Leandro Staudt
A bandeira do Rio Grande do Sul é herança da República Rio-Grandense. Em decreto de 12 de novembro de 1836, os farroupilhas oficializaram o “escudo d’armas” nas cores verde, escarlate e ouro. No modelo original, não constava o brasão com o lema “Liberdade, Igualdade e Humanidade”.
O professor da PUCRS Edison Hüttner, membro do Instituto Histórico e Geográfico do RS, enviou ao Almanaque Gaúcho pesquisa sobre a origem das três palavras que estão hoje na bandeira do Estado. Hüttner defende que o lema não é influência do positivismo de Auguste Comte, como apontam outras fontes, mas do genovês Giuseppe Mazzini, integrante da sociedade secreta Carbonária e ativista político que trabalhou pela unificação da Itália.
Em 1831, o italiano fundou, em Marselha, a associação política Jovem Itália. Os ideais eram “Libertà, Uguaglianza e Humanità”, em português, “Liberdade, Igualdade e Humanidade”.
O lema foi difundido por revolucionários na América, incluindo italianos que lutaram na Guerra dos Farrapos. O jornalista Luigi Rossetti foi o maior divulgador do lema, reproduzido no cabeçalho do jornal O Povo, periódico oficial da República Rio-Grandense. As palavras também aparecem em painéis e lenços de Bernardo Pires, major farroupilha.
O pesquisador aponta que outro italiano, Tito Livio Zambeccari, foi o autor da bandeira tricolor farroupilha. Depois do fim da guerra, assinado o Tratado de Ponche Verde, os símbolos da República Rio-Grandense foram proibidos. Só voltaram com os jovens republicanos nos anos 1880. A bandeira do Clube Republicano de Porto Alegre, mesmo sob influência do positivismo, recuperou elementos farroupilhas, incluindo o lema, explica o professor:
‒ Os republicanos sul-riograndenses viram no lema uma alternativa filosófica altamente positiva, em virtude do valor universal do seu significado.
Com o fim do Império, o pavilhão da República Rio-Grandense, nas cores verde, vermelha e amarela, foi adotado pelo Estado em 1891. Durante o regime ditatorial do Estado Novo, o presidente Getúlio Vargas ordenou a abolição de todos os símbolos estaduais.
A bandeira do Rio Grande do Sul foi restabelecida oficialmente por lei estadual de 1966, incluindo o brasão com o lema “Liberdade, Igualdade e Humanidade”.
(Do Almanaque Gaúcho, no jornal Zero Hora, de 20.09.2026)


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