domingo, 22 de março de 2026

Soneto

 

O soneto é uma forma poética que se mantém viva na literatura há quase 800 anos, desde que os poetas da escola siciliana fizeram projeção de sua estrutura ‒ eficaz em termos de comunicação de um conteúdo estético, sonora como poucas no seu ritmo e nas suas rimas. Giacomo Lentini (1210-1260) é tido como seu criador. O estilo fez sucesso e foi seguido no século XIV por Dante (1265-1321) e Petrarca (1304-1374), que o estabilizaram e difundiram. 

A forma breve, fixa, sonora (sonetto em italiano significa pequenos sons, pequena canção) fácil de decorar por seu metro decassílabo e pela musicalidade de suas rimas, atingiu praticamente todos os países e segue firme até hoje. Não cabe aqui historiar a evolução do soneto, mas lembrar que com o seu uso e abuso vieram as variações, que foram muitas, principalmente a partir do Romantismo, Parnasianismo e Simbolismo, com a adoção do verso de 12 sílabas. No Modernismo a liberdade métrica foi atingida com a adoção de versos de métricas variada, e versos livres. Antes disso, já havia acontecido a alteração do soneto dito inglês, popularizado por William Shakespeare (1564-1616), que era composto por três quartetos e um dístico. 

No Brasil o soneto começou a ser utilizado no Barroco, tendo como modelos Petrarca e Camões (1524-1580), e atingiu o Modernismo com Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), Vinicius de Moraes (1913-1980), Mário Quintana (1906-1994). Na contemporaneidade muitas foram as transformações do soneto, fiquemos para breve análise com dois exemplos notáveis de transformação lúdica da norma: Paulo Henrique Britto (1951) e Ricardo Silvestrin (1963). 

(...) 

Parte da matéria de José Eduardo Degrazia, poeta, escritor e tradutor, para o Caderno de Sábado, março de 2026, no Correio do Povo. 

Resumindo 

O soneto é uma forma poética fixa de origem italiana (século XIII), composta por 14 versos, geralmente organizados em quatro estrofes: dois quartetos (quatro versos cada) seguidos de dois tercetos (três versos cada). Clássicos, utilizam versos decassílabos (10 sílabas) ou alexandrinos (12 sílabas) com rimas estruturadas, popularizados por Francesco Petrarca e Luis de Camões.

Francesco Petrarca

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