sábado, 27 de agosto de 2016

O Cortiço


Como era a vizinhança do livro “O Cortiço”?

Conheça as principais figuras do clássico de Aluísio Azevedo.

Por Nina Rahe


Ilustra Shiko

1) O amor enlouquece:

Jerônimo e sua mulher, Piedade, ficavam no quartinho 35. Sua força e caráter o tornaram respeitado na pedreira onde trabalhava, logo atrás do cortiço. Mas sua vida virou do avesso após ver Rita dançar. Apaixonado, passou a beber pinga, começou a gastar mais do que devia e, no fim, abandonou a esposa e a filha para ficar com a baiana.

2) Vocação para sogra:

→ A viúva Dona Isabel, da casa 15, sacrificou tudo para educar Pombinha e casá-la com João da Costa, um moço do comércio. Assim, esperava reconquistar sua antiga posição social. A mãe só deixou a menina subir ao altar após a primeira menstruação, que demorou a chegar. Mas a união foi curta: Pombinha traiu o marido, foi expulsa de casa e acabou prostituta.

3) Pintou sujeira:

→ Outra história chocante rolou no número 12, onde morava a mulata Marciana. Ela era obcecada em limpar a casa, mas enlouqueceu de vez quando sua bela filha, Florinda, de apenas 15 anos, engravidou de um funcionário da venda de João Romão. Ele não assumiu e a menina fugiu de casa depois de apanhar da mãe. Marciana acabou expulsa do cortiço.

4) O que é que a baiana tem?

→ No número 9 morava Rita Baiana. Bonita e boa de samba, ela era amante do capoeirista Firmo, mas também conquistou o coração do vizinho, o português Jerônimo. Na disputa pelo amor da mulata, Firmo feriu o lusitano com uma navalha. Mas, depois de um tempo, Jerônimo conseguiu se recuperar e matou o rival em uma emboscada.

5) Vizinhos e rivais:

Miranda era o antagonista de João Romão. Morava no sobrado ao lado da venda, e aos poucos foi assistindo a seu imóvel ser cercado pelo cortiço. O negociante prezava o status acima de tudo – casou-se com Dona Estela pelo dote e não sabia se era mesmo pai de sua filha, Zulmirinha. Por isso, tinha certa inveja do modo como Romão enriqueceu e de sua relação com Bertoleza.

6) A fogueira da bruxa:

Paula era uma cabocla velha conhecida como Bruxa. Em parte, porque era feia, grossa, com olhos desvairados e dentes ameaçadores. Mas também porque era capaz de curar problemas de pele e febres com rezas e bênçãos. Queria incendiar o cortiço e conseguiu na segunda tentativa. João Romão teve que reconstruir o espaço, que se tornou grandioso e aristocrático.

7) O dono do lugar:

João Romão começou seu “império” ao herdar a taverna em que trabalhou por 12 anos. Depois, num leilão, adquiriu as terras atrás de sua taverna e ergueu três casinhas. Foi o início do cortiço. Ele usou a grana de Bertoleza para “expandir o negócio” (e também era dono de uma pedreira, atrás do cortiço). Como adorava dar calote, mas sabia cobrar dívidas, enriqueceu ainda mais. Quando quis subir na vida, livrou-se de Bertoleza para tentar casar com Zulmirinha.

8) Eternamente escrava:

→ Para se libertar de seu dono, a escrava Bertoleza passou anos juntando 20 mil réis. Mas foi enganada por seu amante, João Romão: o português lhe deu uma falsa carta de alforria e usou a grana para ampliar a venda. E isso porque a coitada fazia de tudo por ele: trabalhava de manhã até tarde da noite, cuidando da loja e da casa que eles dividiam.

Romance: O Cortiço

Autor: Aluísio Azevedo


(1857-1913)

Lançamento: 1890

Gênero: Romance naturalista

(Do Blog: Mundo Estranho)


A Escola dos Bichos



Figura do Blog IdeiaCriativa

Certa vez, os animais resolveram preparar seus filhos para enfrentar as dificuldades do mundo e, para isso, organizaram uma escola. Adotaram um currículo prático, que constava de natação, corrida, escalada e voo. Para facilitar o ensino, todos os alunos deveriam cursar todas as matérias e ao mesmo tempo, em regime seriado.

O pato, exímio em natação (melhor mesmo que seu professor), conseguiu notas regulares em voo, mas era aluno fraco em corrida e escalada. Para compensar esta fraqueza, ficava retido na escola o dia todo, fazendo exercícios extras. De tanto treinar a corrida, ficou com os pés terrivelmente esfolados e, por isso, não conseguia mais nadar como antes. Entretanto, como o sistema de promoção era a média aritmética das notas das várias disciplinas, conseguiu ser um aluno sofrível e ninguém se preocupou com o caso, exceto, naturalmente, o pobre pato.

O coelho era o melhor aluno do curso de corrida, mas, de tanto tentar a natação sofreu tremendamente e acabou nervoso, de tanto tentar a natação.

O esquilo escalava qualquer árvore, admiravelmente, conseguindo belas notas no curso de escalada, mas foi frustrado no de voo, pois o professor o obrigava a voar de baixo para cima e ele insistia em usar os seus métodos, isto é, em subir na árvore e voar de lá para o chão. Em natação ele teve que se esforçar tanto que acabou por passar com a nota mínima em escalada, saindo-se mediocremente em corrida. Em natação ele teve que se esforçar tanto que acabou por passar com a nota mínima em escalada, saindo-se mediocremente em corrida.

A águia foi uma criança problema, severamente castigada desde o princípio do curso, porque usava métodos próprios para atravessar o rio ou subir nas árvores, o que era proibido, pois eles não estavam previstos no programa. No fim do ano, uma enguia anormal, que tinha nadadeiras, consegue a melhor média em todos os cursos; foi a oradora da turma.

Os ratos e cães de caça não entraram na escola, porque a administração recusou-se a incluir duas matérias que eles julgavam importantes: como escavar tocas e como escolher esconderijos. Acabaram por abrir uma escola particular, junto com as marmotas e, desde o princípio, obtiveram grande sucesso.

(Autor Desconhecido)

Leal e Valorosa



Título concedido à cidade de Porto Alegre pelo Decreto Imperial n° 103, de 19/10/1841, para assinalar a coragem e determinação de seus habitantes na retomada da cidade aos farroupilhas. Apesar de o ilustre historiador Walter Spalding haver sempre grafado como “leal e valerosa” esse título honorífico, induzindo o município a inscrevê-lo desse modo no listel que encima o escudo de armas, a forma adotada pelo decreto original foi mesmo “valorosa”, de acordo, aliás, com o uso dominante no século XIX. Assim o registra a publicação oficial das Leis do Brasil e do mesmo modo aparecem as cópias remetidas à Câmara Municipal pelo Presidente da Província, Saturnino de Souza e Oliveira quando recebeu o ato procedente da Corte.

O engano do Prof. Spalding talvez decorresse da circunstância de que, por algum tempo, enquanto Joaquim José Afonso Alves foi Secretário da Câmara Municipal, até o ano de 1842, o mesmo sempre grafou “valerosa” no cabeço das atas das sessões, certamente for idiossincrasia pessoal sua. Todos os demais secretários, até o título cair em desuso em 1892, escreveram “leal e valorosa cidade de Porto Alegre”, nos termos precisos do decreto original.

(Do livro “Porto Alegre Guia Histórico”, de Sérgio da Costa Franco)

Brasão de Porto Alegre

→ O brasão de Porto Alegre foi desenhado por Francisco Bellanca e aprovado pela Lei no. 1030, de 22 de janeiro de 1953. Durante a gestão do Prefeito Ildo Meneghetti foi mandado confeccionar o brasão de Porto Alegre, através da Lei no. 1947.

Significado dos símbolos apresentados:


A cruz de Cristo - Recorda a origem cristã e portuguesa da nossa gente, foi usada na época dos descobrimentos.

O Portão Colonial - Era o marco da entrada da cidade. Ele existiu em Porto Alegre, foi construído em 1773 quando José Marcelino de Figueiredo transportou a capital da Capitania de São Pedro. Relembra a organização da cidade, pois era fechado às 22 horas, separando o centro da cidade dos arrabaldes. A vida da cidade passou a acontecer a partir do Largo do Portão, em suas imediações construiu-se a Santa Casa de Misericórdia, e a Praça do Portão passou a denominar-se em 1873 Praça General Marques e, em 1912, Conde do Porto Alegre. O Portão Colonial também relembra a instalação do Clero, do Senado, da Câmara e da Justiça.

→ Sustentado por um paliçal e assentado sobre um filete de ouro que representa o solo rico da cidade, pois todo o terreno era plantado, agricultado e repleto de granito do qual saiu a maioria dos pedestais que sustentam os monumentos de Porto Alegre.

A Caravela - Recorda a Nau da Nossa Senhora da Alminha que, segundo a tradição, trouxe à região do então Porto dos Dornelles ou de Viamão, os casais de açorianos que inauguram em 1751 o povoamento oficial do lugar, hoje Porto Alegre.

A Coroa Mural de Ouro - A Coroa Mural de Ouro, de cinco torres, significa cidade grande, cidade cabeça, capital. Na família, o homem é o cabeça do lar, segundo a Bíblia o homem é a cabeça do casal e a mulher é o coração. Assim, também, em um Estado, a capital é a cidade cabeça.

O Listel de Gole - Carregado das letras de prata, recorda o heroísmo da nossa gente nas lutas políticas e sociais.

O Conjunto de Esmaltes e Metais - Relembra as cores das bandeiras do Brasil e do Rio Grande do Sul. O ouro é o símbolo de fidelidade. O azul é o céu sereno do Rio Grande do Sul. O verde, as águas mansas do Guaíba e também as campinas verdejantes do sagrado solo gaúcho. O vermelho significa a fé e o amor. A prata, a seriedade e o caráter nobre e altivo de nossa gente.

A Frase - A frase “Leal e Valerosa* Cidade de Porto Alegre” é o título nobiliárquico que Dom Pedro II, em 1841, outorgou a Porto Alegre pela sua constância e fidelidade ao trono.

*Mas não com essa grafia.

Hino de Porto Alegre

Autor: Breno Outeiral
Decreto nº 8451 de 24/07/84

Hino da Cidade
Porto Alegre Valerosa

Porto Alegre “Valerosa”,
Com teu céu de puro azul,
És a jóia mais preciosa
Do meu Rio Grande do Sul.

Tuas mulheres são belas,
Têm a doçura e a graça
Das águas, espelho delas,
Do Guaíba que te abraça.

(bis)

E quem viu teu sol poente
Não esquece tal visão,
Quem viveu com tua gente
Deixa aqui o coração.


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Histórias dos Povos

O ceifeiro ladrão e a sua filha

(um pequeno conto)

Há muitos, muitos anos, um homem foi ao campo roubar trigo e levou a filha com ele para que ela o ajudasse na tarefa. “Filha”, disse ele, “fica aqui na estrada de guarda para que ninguém me veja.” Mas assim que o homem começou a ceifar a filha gritou-lhe: “Pai, estão a ver-te.” O homem levantou a cabeça e olhou para a esquerda, mas como não viu ninguém continuou a ceifar. “Pai, estão a ver-te”, gritou a criança uma segunda vez. O homem levantou a cabeça e olhou para a direita, como nada viu continuou a ceifar. Passados mais uns minutos a menina gritou uma terceira vez: “Pai, estão a ver-te”. O homem olhou para a frente, mas não viu ninguém e continuou a ceifar. “Pai, estão a ver-te”, gritou a filha pela quarta vez. O homem olhou para trás e como não viu ninguém ficou irritado com a criança: “Então. filha?! Dizes que me veem, mas eu já olhei em todas as direções e não vejo ninguém.”

A filha encolheu os ombros: “Mas pai, estão a ver-te dali”, disse ela apontando para o céu.

Conto tradicional dos judeus da Tunísia, publicado pela primeira vez nos finais do século XIX pelo rabino Abba Shaul Haddad. Este conto é muito semelhante a uma outra história tradicional contada pelos judeus da Índia.

A Verdade e a Parábola

Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome. E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas. Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.

‒ Verdade, por que você está tão abatida? ‒ perguntou a Parábola.

‒ Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! - respondeu a amargurada Verdade.

‒ Que disparate! ‒ Sorriu a Parábola. ‒ Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece.

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.

Os seres humanos não gostam de encarar a Verdade sem adornos. Eles preferem-na disfarçada.

Um Passo por Vez

Rabi Yisrael Zalman de Charchov, um discípulo de Rabi Avraham de Slonim, certa vez reclamou com Rabi Avraham:

‒ Rebe, trabalhei tanto durante toda minha vida para fazer teshuvá (arrependimento) e mesmo assim não consigo notar a menor alteração em meu caráter. Que posso fazer?

Rabi Avraham replicou:

‒ Imagine um homem que está preso no barro até os tornozelos. A cada passo que dá, afunda novamente no barro. Talvez pense que não está conseguindo nada com estes passos, mas a verdade é que cada passo o aproxima mais da terra seca.

O sábio samurai

Perto de Tóquio, vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar Zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos, apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação. Esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para observar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo e aumentar sua fama.

Todos os estudantes se manifestaram contra a ideia, mas o velho e sábio samurai aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade. Lá, o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos que conhecia, ofendendo, inclusive, seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho sábio permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro desistiu e retirou-se.

Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado tantos insultos e tantas provocações, os alunos perguntaram:

 Como o senhor pôde suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que poderia perder a luta, ao invés de se mostrar covarde e medroso diante de todos nós?

 Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?  perguntou o Samurai.

 A quem tentou entregá-lo ‒ respondeu um dos discípulos.

 O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos ‒ disse o mestre. ‒ Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a serenidade, só se você permitir!

Ahmad Mussain e o Imperador

O Imperador Mahmud El-Ghazna passeava um dia com o sábio Ahmad Mussain, que tinha reputação de ler pensamentos. O Imperador, há algum tempo, vinha tentando que o sábio fizesse diante dele uma demonstração de sua capacidade. Como Ahmad se recusava a fazer a sua vontade, Mahmud havia decidido recorrer a um ardil para que o sábio, sem o perceber, exercesse seus extraordinários dotes na sua presença.

‒ Ahmad - chamou o Imperador.

‒ Que desejas, Senhor?

‒ Qual é o ofício do homem que está perto de nós?

‒ É um carpinteiro.

‒ Como se chama? 

‒ Ahmad, como eu.

‒ Será que comeu alguma coisa doce recentemente?

‒ Sim, comeu.

Chamaram o homem e ele confirmou tudo o que o sábio havia dito.

‒ Tu ‒ disse o Imperador ‒ te recusaste a fazer uma demonstração dos teus poderes na minha presença. Percebeste que te forcei, sem que o notasses, a demonstrar tua capacidade, e que o povo te transformaria num santo se eu contasse em público as revelações que me fizeste? Como é possível que continues ocultando a tua condição de sufi e pretendas passar por um homem qualquer?

‒ Admito que posso ler pensamentos - concordou Ahmad - mas o povo não percebe quando faço isso. Minha dignidade e meu amor-próprio não me permitem exercer esse dom com propósitos frívolos. Por isso meu segredo continua ignorado.

‒ Mas admites que agora mesmo acabas de usar teus poderes?

‒ Não, absolutamente não.

‒ Então como pudeste responder minhas perguntas acertadamente?

‒ Facilmente, Senhor. Quando me chamaste, esse homem virou a cabeça, o que me indicou que seu nome era igual ao meu. Deduzi que era carpinteiro porque, neste bosque, só dirigia o olhar para árvores aproveitáveis. E sei que acabara de comer alguma coisa doce, porque vi que estava espantando as abelhas que procuravam pousar nos seus lábios. Lógica, meu Senhor. Nada de dons ocultos ou especiais.

Discípulo impaciente

Após uma exaustiva sessão matinal de orações no mosteiro de Piedra, o noviço perguntou ao abade:

‒ Todas estas orações que o senhor nos ensina, fazem com que Deus se aproxime de nós?

‒ Vou responder-lhe com outra pergunta - disse o abade. Todas estas orações que você reza irão fazer o sol nascer amanhã? Claro que não! O sol nasce porque obedece a uma lei universal! Então, esta é a resposta à sua pergunta. Deus está perto de nós, independentemente das preces que fazemos.

O noviço revoltou-se:

‒ O senhor quer dizer que as nossas orações são inúteis?

‒ Absolutamente. Se você não acorda cedo, nunca conseguirá ver o sol nascendo. Se você não reza, embora Deus esteja sempre perto, você nunca conseguirá notar Sua presença.

Há uma mulher...

Há uma mulher que tem algo de Deus, pela imensidão do seu amor, e muito de anjo, pela incansável solicitude dos seus cuidados; uma mulher que, sendo jovem, tem a reflexão de uma anciã e, na velhice, trabalha com o vigor da juventude; Uma mulher, que, se é ignorante, descobre os segredos da vida com mais acerto que um sábio, e, se é instruída, se acomoda à simplicidade das crianças; uma mulher que, sendo pobre, se satisfaz com a felicidade daquele que a ama e, sendo rica, daria com gosto os eu tesouro para em seu coração não sofrer a ferida da ingratidão; uma mulher que, sendo vigorosa, treme com o gemido de um pequenino e, sendo débil, assume, às vezes, a bravura de um leão; uma mulher que enquanto viva, não a sabemos estimar, porque a seu lado todas as dores se esquecem, mas, depois de morta, daríamos tudo o que somos e tudo o que temos para a ver de novo um só instante, para receber dela um só abraço, para escutar uma só palavra dos seus lábios.

Dessa mulher não me exijais o nome, se não quereis que cubra de lágrimas o vosso álbum, porque já a vi passar no meu caminho.

Quando crescerem os vossos filhos, lede-lhes esta página, e eles, cobrindo de beijos a vossa face, vos dirão que humilde peregrino, em paga da suntuosa hospedagem recebida deixou aqui, para vós e para eles, um esboço do retrato de Mãe!

Monsenhor Ramón Angel Lara
(Bispo chileno)


A árvore petrificada do Parque Farroupilha



Foto: Cesar Cárdia

Num dos maiores parques de Porto Alegre, Parque Farroupilha, há uma atração geológica que pouquíssima gente vê: um belo tronco de árvore fossilizado, exposto junto a um dos principais caminhos daquele parque.

Como a estrutura e a textura da madeira estão bem preservadas, apesar dos 200 milhões de anos de idade, e não há nada que identifique o fóssil, quem vê julga tratar-se do resto de uma árvore que morreu ali mesmo.

A árvore petrificada do Parque Farroupilha (Redenção), em Porto Alegre, já conta placa com informações prometida pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam). O equipamento explicará que o fóssil tem 200 milhões de anos e convidará o visitante a ir até o orquidário para conferir os dados completos, contidos em um banner no local. A Smam ainda não decidiu se realizará alguma solenidade para apresentar a novidade à população.

O tronco que aparece na foto acima não é o único exemplar na Redenção. Seu aparecimento é um mistério, mas se estima que tenha sido trazido de Mata ou São Pedro do Sul, cidades famosas por suas árvores fossilizadas. Com a proibição de retirada desse material é recente nos municípios, não se descarta que tenham sidos levados para Porto Alegre irregularmente no passado.

Pessoas* que visitaram a Redenção há muitos anos, relatam ter notada a presença dos fósseis em décadas antigas.

* Uma testemunha disse que teria visto a colocação do tronco petrificado no parque em 1982. Eu mesmo já tinha visto esse troco, que se localiza ao lado do lago da Redenção, perto da atual cafeteria (hoje desativada) desde criança, na década de 50. Nota-se claramente que se trata de um tronco com a consistência de uma pedra. As pessoas que passam por ele, não percebem que ali está algo muito antigo de nossa cidade: um fóssil de 200 milhões de anos!


Pedaços da pré-história que repousam no Parque Farroupilha (Redenção), em Porto Alegre, deixarão de passar despercebidos até o próximo mês. Serão identificados quatro exemplares de troncos petrificados datados de pelo menos 200 milhões de anos atrás e que, de maneira inexplicada, vieram parar em uma das áreas verdes mais movimentadas da Capital.

Enquanto vivo, o maior tronco, localizado junto ao laguinho do parque, era um vicejante Araucarioxylon sp., parente muito antigo dos pinheiros atuais. Naquele período remoto, o que havia de terra firme no planeta ainda formava uma só massa, chamada de Pangeia. Quando os vegetais morreram, algumas condições se cumpriram para que se tornassem pedra. Possivelmente, foram soterradas antes de apodrecer e, ao longo de séculos, a celulose foi sendo substituída, molécula após molécula, por sílica.

O que resultou está à mostra hoje na Redenção, mas poucos percebem. Empenhado na luta pelo reconhecimento dos fósseis, o geólogo Pércio de Moraes Branco resolveu, em agosto passado, comprovar a obscuridade das peças. Postou-se em um banco em frente ao laguinho. Contou a passagem de 150 adultos pelo local. Nenhum olhou para o exemplar pré-histórico.

– É um exemplo de descaso com o patrimônio geoturístico. Em um dos maiores parques da cidade, há uma atração geológica que pouquíssima gente vê: um belo tronco de árvore fossilizado – disse.

Doação das peças e sua origem estão inexplicadas

O geólogo Pércio Branco levou a questão dos fósseis à prefeitura da Capital em 2004, ao propor a criação de uma placa de identificação para o tronco do laguinho durante a Semana de Ciência e Tecnologia. Foi orientado a entregar sua proposta a um engenheiro. Assim o fez, mas afirmou que nunca obteve resposta.

Em agosto do ano passado, Branco recebeu a informação de um geólogo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) de que seria criado um banner explicativo sobre os fósseis, a ser colocado no Orquidário. O tempo passou e nada foi feito. Até que, este mês, a Smam confirmou que as peças serão sinalizadas até junho (2012). O atraso ocorreu porque a parceria com uma universidade não se concretizou, explicou a assessoria de imprensa da Smam.

É certo que os quatro fósseis não são de antigas árvores que morreram na área que viria a se tornar o Parque da Redenção. De onde vieram, então? Os exemplares teriam sido doados há mais de 25 anos. Segundo a Smam, a origem mais provável é o município de Mata, no centro do Rio Grande do Sul, famoso por ser o berço de árvores petrificadas. Não há, porém, registro oficial de sua procedência. A lembrança da doação acabou se perdendo no tempo. Espalhados pelo parque, aos poucos os fósseis também acabaram sendo esquecidos. Agora, enfim, serão apresentados à população.


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Curiosidades do Império Brasileiro



Dom Pedro II - 1885

O Imperador pegava empréstimos no Banco do Brasil para pagar suas viagens. Sua tolerância com a imprensa era grande. Hoje qualquer deputado estadual tem mais regalias com recursos públicos do que a família imperial à época. Moralmente, regredimos.

(1880) → O Brasil era a 4ª Economia do Mundo e o 9º Maior Império da História.

(1860 → 1889) A Média do Crescimento Econômico era de 8,81% ao Ano.

(1880) → Eram 14 Impostos, atualmente são 92.

(1850-1889) → A Média da Inflação era de 1,08% ao Ano.

(1880) → A Moeda Brasileira tinha o mesmo valor do Dólar e da Libra Esterlina.

(1880) → O Brasil tinha a Segunda Maior e Melhor Marinha do Mundo. Perdendo apenas para Inglaterra.

(1860-1889) → O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

(1880) → O Brasil foi o maior construtor de estradas de Ferro do Mundo, com mais de 26 mil Km.

Outras:

01. → A média nacional do salário dos professores estaduais de Ensino Fundamental em (1880) era de R$ 8.958,00 em valores atualizados.

02. → Entre 1850 e 1890, o Rio de Janeiro era conhecido na Europa como "A Cidade dos Pianos" devido ao enorme número de pianos em quase todos ambientes comerciais e domésticos.

03. → O bairro mais caro do Rio de Janeiro, o Leblon, era um quilombo que cultivava camélias, flor símbolo da abolição, sendo sustentado pela Princesa Isabel.

04. → O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de "O Guarani" foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial.

05. → Pedro II tinha o projeto da construção de um trem que ligasse diretamente a cidade do Rio de Janeiro a cidade de Niterói. O projeto tramita até hoje nunca saiu do papel.

06. → Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge.

07. → Ratificando boatos, D. Pedro II e o Barão/Visconde de Mauá eram amigos e planejaram juntos o futuro dos escravos pós-abolição. Infelizmente, com o golpe militar de 1889, os planos foram interrompidos.

08. → Oficialmente, a primeira grande favela na cidade do Rio de Janeiro, data de 1893, 4 anos e meio após a Proclamação da República e cancelamento de ajuda aos ex-cativos.

09. → Na época do golpe militar de 1889, D. Pedro II tinha 90% de aprovação da população em geral. Por isso o golpe não teve participação popular.

10. → José do Patrocínio organizou uma guarda especialmente para a proteção da Princesa Isabel, chamada "A Guarda Negra". Devido a abolição e até mesmo antes na Lei do Ventre Livre, a princesa recebia diariamente ameaças contra sua vida e de seus filhos. As ameaças eram financiadas pelos grandes cafeicultores escravocratas.

Mais estas:


01. → O Paço Leopoldina localizava-se onde atualmente é o Jardim Zoológico.

02. → O Terreno onde fica o Estádio do Maracanã pertencia ao Duque de Saxe, esposo da Princesa Leopoldina.

03. → Santos Dumont almoçava 3 vezes por semana na casa da Princesa Isabel em Paris.

04. → A ideia do Cristo na montanha do corcovado partiu da Princesa Isabel.

05. → A família imperial não tinha escravos. Todos os negros eram alforriados e assalariados, em todos imóveis da família.

06. → D. Pedro II tentou ao parlamento a abolição da escravatura desde 1848. Uma luta contra os poderosos fazendeiros por 40 anos.

07. → D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que 17 era fluente.

08. → A primeira tradução do clássico árabe "Mil e uma noites" foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.

09. → D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes.

10. → D. Pedro Augusto Saxe-Coburgo era fã assumido de Chiquinha Gonzaga.

11. →Princesa Isabel recebia com bastante frequência amigos negros em seu palácio em Laranjeiras para saraus e pequenas festas. Um verdadeiro escândalo para época.

12. → Na casa de veraneio em Petrópolis, Princesa Isabel ajudava a esconder escravos fugidos e arrecadava numerários para alforriá-los.

13. → Os pequenos filhos da Princesa Isabel possuíam um jornalzinho que circulava em Petrópolis, um jornal totalmente abolicionista.

14. → D. Pedro II recebeu 14 mil votos na Filadélfia para a eleição Presidencial, devido sua popularidade, na época os eleitores podiam votar em qualquer pessoa nas eleições.

15. → Uma senhora milionária do sul, inconformada com a derrota na guerra civil americana, propôs a Pedro II anexar o sul dos Estados Unidos ao Brasil, ele respondeu literalmente com dois "Never!" bem enfáticos.

16. → Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

17. → A mídia ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura.

18. → Thomas Edison, Pasteur e Graham Bell fizeram teses em homenagem a Pedro II.

19. → Pedro II acreditava em Allan Kardec e Dr. Freud, confiando o tratamento de seu neto Pedro Augusto. Os resultados foram excelentes deixando Pedro Augusto sem nenhum surto por anos. Viveu seus últimos 41 anos de vida em um manicômio.

20. → D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio sempre com um saco de veludo no bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele.


D. Pedro no exílio

Um interessante cálculo digital



Behâ Eddin (cerca de 1600 d.C.)

No seu livro “Kholâsat Al-Hisâb”, “Essência de cálculo”, o matemático sírio Behâ-Eddin, expõe um curioso artifício em virtude da qual se consegue rapidamente uma multiplicação de números inteiros, por meio dos dedos das mãos - excluídos os produtos dos números menores que 5-, até 9 x 9.

Vamos supor que queremos efetuar a multiplicação de 8 x 7.

Levantamos três dedos da mão direita, pois três é o excesso de oito sobre cinco, e levantemos dois dedos da mão esquerda, pois dois é o excesso de sete sobre cinco.

A soma dos dedos levantados (3 + 2) dá 5, que é o algarismo das dezenas do produto; o produto dos dedos abaixados (2 x 3) dá 6; que é o algarismo das unidades. Quando este produto for superior a 10 serão as dezenas incorporadas ao primeiro número. Como, por exemplo, se verifica na obtenção do produto de 5 x 8 = 56.

Outro exemplo: 9x9.

Mão direita:     4 (dedos) é o excesso de 9 sobre 5.

Mão esquerda: 4 (dedos) é o excesso de 9 sobre 5

A soma das duas mãos: 4 + 4 = 8 (dezenas).

O produto dos dedos que sobraram das duas mãos: 1 x 1 = 1 (unidade).

Logo, 9 x 9 = 81


Mais um exemplo: 8 x 8.

Mão direita:    3 (dedos) é o excesso de 8 sobre 5.

Mão esquerda: 3 (dedos) é o excesso de 8 sobre 5.

A soma das duas mãos: 3 + 3 = 6 (dezenas).

O produto dos dedos que sobraram das duas mãos: 2 x 2 = 4 (unidades).

Logo, 8 x 8 = 64


Mais um exemplo: 8 x 9.

Mão direita:     3 (dedos) é o excesso de 8 sobre 5.

Mão esquerda: 4 (dedos) é o excesso de 9 sobre 5.

A soma das duas mãos: 3 + 4 = 7 (dezenas).

O produto dos dedos que sobraram das mãos: 3 x 4 = 12, retira-se a dezena sobra o n°  2.

Logo, 8 x 9 = 72

Poemas da Matemática

Matemática é vida

Matemática é vida.
A vida é única.
Tenha coragem e tente resolver alguns problemas da vida.
Esta é a sua chance de aprender.
Matemática não é um bicho de sete cabeças.
A coisa mais fácil para aprender matemática é se sentar, ler, compreender e exercitar.
Tentar resolver problemas difíceis é uma boa alternativa.
Imaginar problemas é bom.
Compreendê-los é muito bom para uma coisa: Aprender.
A arte principal da vida é a Matemática.

Matemática é tudo

Num mundo de enigmas,
Há mistérios a serem desvendados...
Somente um
olhar minucioso
Revela
a quantidade;
a distância;
o tempo;
as formas;
as cores;
que nos envolvem a cada instante
fazendo da vida
um cálculo constante...