não mostra a cara em Bundas.
Esta é uma famosa frase/slogan criada pelo cartunista e jornalista Ziraldo em 1999 para o lançamento de sua revista satírica Bundas. A frase ironizava a revista Caras, focada na ostentação de celebridades, sugerindo que quem se vendia ao superficialismo daquela publicação não teria a coragem ou a intelectualidade para aparecer na revista de humor.
Ela causou um reboliço, pois no final dos anos 90 o que mais tinha nas bancas de jornais era revista com bunda na Capa e uma das Revistas que mais vendia era CARAS e, como já dizia Nelson Rodrigues: Indecente é a CARA! O Ziraldo criou essa revista cujo slogan era: Quem mostra a Bunda em CARAS não mostra a Cara em Bundas!
Em junho de 1999, Ziraldo deu início, pela editora Pererê, a uma das revistas mais polêmicas da história do jornalismo: Revista Bundas. Com grandes nomes em seu editorial, como Millôr e Jaguar, a Bundas se opôs a Caras, mas não se limitou a isto. Trazia criticas ferrenhas ao modelo jornalístico que imperava nas outras publicações: “Quem mostra a bunda em Caras, não mostra a cara em Bundas – a revista que é a cara do Brasil”.
A ideia era recriar o Pasquim e dar continuidade ao espírito questionador e critico do jornal. Ziraldo criticava o imediatismo e os moldes das notícias, que faziam com que as pessoas comprassem ideologias prontas, ao invés de criar uma e debater em defesa desta. Justamente por isto Bundas foi um marco, por ser uma alternativa para os que, assim como Ziraldo, não compactuavam com os modelos impostos pela sociedade.
João Spacca publicou um texto no Observatório da Imprensa, no qual cita as pretensões da Revista: “Bundas, não se iludam com o nome, tem um compromisso ético com seus leitores. Não é puro entretenimento. Disto se ocupam os mercadores de “tchans”. Bundas usa a estratégia clássica dos humoristas: avacalha, para dizer coisas sérias.”
Bundas seria, então, uma revista alternativa. Ela vinha em 50 páginas coloridas e seus colaboradores não variavam muito. Sempre abordava temas sérios com humor e critica. Era dividida em artigos, colunas, seções fixas e cartuns.
Em entrevista ao Portal Papel Jornal, em março de 2003, Ziraldo contou sobre o fim da revista:
“Não tinha dinheiro para poder continuar a publicar. Eu estava na esperança de que as agências se acostumassem com o nome, e fui deixando rolar uma dívida, pensando ‘daqui a pouco eu pego quatro ou cinco anúncios e equilibro isso’. E quando fui falar com o meu contador, ele disse ‘estamos devendo tanto’, e eu disse ‘ih, meu Deus, não tem como pagar isso!’. E ele falou ‘não tem como pagar mesmo’. E eu falei ‘mas eu não posso, se eu parar como é que vai ser? Eu vou ser preso?’ Mas não tinha como e eu parei.”
Memórias do jornalismo brasileiro

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