01 - Custas
só se usa na linguagem jurídica para designar despesas feitas no processo.
Portanto, devemos dizer: “O filho vive à custa
do pai”. No singular.
02 - Não existe a expressão à medida em que. Ou se usa à medida que correspondente à proporção que, ou se usa na medida em que equivalente a tendo em vista que.
03
- O certo é a meu ver e não ao meu
ver.
04 - A
princípio significa inicialmente, antes de mais nada: Ex: A princípio,
gostaria de dizer que estou bem. Em
princípio quer dizer em
tese. Ex: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão.
05 - À-toa,
com hífen, é um adjetivo e significa
"inútil", "desprezível". Ex: Esse rapaz é um sujeito à-toa.
À toa, sem hífen, é uma locução
adverbial e quer dizer "a esmo", "inutilmente". Ex:
Andava à toa na vida.
06 - Com a conjunção se, deve-se utilizar acaso,
e nunca caso. O certo: "Se acaso
vir meu amigo por aí, diga-lhe..." Mas podemos dizer: "Caso o veja por aí...".
07 - Acerca
de quer dizer a respeito de. Veja: Falei com ele acerca de um problema
matemático. Mas há cerca de é uma
expressão em que o verbo haver indica tempo transcorrido, equivalente a faz. Veja: Há cerca de um mês que não a
vejo. A cerca de significa uma
distância aproximada de. A cerca de dois metros do muro, ele parou o carro.
08
- Não esqueça: alface é substantivo feminino. A alface está bem verdinha.
09
- Além pede sempre o hífen:
além-mar, além-fronteiras, etc.
10 - Algures
é um advérbio de lugar e quer dizer "em algum lugar". Já alhures significa "em outro
lugar".
11 - Mantenha o timbre fechado do o no plural dessas palavras: almoços,
bolsos, estojos, esposos, sogros, polvos, etc.
12
- O certo é alto-falante, e não
auto-falante.
13 - O certo é alugam-se casas, e não aluga-se casas. Mas devemos dizer precisa-se de empregados, trata-se de
problemas. Observe a presença da preposição (de) após o verbo. É a dica pra não
errar.
14 - Depois de ditongo, geralmente se emprega x.
Veja: afrouxar, encaixe, feixe, baixa, faixa, frouxo, rouxinol, trouxa, peixe,
etc.
15
- Ancião tem três plurais: anciãos, anciães, anciões.
16 - Só use ao
invés de para significar ao
contrário de, ou seja, com ideia de oposição. Veja: Ela gosta de usar preto
ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. Em vez de quer dizer em
lugar de. Não tem necessariamente a ideia de oposição. Veja: Em vez de
estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar).
17 - Ainda se vê e se ouve muito aterrisar em
lugar de aterrissar, com dois s. Escreva sempre com o s dobrado.
18 - Não existe preço barato ou preço caro. Só
existe preço alto ou preço baixo. O produto, sim, é que pode
ser caro ou barato. Veja: Esse televisor é muito caro. O preço desse televisor
é alto.
19 - Ainda se vê muito, principalmente na
entrada das cidades, a expressão bem vindo (sem hífen) e até benvindo. As duas
estão erradas. Deve-se escrever bem-vindo,
sempre com hífen.
20 - Atenção: nunca empregue hífen depois de bi, tri, tetra, penta,
hexa, etc. O nome fica sempre coladinho. O Brasil se tornou pentacampeão no ano
2002.
21 - Veja bem: uma revista bimensal é publicada duas
vezes ao mês, ou seja, de 15 em 15
dias. A revista bimestral só sai nas
bancas de dois em dois meses.
Percebeu a diferença?
22 - Hoje, tanto se diz boêmia como boemia.
Nelson Gonçalves consagrou a segunda, com a tonacidade no mia.
23 - Cuidado: Eu caibo dentro daquela caixa. A primeira pessoa do presente do
indicativo assim se escreve porque o verbo é irregular.
24 - Preste atenção: o senador Luiz Estêvão foi cassado. Mas o leão foi caçado e nunca foi achado. Portanto,
cassar (com dois s) quer dizer
tornar nulo, sem efeito.
25 - Existem palavras que só devem ser
empregadas no plural. Veja: os
óculos, as núpcias, as olheiras, os parabéns, os pêsames, as primícias, os
víveres, os afazeres, os anais, os arredores, os escombros, as fezes, as
hemorroidas, etc.
26 - Pouca gente tem coragem de usar, mas o
plural de caráter é caracteres. Então, Carlos pode ser um
bom-caráter, mas os dois irmãos dele
são dois maus-caracteres.
27 - Cartão de crédito e cartão de visita não pedem hífen. Já cartão-postal exige o tracinho.
28
- Catequese se escreve com s, mas catequizar é com z. Esse
português...
29 - O exemplo acima foge de uma regrinha que
diz o seguinte: os verbos derivados de palavras primitivas grafadas com s formam-se com o acréscimo do sufixo ar: análise - analisar, pesquisa -
pesquisar, aviso - avisar, paralisia - paralisar, etc.
30 - Censo
é de recenseamento; senso refere-se
a juízo. Veja: O censo deste ano deve ser feito com senso crítico.
31 - Você não bebe a champanhe. Bebe o champanhe. É, portanto, palavra masculina.
32
- Cidadão só tem um plural: cidadãos.
33
- Cincoenta não existe. Escreva sempre cinquenta.
34 - Ainda existe gente que erra quando vai falar
gratuito e dá tonicidade ao i, como
de fosse gratuíto. O certo é gratuito,
da mesma forma que pronunciamos intuito, circuito, fortuito, etc.
35 - E ainda existe gente que teima em dizer
rúbrica, em vez de rubrica, com a
sílaba ru mais forte que as outras.
Escreva e diga sempre rubrica. Bem como a palavra recorde com a tonacidade no cor.
Sempre diga recorde e não
récorde.
36 - Ninguém diz eu coloro esse desenho. Dói no
ouvido. Portanto, o verbo colorir é
defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular
do presente do indicativo. A mesma coisa é o verbo abolir. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Para dar um jeitinho,
diga: Eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.
37 - Outro verbo danado é computar. Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu
computo, tu computas, ele computa. A gente vai entender outra coisa, não é
mesmo? Então, para evitar esses palavrões, decidiu-se pela proibição da
conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural:
computamos, computais, computam.
38 - Outra vez atenção: os verbos terminados em uar fazem a segunda e a terceira pessoa
do singular do presente do indicativo e a terceira pessoa do imperativo
afirmativo em e e não em i. Observe: Eu quero que ele continue
assim. Efetue essas contas, por favor. Menino, continue onde estava.
39 - A propósito do item anterior, devemos
lembrar que os verbos terminados em uir
devem ser escritos naqueles tempos com i,
e não e. Veja: Ele possui muitos
bens. Ela me inclui entre seus amigos de confiança. Isso influi bastante nas
minhas decisões. Aquilo não contribui em nada com o progresso.
40
- Coser significa costurar. Cozer significa cozinhar.
41 - O correto é dizer deputado por São Paulo, senador por Pernambuco, e não deputado de São
Paulo e senador de Pernambuco.
42 - Descriminar
é absolver de crime, inocentar. Discriminar
é distinguir, separar. Então dizemos: Alguns políticos querem descriminar o
aborto. Não devemos discriminar os pobres.
43 - Dia
a dia (sem hífen) é uma expressão adverbial que quer dizer todos os dias,
dia após dia. Por exemplo: Dia a dia minha saudade vai crescendo. Enquanto que dia-a-dia é um substantivo que
significa cotidiano e admite o artigo: O dia-a-dia dessa gente rica deve ser um
tédio.
44
- A pronúncia certa é disenteria, e
não desinteria.
45 - A palavra dó (pena) é masculina. Portanto, "Sentimos muito dó daquela
moça".
46 - Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre
no singular, sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez
quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente.
47 - Há duas formas de dizer: é proibido
entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo a na segunda locução.
48
- Já se disse muitas vezes, mas vale repetir: televisão em cores, e não a cores.
49 - Cuidado: emergir é vir à tona, vir à superfície. Por exemplo: O monstro
emergiu do lago. Mas imergir é o
contrário: é mergulhar, afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar.
50 - A confusão é grande, mas se admitem as três
grafias: enfarte, enfarto e infarto.
51 - Outra dúvida: nunca devemos dizer estadia
em lugar de estada. Portanto, a
minha estada em São Paulo
durou dois dias. Mas a estadia do
navio em Santos só demorou um dia. Portanto, estada para permanência de pessoas, e estadia para navios ou veículos.
52
- E não esqueça: exceção é com ç,
mas excesso é com dois s.
53 - Lembra-se dos verbos defectivos? Lá vai
mais um: falir. No presente do
indicativo só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós falimos,
vós falis. Já pensou em conjugá-lo assim: eu falo, tu fales... Horrível, né?
54 - Todas as expressões adverbiais formadas por
palavras repetidas dispensam a crase:
frente a frente, cara a cara, gota a gota, face a face, etc.
55 - Outra vez tome cuidado. Quando for ao
supermercado, peça duzentos ou trezentos gramas de presunto, e não
duzentas ou trezentas. Quando significa unidade de massa, grama é substantivo masculino. Se for a relva,
aí sim, é feminino: não pise na
grama; a grama está bem crescida.
56 - É frequente se ouvir no rádio ou na TV os
entrevistados dizerem: Há muitos anos atrás... Talvez nem saibam que estão
construindo uma frase redundante. Afinal, há já dá ideia de passado. Ou se diz
simplesmente Há muito anos... ou Muitos anos atrás. Escolha. Mas não junte o há com atrás.
57 - Cuidado nessa arapuca do português: as
palavras paroxítonas terminadas em n
recebem acento gráfico, mas as terminadas em ns não recebem: hífen, hifens; pólen, polens.
58 - Atenção: Ele interveio na discórdia, e não interviu. Afinal, o verbo é intervir,
derivado de vir.
59
- Item não leva acento. Nem seu
plural itens.
60
- O certo é a libido, feminino. Devo
dizer: A minha libido hoje não tá
legal.
61 - Todo mundo gosta de dizer magérrima,
magríssima, mas o superlativo de magro é macérrimo.
62 - Antes de particípios não devemos usar
melhor nem pior. Portanto, devemos dizer: os alunos mais bem preparados são os do 2ͦ grau. E nunca: os alunos melhor
preparados...
63 - Essa história de mal com l, e mau com u, até já cansou: É só decorar: Mal é antônimo de bem, e
mau é antônimo de bom. É só substituir uma por outra nas
frases para tirar a dúvida.
64
- Pronuncie máximo, como se houvesse
dois s no lugar do x. (mássimo)
65 - Toda vez que disser "É meio-dia e
meio" você estará errando. O certo é: meio-dia
e meia. Ou seja, meio dia e meia hora.
66
- Não tenho nada a ver com isso, e
não haver com isso.
67 - Nem
um nem outro leva o verbo para o singular: Nem um nem outro conseguiu
cumprir o que prometeu.
68 - Toda vez que usar o verbo gostar tenha cuidado com a ligação que
ele tem com a preposição de. Ex: a
coisa de que mais gosto é passear no parque. A pessoa de quem mais gosto é
minha mãe.
69 - Lembre-se: para do verbo parar e para preposição, tem grafias idênticas.
Portanto: Ele não para de repetir para o amigo que tem um carro novo.
70 - E tem mais: pelo é preposição (contração da preposição por com o artigo a) e pelo é o cabelo.
71 - E quer mais? Pera, a fruta, não tem mais acento, há preposição também chamada pera.
72 - Ainda tem mais uma palavra com acento
diferencial: pôde, terceira pessoa
do singular do pretérito perfeito do verbo poder. É para diferenciar de pode, a forma do presente. Então
dizemos: Ele, ontem, até que pôde fazer tudo
aquilo, mas hoje não pode mais.
Percebeu a diferença?
73 - Pôr
só leva acento quando é verbo:
"Quero pôr tudo no seu devido
lugar". Mas se for preposição, não leva mais acento: Por qualquer coisa, ele se contenta.
74 - Fique atento: nunca diga nem escreva 1 de
abril, 1 de maio. Mas sempre: primeiro de abril, primeiro de maio. Prevalece o ordinal.
75 - É chato, pedante ou parece ser errado dizer
"quando eu vir Maria, darei o
recado a ela". Mas esse é o emprego correto do verbo ver no futuro do subjuntivo. Se eu vir, quando eu vir. Mas quando é
o verbo vir que está na jogada, a
coisa muda: quando eu vier, se eu vier.
76 - Só use quantia
para somas em dinheiro.
Para o resto, pode usar quantidade. Veja: Recebi a quantia de
20 mil reais. Era grande a quantidade de animais no meio da pista.
77 - O prefixo recém sempre se separa por hífen
da palavra seguinte e deve ser pronunciado como oxítona: recém-chegado de
Londres.
78 - Não esqueça: retificar é corrigir, e ratificar
é comprovar, reafirmar: “Eu ratifico
o que disse e retifico meus erros”.
79 - Quando disser ruim, diga como se a sílaba mais forte fosse im. Não tem cabimento outra pronúncia.
80 - Fique atento: só empregamos São antes de nomes que começam por consoante: São Mateus, São João, São
Tomé, etc. Se o nome começa por vogal
ou h, empregamos Santo: Santo Antônio,
Santo Henrique, etc.
81 - E lembre-se: Seção, com ç, quer dizer
parte de um todo, departamento: a seção eleitoral, a seção de esportes. Já sessão, com dois s, significa intervalo de tempo que dura uma reunião, uma assembleia,
um acontecimento qualquer: A sessão do cinema demorou muito tempo. A sessão
espírita terminou. Cessão com c e dois s, é do verbo ceder, doar, transferência de posse. Ele solicitou a cessão da sala para uma palestra.
82 - Não confunda: senão, juntinho, quer dizer "caso contrário". E se não, separado, equivale a "se
por acaso não". Veja: Chegue cedo, senão eu vou embora. Se não chegar
cedo, eu vou embora. Percebeu a diferença?
83 - Tire esta dúvida: quando só é adjetivo equivale a sozinho e varia em número, ou seja,
pode ir para o plural. Mas só como
advérbio, quer dizer somente. Aí não
se mexe. Veja: Brigaram e agora vivem sós (sozinhos). Só (somente) um bom
diálogo os trará de volta.
84 - É comum vermos no rádio e na TV o entrevistado
dizer: "O que nos falta são subzídios". Quer dizer, fala com a
pronúncia do z. Mas não é:
pronuncia-se ss. Portanto, escreva subsídio
e pronuncie subssídio.
85 - Taxar
quer dizer "tributar", "fixar preço". Tachar é "atribuir defeito", "acusar".
86 - E nunca diga: Eu torço para o Internacional.
Quem torce de verdade, torce pelo
Internacional.
87 - Todo mundo tem dúvida, mas preste atenção:
50% dos estudantes passaram nos
testes finais. Somente 1% terá condições de pagar a mensalidade. Acreditamos
que 20% do eleitorado se abstenha de
votar nas próximas eleições. Mais exemplos: 10% estão aptos a votar, mas 1%
deles preferem fugir das urnas. Quer
dizer, concorde com o mais próximo e saiba que essa regra é bastante flexível.
88 - Um dos que deixa dúvidas. Há gramáticos que
aceitam o emprego do singular depois dessa expressão. Mas pela norma culta,
devemos pluralizar: Eu sou um dos que foram
admitidos. Sandra é uma das que ouvem
rádio.
89
- Veado se escreve com e, e não com i.
90 - Esse português da gente tem cada uma: tem viagem com g e viajem com j. Tire a dúvida: viagem é o substantivo:
A viagem foi boa. Viajem é o verbo: Caso vocês viajem, levem tudo.
91 - O prefixo vice sempre se separa por hífen
da palavra seguinte: vice-prefeito, vice-governador, vice-reitor,
vice-presidente, vice-diretor, etc.
92 - Geralmente, se usa o x depois da sílaba inicial en:
enxaguar, enxame, enxergar, enxaqueca, enxofre, enxada, enxoval, enxugar, etc.
Mas cuidado com as exceções: encher e seus derivados (enchimento, enchente,
enchido, preencher, etc.) e quando en
se junta a um radical iniciado por ch:
encharcar (de charco), enchumaçar (de chumaço), enchiqueirar (de chiqueiro),
etc.
93
- Não adianta teimar: chuchu se
escreve mesmo é com ch.
94
- Ciclo vicioso não existe. O correto é círculo
vicioso.
95 - E qual a diferença entre achar e encontrar? Use achar
para definir aquilo que se procura, e encontrar
para aquilo que, sem intenção nenhuma, se apresenta à pessoa. Veja: Achei
finalmente o que procurava. Maria encontrou uma corda debaixo da cama. Jorge
achou o gato dele que fugiu na semana passada.
96
- Adentro é uma palavra só: Meteu-se
porta adentro. A lua sumiu noite adentro.
97 - Não existe adiar para depois. Isso é redundante, porque adiar só pode ser para
depois.
98 - Afim
(juntinho) tem relação com afinidade:
gostos afins, palavras afins. A fim de (separado) equivale a para:
Veio logo a fim de me ver bem vestido.
99 - Pode parecer meio estranho, mas pode
conjugar o verbo aguar normalmente:
eu águo, tu águas, ele água, nós aguamos, vós aguais, eles águam.
100 - (Finalmente, chegamos ao centésimo item).
E por falar nisso, centigrama é palavra masculina:
dois centigramas.
P.S. Cuidado com o verbo fazer nas propagandas: “Faz
um 21”. A quem a propaganda está se dirigindo, ao pronome tu ou você? Se for tu: “Faze um 21”; se for você: “Faça um 21” e nunca “Faz um 21”. Tá ok?