quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Pneumonia, não!



O que é:

→ A pneumonia é uma inflamação nos pulmões.

→ Essa inflamação leva pus aos alvéolos, que são pequenos sacos de ar onde o oxigênio é absorvido.

→ O pus impede a distribuição de oxigênio em quantidade suficiente para o organismo.

→ É causada por bactérias (na maioria dos casos), vírus ou fungos que se aproveitam da baixa imunidade da pessoa.

→ Uma gripe mal−curada, por exemplo, é uma porta de entrada para a doença por deixar o organismo debilitado.

Sintomas:

→ Coriza.

→ Tosse seca.

→ Cansaço.

→ Febre.

→ Dor no peito.

→ Falta de ar, em casos mais graves.

Diagnóstico:

→ Avaliação do histórico do paciente.

→ Avaliação clínica.

→ Radiografia de tórax.

 Como evitar:

→ Tenha uma boa alimentação.

→ Mantenha-se hidratado.

→ Evite o consumo de bebidas alcoólicas em excesso.

→ Não fume.

→ Mantenha a vacinação em dia.

→ Evite locais fechados e com aglomeração de pessoas.

→ Deixe a casa limpa e arejada.

Tratamento:

→ De um modo geral, é feito com antibióticos e antitérmicos, mas depende do avanço da doença.

→ Leve: Tratamento em casa com antibióticos.

→ Moderado: Paciente é internado e recebe medicamentos no hospital.

→ Grave: Paciente precisa ir para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde recebe antibióticos e respira com ventilação artificial. Nesses casos, a mortalidade é 40% a 50%.

Fique atento:

→ A má higiene dos dentes pode contribuir para o aparecimento da pneumonia.

→ Bactérias da boca podem ser aspiradas e se alojar nos pulmões.

→ Ao se proliferar no órgão, elas podem causar a pneumonia.

Atenção:

→ Idosos devem tomar mais cuidado com a doença, que pode levar à morte.

→ Eles fazem parte do grupo de risco por ter o sistema imunológico mais frágil.

→ Desorientação e sonolência são sintomas que costuma aparecer em idosos.

→ Crianças, pessoas com doenças crônicas (como diabetes) e pacientes com câncer também fazem parte do grupo de risco.


(Do Caderno Reportagem – O Sul, setembro de 2014)

P.S. Existe vacina contra a pneumonia. Ela pode ser encontrada em clínicas particulares, seu preço é razoável e dura por toda vida. Em Porto Alegre, ela é ministrada na Imune Clínica de Vacinação, no Shopping Center Iguatemi e em algumas drogarias Panvel.




Os Mitos das Florestas



 Os mitos e lendas brasileiras andam pelos lares de nosso povo assustando e fazendo a imaginação voar. Às vezes, estão em vários lugares diferentes ao mesmo tempo. Os nomes podem variar e algumas características também, mas suas histórias e aparições não morrem. A cultura indígena do Brasil tem todo um repertório de lendas mais ligadas às coisas da natureza, envolvendo animais, estrelas, rios e plantas e. algumas dessas lendas misturaram-se às crendices dos brancos católicos, Vamos conhecer algumas dessas lendas que envolvem animais.

BOTO E IARA → diz-se que o grande golfinho do rio Amazonas se transforma num homem branco, alto e forte, que gosta de beber e conversar, e que geralmente seduz moças para engravidá-las, desaparecendo depois. Mas há umas poucas versões que contam da capacidade do Boto de se transformar também numa mulher atraente, que conquista o homem para levá-lo para o fundo das águas - uma história que se confunde com a da Iara, Esta, uma espécie de sereia dos rios amazônicos, canta e seduz os que vivem perto das margens, carregando-os para o fundo assim que os conquista.

LOBISOMEM → Quando um casal tem filhos, todos meninos, precisa fazer o mais velho batizar o mais novo, para que este não se torne um Lobisomem. No caso de sete meninas, deve ser feita a mesma coisa para que a garota não vire bruxa. Dizem que é fácil identificar os Lobisomens: são esquálidos, pálidos, com um tom amarelado nas faces. Os indivíduos que têm tal sina transformam-se de quinta para sexta-feira. Na região Centro-sul do Brasil acredita-se que, se o sujeito for branco, vai aparecer na forma de um enorme cachorro preto; se for negro, o cachorro será branco. Apesar de meter medo nos homens, com suas pernas traseiras mais longas que as dianteiras, muitos dizem que o Lobisomem só sai para comer fezes de galinha. Se não há galinheiros, ele então procura crianças com fralda. No Norte, acredita-se que Lobisomem ou Bruxa será o sétimo filho ou filha do casamento de um padre.

BOITATÁ → Lenda muito forte no Sul do país, refere-se ao duende que, numa noite de tempestade, aproveitou para comer os olhos das carniças dos animais, vítimas de enchentes. Passou, então, a ser um luzeiro ambulante e transparente. No verão, onde há carniça, o Boitatá sempre aparece na forma de uma bola-de-fogo amarelo-azulada, que desaparece de repente. Outros dizem que ele é, na verdade, uma cobra de fogo que percorre Campinas, mergulha nas lagoas e guarda as cavernas, buracos na terra, onde estariam guardados tesouros dos tempos dos jesuítas.

BEM-TE-VI → Pelo som do seu canto, o Bem-te-vi é chamado de Triste-Vida, Tempo-Quer-Vier, Tique-Te-Vi e Te-Vi. No Rio Grande do Norte, ele é malvisto porque gritou muito quando Nossa Senhora procurava fugir para o Egito com São José e o Menino Jesus. Mas o Bem-Te-Vi, que sabe de tudo, costuma também anunciar visitas. Pergunta-se: "que tu viste?" - se ele responder imediatamente, é visita de homem; se demorar, é mulher que vem.

JOÃO DE BARRO → É tido como passarinho trabalhador e inteligente. Seu canto parece uma gargalhada (no Sul dizem que, quando ele canta, é sinal de bom tempo) e é amigo de todos, lutando para salvar seu ninho, sua casa. Um dia, conta-se, brigou com Tapera (andorinha), que chegou a dominá-lo e despejou-o do ninho ainda em construção. A fêmea, conhecida como "Joaninha-de-barro" ou "Maria-de-Barro", ajuda na construção do ninho, mas parece não ser constante, abandonando o macho. O João-de-Barro é fiel até o fim e, por isso, quando percebe que a esposa mudou de amor, tampa a abertura da casa, fechando-a para sempre.

CAIPORA → É um homem com o corpo coberto de pêlos que anda montado num "Queixada", ou porco-do-mato. Muitas pessoas dizem que ver o Caipora dá azar, provavelmente porque ele é tido como protetor dos animais do mato atrapalhando os homens que saem para caçar. No Acre, Caipora é mulher: aparece como uma caboclinha muito esperta, pequena, robusta, com a cabeleira cobrindo-lhe o sexo, e que só dá caça a quem lhe der de fumar. Quando se apaixona, é ciumentíssima.

NEGRINHO DO PASTOREIO → Este, sim, é um ente exclusivo do imaginário dos gaúchos. Contam que, no tempo dos escravos, um senhor de terras que só tinha olhos para cavalos e para o único filho, punha um negrinho seu escravo para cuidar da tropa, mas o menino era sempre enganado pelo filho do fazendeiro, que espantava os cavalos e punha a culpa no negrinho. Um dia, depois de muito açoitar o escravo, o senhor colocou o negrinho na boca de um formigueiro, para ser "Comido" pelos bichinhos. Três dias se passaram e o senhor acabou encontrando o negrinho perfeitamente são por obra e graça de Nossa Senhora. Levando os cavalos pela pradaria afora. O Negrinho do pastoreio tornou-se protetor dos animais e das pessoas perdidas no campo Quem perdeu algo no pasto também pode pedir ajuda a ele, bastando apenas acender um toco de vela à noite, de preferência no fundo escuro do quintal.

MULA-SEM-CABEÇA → Moça que transa antes do casamento, ou comadre que se liga com compadre, ou mulher que casa com padre, vira Mula-Sem-Cabeça. Ela também é conhecida, no Nordeste, como Lula-de-padre. Aparece nas sextas-feiras e, quando encontra uma pessoa, chupa-lhe os olhos, as unhas e os dentes, além de soltar fogo pelas ventas. Outra coisa que faz a Mula-sem-cabeça aparecer é a pessoa passar correndo diante da cruz à meia-noite.

UIRAPURU → "Um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique. Como não poderia se aproximar dela, pediu a Tupã que o transformasse em um pássaro. Tupã transformou - o em um pássaro vermelho-telha, que à noite cantava para sua amada. Porém foi o cacique que notou seu canto. Ficou tão fascinado que perseguiu o pássaro para prendê-lo. O Uirapuru voou para a floresta e o cacique se perdeu. À noite, o Uirapuru voltou e cantou para sua amada. Canta sempre, esperando que um dia ela descubra o seu canto e o seu encanto. É por isso que o Uirapuru é considerado um amuleto destinado a proporcionar felicidade nos negócios e no amor.”

SUCURI → É uma das mais conhecidas lendas do folclore amazônico. Conta a lenda que em uma certa tribo indígena da Amazônia, uma índia, grávida da Boiúna (Cobra-grande, Sucuri), deu à luz a duas crianças gêmeas. Um menino, que recebeu o nome de Honorato ou Nonato, e uma menina, chamada de Maria. Para ficar livre dos filhos, a mãe jogou as duas crianças no rio. Lá no rio eles se criaram. Honorato não fazia nenhum mal, mas sua irmã tinha uma personalidade muito perversa. Causava sérios prejuízos aos outros animais e também às pessoas. Eram tantas as maldades praticadas por ela que Honorato acabou por matá-la para pôr fim às suas perversidades. Honorato, em algumas noites de luar, perdia o seu encanto e adquiria a forma humana transformando-se em um belo e elegante rapaz, deixando as águas para levar uma vida normal na terra. Para que se quebrasse o encanto de Honorato era preciso que alguém tivesse muita coragem para derramar leite na boca da enorme cobra, fazendo um ferimento na cabeça até sair sangue. Mas ninguém tinha coragem de enfrentar o enorme monstro. Até que um dia um soldado de Cametá (município do Pará) conseguiu libertar Honorato do terrível encanto, deixando de ser cobra d'água para viver na terra com sua família. A superstição popular aconselha que, quando alguém enxerga assombrações desse tipo, deve deitar-se de bruços e esconder as mãos. Quem vê alma do outro mundo também não deve acender as luzes ao chegar em casa, devendo esperar o clarear do dia.

Lúcia Helena Salvetti De Cicco

Descobertas e Invenções



1609 – Galileu Galilei → telescópio.

1643 – Evangelista Torricelli → barômetro.

1675 – Denis Papim → panela de pressão simples.

1690 – Denis Paim → sifão.

1714 – Gabriel D. Farenheit → termômetro de mercúrio.

1752 – Benjamin Franklin → pararraios.

1800 – Alessandro Volta → pilha elétrica.

1821 – Louis Braille → escrita para cegos.

1826 – J. Nicéphore → fotografia em papel.

1830 – Barth Thimmonier → máquina de costura.

1832 – Samuel Morse → telégrafo.

1835 – Samuel Colt → revólver.

1853 – Gail Borden → leite condensado.

1855 – Isaac Merritt Singer → patenteia a máquina de costura.

1855 – Georges Audemars → inventa o Rayon.

1862 – Richard J. Gatling → inventa a Metralhadora.

1866 – Alfred Nobel → inventa a dinamite.

1868 – Christopher Latham Sholes → inventa a máquina de escrever.

1868 – George Westinghouse → inventa o freio a ar.

1868 – Robert Mushet → inventa o aço.

1873 – Levi Strauss → inventa a calça jeans.

1869 – Dmitri Mendeleyev → monta a Tabela Periódica.

1876 – Alexander Graham Bell → telefone.

1877 – Thomas Alva Edison → fonógrafo.

1877 – Eadweard Muybridge → inventa a câmara de filmagem.

1879 – Thomas Alva Edison → lâmpada elétrica - inventa  a  lâmpada  com filamento de carbono incandescente.

1881 – Louis Pasteur → vacinas - produz vacina contra o antraz e a raiva.

1882 – Henry W. Seeley → inventa o ferro elétrico.

1884 – Lewis Waterman → caneta-tinteiro.

1885 – Gottlieb Daimler → automóvel a gasolina.

1886 – Ottmar Mergenthaler → linotipo.

1888 – Heinrich Hertz → produz as primeiras ondas de rádio.

1888 – Georg Wilhelm August Kahlbaum → Plástico – primeiro a utilizar o plástico na confecção de garrafas.

1893 –  1895  – Thomas Alva Edison / Louis Lumiére → cinema.

1893 – Whitcomb L. Judson → patenteia o zíper.

1893 – Heirinch Dreser → aspirina.

1895 – Wilhelm Conrad Roentgen → raio X.

1895 – Charles Proteus Steinmetz → inventou o motor de corrente alternada.

1895 – Gugliemo Marconi → rádiotelegrafia.

1900 – J. E. Brandenberg → celofane.

1900 – Ferdinand Von Zeppelin → primeiro dirigível de estrutura metálica.

1900 – Max Planck → propõe a teoria da Mecânica Quântica.

1904 – John Ambrose Fleming → inventa a válvula.

1905 – Albert Einstein → Teoria da Relatividade.

1906 – Lewis Nixon → inventa o sonar.

1906 – Alberto Santos-Dumont → primeiro voo em avião motorizado.

1907 – Albert Abraham Michelson → instrumentos de precisão óptica.

1908 – Gabriel Lippmann → Método da reprodução da fotografia colorida baseada no fenômeno da Interferência.

1908 – Henry Ford → automóvel movido por um motor.

1909 – Guglielmo Marconi e Karl Ferdinand Braun → método da telegrafia sem fio.

1909 – Carlos Chagas → Doença de Chagas.

1910 – Charles Martin Hall → inventou a folha de alumínio.

1912 – Nils Gustaf Dalén → invenção de reguladores automáticos.

1914 – Ernest D. Swinton → tanque blindado.

1920 – Calmette – Gurin → BCG.

1922 – Frederick Grant Banting → inventa a Insulina.

1922 – Albert H. Taylor e Leo C. Young → inventam o Radar.

1923 – Richard Drew → invenção do “Durex”.

1924 – Louis Paul Cailletet → inventa o altímetro.

1926 – John Baird → televisão.

1928 – Alexander Fleming → descoberta da Penicilina.

1930 – Wallace H. Carothers → nylon.

1931 – Max Knott e Ernst Ruska → invenção do microscópio eletrônico.

1933 – Edwin Howard Armstrong → inventor do FM.

1935 – Robert Watson-Watt → criação do primeiro Radar.

1936 – Heirinch Focke → helicóptero.

1937 – Frank Whittie → Motor a jato.

1945 – Equipe internacional de cientistas → bomba atômica.

1946 – John Mauchly e John Eckart Jr → constroem o primeiro computador o ENIAC.

1947 – John Bardeen e Walter Houser Brattain → criação do transistor.

1948 – George de Mestral → inventa o Velcro.

1952  – Joseph Woodland e Bernard Silver → inventam o Código de Barras.

1952 – Edward Teller → Invenção da Bomba de Hidrogênio.

1953 – David Warren → invenção da caixa preta para aeronaves.

1953 – James Dewey Watson, Francis Harry Compton Crick e Maurice Hugh Frederick Wilkins → descoberta do DNA.

1955  – Lloyd Conover → descoberta da Tetraciclina.

1955 – Narinder Singh Kanpany → invenção da Fibra Óptica.


Chiquinha Gonzaga



                                  “Ó Abre Alas !Que eu quero passar 
                                  Eu sou da lira não Posso negar 
                                  Ó Abre Alas ! Que eu quero passar 
                                  Rosa de Ouro é que vai ganhar!.

O encontro de Chiquinha Gonzaga com o meio boêmio carioca aconteceu num momento de rebeldia da compositora. Seu casamento não ia bem, a separação era a única saída. Uma mulher separada no século XIX? Chiquinha pagou um preço alto. Foi expulsa de casa por seu pai, que, a partir daquele momento, renegou sua paternidade. Com o filho João Gualberto ainda no colo, ela partiu em busca de uma nova vida. Quem sabe era a oportunidade de seguir seu desejo: tornar-se uma compositora. Sem ter para onde ir, Chiquinha foi recebida pelo meio musical carioca, iniciando, então, um convívio fundamental para sua futura formação.

Conheceu músicos famosos, como Calado, que se tornou seu amigo e protetor. Conhecido como Calado Jr. até a morte de seu pai, teve formação erudita, mas, desde cedo, era presença marcante nos grupos de choro do Rio e "pode ser considerado o criador do choro e nacionalizador da música popular", segundo Edinha Diniz. Sua primeira composição editada, a polca Querida por todos (1865), foi dedicada à Chiquinha.

Calado convidou-a para ser a pianeira de seu conjunto O Choro do Calado. Chiquinha começou a tocar em bailes e teatros recebendo dois mil réis por noite.

Chiquinha passou a freqüentar festas e reuniões de chorões, compondo a polca Atraente, em 1877, que, editada na véspera de Carnaval, fez um enorme sucesso.

Por volta de 1899, Chiquinha mudou-se para o bairro do Andaraí. Lá, os cordões carnavalescos faziam grande sucesso, agremiando moradores e foliões de diversos cantos da cidade. Um dia, em sua casa, ao ouvir despreocupadamente os ensaios do cordão Rosa de Ouro, sentou-se ao piano e compôs uma marcha em homenagem ao grupo. Assim nasceu a primeira música de carnaval. Até então, nenhum compositor havia elaborado uma composição para um cordão carnavalesco, o que existia eram estribilhos populares, sem melodia elaborada Edinha Diniz, (op.cit. p.186). A marcha “Ô Abre Alas” tornou-se o seu maior sucesso e é tocada até hoje em todos os bailes carnavalescos.

A melhor divulgação para a nova marcha foi mesmo o teatro. Na peça Não Venhas, Chiquinha a incluiu no repertório, sendo a marcha muito bem aceita pelo público. Era o carnaval que ganhava o teatro, “numa época em que as classes sociais mantinham seus espaços rigidamente definidos. Chiquinha não hesita em trazer para o salão o que era da rua.”

(Edinha Diniz op.cit. p.186)


Chiquinha na velhice

Mulheres pioneiras



Em 1888, foram diplomadas as primeiras doutoras – médicas e advogadas – do Rio de Janeiro, acontecimento que França Júnior glosou, com espírito conservador, em sua comédia. O título deste comentário versificado, publicado no O País de outubro daquele ano.

 Bacharéis de saias

Se já na vida caseira
Gosta a mulher de chicana,
O que será, imaginem,
Vestindo a toga romana!

Calculem se há promotor
Que alguma vez se aventure
A replicar-lhes a arenga
Num julgamento do júri!...

Jesus! Vai ser o dilúvio!
Vira o mundo pelo avesso!
O marido entra mais tarde,
A mulher... arma um processo!

A esposa, dócil outrora,
Pede um chapéu, um vestido;
Não consegue? Isto é sumário:
Processo contra o marido!

Se um noivo, por qualquer coisa
Roer a corda à conquista,
Ela embarga a bilontragem
E ganha... em grau de revista!

Se o marido, entrando em casa,
Acha caras diferentes,
Não desconfia da esposa...
Com certeza... são clientes!

E se uma sogra é formada
Em ciência judiciária,
Pode o genro, em pouco tempo,
Gozar... de uma ação sumária!

Desta vez é que são elas!
Crise imprevista, não tardas!
Agora é que vamos ver-nos
Metidos em calças pardas!

(Do livro “Antologia de humorismo e sátira”. De R Magalhães Júnior)


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Tintoretto no Museu de Arte de São Paulo



Quadro Ecce Homo, de Tintoretto*

Tempos depois, o Chateuabriand fez o Museu de Arte de São Paulo, e de vez em quando pressionava um milionário para doar um quadro de grande valor ao Masp. Um dia, ele consegue um dos dois Tintoretto, que trouxe para o acervo do Museu no final da década de 1940. Ansioso por divulgar a boa-nova para a vida cultural paulistana, correu até a Rádio Tupi e deixou a notícia para que fosse lida em caráter extraordinário. O editor de plantão, a fim de não perder tempo, passou o papel para o locutor da maneira como havia recebido de Chateaubriand. Muito nervoso com a presença intimidatória do editor, o locutor tomou um gole de água, limpou a garganta. E mandou ver com sua melhor dicção:

− Tiroteio no Museu de Arte de São Paulo!

(Trecho do livro “O Livro de Jô”, de Jô Soares e Matinas Suzuki Jr.)

Tintoretto – Ecce Homo ou Pilatos Apresenta Cristo à Multidão (1546-1547). Expoente do maneirismo, o pintor de Veneza faz uso de sua célebre habilidade para os pequenos detalhes. A cena pintada por Tintoretto tem intensidade dramática e uso notável de cores, em especial no tom de amarelo das vestes de algumas figuras retratadas.


Autoretrato de Tintoretto

Tintoretto, como era conhecido Jacopo Robusti, nasceu em Veneza, cerca de 1518 e faleceu em 31 de maio de 1594, em Veneza. Foi um dos pintores mais radicais do maneirismo. Por sua energia fenomenal em pintar, foi chamado Il Furioso, e sua dramática utilização da perspectiva e dos efeitos da luz fez dele um dos precursores do Barroco. Seu pai, Battista Comin, era tintore (tingia seda), o que lhe valeu o apelido.

O segundo Tintoretto do MASP


Pietá de Tintoretto


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Uma história teatral



A noite de 16 de janeiro, inovadora peça de teatro de autoria da escritora e filósofa americana de origem russa Ayn Rand, obviamente me despertou a atenção pela coincidência da data do título com o do meu aniversário* − título que, aliás, descobri depois, Rand detestava, pois achava vazio e sem significado, mas fora escolhido pelo produtor da Broadway que comprou os direitos do espetáculo. A peça estreou em 1935 e, no ano seguinte, obteve enorme sucesso de público, tendo sido adaptada em vários países. Aqui, mereceu uma montagem do Teatro Brasileiro de Comédias, em 1949, com direção de R.H. Eagling, um dos líderes do grupo amador criado por ingleses que moravam na capital paulista, o English Players, e tradução de Dinah Prado Marcondes e Abílio Pereira de Almeida – que também estava no elenco.

A história se passa numa corte de justiça onde o tribunal do júri é composto não de atores, mas dos próprios espectadores, escolhidos no começo da apresentação. Por isso, tem dois finais diferentes: um se o júri considerar Karen Andre, a ré, culpada de assassinato, outro se julgar que ela é inocente.

O português dono de um bar próximo ao TBC, famoso endereço no bairro da Bela Vista, em São Paulo, se orgulhava de ter aquele templo de cultura perto de seu estabelecimento e não perdia uma montagem no teatro fundado pelo engenheiro napolitano Franco Zampari, que se integrou à elite paulistana e foi responsável por trazer Adolfo Celi para o Brasil. Uma noite, o diretor e os atores de A noite de 16 de janeiro resolveram retribuir a assiduidade e o carinho do dono do bar e o convidaram para ser foreman, a pessoa que, no final, dá o veredicto ao juiz (a peça segue as regras e os rituais do tribunal do júri americano, que diferem daqueles do brasileiro). No fim do último ato, o juiz perguntou se o júri havia chegado a alguma conclusão. O português, envaidecido por estar colaborando com o seu querido TBC, levantou-se e respondeu em alto e bom som:

− Sim, meritíssimo: a culpada é inocente!

*****

(Do livro “O Livro de Jô – uma autobiografia desautorizada”,
de Jô Soares e Matinas Suzuki Jr.)

* 16 de janeiro de 1938, data de nascimento de José Eugênio Soares (Jô Soares).