- Me dá um copo d 'água.
Pergunta o garçom chato:
- Mineral?
O chato responde:
- Natural!
E o garçom chato, se
complicando:
- Natural?
E o outro:
- Natural que é mineral!
- Não entendi – disse o
garçom chato. – O senhor quer água mineral ou natural?
- Mineral!
- Ah... mineral?
- Natural!
- Ai, meu Deus... Não entendi. O senhor está dizendo
que quer um copo d'água natural, não é?
- Não! Eu quero um copo
d'água mineral!
- Ah... O senhor quer um
copo d'água mineral, não é isso?
- É natural!
- Natural?
- Chega! Não quero mais
água nenhuma. O senhor complica tudo!
- Então o senhor quer o
quê?
- Me traz um chope.
- Escuro?
- Claro!
Chato na rua...
Eu encontro um chato na rua,
que eu nunca vi na minha vida, e ele me cutuca:
- E daí, cara, tu não és o José Pedro, que todos
conheciam como Madeira, lá de Uruguaiana?
- Não, meu amigo, não me
chamo José Pedro e sou de Santa Maria.
- Mas tu não ias nos
bailes de carnaval do Gaúcho, ali na Praia de Belas...
- Não, meu amigo, carnaval
eu só gosto de assistir na avenida, não sou de bailes...
- Mas tu não te formaste
em Direito?
- Não, formei-me em
Letras, fui professor...
- Quer dizer que não és o
José Pedro e não te formaste em Direito?
- É isso mesmo. Sou o Nilo
Moraes e não me formei em Direto.
- Tu és o Nilo Moraes?
- Sou sim!
- Então é contigo mesmo
que eu quero falar!
Copiando uma historinha do Álvaro Moreyra...
Vou
caminhado pela Rua da Praia, quando alguém me cutuca, logo vi que se tratava de
um chato, pois todo chato cutuca:
- E daí, meu irmão, o que
há de novo?
- A nossa intimidade...
Chato em parada de lotação
Tarde
da noite, estou esperando, cansado, o meu lotação para ir para o meu bairro,
Ipanema, quando um chato puxa conversa:
- E daí, companheiro, o
que tu esperas do governo do Lula?
- É cedo ainda para se
esperar alguma coisa, mas ele já executou grandes projetos...
- E das metas do
governador?
- Não espero nada ainda...
- Esperas alguma novidade
neste verão?
- Não.
- Esperas alguma coisa do
Donald Trump.
- Dele não espero nada!
- Esperas ir para o céu.
- Talvez...
- Afinal, o que o tu
esperas com ardor nesta vida?
- A única coisa que espero
nesta vida é que o lotação venha logo...
Mas o chato não desistiu:
- Tu és capaz de guardar
um segredo?
Claro.
- Bem, estou precisando de
cinquenta reais emprestados...
- Podes ficar tranquilo...
Vou fazer de conta que nem ouvi...
Mas,
mesmo assim, emprestei dinheiro e nunca mais o vi. E quer saber? Valeu a pena.
O pedido de um chato preciosista
O
chato preciosista chegou na confeitaria e mandou fazer um bolo confeitado. Bem
bonito, pedindo ao confeiteiro:
- Eu quero um bolo de aniversário. Escreve em cima: “Feliz
Aniversário” Fica pronto a que horas?
- Daqui a uns vinte
minutos o senhor pode vir buscar.
Ele
voltou vinte minutos depois. O bolo estava pronto. Ele olhou bem o bolo,
examinou bem, afastou-se um pouco para olhar bem a obra de arte do confeiteiro
e falou:
- Olha, eu queria mais bonito. Mais enfeitado, sabe, mais
colorido. E olha: em vez de “Feliz Aniversário”, escreve: “Felicidades mil!” O
senhor não acha que fica melhor?
- É, fica – disse o confeiteiro meio desanimado. Mas
pode passar daqui a meia hora que estará pronto.
Meia hora depois, o chato
voltou:
- Como é? Gostou? –
perguntou o confeiteiro.
O
chato examinou o bolo longamente, fechou os olhos, coçou o queixo, releu a
frase:
- Faz o seguinte: bota mais umas flores em volta do
bolo, mais cor. E aumenta aí a frase. O senhor não acha que pode ser uma frase
mais expressiva?
- É... pode ser...
- Pois é. Põe aí: “Felicidades mil! Parabéns! Muito
amor!” Isso: “Muito amor”, põe aí!
O
confeiteiro conformou-se e fez todas as modificações. Algum tempo depois, o
chato voltou.
- Ah, sim. Agora está
lindo!
- Posso embrulhar? –
perguntou o confeiteiro.
- Não, não precisa não. Eu
vou comer aqui mesmo!
Pedido importante
Vou
cortar o cabelo com um barbeiro terrivelmente chato. Ele corta e chateia o
freguês o tempo todo. Sento na sua cadeira e ele me pergunta:
- Como o senhor vai querer
que eu corte o seu cabelo?
E eu, baixinho no seu ouvido:
- Em silêncio...
O chato pontual
Um
chato, daqueles bem pegajosos, vivia aporrinhando a sua namorada. Telefonava
para ela a qualquer hora, inclusive a altas horas da noite para contar a ela
uma bobagem qualquer.
Um
dia, ela não se aguentou mais e o mandou seguir sua vida longe dela. O chato
ficou inconformado, fazendo a ela a seguinte pergunta:
‒ Será
que um dia eu poderei voltar a te namorar novamente?
Ela
respondeu com raiva:
‒
Sim, daqui a dez anos poderás novamente me procurar!
Ele,
deslumbrado, pergunta:
‒
E a que horas, pela manhã, à tarde, à noite?