segunda-feira, 11 de abril de 2016

Sonetos publicitários

Fantasia do bonde

Bastos Tigre

Bonde do Jóquei Clube, às nove e meia
De quinta-feira. Vou sentar-me ao lado
De uma jovem gorducha e nada feia,
Vestido branco, de filé bordado.

Ela vai, distraída, ao mundo alheia,
E nem vê que eu reparo interessado
No bucinho que os lábios lhe sombreia,
Quase bigode – um buço avantajado.

E esta hipótese simples vem à mente:
Amou alguém apaixonadamente,
O alguém fugiu-lhe e ela, ferida e louca,

Tentou matar-se e, em desespero insano,
Em lugar de veneno, astúcia ou engano?
Levou de Pilogênio* um vidro à boca.

*Remédio para crescimento de cabelos e contra queda capilar


Gritando espalharei por toda a parte

Bastos Tigre

Quando me encontram, de francesa ao lado,
Na Colombo, no Alvear, no Bar Assírio,
Todo o pessoal se mostra despeitado
Como, um de inveja, satânico delírio.

– É o “Petit Chocolat” – diz um “barrado”!
– É o Bacharel Paisagem! Que martírio!
Mas que culpa tenho eu de ser amado
Pelas damas de face cor de lírio?

Porém hoje – ai de mim! – leitor, não troces!
Fero, ingrato destino me apavora,
Me enche a vida de angústias e surpresas!

O Bromil* liquidou todas as tosses!
Que é que eu, Basílio, vou fazer agora,
Eu, que sou a “Coqueluche das francesas”?!


*Xarope expectorante.

Emílio de Menezes

Lira: – se qual o azeite anda por cima,
Nada a muda do branco para o preto,
E nem perde a verdade apreço e estima,
Pelo fato de a expor em tom faceto;

Como tudo que existe cabe em rima,
Bem cabe um atestado num soneto,
Por isso, a ideia que hoje aqui me anima,
Nestes catorze versos que lhe remeto.

Pode afirmar, por toda a eternidade,
Aos mil que sofrem e aos descrentes mil,
Que isso que aí vai é a essência da verdade:

Da horrível tosse que me pôs febril,
Dei cabo, usando apenas a metade
De um milagroso frasco de “Bromil”.

 Até o poeta Olavo Bilac deu seu testemunho por escrito...


Tenho a maior satisfação em declarar que,
sofrendo de uma bronquite pertinaz,
fiquei radicalmente curado com o uso do Bromil.
Podem fazer deste texto o uso que lhes convier.

Rio, 5 abril 1918.


Nenhum comentário:

Postar um comentário