quinta-feira, 5 de março de 2026

A menina do bambu

 

A “menina do bambu” fez a famosa piada com Silvio Santos em 1985 durante o programa Domingo no Parque, na TVS, hoje SBT. A menina, identificada como Daiza Lazarte Barros, na época com 8 anos, deixou o apresentador sem reação ao responder com um palavrão a uma indagação feita ao vivo pelo apresentador. 

A história é a seguinte: Num domingo de 1985, Silvio Santos está interagindo com uma plateia de crianças vindas de caravanas de alguns lugares do Brasil. Umas crianças de Santa Catarina rodeiam o apresentador, entusiasmadas, loucas para fazer uma brincadeira com ele. 

Ele, descontraído, pergunta à meninada: 

‒ Quem quer contar uma piada? 

Uma menina, de óculos de grau, se dirige a ele cheia de alegria: 

‒ Eu! Eu! 

Sílvio coloca o microfone auxiliar na boca da garota, para que ela faça a sua pergunta: 

‒ Silvio, qual é a diferença do poste, do bambu e da mulher? 

O apresentador, desconhecendo a piada, começa a raciocinar: “A diferença do  poste, do bambu e da mulher? Lá vem besteira. 

‒ Não, não sei... 

A garotinha, então, começa a explicação: 

‒ O poste dá a luz em cima; a mulher dá a luz embaixo... 

Silvio sem saber a resposta, raciocina: o poste dá a luz em cima; a mulher dá a luz embaixo... e o bambu? 

A menina, contente, dá a resposta sorrindo: 

‒ Enfia no teu c*! 

Gargalhada geral da garotada e Silvio Santos, sorridente, leva tudo numa boa, sem demonstrar rancor e o programa segue a sua rotina de todos os domingos. 

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P.S.: O vídeo deste fato bizarro ainda está na internet. 

NSM

quarta-feira, 4 de março de 2026

Será que mudou alguma coisa?

 

Não as matem

Lima Barreto 

Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida, é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio, quand même*, sobre a mulher. 

O caso não é único. Não há muito tempo, em dias de carnaval, um rapaz atirou sobre a ex-noiva, lá pelas bandas do Estácio, matando-se em seguida. A moça com a bala na espinha, veio morrer, dias após, entre sofrimentos atrozes. 

Um outro, também, pelo carnaval, ali pelas bandas do ex-futuro Hotel Monumental, que substituiu com montões de pedras o vetusto Convento da Ajuda, alvejou a sua ex-noiva e matou-a. 

Todos esses senhores parece que não sabem o que é a vontade dos outros. 

Eles se julgam com o direito de impor o seu amor ou o seu desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito diferentes dos ladrões à mão armada; mas o certo é que estes não nos arrebatam senão o dinheiro, enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo que é de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão. 

O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não; matam logo. 

Nós já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas. 

De resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de supor que, quem quer casar, deseje que a sua futura mulher venha para o tálamo conjugal com a máxima liberdade, com a melhor boa-vontade, sem coação de espécie alguma, com ardor até, com ânsia e grandes desejos; como e então que se castigam as moças que confessam não sentir mais pelos namorados amor ou coisa equivalente? 

Todas as considerações que se possam fazer, tendentes a convencer os homens de que eles não têm sobre as mulheres domínio outro que não aquele que venha da afeição, não devem ser desprezadas. 

Esse obsoleto domínio à valentona, do homem sobre a mulher, é coisa tão horrorosa, que enche de indignação. 

O esquecimento de que elas são, como todos nós, sujeitas, a influências várias que fazem flutuar as suas inclinações, as suas amizades, os seus gostos, os seus amores, é coisa tão estúpida, que, só entre selvagens deve ter existido. 

Todos os experimentadores e observadores dos fatos morais têm mostrado a inanidade de generalizar a eternidade do amor. 

Pode existir, existe, mas, excepcionalmente; e exigi-la nas leis ou a cano de revólver, é um absurdo tão grande como querer impedir que o sol varie a hora do seu nascimento. 

Deixem as mulheres amar à vontade. 

Não as matem, pelo amor de Deus! 

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*quand même: usa-se para expressar oposição ou concessão; apesar de tudo, mas, seja como for. 

A crônica “Não as matem”, de Lima Barreto, foi publicada em 27 de janeiro de 1915 no jornal Correio da Noite. No texto, o autor denunciava a violência doméstica e os chamados “crimes passionais”, posicionando-se contra o assassinato de mulheres por motivos de “defesa da honra”.  

Lima Barreto escreveu o texto indignado com casos de homens que assassinavam mulheres sob a justificativa de “crime passional”. Em um Brasil que já naturalizava a violência masculina como defesa da honra, ele fez o que sempre fazia: confrontou a hipocrisia da sociedade com a sua escritura crítica. 

Como vemos, nada mudou no Brasil. Os casos de feminicídio só aumentaram e, lamentavelmente, a tendência é piorar cada vez mais...

Afonso Henriques de Lima Barreto (13 de maio de 1881, Rio de Janeiro ‒ 1ͦ de novembro de 1922, Rio de Janeiro) foi um jornalista e escritor brasileiro, identificado com o pré-modernismo. Publicou romances, sátiras, contos, crônicas e uma vasta obra em periódicos, principalmente revistas populares ilustradas e periódicos anarquistas do início do século XX.

Os deveres do escolar

 Walter Nieble de Freitas

Os deveres do escolar 

Já sabe você quais são?

Vou dizê-los um a um,

Preste, pois, muita atenção: 

Compareça sempre à escola

Pontualmente e asseado,

Levando tudo o que o mestre

Lhe tenha solicitado. 

Vá procurar sua fila

Logo que o sinal for dado,

Sem conversas e sem gritos,

Conservando-se alinhado. 

Em aula, preste atenção

Naquilo que o mestre ensina,

Não converse, não graceje,

Não perturbe a disciplina. 

Se você faltar às aulas,

Seja por forte razão;

Neste caso, não se esqueça,

Leve a justificação. 

As correrias e gritos

Precisam ser evitados,

E os brinquedos perigosos

Não devem ser praticados. 

Só se retire da classe

Por extrema precisão,

Quem procede desta forma

Não interrompe a lição. 

Não escreva nas carteiras,

Nem jogue papel no chão;

Estes atos só demonstram

A falta de educação. 

Trate com zelo e carinho

Todo material escolar;

Quem não cuida do que é seu,

Do alheio vai precisar. 

Leve, depois de assinado,

Bem limpinho o boletim;

É caprichosa a criança

Que procede sempre assim. 

Lápis, caderno, borracha,

Tudo aquilo que encontrar,

Você deve, incontinente,

Ao professor entregar. 

Ao terminarem as aulas

Evite brigas, fanfarras;

Vá direto para casa

Sem praticar algazarras. 

As plantas e os animais

São obras do Criador.

É dever de gratidão

Protegê-las com amor. 

Agora quero lembrar

Um dever de honestidade;

Nunca deixe que a mentira

Tome o lugar da verdade. 

O nome de sua escola

É patrimônio sagrado;

É dever de todo aluno

Mantê-lo sempre elevado. 

Não precisa o bom aluno

Quem vigie os atos seus;

Sabe ele que em toda parte

Está a presença de Deus! 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Soneto do amigo

 Vinícius de Moraes

Enfim, depois de tanto erro passado

Tantas retaliações, tanto perigo,

Eis que ressurge noutro o velho amigo

Nunca perdido, sempre reencontrado.

 

É bom sentá-lo novamente ao lado

Com olhos que contêm o olhar antigo

Sempre comigo um pouco atribulado

E como sempre singular comigo.

 

Um bicho igual a mim, simples e humano,

Sabendo se mover e comover

E a disfarçar com o meu próprio engano.

 

O amigo: um ser que a vida não explica

Que só se vai ao ver outro nascer

E o espelho de minha alma multiplica...

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Vinícius de Moraes foi um poeta, dramaturgo, cantor e compositor brasileiro, jornalista e diplomata. Autor de vários livros, poemas e canções. Livros como O caminho para a distância. Forma e exegese, Novos poemas, Antologia poética, Para viver um grande amor dentre outros.

domingo, 1 de março de 2026

Esse sim cumpre o que promete!

 

Um político do PL chega numa cidade do interior do Brasil caboclo, e as pessoas se aproximam dele, curiosas, e uma delas fala pra ele: 

‒ Senhor, aqui temos dois grandes problemas. 

‒ Fala qual é o primeiro! 

‒ Aqui nós não temos médico pra atender os nossos doentes. 

O político pega o seu celular e fala alto pra todo o pessoal ouvir: 

‒ Alô, é com o pessoal do meu gabinete que eu estou falando? Tenho um pedido urgente a fazer pra vocês... E continua dando ordens. 

Desliga o aparelho e se dirige ao povão que o escuta atento e emocionado. 

‒ Daqui a uma semana chega um médico muito dedicado e competente pra atender todos vocês. 

‒ E qual é o segundo problema? 

Fala o líder da Comunidade: 

‒ Aqui não pega celular de jeito nenhum!

Se o homem pensasse como os animais...

 

Se o homem pensasse como o pássaro festejaria cada amanhecer com uma linda canção. 

Se o homem pensasse como o cavalo ultrapassaria os obstáculos com classe, firmeza e determinação. 

Se o homem pensasse como o cão faria do amor uma constante troca de carinho, lealdade e fidelidade. 

Se o homem pensasse como a abelha constataria que nada se constrói sozinho. 

Se o homem pensasse como a formiga veria que trabalho e sucesso trilham o mesmo caminho. 

Se o homem pensasse como a baleia veria a importância do poder da solidariedade. 

Se o homem tivesse a pureza e a simplicidade de ser dos animais a paz mundial deixaria de ser um sonho e seria uma realidade. 

Oração ecológica 

P. Nogueira Neto

Senhor, perdoai nossas faltas contra Vós. 

Dai-nos sabedoria para entender que devemos também respeitar a Natureza, Vossa maravilhosa criação, que a humanidade teima em destruir. 

Perdoai nossas faltas contra os outros homens, todos eles nossos irmãos. 

Dai-nos sabedoria para compreender que a qualidade da vida humana depende também da contribuição de cada um de nós na preservação de Meio Ambiente. 

Perdoai todas as nossas faltas. 

Dai-nos sabedoria para contribuir de algum modo para que as águas sejam mais puras, o ar menos poluído, os solos menos erodidos, a vida silvestre melhor preservada e as pessoas mais felizes.

Quem mostra a bunda em Caras,

 não mostra a cara em Bundas.

Esta é uma famosa frase/slogan criada pelo cartunista e jornalista Ziraldo em 1999 para o lançamento de sua revista satírica Bundas. A frase ironizava a revista Caras, focada na ostentação de celebridades, sugerindo que quem se vendia ao superficialismo daquela publicação não teria a coragem ou a intelectualidade para aparecer na revista de humor. 

Ela causou um reboliço, pois no final dos anos 90 o que mais tinha nas bancas de jornais era revista com bunda na Capa e uma das Revistas que mais vendia era CARAS e, como já dizia Nelson Rodrigues: Indecente é a CARA! O Ziraldo criou essa revista cujo slogan era: Quem mostra a Bunda em CARAS não mostra a Cara em Bundas! 

Em junho de 1999, Ziraldo deu início, pela editora Pererê, a uma das revistas mais polêmicas da história do jornalismo: Revista Bundas. Com grandes nomes em seu editorial, como Millôr e Jaguar, a Bundas se opôs a Caras, mas não se limitou a isto. Trazia criticas ferrenhas ao modelo jornalístico que imperava nas outras publicações: “Quem mostra a bunda em Caras, não mostra a cara em Bundas – a revista que é a cara do Brasil”. 

A ideia era recriar o Pasquim e dar continuidade ao espírito questionador e critico do jornal. Ziraldo criticava o imediatismo e os moldes das notícias, que faziam com que as pessoas comprassem ideologias prontas, ao invés de criar uma e debater em defesa desta. Justamente por isto Bundas foi um marco, por ser uma alternativa para os que, assim como Ziraldo, não compactuavam com os modelos impostos pela sociedade. 

João Spacca publicou um texto no Observatório da Imprensa, no qual cita as pretensões da Revista: “Bundas, não se iludam com o nome, tem um compromisso ético com seus leitores. Não é puro entretenimento. Disto se ocupam os mercadores de “tchans”. Bundas usa a estratégia clássica dos humoristas: avacalha, para dizer coisas sérias.” 

Bundas seria, então, uma revista alternativa. Ela vinha em 50 páginas coloridas e seus colaboradores não variavam muito. Sempre abordava temas sérios com humor e critica. Era dividida em artigos, colunas, seções fixas e cartuns.

Em entrevista ao Portal Papel Jornal, em março de 2003, Ziraldo contou sobre o fim da revista: 

“Não tinha dinheiro para poder continuar a publicar. Eu estava na esperança de que as agências se acostumassem com o nome, e fui deixando rolar uma dívida, pensando ‘daqui a pouco eu pego quatro ou cinco anúncios e equilibro isso’. E quando fui falar com o meu contador, ele disse ‘estamos devendo tanto’, e eu disse ‘ih, meu Deus, não tem como pagar isso!’. E ele falou ‘não tem como pagar mesmo’. E eu falei ‘mas eu não posso, se eu parar como é que vai ser? Eu vou ser preso?’ Mas não tinha como e eu parei.” 

Memórias do jornalismo brasileiro