sábado, 13 de maio de 2017

Cruz e Souza: família, trabalho e pobreza

Poeta negro de luminoso rastro


O jovem poeta Cruz e Souza*

"De um talhe espiègle e elegante, muito preocupado com sua pessoa, Cruz, como os pais não precisassem de seu auxílio para viver, gastava tudo o que ganhava, nas lições particulares que tinha, em trajes variados, finos e bem-feitos, pelo que andava muito asseado e bem vestido, despertando ainda, por esse lado, maiores odiosidades e invejas. Tinha uns dentes belíssimos e alvos, fazendo quando sorria, uma pequenina lua de opala, a sua boca negro-escarlate, onde bailava uma ironia casquilhante e perene. Sempre inspirado e feliz, caricaturista endiabrado e perfeito no verso pilhariço e trocista, trazia a Velha Escola acossada, flagelada e coberta de imenso ridículo."

(Virgílio Várzea)


(Cruz e Souza: 1861-1898)

Em 1891 Cruz e Souza havia conhecido Gavita Rosa Gonçalves. A moça trabalhava numa oficina de costura e fora criada na casa de um médico conhecido, o Dr. Monteiro de Azevedo. Logo se iniciou um romance entre os dois.

Gavita e João da Cruz e Souza sonhavam com o casamento, que não aconteceu pela pobreza de ambos.

Em 1893, Cruz e Souza e Gavita já viviam como marido e mulher, apesar de péssima condição financeira do poeta. Casam-se em novembro desse ano, com Gavita já em estado adiantado de gravidez.

Para custear o sustento da recém-formada família, o poeta solicitava de amigos sucessivos empréstimos, que, na maioria das vezes, lhe eram negados.

No final de 1893, provavelmente graças ao auxílio de Nestor Vitor, o poeta consegue o humilde posto de praticante de arquivista na Central do Brasil. O irrisório salário que ganhava garantia-lhe, ao menos, o pão cotidiano, embora não lhe tirasse da incômoda situação de pobreza.

O poeta negro estreita laços de amizade com Nestor Vitor, com o qual tinha intensa afinidade intelectual.

Em 1894 ele é promovido a arquivista da Central do Brasil. Mas o pequeno aumento de salário foi insuficiente para estabilizar sua situação. Em fevereiro, o nascimento do primeiro filho, Raul, inicia ima grave crise financeira, que estender-se-ia até o fim da sua curta vida.

Publicados seus dois primeiros livros, Cruz e Souza começa a reunir material para novas obras. O volume de originais aumenta, mas editora alguma se anima a publicar os trabalhos do poeta. Seus dois primeiros livros haviam sidos incompreendidos, combatidos. A venda de Missal e de Broquéis foi desanimadora.


Desenho de Ângelo Agostini, publicado na Revista Ilustrada,
saúda a primeira edição de Missal (1893).

Publicados seus dois primeiros livros, Cruz e Souza começa a reunir material para novas obras. O volume de originais aumenta, mas editora alguma se anima a publicar os trabalhos do poeta. Seus dois primeiros livros haviam sidos incompreendidos, combatidos. A venda de Missal e de Broquéis foi desanimadora.

A Livraria Moderna, que dera espaço aos novos talentos, estava em sérias dificuldades financeiras. O destino mostrava-se cada vez mais impiedoso com o poeta. Sem editor, ele acumulava originais, sem esperanças quanto à sua publicação futura.

Como se bastasse essa situação torturante, uma anemia profunda altera as faculdades mentais de Gavita e, em março de 1896, quando o casal retornava para o lar, à noite, a esposa do poeta tem uma crise de loucura, fazendo cônscio o seu marido da gravidade de seu estado mental. Este trágico episódio é descrito por Cruz e Sousa no conhecido texto “Balada de Loucos”, incluso em Evocações.

Desesperado, Cruz e Souza recorre a Nestor Vitor e ao Dr. Monteiro de Azevedo, em cuja casa Gavita havia crescido, o poeta escreve uma carta a esse médico, pedindo orientação. A carta de resposta, porém, deprime ainda mais o poeta, na medida em que prescreve providências que iam além de suas possibilidades financeiras, como remédios caros e uma alimentação especial.

Ainda em 1896 é fundada a Academia Brasileira de Letras, tendo como primeiro presidente Machado de Assis. O nome de Cruz e Souza em momento algum foi cogitado para integrar a lista dos membros da ABL.

O poeta sofria duplo preconceito: racial e literário. Era negro e mais que isso, era Simbolista. Não frequentava a rodinha da Editora Garnier nem ia aos chás da Revista Brasileira. Nem mesmo tinha acesso aos jornais de maior circulação. Era um guerreiro silencioso, que sabia que só o futuro provaria o valor de sua obra.

É conveniente frisar com insistência que o “Dante Negro” tinha forte convicção de seu próprio valor e sabia que a qualidade de sua obra acabaria pro vencer todos os preconceitos e negações.

Já mergulhado em sofrimento e alienado, Cruz e Souza se revela, em finais de 1897, tuberculoso.

O Cisne Negro, no entanto, não parava de produzir e conseguia, esporadicamente, divulgar seus textos em periódicos, evitando assim o anonimato.

A situação do poeta era deplorável. Encurvado pela doença e em desespero financeiro, ele solicitava empréstimos frequentemente e normalmente recebia respostas negativas.

Em 1898 o estado do poeta complica-se tanto que começam a surgir na imprensa as primeiras notícias sobre sua decadente situação. Em janeiro o poeta já não consegue ir ao trabalho. Temeroso de perder o emprego, recorre a Nestor Vitor, que com muito esforço consegue uma licença.

Diversos jornais cariocas abrem subscrição em favor do poeta. São organizadas listas para arrecadação de dinheiro para ajudar Cruz e Souza.

Embora Cruz e Souza manifestasse o desejo de retirar-se para Desterro, onde contava recuperar-se, a pedido de seu médico, o Dr. Araújo de Lima, fuçou decidido que o poeta seria levado para estação de Sítio, na Serra da Mantiqueira, a 15 Km de Barbacena.

A essa altura, a ideia da morte assombrava o poeta e contaminava suas últimas composições.

Cônscio que estava das suas condições de saúde, antes de partir para Sítio, Cruz e Souza aproveita a última visita de Nestor Vitor para entregar-lhe os originais de 3 livros: Evocações, Faróis e Últimos Sonetos.

Deixando os três filhos com a mãe de Gavita no Rio, Cruz e Souza partiu com a esposa para Sítio em 15 de março de 1898. Seus amigos mais íntimos foram levá-los à estação.

A viagem foi desgastante para o poeta, que já tinha se resignado e não mais lutava para viver.

Ao chegar a Sítio encontrou um clima mais frio do que o esperado, o que acabou agravando seu estado de saúde. À tuberculose acrescentou-se vigorosos ataques de pneumonia e o poeta morre a 19 de março de 1898, deixando a esposa grávida do quarto filho.

Como que numa última ironia do destino, seu cadáver foi recambiado ao Rio num vagão de transporte de animais.

Em O País a morte do poeta foi registrada numa longa nota, com alusões às injúrias e insultos que ele sofrera por ser preto. A nota assegurava que, embora negro, Cruz e Souza fora um intelectual digno e puro, um verdadeiro lutador, ao mesmo tempo simples e altivo. O poeta negro é mencionado nos jornais por nomes como Olavo Bilac, Artur Azevedo e Coelho neto. Durante vários dias não faltavam sonetos inéditos de Cruz e Sousa nos jornais cariocas.

Os livros Missal e Broquéis, principalmente este último, são sobremaneira valorizados a partir do primeiro mês pós-morte do poeta.

Graças aos esforços de amigos e admiradores do poeta, principalmente Saturnino Meireles, o livro Evocações é publicado naquele mesmo ano, com amplo apoio da imprensa.

Cruz e Souza ia tendo, na morte, o reconhecimento que não teve em vida.

Nestor Vitor faz imprimir em 1900, na tipografia do Instituto Profissional o volume chamado Faróis. Em 1915, em Paris, com muito esforço, consegue que a Casa Aillaud & Cia publique os Últimos Sonetos.


Cruz e Souza aos 22 anos, em Nossa Senhora do Desterro
(atual Florianópolis), SC.

Textos do livro “100 anos sem Cruz e Sousa”, Congresso Nacional.
Prêmio Cruz e Sousa – Monografias premiadas - 1998.

Souza ou Sousa?

A história do busto do nosso poeta simbolista reacendeu o debate: afinal, é Cruz e Souza (como o próprio assim assinava seu nome) ou Cruz e Sousa (como instituiu uma das nossas reformas ortográficas).

O 'S' da diScórdia”

Até que ponto uma revisão ortográfica pode se sobrepor a uma marca pessoal? Essa é a dúvida que prevaleceu após a publicação, nesta Contracapa, da foto do busto do poeta catarinense e referência máxima do simbolismo, Cruz e Souza. O próprio assinava seu sobrenome com a letra Z, ou seja, Souza, como está grafado na estátua em bronze que está lá na Praça XV, no Centro da Capital catarinense. O editor e escritor Fábio Brüggemann defende a manutenção do Z, que fazia parte da assinatura de Cruz. A questão é que numa das nossas tantas revisões ortográficas estabeleceu-se que nomes próprios de origem lusitana deveriam ser mudados após a morte do seu detentor. Assim como o “Souza” do Cruz, o Queiroz do Eça virou Queirós. Outro ilustre catarinense também entrou nessa renomeação: Victor Meirelles, que passou a chamar-se Vitor Meireles.

***

Lembra a jornalista Manoela de Borba que há no Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa Rui Barbosa (que um dia foi “Ruy”), no Rio de Janeiro, uma correspondência do poeta catarinense assinada como Souza.

***

Assunto dos mais instigantes. Confesso que, refletindo acerca da polêmica, eu prefiro ficar com o desejo pessoal do autor. Se Cruz se orgulhava do seu Z, porque contrariá-lo? Neste caso, acredito que o melhor era manter o busto como está, mas seria imperativo retificar uma série de logradouros e prédios (como o Museu Cruz e Sousa) e o prêmio que leva o seu nome. O próprio Brüggemann anda contrariado com a recém-aprovada reforma ortográfica que baniu o uso do trema (¨). Para ele, assim como no caso de Cruz e Sou(z)a, isso é pura articulação de burocratas.

(Do Blog do Marquinhos)

*****

Em 1893, foi nomeado presidente de Santa Catarina o doutor Francisco Luís da Gama Rosa. Ele envolveu-se muito com o grupo de novos literatos, chegando a nomear Cruz e Souza promotor de Laguna, cargo que o poeta não chegou a ocupar por ser negro, resolutamente se opuseram a ele os chefes políticos. Com esse cargo, provavelmente, a vida de Cruz e Souza poderia ter sido outra...

P.S. Gavita, a esposa, morreu em 1901. Dos filhos, dois morreram antes dela, um imediatamente depois; sobreviveu João, nascido a 30 de agosto de 1898, que morreu em 1915, de tuberculose pulmonar, como seu pai, sua mãe e seus irmãos. 

(Um resumo para professores de Literatura)

O Simbolismo

01.  Época:
→ O simbolismo, em nossas letras, manifestou-se na segunda metade do século XIX.
02.  Datas que assinalam o início e o fim do simbolismo:
→ 1893 - ano em que Cruz e Souza publicou as obras “Missal” (prosa) e “Broquéis” (poesia).
→ 1922 - Semana de Arte Moderna
03.  Momento histórico:
→ O Simbolismo reflete um momento histórico extremamente complexo que marcaria a transição para o século XX e a definição de um novo mundo, o qual se consolidaria a partir da segunda década deste século; basta lembrar que as últimas manifestações simbolistas são contemporâneas da Segunda Guerra Mundial e da Revolução Russa.

Tomava corpo, assim, o fantasma da guerra. Sempre que se torna difícil analisar o mundo exterior e entendê-lo racionalmente, a tendência natural é cair na sua negação, voltando-se para uma realidade subjetiva; as tendências espiritualistas renascem; o subconsciente e o inconsciente são valorizados, segundo a lição freudiana.

04.  Origem do Simbolismo:
→ O Simbolismo originou-se na França, através da poesia de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine e Mallarmé.
05. Aspectos de oposição entre o Simbolismo e o Parnasianismo (estilo literário que o antecedeu e ao mesmo tempo lhe foi contemporâneo):
→ Ao contrário do Parnasianismo, que propunha uma poesia afastada dos valores subjetivos e românticos, o Simbolismo reinstaura a linguagem poética, fundada no “eu” e na percepção subjetiva da realidade.
06.  Relação entre a poesia Simbolista e outra manifestação cultural contemporânea:
→ O Simbolismo desempenhou, na poesia, um papel semelhante ao desempenhado pelo Impressionismo na pintura. Por outro lado, a poesia simbolista teve pontos de convergência com as Filosofias de Bergson, Hartmann e Schopenhauer.
07.  Características da poesia Simbolista:
→ aprofundamento da introspecção;
→ exploração do subconsciente e do inconsciente;
→ fuga da matéria e a busca da região do espírito (fuga da realidade exterior);
→ temática intimista (volta-se para si mesmo);
→ linguagem figurada, musical, colorida e rica (supervaloriza a metáfora, a imagem; a sonoridade, o ritmo, as vogais, as rimas; as cores, principalmente a branca; emprega vocabulário nobre, incomum, brilhante);
→ O Símbolo: o simbolista, com freqüência, não conseguem (ou não pretende) descrever essas emoções ou estados da alma. Usa, por isso, de meios indiretos, para sugerir ou representar tais momentos. O meio mais usado é o símbolo para manifestar ou retratar o mundo interior.
08,  Principais poetas simbolistas brasileiros:
→ João da Cruz e Souza¸ Alphonsus de Guimaraens, Mário Pederneiras, Emiliano Perneta e Alceu Wamosy (simbolista gaúcho).

Principais Simbolistas

Nome:
João da Cruz e Souza (1861 - 1898) = Cruz e Sousa
→ nome literário: Cruz e Souza
→ nascimento: 1861, Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis)
→ morte: 1898, Sítio, Minas Gerais
→ origem humilde: pais escravos (mãe alforriada)
→ proteção dos senhores: sobrenome, educação
→ participação na campanha abolicionista
→ vida pontilhada de tragédia familiares
→ epítetos: “Cisne Negro”, “Dante Negro”, “Poeta Negro”

Obras:
→ “Broquéis”, “Faróis”, “Últimos Sonetos”, “Tropos e Fantasias” (parceria com Virgílio Várzea) - poemas em verso.
→ “Missal”, “Evocações” - poemas em prosa.
Características:
→ autor das primeiras obras simbolistas brasileiras: “Missal” e “Broquéis” (1893 - introduzindo entre nós o Simbolismo);
→ com Virgílio Várzea e Nestor Vítor - grupo mais importante do simbolismo brasileiro;
→ “Antífona” - profissão de fé simbolista;
→ herança parnasiana (soneto);
→ fortes traços simbolistas: uso de maiúsculas, criação de palavras novas, sinestesias, pontuação expressiva, elevado grau de sonoridade nos poemas (assonância, aliterações, repetições);
→ temática: contemplação mística, visão estetizante da realidade, expressão de um grande pessimismo;
→ elevado grau de misticismo;
→ transfiguração da paisagem;
→- paralelo entre a vida e a obra;
→- principais poemas: “Antífona” - “Violões que Choram”

Antífona

Cruz e Souza

Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
de luares, de neves, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...

Formas do Amor, constelarmante puras,
de Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
e dolências de lírios e de rosas ...

Indefiníveis músicas supremas,
harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...

Visões, salmos e cânticos serenos,
surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

Infinitos espíritos dispersos,
Inefáveis, edênicos, aéreos,
fecundai o Mistério destes versos
com a chama ideal de todos os mistérios.

Do Sonho as mais azuis diafaneidades
que fuljam, que na Estrofe se levantem
e as emoções, todas as castidades
da alma do Verso, pelos versos cantem.

Que o pólen de ouro dos mais finos astros
fecunde e inflame a rima clara e ardente...
Que brilhe a correção dos alabastros
sonoramente, luminosamente.

Forças originais, essência, graça
de carnes de mulher, delicadezas...
Todo esse eflúvio que por ondas passa
do Éter nas róseas e áureas correntezas...

Cristais diluídos de clarões álacres,
desejos, vibrações, ânsias, alentos
fulvas vitórias, triunfamentos acres,
os mais estranhos estremecimentos...

Flores negras do tédio e flores vagas
de amores vãos, tantálicos, doentios...
Fundas vermelhidões de velhas chagas
em sangue, abertas, escorrendo em rios...

Tudo! vivo e nervoso e quente e forte,
nos turbilhões quiméricos do Sonho,
passe, cantando, ante o perfil medonho
e o tropel cabalístico da Morte...

*****
Nome:
Afonso Henriques da Costa Guimarães (1870 - 1921) Alphonsus de Guimaraens
→ nascimento: 1870, Ouro Preto
→ morte: 1921, Mariana
→ noivado com Constança, sua prima, filha de Bernardo Guimarães
→ pseudônimo: Alphonsus Guimaraens
→ epíteto: “O Solitário de Mariana”


Obras:
→- “Setenário das Dores de Nossa Senhora”, “Câmara Ardente”, “Dona Mística”, “Kyriale”, “Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte”, “A Escada de Jacó”, “Pulvis”, “Pauvre Lyre”.
Características:
→ religiosidade: título dos livros, ambientes e cenários, pseudônimo latinizante;
→ Amor e Morte: fusão de ambos, a amada morta (paralelo com a biografia - Constança - noiva precocemente falecida de tuberculose);
→ traços formais: sonoridade, percepção sensorial da realidade;
→ principais poemas: “A Catedral”, “Ismália”, “As Mãos da Morte”.



sexta-feira, 12 de maio de 2017

E se não tivesse impedimento no futebol?



Romário por Baptistão

Sem impedimento, o Brasil não seria o mesmo. A atual lei diz que, quando um jogador recebe a bola no ataque, é preciso haver pelo menos dois adversários entre ele e a linha de fundo. Ou seja, o goleiro e mais um.

É assim desde 1925, quando era preciso haver três jogadores. Mudou-se a regra porque os técnicos deixavam um zagueiro adiantado e outro na sobra. Se o atacante evitasse o impedimento, o segundo zagueiro matava o lance. As partidas concentravam-se no meio-campo e os jogos acabavam sem chutes a gol. A alteração teve dois efeitos. Primeiro, o placar das partidas engordou. O outro efeito foi desafogar o meio-campo: provocar o impedimento com um só jogador ficou arriscado e a zaga foi recuada. O meio-campo virou lugar de craques, que avançavam com a bola sob controle até o bote final.

Era do que os brasileiros precisavam, pois sempre preferiram carregar a bola, o que marcou a nossa supremacia. Coincidência ou não, o futebol brasileiro só apareceu depois de 1925. Se o impedimento acabasse, a área seria liberada para atacantes e zagueiros serem fixados ali. Com essa multidão junto às traves, aumentaria as faltas perigosas, os pênaltis e os gols, sobretudo os de cabeça, especialidade europeia. A estatura seria decisiva. Atacantes brasileiros como os baixinhos Romário e Leônidas sucumbiriam.


Leônidas da Silva por Baptistão


(Do Almanaque Super Interessante de 2003)


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Humor do Teatro de Revista


Entre os humoristas, um dos que mais escreveram para as revistas foi Bastos Tigre: entre os anos de 1906 e 1935 escreveu cerca de dezenove peças para teatro de revista, sendo que todas foram encenadas. Utilizando-se dos mesmos processos paródicos, mas de uma forma menos presa ao formato do soneto, Bastos Tigre mostrou grande habilidade em compor versos humorísticos curtos em tom de diálogo, muito mais adequado à musicalidade do teatro de revista. Não se caracterizava pela comicidade obscena ou mais apimentada, como no caso de algumas revistas da época, mas, não raro, veiculavam uma comicidade burlesca, não isenta de alguma malícia, como no exemplo da revista De pernas pro ar, de 1916, na qual uma costureira ingênua – interpretada pela atriz Natalina Serra – cai na lábia de seu namorado, um chofer chamado Pedrinho, e canta versos cujo estribilho – “Pedrinho, não faça isso!” – provocava, segundo testemunhos da época, grande hilaridade:


Quando passa lá em casa,
Eu tinha as faces em brasa,
Ao vê-lo no auto vermelho.
Mamãe conselhos me dava...
Quem ama como eu amava
Quer saber de conselho?
(...)
Foram-se os dias passando
E tantos beijos foi dando,
Que eu nem reparava nisso...
Uma vez beijou-me na boca!
Fiquei tonta, fiquei louca:
‒ Pedrinho, não faça isso!

Uma vez, por meu castigo,
Saiu a passear comigo,
Ao terminar o serviço.
‒ Vou tocar para a Tijuca!
Meu Deus, que ideia maluca!
‒ Pedrinho, não faça isso!

Fomos. O auto em disparada
Devorava a linda estrada!
De repente – zás – um enguiço.
Quem passasse ali por perto
Me ouvia dizer por certo:
‒ Pedrinho, não faça isso!

E na sequência, de resto previsível, Pedrinho resolve mudar de profissão, de motorista vira rapidamente embarcadiço, abandonando a namorada que, inconsolável, canta:

E foi-se. Foi-se para o Norte!
Hoje confesso que é a morte
O único bem que cobiço.
Talvez que outra, lá fora,
Lhe esteja dizendo agora:
‒ Pedrinho, não faça isso!

(Do livro “Raízes do Riso”, de Elias Thomé Saliba,
Companhia das Letras)


Bertha Celeste

a autora do “Parabéns a você”


Texto de Max Gehringer*

No dia de hoje, no Brasil, 400 000 pessoas estão aniversariando. Em um país como o nosso, de enormes desigualdades sociais, é bem provável que todas essas celebrações tenham uma única coisa em comum: a música Parabéns a Você. Ela é, com certeza e com folga, a melodia mais conhecida e mais cantada no país em todos os tempos, e dificilmente algum dia terá uma concorrente à altura.

Sua história começa nos Estados Unidos, em 1875. Duas professoras primárias da cidade de Louisville, no Estado de Kentucky, as irmãs Mildred e Patricia Smith Hill, resolveram compor uma quadrinha para seus alunos cantarem quando chegassem à escola, pela manhã. O resultado foi Good Morning To All (Bom dia para todos), uma simples e despretensiosa melodia em que o título era também a letra inteira, repetida quatro vezes em tons levemente diferentes.

Meio século mais tarde, em 1924, uma editora musical americana lançou um livro de partituras, o Celebration Songs. Como na época não havia uma música própria para ser tocada em aniversários, a editora “emprestou” a melodia das irmãs Smith Hill e rebatizou-a como Happy Birthday To You (Feliz aniversário para você). De novo, quase nada aconteceu. Mas, nove anos depois, em 1933, a canção foi usada como tema de uma peça teatral na Broadway, em Nova York, não por acaso intitulada Happy Birthday To You.

A música se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil no final da década de 30. Aqui era cantada nas festinhas das famílias abonadas, em inglês mesmo. A letra original tinha apenas uma frase, happy birthday to you, repetida quatro vezes, sendo que, na terceira linha, o to you era substituído por um dear, mais o nome do aniversariante. Só que tinha alguém que não estava achando graça nenhuma naquela invasão musical alienígena. Era o cantor Almirante, pseudônimo de Henrique Foréis Domingues, que também apresentava, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, um programa de grande audiência sobre música brasileira. Nacionalista fervoroso, Almirante se sentia incomodado com aquela coisa de brasileiro ficar enrolando a língua e, em 1942, decidiu promover um concurso para escolher uma letra “mais nossa” para a melodia americana.

Uma das 5 000 cartas que chegaram à Rádio Tupi veio da cidade paulista de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, SP. Foi escrita em apenas cinco minutos por Bertha Celeste Homem de Mello, filha única de um casal de fazendeiros, formada em farmácia, casada e mãe de uma filha. O júri encarregado da escolha era composto por membros da Academia Brasileira de Letras: Olegário Mariano, Cassiano Ricardo e Múcio Leão, e os três se encantaram com o versinho de Bertha Celeste, por dois motivos: era um dos poucos que tinha quatro linhas diferentes (a maioria preferiu repetir a mesma frase quatro vezes). Dava de goleada até na letra original…

Bertha Celeste tinha 40 anos quando escreveu a quadrinha de Parabéns a Você. Depois de se tornar conhecida em todo o Brasil, doutorou-se em Letras e dedicou-se à poesia (a coletânea de sua obra está no livro Devaneios). Aos 54 anos de idade mudou-se para a cidade vizinha de Jacareí, onde lecionou por mais dez anos e onde viria a falecer em agosto de 1999, aos 97 anos, de pneumonia.

Além de passar boa parte da vida contando a história de seu famoso verso, Bertha insistia para que as pessoas o cantassem direito. Quem canta – como muita gente faz – “Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida”, está cometendo três erros (gravíssimos, asseverava dona Bertha): na primeira linha, o certo é “Parabéns a você”. Na segunda, o correto é “nesta”, e não “nessa”. E, na terceira, “muita felicidade” é singular e não plural. Ah, e aquela coisa de “É pique-pique-pique, é hora, é hora, é hora” depois do “Parabéns a Você” não tem nada a ver nem com a melodia original, nem com dona Bertha. Poetisa de respeito, ela jamais escreveria uma barbaridade dessas…

* Escritor, autor do livro Relações Desumanas no Trabalho


“Feliz aniversário” em inglês:

Happy Birthday to you.
Happy Birthday to you.
Happy Birthday, dear (nome da pessoa)
Happy Birthday to you.

“Feliz aniversário” de Bertha Celeste:

Parabéns a você,
Nesta data querida,
Muita felicidade,
Muitos anos de vida.

(Ambos cantos de aniversário com a mesma melodia)

*Muita felicidade, pois a felicidade é única.
  Muitos anos de vida, os anos deverão ser muitos.

Faça sucesso com moderação


J. J. Camargo*


Para comprovar que, na essência, não mudamos, David Hume, já em 1738, no seu Tratado da Natureza Humana, fez uma observação que define a índole média das pessoas do bem: “Ninguém é completamente indiferente à felicidade ou à miséria dos outros”. Algumas pessoas entendem que isto não é uma virtude, mas sim um sentimento, que pode receber a denominação de empatia. Curiosamente, há mais discrepância em relação à felicidade do que à desgraça, ou seja, estamos mais condicionados à solidariedade na dor do nosso vizinho do que na exaltação de suas conquistas. É verdade que aqui entra a inveja como um componente contaminador dos afetos mais nobres, impondo que a felicidade alheia seja interpretada como uma afronta.

Enquanto a mídia, necessitada de heróis, e a população comum, carente de ídolos, festejava a façanha do comandante Sully, que, em janeiro de 2009, conseguiu pousar seu avião avariado no Rio Hudson, em Nova York, com seus 155 passageiros intactos, as comissões de controle e vigilância da rede aeroviária americana se desdobravam em esforços, através de simuladores, empenhadas em provar que o pouso nas águas geladas do rio tinha sido uma irresponsabilidade, visto que, na opinião dos peritos, era possível voltar ao Aeroporto de La Guardia para uma aterrissagem segura. O comandante Sully se defendeu brilhantemente, alegando que os simuladores tinham iniciado a “volta para o aeroporto” logo depois de constatada a obstrução das turbinas por pássaros, ignorando o fator humano que inclui surpresa, medo, responsabilidade e o agravante de decidir sob a pressão do improviso. Quando a comissão ordenou que todas as simulações tivessem um tempo de espera de 35 segundos, antes de serem iniciadas as manobras de “retorno”, nenhum dos aviões virtuais conseguiu “pousar”. A impressão que ficou do excelente filme de Clint Eastwood é que o sucesso meteórico do comandante Sully se tornou insuportável aos olhos dos que nunca tinham feito nada que justificasse uma participação no programa de David Letterman, numa dessas vilanias da espécie humana a dar razão ao cinismo inteligente de Oscar Wilde que escreveu: “A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre”.

No mundo da ciência, cada conquista foi historicamente acompanhada de uma reação furiosa dos que, não tendo sido capazes de fazer, se rebelavam contra os que tinham tido a ousadia da criatividade, e quase todas as grandes invenções se acompanharam de rumorosos processos que lotaram tribunais de tacanhos sedentos. Meu amigo Paulo Prates, um estudioso da história da medicina, recuperou uma das melhores passagens no campo da cirurgia cardíaca, sua especialidade. O professor Denton Cooley, um ícone daquela cirurgia em todos os tempos, nos meados dos anos 1970, participou de um audacioso projeto de desenvolvimento de um coração artificial, uma quimera embalada ainda hoje. Testada a engenhoca num paciente moribundo, que acabou falecendo, ninguém se interessou em valorizar a ideia brilhante e o avanço potencial que isso significava. Pareceu muito mais adequado aos seus detratores processá-lo por imprudência. Só um cérebro privilegiado daria aquelas respostas ao promotor.

– Doutor Cooley, o senhor se considera o melhor cirurgião cardíaco do mundo?

– Sim, Excelência.

– O senhor não acha que isso é falta de modéstia?

– Pode ser. Mas Vossa Excelência não pode esquecer que estou depondo sob juramento!

Entenda-se a fúria do arguidor. Nada atropela tanto a autoestima do invejoso quanto a consciência de que a resposta que o derrotou merecia ser aplaudida.

*****


*José de Jesus Peixoto Camargo, ou simplesmente J.J. Camargo, é um médico, escritor e palestrante gaúcho. Formou-se em Medicina na UFRGS em 1970, especializando-se em cirurgia torácica e completando sua formação acadêmica na Clínica Mayo, nos EUA. Nascimento: 6 de agosto de 1946 , Vacaria, Rio Grande do Sul.


terça-feira, 9 de maio de 2017

Os 10 Mais



As 10 Escolas de Samba em atividade mais antigas
 do Carnaval Carioca:

01. Portela → fundada em 11/4/1923

02. Mangueira → 28/4/1928

03. União de Vaz Lobo → 14/10/1930

04. Unidos da Tijuca → 31/12/1931

05. Vizinha Faladeira → 10/12/1932

06. Império da Tijuca → 8/12/1940

07. Unidos do Cabuçu → 28/12/1945

08. Vila Isabel → 4/4/1946

09. Viradouro → 24/6/1946

10. Império Serrano → 23/3/1947

As 10 músicas mais importantes de todos os tempos:

DJ Marlboro

01. Sinfonia n° 5 (Beethoven)

02. Love me tender (Elvis Presley)

03. Yesterday (Beatles)

04. (I can´t get no) satisfaction (Rolling Stones)

05. Johnny B. Good (Chuck Berry)

06. I feel good (James Brown)

07. Carmina Burana (Carl Orff)

08. Another brick in the wall (Part II) (Pink Floyd)

09. Thiller (Michael Jackson)

10. Imagine (John Lennon)

Os 10 imortais que ocuparam por mais tempo uma cadeira
na Academia Brasileira de Letras:

01. Carlos Magalhães de Azeredo (66 anos, 1 mês e 15 dias)

02. Barbosa Lima Sobrinho (63 anos, 2 meses e 18 dias)

03. Josué Montello (51 anos, 4 meses e 11 dias)

04. Pedro Calmon (49 anos, 2 meses e 1 dia)

05. Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Ataíde (47 anos e 8 meses)

06. Filinto de Almeida (47 anos, 6 meses e 8 dias)

07. Clóvis Beviláqua (47 anos e 6 dias)

08. Rodrigo Octavio (46 anos, 7 meses e 8 dias)

09. Antônio Austragésilo (46 anos, 3 meses e 24 dias)

10. Menotti del Picchia (44 anos, 3 meses e 3 dias)

As 10 palavras mais curiosas derivadas de “dez”:

Max Gehringer

01. Decano → o mais antigo, originalmente o oficial romano que comandava dez soldados.

02. Decemestre → período de dez meses.

03. Decibel → a décima parte de um bel, medida de intensidade do som que homenageia o inventor escocês Alexander Graham Bell.

04. Decâmero → dividido em dez partes, como a obra “Il Decamerone”, de Giovani Boccacio, cujo enredo transcorria num espaço de dez dias.

05. Dezembro → décimo mês do calendário romano, que se tornou o décimo segundo nosso.

06. Dinheiro → do latim “denarius”, moeda de prata que correspondia a dez moedas de cobre.

07. Dizimar → punir um de cada dez.

08. Dízimo → imposto ou contribuição de dez por cento.

09. Decápode → que tem dez pés, como as lagostas e os camarões.

10. Decilião → um milhão à décima potência: o número 1 seguido por 60 zeros.

Os 10 alimentos mais consumidos pelos brasileiros a cada ano:

01. Leite de vaca pasteurizado

02. Arroz branco

03. Leite de vaca fresco

04. Pão francês

05. Açúcar cristal

06. Água mineral

07. Frango abatido (inteiro)

08. Refrigerante de cola

09. Farinha de mandioca

10. Óleo de soja

Os 10 jogadores brasileiros que mais marcaram gols
 em copas do mundo:

01. Ronaldo (Nazário) → 15 gols (1998 a 2006)

02. Pelé → 12 gols (1958 a 1970)

03. Ademir Menezes → 9 gols (1950)
      Jairzinho → 9 gols (1970 e 1974)
      Vavá → 9 gols (1958 e 1962)

06. Leônidas da Silva → 8 gols (1934 e 1938)
      Rivaldo → 8 gols (1998 e 2002)

08. Careca → 7 gols (1986 e 1990)

09. Bebeto → 6 gols (1994 e 1998)
      Rivelino → 6 gols (1970 e 1974)

Os 10 esportes em que a bola atinge as maiores velocidades:

01. Pelota basca → 302 Km/h

02. Golfe → 280 Km/h

03. Tênis → 239 Km/h

04. Squash → 200 Km/h

05. Beisebol → 190 km/h

06. Hóquei no gelo → 180 km/h

07. Tênis de mesa → 160 Km/h

08. Vôlei → 130 Km/h

09. Handebol → 120 Km/h

10. Futebol → 115 Km/h

As 10 categorias mais leves do boxe:

01. Mínimo → (até 47,627 Kg)

02. Mosca ligeiro → (até 48,988 Kg)

03. Mosca → (até 50,802 Kg)

04. Supermosca → (até 52,163)

05. Galo → (até 53,524 Kg)

06. Supergalo → (até 55,338 Kg)

07. Pena (até 57,153 Kg)

08. Superpena (até 58,967 Kg)

09. Leve → (até 61,235 Kg)

10. Superleve → (até 63,503 Kg)

E as 10 mais pesadas:

01. Pesado → (acima de 90,719 Kg)

02. Cruzador → (até 90,719 Kg)

03. Meio pesado → (até 79,379 Kg)

04. Supermédio → (até 76,204 KG)

05. Médio → (até 72,575 Kg)

06. Supermeio médio → (até 69,853 Kg)

07. Meio médio → (até 66,678 Kg)

08. Superleve → (até 63,503 Kg)

09. Leve → (até 61,235 Kg)

10. Superpena (até 58,967 KG)

Os 10 maiores estados brasileiros:

01. Amazonas → 1.570.745 Km²

02. Pará → 1.247.689 Km²

03. Mato Grosso → 903.357 km²

04. Minas Gerais → 588.528 Km²

05. Bahia → 567.295 Km²

06. Mato Grosso do Sul → 358.159 Km²

07. Goiás → 341.289 Km²

08. Maranhão → 331.983 Km²

09. Rio Grande do Sul → 282.062 Km²

10. Tocantins → 278.420 Km²

Os 10 maiores litorais mais extensos do Brasil:

01. Bahia → 932 Km

02. Maranhão → 640 Km

03. Rio de Janeiro → 632 Km

04. São Paulo → 622 Km

      Rio Grande do Sul → 622 Km

06. Amapá → 598 Km

07. Ceará → 573 Km

08. Pará → 562 Km

09. Santa Catarina → 531 Km

10. Rio Grande do Norte → 399 Km
  
Os 10 maiores países do mundo:

01. Rússia → 17.075.200 Km²

02. Canadá → 9.984.670 Km²

03. Estados Unidos → 9.631.418 Km²

04. China → 9.596.960 Km²

05. Brasil → 8.511.965 Km²

06. Austrália → 7.686.850 Km²

07. Índia → 3.287.590 Km²

08. Argentina → 2.776.889 Km²

09. Cazaquistão → 2.717.300 Km²

10. Sudão → 2.505.813 Km²

As 10 características mais importantes de um líder:

Roberto Justus

01. Determinação

02. Caráter

03. Ênfase

04. Paixão

05. Visão

06. Saber dizer não

07. Disciplina

08. Criatividade

09. Carisma

10. Ética

As 10 capitais brasileiras mais antigas:

01. Recife (PE) → 12/3/1537

02. Salvador (BA) → 29/3/1549

03. Vitória (ES) → 8/9/1551

04. São Paulo (SP) → 25/1/1554

05. Rio de Janeiro (RJ) → 1/3/1565

06. João Pessoa (PB) → 5/8/1585

07. Natal (RN) → 25/12/1599

08. São Luís (MA) → 8/9/1612

09. Belém (PA) → 12/1/1616

10. Cuiabá (MT) 8/4/1719

Os 10 eletrodomésticos que mais consomem energia
 nas casas brasileiras:

01. Chuveiro

02. Geladeira

03. Ar-condicionado

04. Lâmpadas (As de LED gastam muito menos)

05. TV

06. Freezer

07. Aparelho de som

08. Ferro de passar roupa

09. Lavadora de roupa

10. Microondas

As 10 raças de cachorros mais inteligentes:

01. Border Collie

02. Poodle

03. Pastor Alemão

04. Golden Retriever

05. Doberman

06. Shetland Sheepdog

07. Labrador

08. Papillon

09. Rottweiler

10. Australian Cattle Dog

Os 10 maiores ossos do corpo humano:

01. Fêmur

02. Tíbia

03. Fíbula

04. Úmero

05. Ulna

06. Rádio

07. Sétima costela

08. Oitava costela

09. Osso da bacia

10. Esterno

As 10 doenças que mais matam no Brasil:

01. Doenças do aparelho circulatório

02. Tumores

03. Doenças do aparelho respiratório

04. Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas

05. Doenças do aparelho digestivo

06. Doenças infecciosas e parasitárias

07. Afecções no período perinatal

08. Doenças do aparelho genital e urinário

09. Doenças do sistema nervoso

10. Má formação congênita e anomalias cromossômicas


(Do livro “Os 10 Mais – 250 rankings que todo mundo deveria conhecer”,
de Luiz André Alzer e Mariana Claudino – Editoa AGIR)


segunda-feira, 8 de maio de 2017

A música dos paradoxos

Tô, um dos dois Sambas de Tom Zé e Elton Medeiros

A música cheia de paradoxos* mais incríveis.



Tom Zé e Elton Medeiros

Tô bem de baixo pra poder subir,
Tô bem de cima pra poder cair,
Tô dividindo pra poder faltar,
Desperdiçando pra poder sobrar.
Devagarinho pra poder caber,
Bem de leve pra não perdoar,
Tô estudando pra saber ignorar,
Eu tô aqui comendo para vomitar.

Eu tô te explicando pra te confundir,
Eu tô te confundindo pra te esclarecer,
Tô iluminado pra poder cegar,
Tô ficando cego pra poder guiar. (bis)

Suavemente pra poder rasgar,
Olho fechado pra te ver melhor,
Com alegria pra poder chorar,
Desesperado pra ter paciência,
Carinhoso pra poder ferir,
Lentamente pra não atrasar,
Atrás da vida pra poder morrer,
Eu tô me despedindo pra poder voltar.

“Eu tô te explicando/ Pra te confundir/ Eu tô te confundindo/ Pra te esclarecer/ Tô iluminado/ Pra poder cegar/ Tô ficando cego/ Pra poder guiar”, cantarola Tom Zé (1936) em “Tô”, quarta faixa do álbum Estudando o samba, de 1976. Indiretamente, o refrão do cantor baiano poderia se referir ao impacto da produção musical dos artistas escolhidos pelo historiador Herom Vargas, professor titular do programa de mestrado em comunicação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), como foco da pesquisa Experimentalismo e inovação na música popular brasileira nos anos 1970. Além de Tom Zé, Novos Baianos, Walter Franco e Secos & Molhados compõem entre si um apanhado díspar, mas que conta uma história da criatividade e da experimentação da música brasileira num período em que a indústria fonográfica no Brasil passava por um momento de expansão e centralização.

Pesquisa: Coordenador Herom Vargas,
Universidade Metodista de São Paulo.

*O paradoxo é identificado quando uma frase não corresponde à lógica ou ao senso comum. Nele, dois sentidos se fundem numa mesma ideia, criando um efeito de contradição.