toque 'humano' se tudo ficasse online? Por que eu iria querer que tudo fosse entregue a mim e me forçar a interagir apenas com meu computador? Gosto de conhecer a pessoa com quem estou lidando e não apenas o 'vendedor'. Isso cria laços de relacionamentos. A Amazon oferece tudo isso também? Tecnologia não é vida. Passe mais tempo com as pessoas, não com dispositivos. O mundo está morrendo por causa das facilidades que fizeram às pessoas sedentárias...

(Autor desconhecido)

Vou te contar coisas

 que tenho percebido ultimamente...

Parece que a esquina da minha casa resolveu se afastar um pouco mais… Ela já não está ali, perto, mas duas vezes mais longe do que eu lembrava. E, agora, no meio do caminho, surgiu uma pequena subida que nunca notei antes, como se o chão conspirasse para me lembrar de algo que perdi. 

Os degraus da escada? Ah, esses também me pregaram uma peça. Estão mais altos, desafiando-me a cada passo. E quando peço para as pessoas falarem mais claro, percebo que o mundo resolveu sussurrar. Parece que o som se esconde, deixando-me com pedaços de conversas que não posso mais juntar. 

Até as roupas, aquelas que sempre gostei, parecem ter encolhido. Principalmente na cintura e nos quadris. Um desconforto novo, que me obriga a aceitar que talvez algo mudou sem que eu tivesse dado permissão. 

E as pessoas? Elas também mudaram. Tornaram-se incrivelmente jovens enquanto eu apenas segui sendo eu. E, ironicamente, as pessoas da minha idade envelheceram tanto que, ao reencontrar uma velha amiga, percebi que ela carregava as marcas do tempo ao ponto de nem me reconhecer. 

Até os ônibus estão diferentes. Eles passaram a correr mais rápido, como se tivessem pressa de me lembrar que o tempo não me espera. 

Parei para refletir sobre tudo isso hoje de manhã, enquanto me olhava no espelho. Curioso como o espelho, que um dia foi tão claro, hoje parece enevoado, como se também ele tivesse mudado sua perspectiva sobre mim. 

Talvez seja esse o recado sutil do tempo: que vale mais gastar os minutos com amigos do que perder amigos com o passar dos minutos. Afinal, tudo à nossa volta muda, mas as lembranças e os afetos, esses sim, são as marcas que podemos escolher deixar ‒ nítidas e verdadeiras, como espelhos antigos que guardam nossa essência. 

Sunshine Sunshine 

(Doces Sonhos)

A diferença entre ser...

 Sogra do genro e Sogra da nora

Duas distintas senhoras encontram-se após um bom tempo sem se verem. 

Uma pergunta à outra: 

‒ Como vão seus dois filhos... a Rosa e o Francisco? 

‒ Ah! querida... a Rosa casou-se muito bem. Tem um marido maravilhoso. É ele que levanta de madrugada para trocar as fraldas do meu netinho, faz o café da manhã, arruma a casa, lava as louças, recolhe o lixo e ajuda na faxina. Só depois é que sai para trabalhar, em silêncio, para não acordar a minha filha. Um amor de genro! Benza-o, ó Deus! 

‒ Que bom, hein amiga! ‒ E o seu filho, o Francisco? Casou também? 

‒ Casou sim, querida. Mas tadinho dele, deu azar demais. Casou-se muito mal... Imagina que ele tem que levantar de madrugada para trocar as fraldas do meu netinho, fazer o café da manhã, arrumar a casa, lavar a louça, recolher o lixo e ainda tem que ajudar na faxina! E depois de tudo isso ainda sai para trabalhar, em silêncio, para sustentar a preguiçosa, vagabunda, encostada da minha nora ‒ aquela porca nojenta e mal agradecida! 

Conclusão: 

“Mãe é Mãe! Sogra é Sogra” 

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

EMPATIA

 

A empatia carrega uma faísca única, quase mágica. 

Dizem que quem a possui na alma é como um pirilampo iluminando caminhos escuros, compartilhando sua luz com quem precisa. 

Ela tem o poder de tocar suavemente o coração alheio, espalhando a grandeza de sua essência. 

A empatia não tem pressa ‒ escuta com atenção, olha com amor e sente na própria pele a dor do outro. 

Ela é doce nos momentos de fragilidade, mas sabe ser firme quando a força é necessária. 

Esses pequenos “pirilampos” agem com delicadeza porque temem ferir quem já está ferido. 

Quem carrega esse brilho curador na alma passa pela vida desatando nós, oferecendo o ombro e enxugando lágrimas. 

Vestidos de empatia, eles percorrem caminhos, ouvindo olhares, lendo silêncios e curando feridas invisíveis. 

E, com gestos sutis, empurram aqueles que já não conseguem andar, devolvendo-lhes a coragem de recomeçar. 

Porque a verdadeira força da empatia é a bondade. 

(Do blog “Sobre literatura”)

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Você se parece com a sua mãe.

 

Mas será que herdei o coração dela?

Aquele coração carinhoso, que perdoa,

Que acolhe todos sem distinção. 

Será que tenho a coragem dela?

Que segue em frente apesar das adversidades,

Carregando fardos sem perder o rumo. 

Será que tenho a força dela?

Que se levanta todos os dias, mesmo ferida,

Enfrentando o mundo com uma face intrépida. 

Será que possuo o sorriso dela?

Aquele sorriso que nos acalma,

Que protege do peso do mundo. 

E a sabedoria dela?

De saber quando falar e quando calar,

De atravessar tempestades com mãos firmes. 

Será que carrego a paciência dela?

Que suporta as provas da vida com serenidade,

Transformando o ordinário em graça. 

E o amor dela?

Incondicional, brilhando como um farol,

Mesmo nos momentos mais sombrios. 

Você diz que me pareço com ela.

Mas espero, acima de tudo, carregar seu espírito:

Em cada passo que dou,

Em cada escolha que faço,

Em cada instante da minha existência. 

Lindsay Rapp, “Amor Incondicional”


quarta-feira, 20 de novembro de 2024

“Sombra” um personagem do teleamigo

 

No tempo em que havia uma sala de bate-papo para as pessoas fazerem amigos e conversarem num número específico da empresa de telefonia, poucos falavam sério, muitos falavam besteiras e outros só ficavam ouvindo as conversas. 

Eu, particularmente, era um personagem sombrio que articulava uma voz grave profunda dizendo: “Aqui quem fala é o Sombraaaaaaaaaa!!!”, deixando muitos ouvintes com os cabelos em pé. 

A minha intenção mesmo era entrar em conversas alheias para sacanear geral. Alguém estava dizendo uma bobagem qualquer, quando, de repente, aparecia do nada aquela gutural e cavernosa: “Aqui quem fala é o Sombraaaaa!!!” 

Numa noite, altas horas, um cara que estava sendo gozado por muitos teleamigos(?), ficou puto da cara e começou a xingar geral. Mandando todo mudo à merda e outras baixarias, quando apareceu uma voz sinistra: “Aqui quem fala é o Sombraaaaa!!! O que está acontecendo, meu amigo, para tantos impropérios que tu estás dizendo em altos brados?” O cara, se acalmando um pouco, desabafou com o “Sombra”: “Acontece que esse bando de sacanas estão tirando sarro da minha cara, e eu já estou não aguentando mais!”. 

O “Sombra”, contemporizando: “Calma, meu jovem, isso aqui é o teleamigo, lugar para se fazer amizades, conversar, se comunicar com alguém que não conheces e trocar umas ideias com ele.” 

Notando que o sujeito baixou a guarda, o “Sombra” continuou sua enrolação: “A propósito, estás falando de onde?” O sujeito, já calminho: “Estou falando da Lomba do Pinheiro (bairro da zona leste de Porto Alegre). O “Sombra” vai à luta: “Taí, um bairro onde eu tenho posto.” O cara, curioso: “Posto, onde?”.  Era tudo que o “Sombra” estava esperando que ele dissesse: “Posto na b... de muito babaca que nem tu, malcriado!” 

E foi uma gargalhada geral de todos que estavam na escuta da conversa.

(NSM)

terça-feira, 19 de novembro de 2024

A borracha e o lápis

 

A borracha disse ao lápis: 

‒ Como estás, amigo? 

O lápis respondeu zangado: 

‒ Não sou seu amigo, odeio-a. 

Ela disse, surpreendida e triste. 

‒ Por quê? 

Ele disse: 

‒ Por que você apaga o que eu escrevo? 

Ela disse: 

‒ Eu só apago erros. 

Ele disse-lhe: 

‒ Qual é o seu negócio? 

Ela disse: 

‒ Eu sou um rascunho, e esse é o meu trabalho. 

Ele disse: 

‒ Isso não é trabalho. 

Ela disse: 

‒ Meu trabalho é tão benéfico quanto o seu. 

O lápis disse: 

‒ Você está errada e soberba, porque quem escreve é melhor do que aquele que apaga. 

Ela disse: 

‒ Remover o errado é equivalente a escrever o certo. 

O lápis ficou em silêncio por um tempo, depois disse com alguma tristeza. 

‒ Mas eu vejo você cada dia mais pequena. 

Ela disse: 

‒ Porque eu sacrifico algo de mim toda vez que eu apago um erro. 

O lápis disse com voz fraca: 

‒ Sinto-me mais baixo do que era. 

O rascunho disse, enquanto o consolava: 

‒ Não podemos beneficiar os outros, a não ser que façamos um sacrifício por eles. 

Então, a borracha olhou para o lápis com muito carinho, dizendo: 

‒ Você ainda me odeia? 

O lápis sorriu e disse: 

‒ Como posso odiá-la quando você nos trouxe sacrifício? Todos os dias você acorda, falta um dia. 

Se você não pode ser um lápis para escrever a felicidade dos outros, seja um bom rascunho para apagar suas mágoas e semear esperança e otimismo em suas almas de que o futuro é mais bonito. Agradeça sempre! 

Autoria Desconhecida