sábado, 3 de outubro de 2015

Pensamentos sobre envelhecer



“As rugas deviam indicar apenas onde os sorrisos estiveram.”

Mark Twain

“Pode-se nascer velho, como se pode morrer jovem.”

Jean Cocteau

“A idade não é um pretexto para que se fique velho.”

G. Slattery

“O meu sonho é morrer jovem com uma idade bem avançada.”

Jeanson

“Envelhecer é chato, mas é a única forma de se viver muito tempo ”

Sainte-Beuve

“Devemo-nos preocupar mais em juntar vida aos anos do que anos à vida.”

Victor Hugo de Lemos

“O bom lado das coisas: por mais velho que se seja pode-se ser mais jovem do que nunca!”

Albert Einstein

“Um homem só é velho quando os seus desgostos tomaram o lugar dos seus sonhos.”

John Barrymore

“Envelhecer é ser capaz de se ser mais jovem durante mais tempo do que os outros.”

Bernard Shaw

“Envelhecer é organizar a juventude ao longo dos anos.”
Paul Eluard

“Pelo fato de se envelhecer não se deixa de rir; mas se deixamos de rir, envelhecemos de fato.”

Honorée de Balzac

“Aos 969 anos, Matusalém estava tão bem conservado que se lhe davam apenas 345!”

Tristan Bernard

“A juventude é só um momento, entretanto contém uma chama que se leva no coração para sempre.”

Autor desconhecido

“Se chegar o dia em que nem em barzinho do interior eu puder tocar, vou continuar cantando no meio da rua.”

Paul McCartney, ex-Beatle, 60 anos, 
prometendo não se aposentar, 2003

“Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.”

Autor desconhecido

“Uma pessoa permanece jovem à medida que ainda consegue aprender, adquirir hábitos e tolerar contradições.”

Marie von Ebner-Eschenbach

“Só conservamos, na velhice, uma espinha arqueada que se dobra ante os novos fatos, quando nos mantivemos curvados durante a vida para evitar os choques dolorosos com a realidade.”

Sigmund Freud

“Terceira idade é aquela em que a gente bota os óculos para ouvir o rádio.”

José Simão, jornalista

“Para lá tu vais, se não te custar a vida.”

Autor desconhecido

“Jovem bonito é obra do Criador. Velho bonito é trabalho de equipe com o Criador.”

Jairo Larroza

“Em certa idade, não podemos mais evitar as rugas do rosto. As do coração podemos.”

Jairo Larroza

“Envelhecer não é uma doença. Negar a própria velhice é.”

Goethe

“Um homem pode considerar-se velho no dia em que tiver apenas saudades em lugar de sonhos.”

John Barrymore

“Quando é que a mocidade começou a ficar tão chata e imoral? Não foi quando você completou quarenta anos?”

Millôr Fernandes em “Millôr Definitivo”


Deusas gregas

Dentro de você moram Deusas, que inspiram sua casa.


Apesar de viverem no Olimpo, as sete grandes deusas gregas podem estar mais próximas de nós do que se imagina. Para os terapeutas seguidores do psicólogo suíço Carl Gustav Jung, elas simbolizam temas essenciais da alma feminina. Esposa exemplar, Hera se orgulha da casa. Ártemis preside a natureza e, no amor ao jardim, expande sua liberdade. Afrodite aperfeiçoa junto ao espelho o seu dom de encantar. Amantes de livros, Atena personifica o intelecto. Deméter assume o instinto maternal, consagrado ao redor do fogão. Perséfone, rainha dos mundos invisíveis, tece no quarto seus devaneios. Héstia protege a chama do lar e cultiva na lareira o coração de sua morada. Descubra a seguir com quais deusas você e a sua casa mais se identificam.

Hera se realiza no esplendor de sua casa



Conhecida pelos romanos como Juno, Hera é a filha mais velha de Crono e Reia, irmã de Zeus, Deméter e Héstia. Era representada com um cetro ornamentado por um cuco porque, como diz a lenda, Zeus, rei dos homens e dos deuses, transformou-se em um cuco para conquistar a irmã. E deu certo: Hera aconchegou o pássaro entres os seios. Então, Zeus recobrou a forma original e a pediu em casamento. Essa primeira dama ancestral participou de todas as honras do monarca supremo. Além do casamento, a deusa cuida da riqueza e do poder. Em toda esposa dedicada vive uma Hera.

Ártemis aprecia a liberdade e a natureza


Irmã gêmea de Apolo, Ártemis é chamada pelos romanos de Diana, a caçadora, a deusa lunar. Ajudou a própria mãe, Latona, no parto do irmão. O ato simboliza uma solidariedade presente nas feministas contemporâneas. Ártemis pediu ao pai, o todo-poderoso Zeus, que lhe desse um arco, flechas e uma túnica curta para caçar as feras. Atendida, passou a reinar sobre os bosques, acompanhada de um cão e muitas ninfas. Viver ao ar livre é a grande satisfação de Ártemis.

Deméter cuida dos outros e alimenta


A Ceres dos romanos é a deusa do cereal, que ensinou os homens a cultivar o trigo e a fazer o pão. Desesperou-se com rapto da filha, Perséfone, e se queixou a Zeus, pai da jovem. Não obteve resposta e vagou por nove dias e nove noites. Enquanto sofria a ausência da filha, a terra ficou estéril. Então, Zeus mandou Hermes, o deus mensageiro, resgatar Perséfone. Com o reencontro da mãe e filha, a terra cobre-se de flores: eis o mito da primavera.

Perséfone é introspectiva e sensível


Perséfone (ou Prosérpina) era chamada Cora quando jovem. A filha de Deméter e Zeus colhia flores no campo quando um narciso perfumado a atraiu. Perséfone o tocou, a terra se abriu e o deus Hades a raptou para o seu reino: as profundezas da terra. Enquanto aguardava ser resgatada, a deusa comeu sementes de romã, o que a vinculou eternamente a Hades e ao mundo subterrâneo. Porém, uma vez por ano, na primavera, a deusa volta à superfície da terra para ficar com a mãe. O mito remete a uma mulher voltada para a vida interior.

Afrodite espalha beleza e seduz


Nascida na espuma das ondas, Afrodite, a Vênus dos romanos, é a deusa do amor. Ganhou o título de “a mais bela” quando prometeu ao mortal Paris o amor de Helena, que, raptada, provocou a histórica Guerra de Troia. A deusa sempre foi disputada por seus inúmeros apaixonados. Ao tentar salvar Adônis do enciumado Ares, o deus da guerra disfarçado em javali, Afrodite pisou no espinho de uma roseira. Seu sangue transformou as rosas brancas em vermelhas.

Atena valoriza racionalidade e estratégia


Filha poderosa de um pai onipotente, Atena (Minerva, para os romanos) é a deusa da guerra, das ciências e das artes e inspira o trabalho artesanal. Foi concebida quando Zeus devorou Métis, ou a Prudência. Gerada no cérebro do soberano do Olimpo, Atena nasce quando Zeus pede a Hefesto, deus da forja, que lhe dê um golpe de machado na cabeça. Além de sábia, a deusa é justa: o voto de Minerva (Atena) desempatava questões entre deuses e homens.

Héstia protege o fogo e zela pela família



Deusa do fogo, simbolizado pela lareira, Héstia recebeu dos romanos o nome de Vesta. Era cultuada nos templos de todos os deuses e na casa de todos os mortais através da manutenção da chama eterna. Héstia representa o lar e zela pela manutenção das virtudes familiares. Aparece em obras de arte com vestidos simples, levando uma tocha na mão direita. Retraída, vivia isolada dos conflitos entre deuses e humanos e por isso há poucas histórias de Héstia na mitologia.


Zeus

(Texto da Revista Casa Cláudia – maio de 1999)




quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Gandhi estudante de Direito



Quando Gandhi estudava Direito na Universidade de Londres, tinha um professor chamado Peters, que não gostava dele, mas Gandhi não baixava a cabeça.

Um dia, o professor estava comendo no refeitório e sentaram-se juntos.

O professor disse:

– Senhor Gandhi, você sabe que um porco e um pássaro não comem juntos?

– Ok, Professor... Já estou voando... e foi para outra mesa.

O professor, aborrecido, resolve vingar-se no exame seguinte, mas ele responde, brilhantemente, todas as perguntas.

Então resolve fazer a seguinte pergunta:

– Senhor Gandhi, indo o senhor por uma rua e encontrando uma bolsa, abre-a e encontra a Sabedoria e um pacote com muito dinheiro. Com qual deles ficaria?

Gandhi respondeu:

– Claro que com o dinheiro, Professor!

– Ah! Pois eu, no seu lugar, Gandhi, ficaria com a Sabedoria.

– Tem razão, professor, cada um ficaria com o que não tem!

O professor, furioso, escreveu na prova “IDIOTA” e lhe entregou.

Gandhi recebeu a prova, leu, voltou e disse:

– Professor, o senhor assinou a prova, mas não deu a nota!

Moral da historia.

Semeie a Paz, Amor, compreensão. Mas trate com firmeza quem te trata com desprezo. Ser gentil não é ser capacho, nem saco de pancadas...




Não vá o sapateiro além do sapato!

“Ne sutor ultra crepidam judicaret”

“Não deve o sapateiro julgar além da sandália.”



Apeles

Conta a História que Apeles, célebre pintor grego da antiguidade, tinha o hábito de expor os seus quadros ao público e se esconder para escutar os comentários sobre o seu trabalho. Um dia, expôs um quadro com a figura de uma mulher. Passado um tempo, a costureira da aldeia vendo o quadro parou, olhou e comentou:

– Que maravilha de retrato, que mãos maravilhosas, que coisa mais perfeita. Só um pequeno retoque a fazer na roupa, o botão de cima está muito perto do queixo, com dois botões seria muito melhor.

(…)

Apeles, escondido, logo anotou o que a costureira tinha comentado.

Em seguida, veio o cabeleireiro. Vendo o quadro, teceu elogios ao conjunto da obra, mas observou:

– O alfinete do lado esquerdo do penteado deveria estar um pouco mais para trás, isso deixaria o retrato perfeito.

Apeles, sempre atento, ia tomando nota de tudo o que escutava.

Por último, chegou o sapateiro, que ficou boquiaberto com a beleza da pintura, e comentou:

– Eu colocaria fivela nos sapatos e, então, poder-se-ia dizer que o quadro está perfeito.

Tudo anotado, Apeles saiu do seu esconderijo, embrulhou o quadro e foi para a sua casa retocar a pintura, tendo o cuidado de seguir os conselhos dos três profissionais observadores. No outro dia, voltou a expor o quadro.

A modista e o cabeleireiro, vendo juntos a pintura retocada, exclamaram:

– Nada mais temos a dizer. Impecável!

O sapateiro chegou, olhou atentamente o quadro e comentou:

– Os sapatos ficaram ótimos com a mudança, mas o vestido…

Ouvindo isso, Apeles saiu enfurecido do seu esconderijo e, interrompendo o sapateiro, gritou:

– Não passes além dos sapatos!

Esta frase, atribuída a Apeles, se transformou na máxima latina “Ne sutor ultra crepidam judicaret” (Não deve o sapateiro julgar além da sandália), que nos alerta sobre a necessidade de termos consciência dos nossos próprios limites. Resumindo: Ninguém deve se enxerir sobre algo que não entende ou lhe diz respeito.

Mesmo aprovando a dura que Apeles deu no sapateiro, é bom termos cuidado ao manipular esse pensamento criado a partir da frase do pintor grego, pois corremos o risco de inibir a voz dos não iniciados, o que é pior do que conviver com ela. Afinal, não somos obrigados a ler o que eles escrevem.

Professor Ricardo Vieira no Blog Primeiras Águas



O Problema da Herança



(Adaptado do livro “O Homem que Calculava” de Malba Tahan)

Um matemático árabe chamado Beremiz Samir viajava com um amigo pelo de deserto, ambos montados em um único camelo, quando encontram três homens discutindo acaloradamente.

Eram três irmãos. Haviam recebido uma herança de 35 camelos do pai, sendo distribuída do seguinte modo: a metade para o mais velho, a terça parte para o irmão do meio e a nona parte para o irmão mais moço. O motivo da discussão era a dificuldade em dividir a herança:

O mais velho receberia a metade. Porém, a metade de 35 camelos corresponde a 17 camelos mais a metade de um camelo.

O irmão do meio receberia a terça parte, ou seja, 35 dividido por 3, que é igual a 11 camelos mais 2/3 de um camelo.

O caçula receberia a nona parte de 35 camelos, ou seja, 3 camelos mais 8/9 de um camelo.

Obviamente não faz sentido cortar os camelos para dividir a herança. Mas, nenhum dos irmãos queria ceder a fração de camelos ao outro.

Mas o sábio Beremiz resolveu o problema. Vejamos o que ele propôs:

- Encarrego-me de fazer com justiça essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal que, em boa hora, aqui vos trouxe.

Os camelos agora são 36 e a divisão é fácil:

O irmão mais velho recebe 1/2 de 36, que é igual a 18;

O irmão do meio recebe 1/3 de 36, que é igual a 12;

E, o irmão mais novo recebe 1/9 de 36, que é igual a 4.

Os irmãos nada têm a reclamar. Cada um deles ganha mais do que receberia antes. Todos saem lucrando.

Mas e o que acontece com o matemático Beremiz? Ele perdeu um camelo?

O primeiro irmão recebeu 18, o segundo 12 e o terceiro 4. O total é 18 + 12 + 4 = 34 camelos. Ou seja, sobraram dois camelos. Um deles pertence a meu amigo. Foi emprestado a vocês para permitir a partilha da herança, mas agora pode ser devolvido. O outro camelo que sobra, fica para mim, por ter resolvido a contento de todos este complicado problema de herança.

A partilha

(Texto acima teatralizado)

Beremiz e Mercador estavam saindo de cena quando param para ouvir a discussão dois três irmãos.

Irmão 1 - É impossível!

Irmão 2 - Mas é o último desejo de nosso amado pai!

Irmão 3 - Só um grande matemático poderá nos ajudar!

Mercador: - Por Alá! O que é isso? Alguém aqui falou que precisa de um matemático?

Irmão 1 - Nosso pai nos deixou uma herança impossível de ser dividida!

Irmão 2 - Nosso amado pai pediu que nossos trinta e cinco camelos sejam divididos segundo suas instruções!

Irmão 3 - Mas é impossível fazer a divisão!

Irmão 1 - Eu devo receber a metade da herança e trinta e cinco dividido por dois dá dezessete e meio!

Irmão 2 - Eu devo receber um terço, mas a terça parte de trinta e cinco não é um número exato!

Irmão 3 - Eu devo ficar com a nona parte, mas também não é um valor exato e não quereremos sacrificar nenhum animal pra fazer a partilha correta!

Mercador - Beremiz! É possível realizar esta divisão?

Beremiz - A solução é simples se consentirem em que eu junte aos trinta e cinco camelos de vocês o camelo de meu amigo!

Mercador - Ei, espere aí! É nosso único camelo!

Beremiz - Confie em mim! Cede teu camelo e verá como tudo dará certo!

Irmão 1 - Não acredito no que estou ouvindo, como é que os camelos poderão ser divididos com este artifício?

Irmão 2 - Se a partilha puder ser resolvida o pagaremos pela solução do problema!

Beremiz - A solução é esta: ao irmão mais velho, cabe a metade dos camelos. Como, agora, são trinta e seis camelos, portanto ficará com dezoito camelos!

Irmão 2 - E a minha parte? Meu irmão saiu lucrando, pois ao invés de receber dezessete camelos e meio, recebeu dezoito!

Mercador - Um terço de trinta e seis deixa eu pensar...

Irmão 3 - São doze! Meu irmão receberá doze camelos! E a minha nona parte?

Beremiz - E você também sairá lucrando: um nono de trinta e seis camelos são quatro camelos!

Irmão 3 - Estou muito satisfeito!

Irmão 2 - Eu também! E proponho que o calculista seja recompensado!

Irmão 1 - Muito justo! O que podemos fazer para pagar pelos cálculos?

Mercador - Mas espere! Agora, como faremos nossa viagem? Ficamos sem nenhum camelo!

Beremiz - A soma dos camelos que couberam a cada irmão, dezoito mais doze mais quatro é trinta e quatro! Sobraram, portanto, dois camelos! Proponho que um camelo seja devolvido ao mercador!

Irmão 1 - Aceitamos a proposta! Obrigado meu bom homem!

Irmão 2 - E proponho que o outro camelo que sobrou seja dado em pagamento pela divisão ao calculista Beremiz Samir!

Irmão 3 - Assim seja! Que Alá proteja um calculista tão hábil!

Todos saem, os irmãos por um lado e o Mercador e Beremiz por outro. 



O crime da mala - 1928



Giuseppe Pistone e Maria Fea

No dia 7 de outubro de 1928, no pátio do armazém 13 do porto santista, a polícia abriu uma mala endereçada a Ferrero Francesco, Bordeaux (França), que seria embarcada no navio Massilia. Nela, havia o cadáver de uma jovem, de 1,66 metro de altura, cabelos castanho-claros, cortados à la garçonne, em avançado estado de putrefação. Feita a autópsia, verificou-se o aborto post mortem de um feto de seis meses.

Giuseppe Pistone e Maria Fea eram recém-casados. Imigrantes. Ele, 31 anos, admirador de Mussolini, havia recebido uma herança, que acabou sendo gasta em viagens e passeios. Ela, uma moça bonita e delicada, vivia para o marido, segundo seus parentes. Mas Giuseppe era muito ciumento e a situação financeira do casal ia mal.

No dia 4 de outubro, Pistone a sufocou com as mãos. “Louco de espanto e dor, porque não a apertei (...) mais do que um só minuto, deitei minha Mariuccia sobre o leito, cobrindo-a (...) de beijos (...). Passei toda a noite com sua loira cabecinha entre meus braços”, confessou ele depois.

O crime repercutiu na imprensa de todo o Brasil, ficando conhecido como “O crime da mala”.

Devido à grande repercussão do caso de 1928, o túmulo de Maria Mercedes Fea, no cemitério da Filosofia (Saboó), passou a ser bastante frequentado pela população santista, que a venera como a uma santa desde então, em virtude de seu trágico fim, e vários casos de cura milagrosa já são atribuídos à intercessão de Maria Fea.



Olhemos os olhos das crianças



Olhemos os olhos das crianças, que eles
Encerram mistérios;
Dentro de suas pupilas moram selvagens bons,
Pairam neles as lendas das terras desconhecidas.

Olhemos os olhos das crianças;
Quando com eles cruzamos os nossos olhos,
Há reconhecimentos súbitos
E reminiscências que revivem.

Que ausência de ouro e prata existe neles!
Que verdes potros relincham em suas colinas!
Que indiferença pelas arcas ricas!
Como se parecem com os olhos dos poetas!

Olhemos os olhos das crianças,
Desprevenidas de crimes e borrascas,
Inconscientes entre o Bem e o Mal,
Sempre transparentes como a água e o mel.

Olhemos os olhos das crianças,
Com seus horizontes claros, claros,
Capazes de deixar transparecer
O avô curvado e trêmulo,
O pai de sobrecasaca e a menina mãe.

Fitemos os olhos das crianças,
Como quem fita um écran
E vê desenrolar-se lá dentro
Uma história familiar.

Olhemos os olhos das crianças
Para repousar nestes céus sem pensamento
A angústia de procurar pátrias distantes
E as constelações que já morreram.

Jorge de Lima,


Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, 23 de abril de 1893 – Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi um político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro. Inicialmente autor de versos alexandrinos, posteriormente transformou-se em um modernista.