segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Assalto



O brilho dos olhos e da faca na mão
fez-me inundar de adrenalina.
Não era trote, nem piada, mas viva verdade.
Ele estava ali envolto em preto
E
 com voz rouca sinalizou o que queria:
- Grana, quero grana!
Percebi que parte dele já se ausentara,
talvez a parte em que havia
um resto de dignidade.
Tremia um pouco; abstinência,
um pouco de ansiedade.
Sem alternativa, dei-lhe
o que tinha,
sabendo que este saque,
provavelmente,
sumiria na fumaça do craque;
e, por incrível que possa parecer,
senti-me agradecida ainda
por continuar a viver.

Ângela Maria



Cinco histórias interessantes



Numa aula

No Curso de Medicina, o professor dirige-se ao aluno e pergunta:
- Quantos rins nós temos?
- Quatro! - responde o aluno.
- Quatro? - replica o professor, um arrogante, daqueles que sentem prazer em gozar com os erros dos alunos.
- Tragam um fardo de palha, pois temos um burro na sala. - ordena o professor ao seu auxiliar.
- E para mim um cafezinho! - pediu o aluno.
O professor ficou furioso e expulsou-o da sala. O aluno era Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), o 'Barão de Itararé'. Ao sair, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o irritado mestre:
- O senhor me perguntou quantos rins 'nós temos'. 'nós' temos quatro: dois meus e dois seus. 'Nós' é uma expressão usada para o plural. Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.

Moral da História:

A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento.

A roupa faz a diferença?

Sem maiores preocupações com o vestir, o médico conversava descontraído com o enfermeiro e o motorista da ambulância, quando uma senhora elegante chega e de forma ríspida, pergunta:
- Vocês sabem onde está o médico do hospital?
Com tranqüilidade, o médico respondeu:
- Boa tarde, senhora! Em que posso ser útil?
Ríspida, retorquiu:
- Será que o senhor é surdo? Não ouviu que estou procurando pelo médico?
Mantendo-se calmo, contestou:
- Boa tarde, senhora! O médico sou eu, em que posso ajudá-la?
- Como?! O senhor?! Com essa roupa?!...
- Ah, Senhora! Desculpe-me! Pensei que a senhora estivesse procurando um médico e não uma vestimenta...
- Oh! Desculpe doutor! Boa tarde! É que... Vestido assim, o senhor nem parece um médico...
- Veja bem as coisas como são... - disse o médico -... as vestes parecem não dizer muitas coisas, pois quando a vi chegando, tão bem vestida, tão elegante, pensei que a senhora fosse sorrir educadamente para todos e depois daria um simpatiquíssimo “boa tarde!”; como se vê, as roupas nem sempre dizem muito...

Moral da História:

Um dos mais belos trajes da alma é a educação.

Boa resposta

Um mecânico está desmontando o cabeçote de uma moto, quando ele vê na oficina um cirurgião cardiologista muito conhecido. Ele está olhando o mecânico trabalhar. Então o mecânico pára e pergunta:
- Ei, doutor, posso lhe fazer uma pergunta?
O cirurgião, um tanto surpreso, concorda e vai até a moto na qual o mecânico está trabalhando. O mecânico se levanta e começa:
- Doutor, olhe este motor. Eu abro seu coração, tiro válvulas, conserto-as, ponho-as de volta e fecho novamente, e, quando eu termino, ele volta a trabalhar como se fosse novo. Como é então, que eu ganho tão pouco e o senhor tanto, quando nosso trabalho é praticamente o mesmo?
Então, o cirurgião dá um sorriso, se inclina e fala bem baixinho para o mecânico:
- Você já tentou fazer como eu faço, com o motor funcionando?

Conclusão:

Quando a gente pensa que sabe todas as respostas, 
vem a vida e muda todas as perguntas?

Muita calma nessa hora!

Entra um senhor desesperado na farmácia e grita:
- Rápido, me dê algo para a diarreia! Urgente!
O dono da farmácia, que era novo no negócio, fica muito nervoso e lhe dá o remédio errado: um remédio para nervos. O senhor, com muita pressa, pega o remédio e vai embora.
Horas depois, chega novamente o senhor que estava com diarreia e o farmacêutico lhe diz:
- Mil desculpas, senhor. Creio que, por engano, lhe dei um medicamento para os nervos, ao invés de algum remédio para diarreia. Como o senhor está se sentindo?
O senhor responde:
- Todo cagado... mas tô calminho, calminho...

Moral da História:

Por mais desesperadora que seja a situação,
se você estiver calmo, as coisas serão vistas de outra maneira.

Problema é sério

O sujeito vai ao psiquiatra:
- Doutor - diz ele - estou com um problema: Toda vez que estou na cama, acho que tem alguém em baixo. Aí eu vou em baixo da cama e acho que tem alguém em cima. Pra baixo, pra cima, pra baixo, pra cima. Estou ficando maluco!
- Deixe-me tratar de você durante dois anos, diz o psiquiatra. Venha três vezes por semana, e eu curo este problema.
- E quanto o senhor cobra? - pergunta o paciente.
- R$ 120,00 por sessão - responde o psiquiatra.
- Bem, eu vou pensar - conclui o sujeito.
Passados seis meses, eles se encontram na rua.
- Por que você não me procurou mais? - Pergunta o psiquiatra.
- A 120 paus a consulta, três vezes por semana, durante dois anos, ia ficar caro demais, aí um sujeito, num bar, me curou por 10 reais.
- Ah é? Como? Pergunta o psiquiatra.
O sujeito responde:
- Por R$ 10 ,00 ele cortou os pés da cama...

Moral da História:

Muitas vezes o problema é sério, 
mas a solução pode ser muito simples!
Há uma grande diferença entre foco no problema e foco na solução.


Filosofias brasileiras



“Se um cara feio e pobre bate na mulher, é Maria da Penha; mas se for rico e bonito é 50 Tons de Cinza.”

“Como ser feliz em dois passos: dê dois passos até a cama e durma.”

“Vontade de ir a Paris igual ao ano passado. Ano passado eu também tive vontade, mas também não fui.”

“É tanta falsidade que, às vezes, me sinto no Paraguai.”

“Filha, se o Fábio Júnior canta a música “Alma Gêmea” e tem sete divórcios... como você ainda acredita no amor?”

“O que adianta acordar com pé direito se o coração está no lado esquerdo!”

“Você cria o cabelo com todo amor e carinho, para depois ele crescer, ficar rebelde e sair por aí armado.”

Quando um homem deve usar brinco

Um homem observou que o seu amigo, muito conservador, superfechado, pessoa reconhecidamente séria, estava usando um vistoso brinco.
- Não sabia que você gostava desse tipo de coisa, comentou.
- Não é nada de especial, é só um brinco, um objeto de adorno - replicou o amigo.
- Há quanto tempo você o usa?
- Desde a semana passada, quando a minha mulher o encontrou no meu carro e eu disse que era meu...


O banco da praça está sempre ocupada por desocupados.

O relógio é que é feliz: qualquer mulher lhe dá corda.

Pão, quanto mais quente, mais fresco.

A promissória é uma questão “de...vida”. O pagamento é de morte.

Aquele senhor meteu as contas na geladeira para congelar os preços.

Lei da Não-Contradição

Um rabino está a conduzir um julgamento na sua aldeia. Samuel levanta-se e apresenta o seu caso dizendo:
- Rabino, todo o dia Isaac atravessa as minhas terras com os carneiros dele e está estragando a minha plantação. A terra é minha! Não é justo!
O Rabino diz:
- Você está certo.
Mas de seguida Isaac levanta-se e diz:
- Rabino, o único caminho para os meus carneiros beberem água na lagoa é pelas terras dele. Sem água, os carneiros morrem. Há séculos, todo o pastor tem o direito de atravessar as terras em torno da lagoa, de forma que eu também posso.
O Rabino diz:
- Você está certo.
A empregada de limpeza, ao ouvir isto, levanta-se e diz:
- Mas, Rabino, não dá para os dois estarem certos!
O Rabino responde:
- Você está certa!

Metapiadas

Um fanho, um anão e um papagaio entram num bar. O barman olha para eles e exclama:
- O que é isto? Uma piada?


Um homem ganha 100.000 Dólares em Las Vegas e, como não quer que ninguém saiba, leva o dinheiro num saco para casa e enterra-o no quintal. Na manhã seguinte, ele sai e encontra um buraco vazio. Depois repara em pegadas que levam à casa do seu vizinho surdo-mudo.. Pede então ao professor que mora mais adiante, e conhece a linguagem de sinais, que o ajude a confrontar o vizinho. Pega então numa a arma e, acompanhado do professor, bate à porta do surdo-mudo. Quando este atende, ele mostra o revolver e diz para o professor:
- Diga-lhe que, se ele não me devolver o dinheiro, vai morrer hoje por esta pistola.
O professor passa a mensagem ao vizinho que, vendo que foi descoberto, confessa que o dinheiro está no seu próprio quintal, debaixo da cerejeira. O professor vira-se para o jogador e diz:
- Ele recusa-se a falar. Diz que prefere morrer!


A Srª Parker é convidada a fazer parte de um júri, mas pede para ser dispensada porque não acredita na pena capital. Contudo, o defensor público argumenta:
- Mas, minha senhora, não se trata de um julgamento de um assassinato. É um caso de Direito Civil. Uma mulher está a processar o seu marido porque ele perdeu numa aposta os 25.000 Dólares que tinha prometido gastar na reforma do banheiro quando do aniversário dela.
- Tudo bem, eu vou. Acho que estava errada em ser contra a pena capital…


Um turista no Museu de História Natural, em Portugal, deslumbrado com os esqueletos de dinossauros, pergunta a um guarda:
- Sabe-me dizer que idade tem estes ossos?
- Têm 3.000.004 anos e 6 meses.
- É um número extremamente exato. Como consegue tanta precisão?
- Bem, os ossos de dinossauros tinham 3 milhões de anos quando comecei a trabalhar aqui.


 Um serviço de emergência Americano recebe uma chamada de um caçador em pânico:
- Acabo de encontrar um corpo manchado de sangue na floresta. É um homem e acho que está morto. O que devo fazer?
 - Vai ficar tudo bem, senhor. Acalme-se e siga apenas as minhas instruções. A primeira coisa a fazer é pousar o telefone e certificar-se de que ele está mesmo morto.
 Segue-se um silêncio, seguido do som de um tiro.
 - Tudo bem. E agora, o que eu faço?


Todas as manhãs, uma velhota portuguesa vai à varanda e grita:
- Que esta casa esteja a salvo dos tigres!
Um dia, diz uma vizinha:
- Que história é essa? Não há tigre nenhum a quilômetros e quilômetros daqui!
Ao que ela responde triunfante:
- Está a ver como funciona!


O pai caipira fala para o filho, também caipira:
- Fio! Põe a sela no cavalo véio pra eu!
- Ah, pai… Mas por que ocê vai com o cavalo véio?
- É que eu acho que nóis tem que gastá as coisa véia primeiro!
- Intão porque o senhor não vai a pé?


- Joãozinho, me diga sinceramente, você ora antes de cada refeição?
- Não, professora, não preciso... A minha mãe é uma boa cozinheira.



O Novo Manifesto

Lima Barreto*


Lima Barreto por Loredano

Eu também sou candidato a deputado. Nada mais justo. Primeiro: eu não pretendo fazer coisa alguma pela pátria, pela família, pela humanidade.

Um deputado que quisesse fazer qualquer coisa dessas, ver-se-ia bambo, pois teria, certamente, os duzentos e tantos espíritos dos seus colegas contra ele.

Contra as suas ideias levantar-se-iam duas centenas de pessoas do mais profundo bom senso.

Assim, para poder fazer alguma coisa útil, não farei coi­sa alguma, a não ser receber o subsídio.

Eis aí em que vai consistir o máximo da minha ação parlamentar, caso o preclaro eleitorado sufrague o meu nome nas urnas.

Recebendo os três contos mensais, darei mais conforto à mu­lher e aos filhos, ficando mais generoso nas facadas aos amigos.

Desde que minha mulher e os meus filhos passem melhor de cama, mesa e roupas, a humanidade ganha. Ganha, porque, sendo eles parcelas da humanidade, a sua situação melhorando, essa melhoria reflete sobre o todo de que fazem parte.

Concordarão os nossos leitores e prováveis eleitores, que o meu propósito é lógico e as razões apontadas para justificar a minha candidatura são bastante ponderosas.

De resto, acresce que nada sei da história social, política e intelectual do país; que nada sei da sua geografia; que nada entendo de ciências sociais e próximas, para que o no­bre eleitorado veja bem que vou dar um excelente deputado.

Há ainda um poderoso motivo, que, na minha consciên­cia, pesa para dar este cansado passo de vir solicitar dos meus compatriotas atenção para o meu obscuro nome.

Ando mal vestido e tenho uma grande vocação para elegâncias.

O subsídio, meus senhores, viria dar-me elementos para realizar essa minha velha aspiração de emparelhar-me com a deschanelesca elegância do senhor Carlos Peixoto.

Confesso também que, quando passo pela Rua do Passeio e outras do Catete, alta noite, a minha modesta vaga­bundagem é atraída para certas casas cheias de luzes, com carros e automóveis à porta, janelas com cortinas ricas, de onde jorram gargalhadas femininas, mais ou menos falsas.

Um tal espetáculo é por demais tentador, para a minha imaginação; e, eu desejo ser deputado para gozar esse paraí­so de Maomé sem passar pela algidez da sepultura.

Razões tão ponderosas e justas, creio, até agora, nenhum candidato apresentou, e espero da clarividência dos homens livres e orientados o sufrágio do meu humilde nome, para ocupar uma cadeira de deputado, por qualquer Estado, pro­víncia, ou emirado, porque, nesse ponto, não faço questão alguma.

Às urnas.

Correio da Noite, Rio, 16-1-1915


* Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1881 - Rio de Janeiro, 1º de novembro de 1922), melhor conhecido como Lima Barreto, foi um jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileiros.



Canto Alegretense

Letra e Música de Neto Fagundes


Esta pode ser a música gaúcha mais cantada nos últimos 30 anos. O município de Alegrete fica quase na fronteira com a Argentina. É a cidade que mais cultua as tradições gaúchas no Rio Grande do Sul.


Não me perguntes onde fica o Alegrete,
Segue o rumo do teu próprio coração,
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e violão.

Pra quem chega de Rosário ao fim da tarde,
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã,
Tem o sol como uma brasa que ainda arde,
Mergulhado no Rio Ibirapuitã.

Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri.
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro,
Pedra moura das quebradas do Inhanduy.

E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer,
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer.
E nos olhos vou levar o encantamento,
Desta terra que eu amei com devoção,
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão.

Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri.
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro,
Pedra moura das quebradas do Inhanduy.



Ibirapuitã: rio que banha a região onde esta a cidade de Alegrete. De Ybyrá, árvore, madeira, pau e “puitã’, vermelho. Seria, então, rio das árvores vermelhas.

Flor de tuna: cactus.

Camoatim: Espécie de abelha que fabrica um mel muito apreciado. Dá-se este nome também à colmeia espinhosa dessas abelhas. O camoatim não fornece cera. Etimologia: Cava, abelha; ñuati, espinhos. 

Pedra Moura: um local cheio de lendas e mistérios no Rio Grande do Sul.

Inhanduy: arroio afluente do Ibirapuitã. De “nhandu”, ema, avestruz e “Y”, água, rio:o rio das avestruzes. Ñandu é, também, aranha; Inhanduy poderá ser o rio das aranhas.





Os Fagundes fazem parte de uma das famílias que melhor representam o amor de quem nasceu no Rio Grande do Sul por essa terra. Eles cultivam, até a medula, as tradições do nosso Estado. De certa forma, é natural que tenha vindo deles, portanto, esse hino informal e popular que é o Canto Alegretense, composto 30 anos atrás. Nico fez a letra na Capital, e Bagre botou a música lá no Alegrete. É daquelas canções que até parece que sempre existiram, mas foram eles os autores.



Antônio Augusto da Silva Fagundes (Alegrete, 4 de novembro de 1934 – Porto Alegre 24 de junho de 2015), conhecido como Nico Fagundes foi professor, poeta, compositor, ator, advogado e  apresentador de televisão brasileiro.

Filho de Euclides Fagundes e Florentina da Silva Fagundes, é formado em Direito, pós- graduado em História do Rio Grande do Sul e mestre em Antropologia Social. Todos os seus cursos foram realizados na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


Euclídes Fagundes Filho, mais conhecido Bagre Fagundes (Uruguaiana, 3 de outubro de 1939), é um folclorista, instrumentista, compositor e cantor brasileiro de música regional gaúcha.




Os Fagundes por Marcelo Lopes de Lopes


domingo, 21 de setembro de 2014

Mais Leis de Murphy



O Otimista acredita que vivemos no melhor dos mundos possíveis. O Pessimista teme que isso seja verdade.

Depois das coisas irem de mal para pior, o ciclo se repete.

Não importa o que tenha dado errado, há sempre alguém que sabia que ia ser assim.

Problemas complexos têm soluções simples, fáceis de compreender e erradas.

Se você esperar, a causa de sua preocupação vai embora.

A oportunidade bate sempre no momento menos oportuno.

Quando você precisa bater na madeira é que se dá conta que o mundo é de plástico.

Para que alguma coisa fique limpa, tudo mais tem que ficar sujo.

Você encontra alguma coisa no último lugar em que procura.

Você sempre encontra o que não está procurando.

É impossível para um otimista ter uma surpresa agradável.

Se você acha que pode construir um aparelho à prova de idiotas, você é um deles.

Mudar de fila faz com que imediatamente a fila de onde você saiu comece a andar mais depressa do que a sua.

O caixa mais lento é sempre o que está na caixa expressa.

Toda vez que você corta as unhas, descobre que vai precisar delas meia hora depois.

Se uma determinada situação exige sua atenção integral, você vai ser dominado por uma distração irresistível.

Os erros mais importantes sempre passarão sem ser notados até o livro (ou texto) ser impresso.

A tendência da fumaça de um cigarro, charuto ou cachimbo soprar na cara de uma pessoa varia na razão direta da aversão dessa pessoa ao tabagismo.

Basta a aeromoça servir o café para o avião entrar em turbulência.

Não importa a esteira em que você esteja, suas malas sempre sairão em outra.

Você pode não saber quem tem razão, mas tem que saber quem manda.

Não deixe seus superiores saberem que você é melhor que eles.

Quando alguém deixa cair alguma coisa, todos chutam para longe, em vez de apanhá-lo.

Nunca tome uma decisão que pode ser transferida a outra pessoa.

Ninguém se lembra das decisões que você poderia ter tomado e não tomou. Mas ninguém esquece as decisões que você tomou – erradas.

Se não estiver quebrado, é melhor não mexer. E se estiver quebrado, não tem jeito.

Se for mais barato comprar um aparelho novo, a companhia insistirá em conserta o antigo.

Mal você resolve se esticar na cadeira e relaxar pela primeira vez em todo o dia, o chefe entra na sala.

O trabalho em equipe é essencial. Permite que você ponha a culpa no outro.

Quando você põe algum dado na memória, guarde na sua memória onde é que pôs.

Jamais descubra erros que não saiba corrigir.

Um especialista é cara que chegou de fora.

Todos mentem; mas não faz mal, porque ninguém escuta. E quem escuta não acredita.

Se você esperar o motivo certo para fazer alguma coisa, nunca fará coisa alguma.

Para acertar em quem é o especialista, aposte no que diz que o trabalho vai levar mais tempo e custar mais caro.

Não crie nunca um problema pro qual não tenha solução.

Quando em dúvida, trate de predizer que a tendência atual continuará.

Uma conclusão é aquilo a que você chega quando encheu o saco do problema.

Profetizar sobre o que já aconteceu é uma ciência exata.

O curso preparatório para aquele que você queria fazer este ano só será dado no ano que vem.

Alcoólatra é aquele que bebe mais do que seu médico.

Se o acaso é ganhar ou perder, você perde.

Todas as coisas sendo a seu favor, você continua perdendo.

Tudo sendo igual aos dois adversários, você perde.

O que menos quer jogar é o que vai ganhar.

Sempre se leva mais tempo para voltar do que para chegar lá.

Se tudo estiver andando a seu favor, você deve estar na estrada errada.

Se você larga alguma peça ou ferramenta pesada, larga em cima do pé.

Se é bom vão parar de fabricar.

Se o sapato dá certo no pé, é feio.

O que você quer nunca está em liquidação.

Uma garantia de 60 dias é a segurança de que o produto se autodestrói em 61 dias.

Se você não tem pressa, o sinal fica verde logo que você se aproxima.

Leis do Padre:

  1. Se o tempo está muito ruim, pouca gente vai à missa.
  2. Se o tempo está muito bom, pouca gente vai à missa.
  3. Se você chega atrasado para celebrar a missa, nunca se viu tanta gente na igreja.
Leis do Desenho:

  1. Nunca desenhe o que você pode copiar.
  2. Nunca copie o que você pode decalcar.
  3. Nunca decalque o que você pode recortar e colar.
  4. Nunca recorte e cole o que você pode xerocar.
Princípio do atrasado:

  1. Se você chega cedo, o espetáculo será cancelado.
  2. Se você se mata para chegar na hora, terá que esperar.
  3. Se você chega atrasado, começou na hora.
Princípio da oficina:

  1. O alicate ou a chave de fenda de que você precisa é sempre o que sumiu da caixa de ferramentas.
  2. A maioria dos trabalhos exige três mãos para serem feitos.
  3. As porcas que sobram de um trabalho nunca servem nos parafusos que também sobraram.
  4. Quanto mais cuidadosamente você planejar um trabalho, maior será a sua confusão mental quando alguma coisa não der certo.
Leis da engenharia industrial:

  1. A primeira função do engenheiro industrial é fazer as coisas difíceis pra fabricação e impossíveis pra manutenção.
  2. Em qualquer circuito eletrônico, o componente de vida mais curta será instalado no lugar de acesso mais complicado.
  3. Qualquer desenho de circuito eletrônico deve conter pelo menos uma peça obsoleta, duas impossíveis de encontrar e três ainda sendo testadas.
  4. O engenheiro industrial mudará o desenho original à última hora para incluir novos defeitos.
  5. As modificações não serão mencionadas no manual de instruções, já impresso.
Regra para professores:

  1. Quando um aluno lhe pergunta pela segunda vez se você leu a crítica de livro que ele escreveu, pode ter certeza de que ele não leu o livro.
  2. Se a frequência é livre, no dia do exame final aparecerão alunos que você nunca viu.
Seis princípios para doentes:

  1. Só porque o médico tem um nome pra sua doença, não quer dizer que ele saiba do que se trata.
  2. Quanto mais chatas e atrasadas as revistas da sala de espera, mais tempo você terá de esperar para que o médico o atenda.
  3. Só os adultos têm dificuldades para abrir os vidros de remédio à prova de crianças.
  4. Nunca sobra o número certo de pílulas no último dia do tratamento.
  5. As pílulas para serem tomadas antes da refeição são as que mais estragam o paladar.
  6. Se você está ficando melhor, provavelmente seu médico está ficando doente.
Leis de Hospital:

  1. A capacidade de um médico é inversamente proporcional à sua pontualidade.
  2. Há duas espécies de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.
  3. Todos os pacientes querem tomar uma injeção de analgésico ao mesmo tempo.
  4. Todos os que não quiseram tomar injeção analgésica quando você as estava aplicando vão querer essa injeção quando você estiver distribuindo pílulas para dormir
Regras da cortesia no trânsito:

Se você permite que alguém passe à sua frente,
duas coisas podem acontecer:

  1. o carro que o ultrapassou será o último a atravessar a cancela e você ficará toda a vida esperando passar um trem quilométrico ou...
  2. os dois estão indo pro mesmo lugar e o outro carro pegará a última vaga no estacionamento.
  3. depois de ter estacionado a seis esquinas de distância, você vão encontrar várias vagas em frente ao seu prédio.
Leis da compra de roupas e sapatos:

  1. Se você gosta do modelo, não há o seu número.
  2. Se você gosta do modelo e o número é o seu, mesmo assim não dá no seu pé.
  3. Se você gosta do modelo e tem o seu número, o preço é um absurdo.
  4. Se você gosta do modelo, dá certo no seu pé e o preço é razoável, o sapato vai-se desmilinguir na primeira chuva que cair.
Lei da mala direta:

  1. O item mais importante no seu pedido não está mais disponível.
  2. O segundo mais importante levará seis meses para lhe ser entregue.
  3. Durante esse seis meses, você o verá mais barato e mais fácil em muitas lojas.
  4. No momento em que o seu pedido passar à categoria de “não mais disponível”, não será possível obter o produto que você deseja em nenhum lugar por nenhum preço.
Leis do varejo:

  1. A garantia não garante.
  2. A gerência não gerencia.
  3. A segurança não segura.
  4. A assistência técnica não assiste.
  5. A seção de reclamação é naquela salinha do último andar com seis lances de escada.
Leis da complicação:

  1. Quanto mais caro o aparelho, menos você o usará.
  2. Quanto mais simples as instruções (do tipo “Aperte aqui”) mais difícil será abrir a embalagem.
  3. Você só descobrirá que não consegue ler aquela parte da receita depois de ter misturado todos os outros ingredientes.
  4. Depois que o prato desandou, tudo o que for acrescentado para tentar melhorá-lo só fará piorá-lo..
  5. Se você faz um Pato à Lórange, será cumprimentada pela batata cozida que o acompanha.
  6. O prato que você fez com tanto carinho é exatamente o que o seu convidado detesta.


Humor de Emílio de Menezes

(1866-1918)


Emílio de Menezes deixou um rastro de anedotas, ainda não recolhidas com o devido cuidado histórico. É possível que algumas nem tenha sido criadas ou vividas pelo poeta e a comunicação oral já tenha aumentado mais alguns pontos nas sucessivas narrações. Mas as que aqui transcrevemos têm o sabor do humor emiliano.

I

Emílio de Menezes estava em um bonde, no Rio de Janeiro, quando entrou uma conhecida atriz que não lhe erra muito simpática, mas que sempre o assediava, quando se encontravam. Ela procurou sentar no lugar vago a seu lado, mas o poeta lhe desencorajou com uma pronta observação, após verificar que havia lugares disponíveis mais atrás:
- Atriz atroz, atrás há três!

II

Em um de seus prediletos pontos de observação – a mesa de um bar – Emílio bebia com amigos quando vê passar uma pessoa com fama de conquistador, de nome Penha. Os amigos comentaram que Penha estava, no momento, sofrendo de males de amor não correspondido por uma mulher de duvidosa reputação. O poeta saiu-se com esta:
- Um homem que se diz Penha sofrendo por uma mulher que se disputa…

III

Manhã de sexta-feira santa. As famílias de Curitiba saem das missas de rememoração da morte de Cristo. Algumas passam pela Praça Osório e encontram Emílio embriagado, amparando-se em uma das palmeiras do logradouro. Imediatamente reconhecido, vão até ele e o censuram.
- Emílio, mas nem o dia de hoje, em que todos se recolhem para lembrar a morte de Nosso Senhor, você respeita?
Nem sua visível embriaguez não o impede de uma tirada inteligente:
- Não foi no dia de hoje que se cometeu o maior crime da humanidade, em que mataram o Filho de Deus feito homem?
- Foi, é claro!… - responderam os piedosos conhecidos. E ele completou:
- Pois quando a divindade sucumbe, a humanidade cambaleia…

IV

Mesmo cenário: Praça Osório, no centro de Curitiba. Postado em sua mesa, em um bar, com vista para a praça, Emílio vê uma senhora bastante obesa a tentar acomodar sua massa corporal em um banco de madeira. Mas o assento não suporta o peso e cede, para susto da untuosa dama. Emilio não demora a fazer sua observação:
- É a primeira vez que vejo um banco quebrar por excesso de fundos…

V

Perguntam-lhe:
- Emílio, sabes qual a parte mais bonita do corpo da mulher?
- Sei-o!

VI

O poeta visitava uma exposição agrícola e deteve-se a examinar alguns exemplares de espigas de milho, no pavilhão de cereais. Aparece a seu lado um amigo espirituoso que, sabendo das qualidades de Emílio como trocadilhista, quis antecipar-se e disse:
- É milho!…
Emílio nem sequer sorriu pela blague a ele dirigida e logo respondeu:
- Hum, estás com a veia, hoje?
O humorista improvisado percebeu que não poderia concorrer com a veia cômica de Emílio e fez menção de despedir-se e sair de fininho. Mas o poeta o interceptou:
- Não, não se evada.
E puxou-o até uma cadeia próxima, colocando-o sobre o assento.
- Pronto: sentei-o. Mas não te preocupes. A ti não intrigo, somente humilho.

VII

Apertado para aliviar a bexiga, correu até um terreno baldio. Muito gordo, estava terminando de desafogar-se quando um menino grita:
- Ih, eu vi seu negócio!
Emílio recompõe-se, chama o pirralho e lhe dá uma moeda:
- Tome, você merece! Há anos não o vejo…

VIII

Certo médico, muito conceituado na profissão, há muito se candidatara a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Em uma roda, comentava-se sobre se ele conquistaria a cadeira.
- É mais que certo, - opinou Emílio; - Vocês compreendem: há muito tempo, que F. está fazendo uma cabala única para entrar para a Academia! Não há acadêmico que adoeça, mesmo levemente, que ele não se ofereça para ser seu médico assistente e de graça…
- Cavando o voto!… - interrompe um dos circunstantes.
E Emílio explica:
- Qual voto! Cavando a vaga…

IX

Ainda estudante, Emílio se aborrecia com os discursos certo Professor Saboya, na sala de aula. Percebendo seu desinteresse, o mestre lhe pergunta:
- Senhor Emílio, defina a Sabedoria!
Resposta rápida:
- A sabedoria, professor, é algo que tem efetivamente muito peso… se colocada n’água, ela afunda.
- E a ignorância, então?
- A ignorância? Ora, essa boia!

X

Apertado para aliviar a bexiga, Emílio correu até um terreno baldio. Muito gordo, estava terminando de desafogar-se quando um menino grita:
− Ih, eu vi seu negócio!
Emílio recompõe-se, chama o pirralho e lhe dá uma moeda:
− Tome, você merece! Há anos não o vejo…

A morte

No leito de morte, em seus momentos derradeiros, Emílio não sentia mais as pernas:
- Doutor, estou morrendo à prestação...

Nome completo: Emílio Nunes Correia de Menezes.
Morte: 6 de junho de 1918 (51 anos); Rio de Janeiro, Distrito Federal.


Temido em vida pelas suas sátiras ferinas, não foi Emílio de Menezes poupado pelos inimigos, mesmo depois de morto. À falta de coisa pior. chamaram-no de alcoólatra. Nada mais falso, Emílio teria sido, quando muito, um clicoófilo. Gostava de beber, apreciava os bons vinhos e licores.

Mas nunca bebia além de sua conta, a ponto de perder o juízo, Jamais o viram embriagado. Tinha, mesmo, um pitoresco slogan que aplicava constantemente como advertência aos amigos que se esborrachavam: “Beber é um prazer; saber beber, uma virtude; embriagar-se, uma infâmia”.

Organicamente bem construído, de admirável resistência física, não era facilmente acessível à intoxicação alcoólica, Mas bebia em público. Homens com a sua projeção vivem debaixo de constante fiscalização alheia. Podia ele estar tomando o seu primeiro uísque, porém, para quem o via, o copo à frente, à mesa da Colombo, aquele era o quinto ou o décimo...

Mas o que ressaltava na personalidade marcante do grande satirista e notável poeta, era a boemia. Sempre muito bem humorado, sem uma palavra de revolta nos lábios.

Bastos Tigre, no dia seguinte ao da morte do querido e pranteado amigo, escreveu este soneto:

- Poeta amigo, alcançaste a estância derradeira.
Passaste. E todos nós, vendo-te em teu caixão,
indagamos: - E a Musa? E a Musa galhofeira?
E a satírica? E a séria? E a triste? Onde é que estão?

Nenhum apareceu à tua cabeceira.
- Mas não os condeneis, pulcro espírito, não!
Fugiram por te ver da negra cova à beira,
sem te poder valer, sem te dar salvação.

E morreste alma boa, alma pura, descansa
neste - sabes-lo tu - misterioso lugar
em que o “Nada” final sobre o “Tudo” se lança.

E eu me fico a sorrir tristemente, a pensar,
que é mais “uma do Emílio”... a animar a esperança
de que vives ainda e que estás a brincar...