sábado, 3 de janeiro de 2026

Pergunta Difícil

 

Leia a próxima pergunta antes de descer para ver a resposta da primeira. Está na hora de eleger um novo líder mundial, e você tem direito a voto. Aqui estão algumas informações sobre os quatro candidatos: 

Candidato A - Está associado a políticos corruptos e consulta astrólogos. Já teve duas amantes. Fuma como uma chaminé e bebe de 8 a 10 Martinis por dia. 

Candidato B - Já foi despedido de dois empregos, costuma dormir até o meio-dia, usava ópio na universidade e bebe um quarto de uma garrafa de whisky todas as noites. 

Candidato C - Foi metalúrgico e líder sindical. Preso várias vezes, puxou 580 dias de cadeia,  dizem que gosta de tomar umas cachacinhas de vez em quando... 

Candidato D - Ele é um herói de guerra! Condecorado. É vegetariano, não fuma, bebe uma cerveja ocasionalmente e nunca teve nenhuma relação extraconjugal. 

Qual destes candidatos você escolheria?

Qual é sua resposta? Pensou bem? 

Candidato A é Franklin Delano Roosevelt

 

Candidato B é Winston Churchill. 

 

Candidato C é Luiz Inácio Lula da Silva. 

 

Candidato D é Adolph Hitler. 

Interessante, não é mesmo? 

Faz a gente parar para pensar antes de julgar os outros.

Amor indeciso

 Compositor: Anacleto 

Canta: Jovelina Pérola Negra

Esse teu amor,
Eu não estou entendendo,
Um dia você não me quer,
No outro tu tá me querendo.
Um dia você não me quer,
No outro tu tá me querendo. 

Você não me olha, eu não te olho,
Você só me olha se eu te olhar.
Você não me esbarra, eu não te esbarro,
Você só me esbarra se eu te esbarrar.
Você não me abraça, eu não te abraço,
Você só me abraça se eu te abraçar.
Você não me beija e eu não te beijo,
Eu só te beijo se tu me beijar. 

Esse teu amor,
Eu não estou entendendo.
Um dia você não me quer,
No outro tu tá me querendo.
Um dia você não me quer,
No outro tu tá me querendo. 

Você não me alisa, eu não te aliso,
Você só me alisa se eu te alisar.
Você não me aperta, eu não te aperto,
Você só me aperta se eu te apertar.
Você não me ama, eu não te amo,
Você só me ama se eu te amar.
Você não cutuca e eu não cutuco
Você só cutuca se eu te cutucar. 

Esse teu amor,
Eu não estou entendendo.
Um dia você não me quer,
No outro tu tá me querendo.
Um dia você não me quer,
No outro tu tá me querendo.

Você não me pega, eu não te pego.
Você só me pega se eu te pegar.
Você não me esquenta, eu não te esquento.
Você só me esquenta se eu te esquentar.
Você não me deseja, eu não te desejo,
Você só me deseja se eu te desejar.
Você não furunfa e eu não furunfo,
Eu só furunfo se tu furunfar. 

Esse teu amor,
Eu não estou entendendo.
Um dia você não me quer,
No outro tu tá me querendo.
Um dia você não me quer,
No outro tu tá me querendo.

Esse teu amor,
Eu não estou entendendo.
Um dia você não me quer,
No outro tu tá me querendo.
Um dia você não me quer,
No outro tu tá me querendo. 

Esse teu amor

(é malandro)
Eu não estou entendendo

(esse negócio não tá certo, não)
Um dia você não me quer

(um dia tu quer outro dia tu não quer)
No outro tu tá me querendo

(qual é a tua cumpadi? não tô te entendendo)

Monólogo

 Barão de Itararé

Eu tinha doze garrafas de uísque na minha adega e minha mulher me disse para despejar todas na pia, porque se não... 

‒ Assim seja! Seja feita a vossa vontade, disse eu, humildemente. 

E comecei a desempenhar, com religiosa obediência, a minha ingrata tarefa. 

Tirei a rolha da primeira garrafa e despejei seu conteúdo na pia, com exceção de um copo, que bebi. 

Extraí a rolha da segunda garrafa e procedi da mesma maneira, com exceção de um copo, que virei. 

Arranquei a rolha da terceira garrafa e despejei o uísque na pia, com exceção de um copo, que empinei. 

Puxei a pia da quarta rolha e despejei o copo na garrafa, que bebi. 

Apanhei a quinta rolha da pia, despejei o copo no resto e bebi a garrafa, por exceção. 

Agarrei o copo da sexta pia, puxei o uísque e bebi a garrafa, com exceção da rolha. 

Tirei a rolha seguinte, despejei a pia dentro da garrafa, arrolhei o copo e bebi por exceção. 

Quando esvaziei todas as garrafas, menos duas, que escondi atrás do banheiro, para lavar a boca amanhã cedo, resolvi conferir o serviço que tinha feito, de acordo com as ordens da minha mulher, a quem não gosto de contrariar, pelo mau gênio que tem. 

Segurei então a casa com uma mão e com a outra contei direitinho as garrafas, rolhas, copos e pias, que eram exatamente trinta e nove. Quando a casa passou mais uma vez pela minha frente, aproveitei para recontar tudo e deu noventa e três, o que confere, já que todas as coisas no momento estão ao contrário. 

Para maior segurança, vou conferir tudo mais uma vez, contando todas as pias, rolhas, banheiros, copos, casas e garrafas, menos aquelas duas que escondi e acho que não vão chegar até amanhã, porque estou com uma sede louca... 

******* 

Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, também conhecido pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé (1895 ‒ 1971), (“era duque mas por modéstia virei barão”) foi um jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Histórias de chatos

 Encontro de chatos

- Entra o chato no bar e se senta. Vem atendê-lo o garçom chato. 

Fala o chato:

- Me dá um copo d 'água.

Pergunta o garçom chato:

-  Mineral?

O chato responde:

- Natural!

E o garçom chato, se complicando:

- Natural?

E o outro:

- Natural que é mineral!

- Não entendi – disse o garçom chato. – O senhor quer água mineral ou natural?

- Mineral!

- Ah... mineral?

- Natural!

- Ai, meu Deus... Não entendi. O senhor está dizendo que quer um copo d'água natural, não é?

- Não! Eu quero um copo d'água mineral!

- Ah... O senhor quer um copo d'água mineral, não é isso?

- É natural!

- Natural?

- Chega! Não quero mais água nenhuma. O senhor complica tudo!

- Então o senhor quer o quê?

- Me traz um chope.

- Escuro?

- Claro! 

Chato na rua... 

Eu encontro um chato na rua, que eu nunca vi na minha vida, e ele me cutuca:

- E daí, cara, tu não és o José Pedro, que todos conheciam como Madeira, lá de Uruguaiana?

- Não, meu amigo, não me chamo José Pedro e sou de Santa Maria.

- Mas tu não ias nos bailes de carnaval do Gaúcho, ali na Praia de Belas...

- Não, meu amigo, carnaval eu só gosto de assistir na avenida, não sou de bailes...

- Mas tu não te formaste em Direito?

- Não, formei-me em Letras, fui professor...

- Quer dizer que não és o José Pedro e não te formaste em Direito?

- É isso mesmo. Sou o Nilo Moraes e não me formei em Direto.

- Tu és o Nilo Moraes?

- Sou sim!

- Então é contigo mesmo que eu quero falar!  

Copiando uma historinha do Álvaro Moreyra... 

Vou caminhado pela Rua da Praia, quando alguém me cutuca, logo vi que se tratava de um chato, pois todo chato cutuca:

- E daí, meu irmão, o que há de novo?

- A nossa intimidade... 

Chato em parada de lotação 

Tarde da noite, estou esperando, cansado, o meu lotação para ir para o meu bairro, Ipanema, quando um chato puxa conversa:

- E daí, companheiro, o que tu esperas do governo do Lula?

- É cedo ainda para se esperar alguma coisa, mas ele já executou grandes projetos...

- E das metas do governador?

- Não espero nada ainda...

- Esperas alguma novidade neste verão?

- Não.

- Esperas alguma coisa do Donald Trump.

- Dele não espero nada!

- Esperas ir para o céu.

- Talvez...

- Afinal, o que o tu esperas com ardor nesta vida?

- A única coisa que espero nesta vida é que o lotação venha logo... 

Mas o chato não desistiu: 

- Tu és capaz de guardar um segredo?

Claro.

- Bem, estou precisando de cinquenta reais emprestados...

- Podes ficar tranquilo... Vou fazer de conta que nem ouvi...

Mas, mesmo assim, emprestei dinheiro e nunca mais o vi. E quer saber? Valeu a pena. 

O pedido de um chato preciosista 

O chato preciosista chegou na confeitaria e mandou fazer um bolo confeitado. Bem bonito, pedindo ao confeiteiro:

- Eu quero um bolo de aniversário. Escreve em cima: “Feliz Aniversário” Fica pronto a que horas?

- Daqui a uns vinte minutos o senhor pode vir buscar.

Ele voltou vinte minutos depois. O bolo estava pronto. Ele olhou bem o bolo, examinou bem, afastou-se um pouco para olhar bem a obra de arte do confeiteiro e falou:

- Olha, eu queria mais bonito. Mais enfeitado, sabe, mais colorido. E olha: em vez de “Feliz Aniversário”, escreve: “Felicidades mil!” O senhor não acha que fica melhor?

- É, fica – disse o confeiteiro meio desanimado. Mas pode passar daqui a meia hora que estará pronto.

Meia hora depois, o chato voltou:

- Como é? Gostou? – perguntou o confeiteiro.

O chato examinou o bolo longamente, fechou os olhos, coçou o queixo, releu a frase:

- Faz o seguinte: bota mais umas flores em volta do bolo, mais cor. E aumenta aí a frase. O senhor não acha que pode ser uma frase mais expressiva?

- É... pode ser...

- Pois é. Põe aí: “Felicidades mil! Parabéns! Muito amor!” Isso: “Muito amor”, põe aí!

O confeiteiro conformou-se e fez todas as modificações. Algum tempo depois, o chato voltou.

- Ah, sim. Agora está lindo!

- Posso embrulhar? – perguntou o confeiteiro.

- Não, não precisa não. Eu vou comer aqui mesmo! 

Pedido importante 

Vou cortar o cabelo com um barbeiro terrivelmente chato. Ele corta e chateia o freguês o tempo todo. Sento na sua cadeira e ele me pergunta:

- Como o senhor vai querer que eu corte o seu cabelo?

E eu, baixinho no seu ouvido:

- Em silêncio...

O chato pontual 

Um chato, daqueles bem pegajosos, vivia aporrinhando a sua namorada. Telefonava para ela a qualquer hora, inclusive a altas horas da noite para contar a ela uma bobagem qualquer. 

Um dia, ela não se aguentou mais e o mandou seguir sua vida longe dela. O chato ficou inconformado, fazendo a ela a seguinte pergunta: 

‒ Será que um dia eu poderei voltar a te namorar novamente? 

Ela respondeu com raiva: 

‒ Sim, daqui a dez anos poderás novamente me procurar! 

Ele, deslumbrado, pergunta: 

‒ E a que horas, pela manhã, à tarde, à noite?

A fábula dos dois leões

 (Créditos ao grande Stanislaw Ponte Preta)

Dois leões fugiram de um circo, e se separaram, cada um para o seu lado. Tempos depois foram recapturados e levados de volta. Um deles estava magérrimo, raquítico, em péssimo estado. O outro, havia engordado bastante e vendia saúde. 

Então os leões resolvem botar o papo em dia. 

- Cara, como você está bem! Eu, quando fugi, fui para a floresta, para reencontrar a natureza, mas só me ferrei. Perdi o instinto de caçador, só vi desmatamento, tinha que fugir de caçadores, não encontrava comida, quase morri. Um inferno. Não tive forças para fugir quando me acharam. O que aconteceu contigo? 

- Bom, eu resolvi ir para a cidade. Entrei num prédio e consegui me esconder numa tal de Repartição Pública. Ficava lá escondidinho e muita gente circulava por ali, sempre dava para pegar uma pessoa e matar a fome. 

Mas como te pegaram? 

- Bom, eu todo dia ia comendo um funcionário e me escondia. Ninguém dava pela falta, fiquei quase um mês assim. Mas no dia que eu comi o funcionário que servia o cafezinho, me pegaram.

Receita para Mal de Amor

 

“Minha querida amiga: 

Sim, é para você mesma que estou escrevendo – você que aquela noite disse que estava com vontade de me pedir conselhos, mas tinha vergonha e achava que não valia a pena, e acabou me formulando um pergunta ingênua: 

‒ Como é que a gente faz para esquecer uma pessoa? 

E logo depois me pediu que não pensasse nisso e esquecesse a pergunta, dizendo que achava que tinha bebido um ou dois uísques a mais... 

Sei como você está sofrendo, e prefiro lhe responder assim pelas páginas de uma revista – fazendo de conta que me dirijo a um destinatário suposto destinatário, destinatária... Bonita palavra: não devia querer dizer apenas aquele ou aquela a quem se destina uma carta, devia querer dizer também a pessoa que é dona do destino da gente. Joana é minha destinatária. Meu destino está suas mãos; a ela se destinam meus pensamentos, minhas lembranças, o que sinto e o que sou: todo este complexo mais ou menos melancólico e todavia tão veemente de coisas que eu nasci e me tornei. 

Se me derem para encher uma fórmula impressa ou uma ficha de hotel eu poderei escrever assim: Procedência – Cachoeiro de Itapemirim; Destino – Joana. Pois é somente para ela que eu marcho. No táxi, no bonde, no avião, na rua, não interessa a direção em que me movo, meu destino é Joana. Que importa saber que jamais chegarei ao meu destino? 

Isso eu gostaria de lhe dizer, minha amiga, com a autoridade triste do mais vivido e mais sofrido: amar é um ato de paciência e de humildade; é uma longa devoção. Você me responderá que não é nada disso; que você já chegou ao seu destinatário e foi devolvida como se fosse uma carta com o endereço errado. Que teve alguns dias, algumas horas de felicidade, e por isso agora sofre de maneira insuportável. Então lhe aconselho a comprar um canivete bem amolado e afinar dezoito pedacinhos de pau até ficarem bem pontudos, bem lisos, perfeitamente torneados – e depois deixá-los a um canto. Apanhar uma folha de papel tamanho ofício e enchê-la toda, todinha, de alto a baixo, com o nome de seu amado, escrevendo uma letra bem bonita, de preferência com tinta azul. Em seguida faça com essa folha um aviãozinho, e jogue pela janela. Observe o voo e a aterrissagem. Depois desça, vá lá fora, apanhe o avião de papel, desdobre a folha novamente (pode passá-la a ferro, para o serviço ficar mais perfeito e não haver mais nenhum indício da construção aeronáutica) e volte a dobrá-la, desta vez ao meio. Dobre outras vezes, até obter o menor retângulo possível. Então, com o canivete, vá cortando as partes dobradas até transformar toda a folha em minúsculos papeizinhos, tão pequenos que o nome de seu amado não deve caber inteiro em nenhum deles. Aí, apanhe todos aqueles pauzinhos que tinha deixado a um canto e, com os pedacinhos de papel, faça uma fogueira com o máximo cuidado até que restem somente cinzas. A seguir poderá repetir a operação... 

‒ Adianta alguma coisa? 

Por favor, querida amiga, não me faça esta pergunta. Nada adianta coisa alguma, a não ser o tempo: e fazer fogueirinhas é um meio tão bom quanto qualquer outro de passar o tempo”.

******* 

Rubem Braga. Receita para Mal de Amor. In: A Traição dos Elegantes. 2ͣ edição. Rio de Janeiro. Record, 1985. páginas. 95-96-97.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Deus sabe o que faz

 

Há uma igreja nos EUA chamada “Almighty God Tabernacle” (Tabernáculo Deus Todo-Poderoso). 

Num sábado à noite, o pastor dessa igreja ficou trabalhando até mais tarde e decidiu chamar sua esposa por telefone antes de voltar para casa. Era por volta das 22 horas. A esposa não atendeu, apesar do pastor deixar tocar várias vezes. Ele pensou que sua esposa estivesse ocupada e continuou a fazer mais algumas coisas. Mais tarde ele tentou e sua esposa atendeu de imediato. Ele perguntou por que ela não havia atendido antes e ela disse que o telefone sequer havia tocado. O pastor ficou bravo, esquecendo-se de que deveria ser um marido compreensivo. 

Na segunda-feira seguinte, o pastor recebeu um telefonema, no escritório da igreja, do número que ele havia discado no sábado à noite. O homem com quem falava queria saber o porquê do pastor ter ligado para ele no sábado. O pastor não entendeu o que aquele homem estava dizendo. Então o homem disse:“O meu telefone tocou, tocou, mas eu não respondi.” 

O pastor, então, se lembrou do engano e pediu desculpas por perturbá-lo, explicando que ele havia tentado falar com sua esposa. O homem respondeu:  Tudo bem. Deixe-me contar minha história: Eu estava planejando me suicidar no sábado à noite. Antes, porém, eu orei dizendo: “Deus, se Tu existes e estás me ouvindo e não queres que eu faça isso, dá-me um sinal, agora.” 

Naquele momento, o telefone começou a tocar. Eu olhei para o identificador de chamadas e lá estava escrito: “Almyghty God” (Deus Todo-Poderoso). E eu fiquei com medo de atender.” 

Não podemos saber qual a importância de um telefonema ou de um e-mail para um amigo, para uma pessoa... Mesmo que por engano. Deus nunca se engana...