segunda-feira, 2 de março de 2026

Soneto do amigo

 Vinícius de Moraes

Enfim, depois de tanto erro passado

Tantas retaliações, tanto perigo,

Eis que ressurge noutro o velho amigo

Nunca perdido, sempre reencontrado.

 

É bom sentá-lo novamente ao lado

Com olhos que contêm o olhar antigo

Sempre comigo um pouco atribulado

E como sempre singular comigo.

 

Um bicho igual a mim, simples e humano,

Sabendo se mover e comover

E a disfarçar com o meu próprio engano.

 

O amigo: um ser que a vida não explica

Que só se vai ao ver outro nascer

E o espelho de minha alma multiplica...

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Vinícius de Moraes foi um poeta, dramaturgo, cantor e compositor brasileiro, jornalista e diplomata. Autor de vários livros, poemas e canções. Livros como O caminho para a distância. Forma e exegese, Novos poemas, Antologia poética, Para viver um grande amor dentre outros.

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