sábado, 5 de setembro de 2015

Coisas de Ari Barroso



Bancos da praia - O Globo

Melhor que alcovas, onde, egoisticamente, o amor se oculta. Bancos da praia - feira de gestos lúbricos ou mercado de atitudes loucas! Bancos da praia - tribuna de beijos e exposição de esfregações! Bancos da praia - paraíso dos amantes, sepultura da polícia!

Banhos de mar

Comecei com eles. Armo a barraca rubro-negra (Linda!) ali no Posto Zero, ao lado do Mariozinho de Oliveira. Companheiros: ele, o comandante Niemeyer (Nini) e o Játobá. O Mariozinho tem um apito. Duas sopradas - gelo, três, - gim tônica, quatro - alguns frios gelados. Quem traz é o seu empregado que fica no último andar de um arranha-céu. De meio dia às cinco, despachamos ali mesmo. Às vezes aparece o Catramby (quando não está gripado).

Aviso importante

Quando estou matando o tempo num bar, só vou ao piano quando quero. Não estou ali para divertir ninguém. De forma que, por favor, não insistam para que eu toque. É horrível!

Embevecimento

Resido quase no cocuruto de uma colina, ali no Leme. Não raro, quando chego em casa, por volta da madrugada, ainda consigo ouvir a cantoria mística de um culto afro-brasileiro que há lá mais pra cima do morro. Então, fico escutando aquilo, embevecido, durante muito tempo. Depois vou dormir como um santo...

Vou todo

Amanhã irei a uma gafieira. Preciso ir. Preciso ver aqueles pares sambando. O "mestre-sala" manobrando. O trombone chorando. A cerveja entornando. Os cabelos esticados brilhando. Quando, periodicamente, dava um pulo no "Elite", era mais compositor e compreendia melhor o sentido exato do "samba com telecoteco". A música de boate convida à melancolia. A música de gafieira espanta as mágoas e é mais Brasil! Vou lá. Mas, vou todo!... Depois te conto.

Copacabana ensolarada

O verão está chegando. As montanhas amanhecem lavadinhas de sereno. O céu anda completamente bonito. O horizonte afastou-se para dar mais oceano à gente. Copacabana entregou-se de corpo e alma ao velho Sol. Os "brotos" estão brotando de todos os lados. Os "golfinhos" também. Quem mais se alegra com a chegada do verão são os donos dos bares e restaurantes, porque tiram o ventre da miséria. Bem entendido: os da orla da praia.

Os dez maiores sambas, na opinião de Ary Barroso

          - Gosto que me enrosco - de Sinhô
          - Amélia - de Ataulfo Alves e Mário Lago
          - Feitiço da Vila - de Noel Rosa e Vadico
          - Favela - de Heckel Tavares e Joracy Camargo
          - Iaiá de Ioiô - de Luiz Peixoto e Henrique Vogeler
          - Nervos de Aço - de Lupicínio Rodrigues
          - Agora é Cinza - de Bidê e Marçal
          - Se você jurar - de Nilton Bastos, Ismael Silva e Chico Alves
          - A fonte secou - de Monsueto
          - Deixa esta mulher chorar - de Brancura


Calouros em desfile


TV Tupi (RJ) - Década de 1950


Ari Barroso, o gongo e Macalé*

No inicio dos anos 1950, Ari Barroso abandona a política e vai para a TV Tupi onde comanda dois programas: Calouros em desfile e Encontro com Ari. Inicia também sua carreira de locutor esportivo irradiando corridas de automóveis no Circuito da Gávea e mais tarde partidas de futebol.

Neste programa, Ari Barroso batia em um enorme gongo quando escolhia um candidato.

E quem era o Macalé?


* (Tião) Macalé → Augusto Temístocles da Silva Costa, mais conhecido como Tião Macalé, (Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 1926 – São José do Rio Preto, 26 de outubro de 1993) foi um humorista brasileiro, célebre por suas participações no programa Os Trapalhões. Com sotaque característico, era conhecido pelo bordão “Ih, Nojento, tchan!”.

Na década de 1960, trabalhou com Ari Barroso, no programa Show do Gongo (TV Rio), onde ao comando de Ari, "gongava" as pessoas.

Ficou nacionalmente conhecido no programa humorístico Balança mas Não Cai, como o “crioulo difícil” ao lado da atriz Marina Miranda, a "crioula difícil". Tião Macalé era personagem de poucas falas, tendo inclusive alguma dificuldade na articulação das palavras, fato que aumentava ainda mais a sua eficiente performance como humorista.

Histórias de Ari Barroso

(Umas são verdadeiras; outras, nem tanto...)

No show Eu sou o espetáculo, José Vasconcelos imitava Ari Barroso, no momento em que este estaria recebendo um candidato em seu programa de Calouros em desfile:
Ari:
– O que você vai cantar?
Calouro:
– Vou cantar um sambinha.
Ari:
– É sempre assim. Se fosse mambo, não seria um mambinho. Se fosse bolero, não seria um bolerinho. Mas samba é um sambinha. E que sambinha o senhor vai cantar?
Calouro:
– Aquarela do Brasil.


Algumas vezes era o calouro que derrubava o apresentador.
Ari:
– O que o senhor vai cantar?
Calouro:
– Escrava Isaura.
Ari:
– E quem são os autores desta Escrava Isaura? Aqui toda música tem autor.
Calouro:
– Ari Barroso.
Ari:
– Quem?
Calouro:
– Ari Barroso, sim senhor.
Ari:
– Sendo assim, vamos todos conhecer Escrava Isaura, de Ari Barroso.
Calouro (cantando):
– “Quem se deixou Escrava Isaura...”*

* “Quem se deixou escravizar...”


Outro calouro resolveu cantar um sucesso recente, Se todos fossem iguais a você.
Ari:
– E os autores? Quem são os autores?
Calouro:
– Vinicius de Moraes.
Ari:
– E o Tom?
Calouro:
– Lá maior.


Um dos mais famosos diálogos de Ari Barroso e Antônio Maria ocorreu na Cantina Sorrento na presença de um numeroso grupo de boêmios (uma versão mais repetida diz que o bate-papo ocorreu na casa de Ari, num dia que Maria foi visitá-lo quando ele (Ari) já se achava muito doente. Mas foi mesmo na Sorrento). Ari Barros perguntou:
 Na sua opinião, Maria, qual foi o meu maior sucesso?
 Sei lá - respondeu o cronista, arriscando, em seguida, um palpite: – Deve ser Aquarela do Brasil.
 Então, me faz um favor - pediu Ari. - Canta Aquarela do Brasil.
Antônio Maria achou ridículo o pedido, mas Ari tanto insistiu que acabou cantando:
 “Brasil, meu Brasil brasileiro/Meu mulato inzoneiro/Vou cantar-te nos meus versos...”
 Ótimo – cortou Ari Barroso. - Pergunta pra mim qual foi o seu maior sucesso.
 Está bem, Ari. Qual foi o meu maior sucesso?
 Ninguém me ama. Agora, me peça para cantar Ninguém me ama.
Embora desconfiado, Antônio Maria pediu:
 Canta Ninguém me ama.
 Não sei – berrou, provocando imensa gargalhada de todos os presentes.

(Do livro “No tempo de Ari Barroso”, de Sérgio Cabral)


Ari e outras histórias
                                                                                     
Um dia, no programa, um pretinho se apresenta, Ari pergunta:
 Que música o senhor vai cantar?
 Aquarela do Brasil, de Ari Barroso.
 Muito bem! Vamos lá então.
O calouro:
 “Brasil, meu Brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro, vou cantar-te nos meus velsos...”
Quando soa o gonzo e Ari, zangado, ao candidato:
 O senhor pode até cantar nos seus velsos, mas nos meus versos não canta não!


Outro candidato, um músico se apresenta no programa.
Ari:
– Que acompanhamento o senhor vai precisar?
Calouro:
– Um pandeirista.
Ari:
– Que venha um pandeirista.
Calouro ao pandeirista:
– Atenção, lá maior.


A hoje cantora famosa Elza Soares vai se apresentar no Calouros em desfile e consegue emprestado um vestido maior do que ela. Faz algumas adaptações e vai ao programa. Ari, ao ver aquela figura franzina e com um vestido esquisito, pergunta à jovem:
 De planeta você veio, minha filha?
 Do planeta fome, seu Ari.
Elza cantou, foi aprovada com a nota máxima e se tornou, a parti daí, uma grande cantora da MPB.


Um dia, uma senhora, muito fã de Ari Barroso, reclamou com ele pelo fato do compositor nunca ter escrito nada em homenagem à sua cidade natal, Ubá, no interior de Minas Gerais.
− Como não, minha senhora?
E Ari canta para ela uma parte do samba-canção “Risque”, dele mesmo:

Mas se algum dia, talvez,
A saudade apertar.
Não se perturbe,
Afogue a saudade
Nos copos de Ubá.*

* Na letra: um bar


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sobre o Canto Alegretense


Em homenagem a Antonio Augusto Fagundes, falecido em 24 de junho de 2015, elaborei coluna especial com uma pesquisa sobre a letra do “Canto Alegretense”.

Professor Ari Riboldi


Antônio Augusto Fagundes

O objetivo é decodificar termos e expressões típicas da linguagem regionalista e da campanha gaúcha que constam dessa música que se tornou o segundo hino do Rio Grande do Sul.

Convido os leitores a fazerem uma leitura inicial do poema e, após acompanhar a pesquisa, relerem o texto para se apropriarem de seu conteúdo com maior profundidade.

Bagre Fagundes

Canto Alegretense

Letra de Antonio Augusto Fagundes e melodia de Bagre Fagundes

Não me perguntes onde fica o alegrete,
Segue o rumo do teu próprio coração.
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e de violão.

Pra quem chega de Rosário ao fim da tarde,
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã,
Tem o sol como uma brasa que ainda arde,
Mergulhado no rio Ibirapuitã.

Ouve o canto gauchesco e brasileiro,
Desta terra que eu amei desde guri.
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro,
Pedra moura das quebradas do Inhanduí. (bis)

E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer,
Como os potros vou virar minha cabeça,
Para os pagos no momento de morrer.

E nos olhos vou levar o encantamento,
Desta terra que eu amei com devoção,
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão.

Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri.
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro,
Pedra moura das quebradas do Inhanduí. (bis)

Alegrete - Cidade que está localizada nas terras que foram doadas por Antônio José Vargas, um senhor de sesmaria. O nome Alegrete vem do V Marquês de Alegrete, Dom Luís Teles da Silva Caminha e Meneses, nomeado comandante militar, em 1816, e, dessa forma, representante oficial do Rei Dom João VI. É o maior município do Rio Grande do Sul em área territorial, com mais de 7.800 metros quadrados, na região Oeste do Estado, a 506 quilômetros de distância de Porto Alegre.

Camoatim - De origem obscura, possivelmente do tupi. Também se usa camoati. Pequena vespa muito agressiva, com 11 milímetros e comprimento, preta, com dois traços amarelados transversais. Faz um ninho (colmeia) esférico e recoberto de processos espinhosos, geralmente nos beirais das casas das áreas rurais, também em árvores e pedras. Fabrica um mel muito apreciado, porém em pequena quantidade.

Ginete - Do árabe zenêti, indivíduo dos zênetas, tribo afamada por sua cavalaria ligeira. Cavaleiro bom, ágil, firme nas rédeas; indivíduo que monta cavalo de corrida; jóquei. Montar à gineta, ou seja, à moda gineta é um modo de equitação em que o cavaleiro monta com os estribos curtos, o que lhe permite deslocar o corpo com facilidade e agir sobre o equino para que acelere a marcha. É o método usado nas corridas de cavalos.

Guri - Do tupi gwi'ri, bagre novo. Na linguagem regional, criança, piá, menino.

Ibirapuitã - Provavelmente do tupi, arroio da madeira vermelha. Rio que nasce em Santana do Livramento e passa por Alegrete até desembocar no rio Ibicuí e este deságua no Rio Uruguai.

Inhanduí - Nome do rio às margens do qual foram erguidas as primeiras casas da povoação de Alegrete. Provavelmente de origem tupi, com o significado de "rio das emas".

Pago - Substantivo, do latim pagus, pau, marca, baliza metida na terra para fazer a demarcação; território rural limitado por marcos; aldeia, povoação. Pequena povoação, aldeia. Na linguagem regional gauchesca, município de origem, cidade de nascimento, querência, rincão, povoado, lar. Geralmente é empregado no plural. É um dos termos mais usados pelo gaúcho: ‘os pagos onde eu nasci’.

Pedra moura - pedra preta. Do latim maurus, a um, relativo à Mauritânia; antigo habitante árabe do Norte da África, cuja tez era escura. Como adjetivo, designa a cor negra salpicada de branco da pelagem de animal. Assemelha-se à cor do granito e da ardósia. A pedra moura é comum na região da campanha, na beira dos rios ou em áreas em que foram abertas estradas.

Potro - Do latim medieval pullitus, depois pullus, filhote ou cria de animal, poldro. Cavalo novo; cavalo chucro - que ainda não domado.

Quebrada - Do verbo latino crepare, estalar, rebentar, fender-se, rachar-se. Depressão em terreno; declive de montanha, encosta, brecha, cavado, depressão funda e pouca longa numa crista de rochas.

Quebradas do Inhanduí - Subdistrito de Alegrete, às margens do rio Inhanduí, localidade onde morava a família Fagundes.

Tuna - Do espanhol tuna, figo da figueira-da-índia. Cacto comum na região da campanha com flores avermelhadas, de aroma suave, cujo fruto - espécie de figo - é considerado emoliente e calmante para a tosse.



quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Hino Nacional Brasileiro simplificado

(Em ordem direta)


I

As margens plácidas do Ipiranga ouviram
o brado retumbante de um povo heroico,
e o sol da Liberdade brilhou
em raios fúlgidos, no céu da Pátria, nesse instante.

Se conseguimos conquistar o penhor dessa igualdade
com braço forte,
ó Liberdade,
nosso peito desafia a própria morte em teu seio!

Salve! Salve!
Ó Pátria amada,
idolatrada.

Brasil, um raio vívido, um sonho intenso
de amor e de esperança desce à terra,
se a imagem do Cruzeiro resplandece
em teu céu formoso, risonho e límpido.

És belo, és forte, impávido colosso,
gigante pela própria natureza,
e o teu futuro espelha essa grandeza.

Ó Pátria amada!
Tu és, Brasil, terra adorada
entre outras mil.
És mãe gentil dos filhos deste solo,
Brasil, Pátria amada!

II

Ó Brasil, florão da América,
fulguras, iluminado ao sol do Novo Mundo,
deitado eternamente em berço esplêndido,
ao som do mar e à luz do céu profundo.

Teus campos risonhos e lindos têm mais flores
do que a terra mais garrida;
“nossos bosques têm mais vida”,
“nossa vida mais amores” no teu seio.

Salve! Salve!
Ó Pátria amada,
Idolatrada.

Brasil, o lábaro estrelado que ostentas
seja símbolo de amor eterno,
e o verde-louro desta flâmula diga:
- Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues a clava forte da justiça,
verás que um filho teu não foge à luta.
Quem te adora nem teme à própria morte.
Ó Pátria amada!
Tu és, Brasil, Terra adorada
entre outras mil.
És mãe gentil dos filhos deste solo,
Brasil, Pátria amada!

*******

(Versão simplificada)

I

Nas margens tranquilas do riacho Ipiranga
se ouviu um grito muito forte de um povo heroico,
e, nesse instante, o sol da liberdade brilhou no céu do Brasil,
com seus raios muito cintilantes.

Nós conseguimos conquistar, com muitas lutas,
a garantia de sermos iguais aos outros.
Ó Liberdade, desafiamos a própria morte quando estamos junto a ti.

Viva! Viva! País amado e adorado.

Brasil, um sonho forte, como raio luminoso,
de amor e de esperança desce à Terra,
se a imagem das estrelas do Cruzeiro do Sul,
brilha em teu céu bonito, risonho e claro.
Pela sua própria natureza és um gigante corajoso,
és belo, és forte e o teu futuro vai ser grande com tu.

Brasil, Pátria querida, entre outras nações, tu és a mais adorada.
Brasil, Pátria amada, és a mãe querida dos filhos que nasceram aqui!

II

Brasil, que a tua bandeira estrelada seja um símbolo de amor eterno!
E que o verde-amarelo desta bandeira diga:
“Nós temos glórias no passado e no futuro teremos paz”.

Mas se levantares a arma forte da justiça,
verás que um brasileiro não foge de uma luta!
E quem te adora não tem medo nem da morte.

Brasil, Pátria querida, entre outras nações,
tu és a mais adorada. Localizado para sempre em terras magníficas,
banhado por um oceano e pela luz de um céu imenso,
brilhas, Brasil, joia das Américas,
iluminado com o sol deste Continente.
Teus campos, risonhos e lindos,
têm mais flores do que a terra mais enfeitada.
Nossas florestas têm mais vida.
Nossa vida mais amores,
quando estamos junto a ti.

Viva! Viva! País amado e adorado.

Brasil, Pátria amada,
és a mãe querida dos filhos que nasceram aqui!


O Hino Nacional em Tupi-Guarani


       
É sabido que a grande maioria dos brasileiros não sabe cantar o Hino Nacional e que muitos até lhe desconhecem a música. Somente pequena minoria consegue vocalizar a primeira ou talvez a segunda parte. São poucos os que podem cantá-lo integralmente. Em 1972, uma Sociedade Educativa e Literária Brasileira com sede no Rio de Janeiro, resolveu propagar o cântico do Hino Pátrio... porém em tupi-guarani, adaptado à língua nativa pelo professor Vilson Pinto. O autor da versão é de parecer que os brasileiros, de uma maneira geral, deveriam aprender o hino, nessa língua genuinamente brasileira. É o seguinte o texto da adaptação:

I

Cenô suí piranga paraná manhirô,
Sú ipé mira xengatú nhêenga,
Mã coará picirungá upê amatiri,
Bereba-âna ibá tetâma rabuçú.

Rupi oquitá chi aueçáua,
Poê mucerani irumo iuá porépi.
Pê nê piá picirungá,
Monoçá mã irenê potí manô!

– x –

Saiçú tetâma,
Moetêma,
Auê! Auê!

II

Brasil, iepê sauçúba coaraci auá
Saiçú i saruçáua iuê réua,
Opê nê ibáca poranga,
Rangáua curuçú icú eréua.


– x –

Turuçú supí nê nhandába
Inê poranga i cantáua i teauaçú
I nê curi mucamehêm oriba.

– x –

Ieu moetêma,
Puí papaçáua
Içú tetâma,
Suí mú chi eu
Içú cí catú,
Sê tetâma Brasil!



(Do Almanaque do Correio do Povo -1973)


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Mais Leis de Murphy



O Otimista acredita que vivemos no melhor dos mundos possíveis. O Pessimista teme que isso seja verdade.

Depois das coisas irem de mal para pior, o ciclo se repete.

Não importa o que tenha dado errado, há sempre alguém que sabia que ia ser assim.

Problemas complexos têm soluções simples, fáceis de compreender e erradas.

Se você esperar, a causa de sua preocupação vai embora.

A oportunidade bate sempre no momento menos oportuno.

Quando você precisa bater na madeira é que se dá conta que o mundo é de plástico.

Para que alguma coisa fique limpa, tudo mais tem que ficar sujo.

Você encontra alguma coisa no último lugar em que procura.

Você sempre encontra o que não está procurando.

É impossível para um otimista ter uma surpresa agradável.

Se você acha que pode construir um aparelho à prova de idiotas, você é um deles.

Mudar de fila faz com que imediatamente a fila de onde você saiu comece a andar mais depressa do que a sua.

O caixa mais lento é sempre o que está na caixa expressa.

Toda vez que você corta as unhas, descobre que vai precisar delas meia hora depois.

Se uma determinada situação exige sua atenção integral, você vai ser dominado por uma distração irresistível.

Os erros mais importantes sempre passarão sem ser notados até o livro (ou texto) ser impresso.

A tendência da fumaça de um cigarro, charuto ou cachimbo soprar na cara de uma pessoa varia na razão direta da aversão dessa pessoa ao tabagismo.

Basta a aeromoça servir o café para o avião entrar em turbulência.

Não importa a esteira em que você esteja, suas malas sempre sairão em outra.

Você pode não saber quem tem razão, mas tem que saber quem manda.

Não deixe seus superiores saberem que você é melhor que eles.

Quando alguém deixa cair alguma coisa, todos chutam para longe, em vez de apanhá-lo.

Nunca tome uma decisão que pode ser transferida a outra pessoa.

Ninguém se lembra das decisões que você poderia ter tomado e não tomou. Mas ninguém esquece as decisões que você tomou – erradas.

Se não estiver quebrado, é melhor não mexer. E se estiver quebrado, não tem jeito.

Se for mais barato comprar um aparelho novo, a companhia insistirá em conserta o antigo.

Mal você resolve se esticar na cadeira e relaxar pela primeira vez em todo o dia, o chefe entra na sala.

O trabalho em equipe é essencial. Permite que você ponha a culpa no outro.

Quando você põe algum dado na memória, guarde na sua memória onde é que pôs.

Jamais descubra erros que não saiba corrigir.

Um especialista é cara que chegou de fora.

Todos mentem; mas não faz mal, porque ninguém escuta. E quem escuta não acredita.

Se você esperar o motivo certo para fazer alguma coisa, nunca fará coisa alguma.

Para acertar em quem é o especialista, aposte no que diz que o trabalho vai levar mais tempo e custar mais caro.

Não crie nunca um problema pro qual não tenha solução.

Quando em dúvida, trate de predizer que a tendência atual continuará.

Uma conclusão é aquilo a que você chega quando encheu o saco do problema.

Profetizar sobre o que já aconteceu é uma ciência exata.

O curso preparatório para aquele que você queria fazer este ano só será dado no ano que vem.

Alcoólatra é aquele que bebe mais do que seu médico.

Se o acaso é ganhar ou perder, você perde.

Todas as coisas sendo a seu favor, você continua perdendo.

Tudo sendo igual aos dois adversários, você perde.

O que menos quer jogar é o que vai ganhar.

Sempre se leva mais tempo para voltar do que para chegar lá.

Se tudo estiver andando a seu favor, você deve estar na estrada errada.

Se você larga alguma peça ou ferramenta pesada, larga em cima do pé.

Se é bom vão parar de fabricar.

Se o sapato dá certo no pé, é feio.

O que você quer nunca está em liquidação.

Uma garantia de 60 dias é a segurança de que o produto se autodestrói em 61 dias.

Se você não tem pressa, o sinal fica verde logo que você se aproxima.

Leis do Padre:

  1. Se o tempo está muito ruim, pouca gente vai à missa.
  2. Se o tempo está muito bom, pouca gente vai à missa.
  3. Se você chega atrasado para celebrar a missa, nunca se viu tanta gente na igreja.

Leis do Desenho:

  1. Nunca desenhe o que você pode copiar.
  2. Nunca copie o que você pode decalcar.
  3. Nunca decalque o que você pode recortar e colar.
  4. Nunca recorte e cole o que você pode xerocar.

Princípio do atrasado:

  1. Se você chega cedo, o espetáculo será cancelado.
  2. Se você se mata para chegar na hora, terá que esperar.
  3. Se você chega atrasado, começou na hora.

Princípio da oficina:

  1. O alicate ou a chave de fenda de que você precisa é sempre o que sumiu da caixa de ferramentas.
  2. A maioria dos trabalhos exige três mãos para serem feitos.
  3. As porcas que sobram de um trabalho nunca servem nos parafusos que também sobraram.
  4. Quanto mais cuidadosamente você planejar um trabalho, maior será a sua confusão mental quando alguma coisa não der certo.

Leis da engenharia industrial:

  1. A primeira função do engenheiro industrial é fazer as coisas difíceis pra fabricação e impossíveis pra manutenção.
  2. Em qualquer circuito eletrônico, o componente de vida mais curta será instalado no lugar de acesso mais complicado.
  3. Qualquer desenho de circuito eletrônico deve conter pelo menos uma peça obsoleta, duas impossíveis de encontrar e três ainda sendo testadas.
  4. O engenheiro industrial mudará o desenho original à última hora para incluir novos defeitos.
  5. As modificações não serão mencionadas no manual de instruções, já impresso.
Regra para professores:

  1. Quando um aluno lhe pergunta pela segunda vez se você leu a crítica de livro que ele escreveu, pode ter certeza de que ele não leu o livro.
  2. Se a frequência é livre, no dia do exame final aparecerão alunos que você nunca viu.
Seis princípios para doentes:

  1. Só porque o médico tem um nome pra sua doença, não quer dizer que ele saiba do que se trata.
  2. Quanto mais chatas e atrasadas as revistas da sala de espera, mais tempo você terá de esperar para que o médico o atenda.
  3. Só os adultos têm dificuldades para abrir os vidros de remédio à prova de crianças.
  4. Nunca sobra o número certo de pílulas no último dia do tratamento.
  5. As pílulas para serem tomadas antes da refeição são as que mais estragam o paladar.
  6. Se você está ficando melhor, provavelmente seu médico está ficando doente.
Leis de Hospital:

  1. A capacidade de um médico é inversamente proporcional à sua pontualidade.
  2. Há duas espécies de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.
  3. Todos os pacientes querem tomar uma injeção de analgésico ao mesmo tempo.
  4. Todos os que não quiseram tomar injeção analgésica quando você as estava aplicando vão querer essa injeção quando você estiver distribuindo pílulas para dormir
Regras da cortesia no trânsito:

Se você permite que alguém passe à sua frente,
duas coisas podem acontecer:

  1. o carro que o ultrapassou será o último a atravessar a cancela e você ficará toda a vida esperando passar um trem quilométrico ou...
  2. os dois estão indo pro mesmo lugar e o outro carro pegará a última vaga no estacionamento.
  3. Depois de ter estacionado a seis esquinas de distância, você vão encontrar várias vagas em frente ao seu prédio.
Leis da compra de roupas e sapatos:

  1. Se você gosta do modelo, não há o seu número.
  2. Se você gosta do modelo e o número é o seu, mesmo assim não dá no seu pé.
  3. Se você gosta do modelo e tem o seu número, o preço é um absurdo.
  4. Se você gosta do modelo, dá certo no seu pé e o preço é razoável, o sapato vai-se desmilinguir na primeira chuva que cair.
Lei da mala direta:

  1. O item mais importante no seu pedido não está mais disponível.
  2. O segundo mais importante levará seis meses para lhe ser entregue.
  3. Durante esse seis meses, você o verá mais barato e mais fácil em muitas lojas.
  4. No momento em que o seu pedido passar à categoria de “não mais disponível”, não será possível obter o produto que você deseja em nenhum lugar por nenhum preço.
Leis do varejo:

  1. A garantia não garante.
  2. A gerência não gerencia.
  3. A segurança não segura.
  4. A assistência técnica não assiste.
  5. A seção de reclamação é naquela salinha do último andar com seis lances de escada.
Leis da complicação:

  1. Quanto mais caro o aparelho, menos você o usará.
  2. Quanto mais simples as instruções (do tipo “Aperte aqui”) mais difícil será abrir a embalagem.
  3. Você só descobrirá que não consegue ler aquela parte da receita depois de ter misturado todos os outros ingredientes.
  4. Depois que o prato desandou, tudo o que for acrescentado para tentar melhorá-lo só fará piorá-lo..
  5. Se você faz um Pato à Lórange, será cumprimentada pela batata cozida que o acompanha.
  6. O prato que você fez com tanto carinho é exatamente o que o seu convidado detesta.


Manchetes erradas



“Dom Pedro chegou apoiado em duas mulatas.”

Dom Pedro II machucou-se numa viagem à Europa e, na volta, desembarcou de muletas. Os jornais noticiaram a recuperação do imperador, mas um deles, graças a esses antigos pastéis de imprensa, trocou um detalhe importante. A prova de sua recuperação, dizia a notícia, era que Sua Majestade já estava andando, sustentado por duas "muletas". Pois, não é que em vez de "muletas" a notícia informava que o imperador saíra apoiado em duas "mulatas"!

“Cachorro faz mal à moça.” - Leia na página central.

O jornal sensacionalista Tribuna de Imprensa colocou essa manchete na primeira página. Quando alguém o comprava, ia ler a notícia que começava assim:

“Ontem, em Olaria, uma moça comprou, numa carrocinha, um cachorro-quente estragado e passou mal.”

“Violada no auditório!”

Em uma das páginas centrais, lá estava a explicação: “Sérgio Ricardo, depois de ser vaiado, irritou-se com o público, quebrou seu violão e o jogou na plateia.”

Outras manchetes:

“Fábrica de artefatos de couro doa 200 bolsas de estudo.”

“Pescador ilegal é condenado na Primeira Vara!”

”Sorveteiro diz a sua namorada que só está a fim de tirar uma casquinha.”

“Loja de velas promove queima de estoque.”

“Anão adolescente é condenado duas vezes pelo juizado de menores.”

“Dermatologistas estão sentindo a crise na própria pele.”

“Queda de luneta na cabeça faz astrônomo ver estrelas.”

“Velho reformado, antes de apertar o pescoço da sua mulher até a morte, suicidou-se.”

“Um surdo-mudo foi morto por um mal-entendido.”

“Governador do Arkansas 'proíbe' casamento entre bebês.”

“Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça.”

“Acidente entre quatro caminhões fere um.”

“O ultraleve caiu antes de pousar.”

“Moça passa mal, foi comida.”

“Ferido nos testículos, chegou no hospital de saco cheio.”

“Carro capota com 4 pessoas e uma mulher.”

"Salário dos pobres sobe mais que dos ricos."

“Fátima Bernardes deixa Bonner para fazer programa.”

“Crise na indústria farmacêutica: OB está no buraco; Absorvente está no vermelho; camisinha está no pau e fralda está na merda.”