terça-feira, 18 de março de 2025

Coisa de Mulher vingativa...

 

Uma mulher muito charmosa e atraente está num bar. Gesticula graciosamente para o barman, que imediatamente chega mais perto. Quando ele chega, ela, muito sedutora, faz sinal para que ele se aproxime, mandando, primeiramente, um beijinho pra ele. Ela começa a acariciar-lhe o cabelo e a barba, passando e repassando os dedos carinhosamente pelo seu rosto, pergunta-lhe: 

- Você é o proprietário? 

E passa vagarosamente a mão pelo rosto dele. 

- Não! − Responde ele. ‒ Você podia chamá-lo? 

- Acho que não poderei ajudá-la, pois ele não está aqui hoje, diz o barman, já profundamente excitado com a situação. Mas, posso fazer algo por você? − completa ele. 

- Claro que pode! Preciso que lhe dê um recado. 

(Massageando a barba e enfiando dois dedos na boca do barman, deixando que ele os lamba e depois os chupe levemente), ela continua: 

- Diga a ele que não tem papel higiênico e nem sabonete para lavar as mãos no banheiro das mulheres!

segunda-feira, 17 de março de 2025

A manha da aranha

 Ivan Carvalho 

(Cronista)

Vou te bater, meu considerado, que a vida do ex-apenado não é mole não. Não é feito mastigá água, que isto qualquer um faz. Arrumá um bate-fundo de carteira assinada é cobra de colete. 

Como faz? Tu te vira, meu mano. Agora tô com este carrinho aí catando papelão e garrafa pet. Dá pra boia do dia, que morar a gente mora no mundo mesmo. Eu e estes dois cuscos que grudaram em mim com a graça de Deus Nosso Senhor, porque são a minha companhia e a minha alegria. 

Já fiz de um tudo na vida. Logo que te cospem do Central, os carinhas vêm em cima tipo mosca querendo te levar pro crime: tráfico, assalto, mão grande, etc. Até botam um cano da tua mão e patati e patatá. Te prometem mundos e fundos, mas a real é que tu vai sê boi de piranha e, certinho como a chuva cai pra baixo, o primeiro a vê o sol quadrado, se no caso de algum erro. É a lei da bandidagem, tem os manda-chuva e os mocorongos. Se tu é muquifa, como eu, leva a parte da merreca e ainda te entregam de bandeja nos acertos com a rataria, que os caras têm que mostrar serviço, prendê alguém, né? 

Eu entrei nessa uns tempos e caí fora, nem sei te contá como. As pinta me azucrinaram o que deu e até me prometeram metê num microondas da pirelli. Mas me safei pelos buracos da cidade e esqueceram de mim, que onde some um trouxa logo aparece outro. Me mocozei na casa dum aparentado em Viamão. Capinava numa horta que ele tinha, prá não dizê que eu tava encostado. Mas o bicho morava com uma zinha fuleira e brigona, tipo uma ariranha, que não ia com a minha lata, assim, de gracinha. Porque eu tinha puxado cana, tava na cara. Só sei que o cara me veio com uma conversa cheia de bico. Saquei o drama e dei o pira, que se a gente fica onde não te querem é chato e perigoso. 

Arrumei um bico de ajudante numa birosca na Degolada. O dono tinha três boquinhas daquelas e passagem pelo Partenon também. De modo que tava tudo em casa. Ficava ali servindo martelo de cana malhada pra vagabundo e dormindo numa cama-de-gaita no fundo. Não era bom nem ruim. Mas ia levando e podia tá lá até hoje se não fosse o enrosco. Em vila, onde tem pila, por menor que seja, tem confusão. Neguinho tem olho maior que a cara e não pode ver ninguém com o boi na sombra que já qué. Toma, estraçalha, dá de mão. Aí que o dono da minha birosca comprou briga com um infeliz que também tinha umas três ou quatro destas na vila. E ficaram se jurando que um ia tomar do outro e perrepepé e bico de pato. 

Esse tal outro, que tinha o apelido de Pança, era um acordado muito do perigoso,  numa noite juntou uma curriola e meteu fogo nas três biroscas do meu patrão. Eu tava dormindo no fundo e escapei por pouco. Passei cinco dias nos queimados do HPS pelado e no ar fresco. Sai de lá pior que uma múmia de tanta atadura. 

O dono da birosca se pirulitou da Degolada com medo que o Pança jantasse ele. E eu na rua, todo queimado, chamando urubu de periquito. Nesta época, tenho até vergonha, comia o que catava no lixo e dormia embaixo do viaduto da Protásio. Comi o pão que o capeta amassou com o rabo. Mas fui melhorando e só me sobrou esta cicatriz feia aqui no braço. Até saí no lucro, se dá pra dizê assim. 

O cara que dormia do meu lado no viaduto tinha um carrinho e juntava coisas pra vender. Era o rico da ratatuia. Um dia, não acordou de manhã. Bateu a caçuleta. Acho que de tanta canha. Me adonei do carrinho dele, que era certo que alguém ia se adiantar e melhor que fosse eu. Peguei e dei o pira do viaduto, na manha da aranha, pra evitar bateção de boca. Hoje, arrumei até um nome bonito pra este batente: faço Coleta Seletiva. Vendo prum galpão de reciclagem. 

Nas minhas andanças me apareceram estes dois abençoados peludos que não me largam por nada. Só eles gostam de mim e vamo junto até o fim de quem for primeiro. 

Bom, meu mano, já falei até demais e quem não junta não vende. Obrigado pela ceva e pela atenção. Vamo nessa. 

Pretinho e Lobo, comigo! 


Onde a infância vive nas brasas do tempo

 Campereada

Paulo Mendes

(...) Fui ao encontro de minhas raízes que ainda estão plantadas nos pagos da antiga Vila Rica. Cheguei num domingo claro de manhãzita, com meu pingo tapado de suor por tanto calor, cansado da estrada. Apeei embaixo da sombra amiga e antiga dos cinamomos e fiquei a olhar ao redor. Tanta coisa mudou e ao mesmo tempo quase nada. Quanta coisa a terra me disse, não falando nada. E mais um tanto eu respondi, mesmo ficando em silêncio. Ouvi, pra os lados da restinga grande, os latidos de meu cachorro Cacique, companheiro de tantas jornadas nas pescarias de domingo pelas sangas, açudes e canais de lavouras. 

Ao olhar para dentro das casas, vi o pai mateando ao lado do fogão a lenha, segurando a velha cuia de porongo com as mãos escalavradas de arames farpados e mordidas de aporreados, calos de rédeas, pás, foices e enxadas. Uma hora ele me olhou com seus olhos vidrados de anos e anos, sorriu como a me perguntar por onde havia andado. Mais ao lado e para o fundo, vi a mãe atrás do balcão de tábuas engorduradas do velho bolicho, cortando um naco de fumo em corda. Ela também sentiu minha presença, me mostrou a vassoura e o pano para que varresse o assoalho e limpasse o balcão, afazeres normais de domingo. 

Ergui a cabeça e enxerguei a cancha de bocha, com os tradicionais jogadores, o Valter, o Bibo, o Mudinho, seu Turíbio, seu Germaninho e vários outros. Vi tratores e bicicletas, alguns cavalos encilhados e escutei, por vezes, os gritos e os estrondos do bochaços.  Um dos presentes me abanou e gritou, sorrindo: “Mais uma cerveja bem gelada, Paulinho”. Nem me mexi, fingi que não escutei. E segui olhando para a estrada real. Não é que vi dobrar a Esquina Maboni o Gemada, o ônibus amarelo do Posto de Sementes? Mas era domingo, não levantei e, para o lado das taquareiras, escutei novo alarido. Estavam o Clécio, o Chupim, o Zé Mariano, o Chico e o Lebrão jogando bola no campinho das rosetas. 

É lá, minha gente, naquele chão de terra vermelha, que ainda perguntam por mim no final das tardes, nos pátios recém-varridos. Voltei a ver o gado se refrescando no açude, as lavouras verdejantes a se perder de vista. Revi meus pais, meu irmão, meus amigos, meus bichos e senti que minha infância ainda sobrevive por debaixo dos borralhos de algum fogo de chão. O tempo passou, é verdade, mas o sangue castilhense ainda corre nas veias da memória. Estive na pequena mangueira ao lado das casas, tirei leite das tambeiras, cavalguei no cavalo Tostado. Encontrei dentro de um saquinho de estopa, atado na boca por um tento de fino de couro, minhas bolitas daqueles tempos perdidos de outrora. E, esquecida sobre uma prateleira empoeirada, estava minha carretinha de lata, que uma vez foi puxada por dois valentes bois de sabugo. Ah, meus amigos e minhas amigas, neste momento senti um cerro a se formar no meio da goela e um cisco me alagou o olho. 

Remexi nas brasas do tempo e assoprei as labaredas, porque ainda sou daquela querência. É onde mora minha alma e meu coração. 

(Do Correio do Povo, março de 2025) 

Glossário: 

Pago: o lugar natal, o rincão, a querência, o povoado, o município onde alguém nasceu. 

Pingo: cavalo de sela, bom e bonito. 

Aporreado: diz-se do cavalo que foi mal domado e nunca se tornou manso. 

Bolicho: o mesmo que bodega, pequeno armazém de secos e molhados. 

Bochaço: acerta numa bocha tirando-a da posição. 

Restinga: pequeno córrego ou sanga com as margens recobertas de mato baixo. 

Roseta: nome que se dá uma espécie de grama que tem muito espinho. 

Borralho: braseiro coberto de cinza e quase apagado. 

Mangueira: grande curral de gado, de pedra ou de madeira, junto à casa da estância. 

Tambeiras: vacas mansas para ordenha de leite. 

Tostado: diz-se do cavalo tem pelo vermelho misturado com o pelo preto. 

Bolita: bolinha de vidro, o mesmo que bola de gude. 

Sabugo: espiga de milho sem grãos. 

Cerro: elevação, morro. 

Querência: lugar de nascimento ou residência de uma pessoa. O mesmo que pago.

domingo, 16 de março de 2025

Juventude apática

 Martha Medeiros

Espero estar enganada, mas meu senso de observação, aliado a algumas matérias que andei lendo, tem me induzido a pensar que pessoas maduras, também conhecidas como velhas, continuam empolgadas com a vida, fazendo planos para o futuro e transando bem, obrigada, enquanto os jovens, que eram os que detinham o monopólio da vitalidade, estão entediados, apáticos, achando graça em nada. Alguém aí confirma?

Outro dia, estava conversando com amigos da minha faixa etária, todos entrados nos 60 e com filhos na casa dos 30, e a impressão deles era a mesma. A nova geração tem passado os dias com cara de paisagem. Eles trabalham desesperançados, não se apaixonam perdidamente e seus entusiasmos mal duram um fim de semana, logo esfriam. Não que tivéssemos muitas certezas na idade deles, mas a gente ia em frente com dúvida e tudo, o pulso latejava. Um dia de sol na praia era um acontecimento. Um beijo roubado nos deixava insones. Abraçávamos nossas causas com inocência e ardor, nunca com ódio. Vibrávamos numa frequência positiva. Sorriso não era uma raridade em nosso rosto e não falávamos por monossílabos: palestrávamos em mesa de bar. Melancolia? De vez em quando, sucumbíamos a ela, claro. Éramos poetas, alguns trágicos, cortesia da arte e de suas consequências na alma, mas tudo era visto como privilégio da existência. Não havia zumbis atrás de telas, buscávamos excitação de verdade. 

Que desalento é esse que está intoxicando garotos e garotas que deveriam estar em seu auge? São pouco afirmativos e não lutam por seus sonhos ‒ nem mesmo sonham. Falta propósito. E o fracasso apavora. Contentam-se em ser uma eterna promessa e não estão entendendo que o tempo irá cobrar caro, um dia, pela postura blasé do “tanto faz”. 

O excesso é cúmplice do vazio, uma dupla bandida. Excesso de informações, poucos empregos. Excesso de bocas, pouca intimidade. Os cardápios são fartos de “felicidade”: quanto mais é oferecido, mais confusos eles ficam, que caminho seguir? Nós também tivemos que fazer escolhas e as renúncias faziam parte do jogo, não paralisavam ninguém. Agora o rolê tonteia. Escolher só uma alternativa entre um milhão? Não conseguem. Nada se destaca, nada é especial. A banalidade dá o tom da conversa, que leva ao fastio, claro. Um minuto de atenção (se tanto) e já se trocou de desejo. 

Do caderno Donna, de Zero Hora, março de 2025

sábado, 15 de março de 2025

A Geração de Ferro

 

A “Geração de Ferro” está partindo para dar passagem à Geração de Cristal. 

Está partindo a geração que, sem estudos, educou seus filhos dando-lhes uma educação aprimorada que eles não a tiveram. 

Aquela que, apesar da falta de tudo, nunca permitiu que faltasse o indispensável em casa. 

Aquela que ensinou valores, começando por amor e respeito ao próximo e aos mais velhos. 

Estão partindo os que podiam viver com pouco luxo sem se sentir frustrados com isso. 

Aqueles que trabalharam desde tenra idade e ensinaram o valor das coisas, não o seu preço. 

Partem os que passaram por mil dificuldades e, sem desistir, nos ensinaram a viver com dignidade. 

Aqueles que, depois de uma vida de sacrifícios e agruras, vão com as mãos enrugadas, mas a testa erguida. 

A geração que nos ensinou a viver sem medo está partindo. 

Ela está partindo... 

A geração que nos deu a vida e muito amor. 

Sou, com muita honra, parte dessa geração.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Preciso desabafar!

 Uma “história” que circula na internet... 

Se non è vero, è ben trovato = Se não é verdade, é bem achado. 

Comecei a dialogar com uma mina pelo WhatsApp e o nosso relacionamento era perfeito, tipo Batman e Robin, Jay e Beyoncé, Velho Barreiro e Engov, Claudinho e Bochecha. 

Eu sempre levo para as minhas noitadas, o meu cantil de metal com uma boa cachaça e um cigarro do capeta; elas, a comida (sem trocadilho)...  

Depois de falarmos várias safadezas no Zap, e trocarmos vários nudes, ela até me perguntou: “Quanto tempo você aguenta na cama?” ‒ Eu respondi: “Até o meio-dia, depois começa a me dar fome, tenho que levantar...” 

Foi então que marcamos um encontro na kitinete dela, estava tudo indo perfeitamente bem entre eu e a nova parça, até a hora que decidimos transar. 

A noite era perfeita... Naquele clima inebriante e sensual extremamente transante, uma musiquinha romântica ao fundo, janela aberta, noite estrelada, lua cheia, um espumante barato na mesa e meio maço de cigarro ao lado, com luz ambiente vermelha suave de um abajur cor-de-carne... 

E aquela beldade de um metro e meio de puro tesão, até dói a minha coluna, quando eu me lembro, choro de dor, pois eu recordo de que cada envergada pra beijá-la, era um bico de papagaio no espinhaço que doía e queimava pra cacete. 

A gente lá se beijando, se acariciando e a coisa foi esquentando, fomos nos despindo e Uaau!!! Ela no estilo mulher maravilha, de bota, calcinha e sutiã; e eu, tipo Sonic, só de meia e tênis. 

Por incrível que pareça, sou um cara tímido, mas, pessoalmente, eu também sou bom de sacanagem no bate bolas na virilha. 

Ela era linda, rosto angelical, black imenso, piercing, tatuagem tribal, com cara de aluna ingênua de colégio militar. 

Mas, sabe aquele ditado que diz: Quem vê cara não vê tesão acumulado, pois bem, foi aí que o bicho pegou... 

Durante um beijo de língua, num lance de quase três minutos, ela incorporou o José Aldo e me jogou na cama numa pegada mais que agressiva e eu não entendi o que tava acontecendo. 

Ai começou a baixaria... 

Ela me deu um tapa na cara e eu estranhei. Deu outro mais forte! Questionei: Que porra é essa, lazarenta!?  Ela começou a gritar umas sacanagens no meu ouvido em tons de ameaça, dizendo para eu relaxar, pois pretendia fazer em mim o famoso “fio terra” com dois dedos e ainda a seco! Pode isso, Arnaldo? 

Eu já tava na dúvida se iria transar ou ser interrogado, ela era uma mistura de Bruna Surfistinha com Capitão Nascimento, incorporado num zumbi da Cracolândia, imagina só a situação! Pessoal, eu fiquei tão assustado que nem sabia onde tava o potinho do amor dela, se era no meio das pernas, atrás das orelhas ou na mão pesada da criatura. 

É, galera, eu comecei a sair do clima e o pinto querendo arriar a bateria, fiquei em choque, se ereto eu já tava apanhado desse jeito, imagina se ele amolecesse? Ela vai me asfixiar com o travesseiro e reanimar o meu pinto com um desfibrilador no meu brioco, fico suando só de imaginar a cena. 

Tentei manter a calma, mas era impossível, pois as porradas continuavam comendo solta no meu lombo cada vez mais seguida e fortes. Já tava apanhando mais que cagueta X9 em cela de traficante... Sofrendo mais que corno ouvindo o Amado Batista na jukebox de um boteco barato tomando cerveja Skol morna. 

De repente, num ato de pavor e desespero, eu virei ela com as costas pro colchão, foi meio que um golpe perfeito de judô um Ippon. 

Ai vai vara e vem vara, sai e entra de novo e de novo, e tapa a reveria, vindo na direção da minha cara. 

Parecia que eu tava atuando em um filme pornô, dirigido pelo Quentin Tarantino! 

Ela pedia tapa na cara, não curto muito essas brisas masoquistas, mas se não batesse, era eu que ia apanhar mais. E a mão da desalmada era tão pesada feito um saco de cimento. 

Pra evitar os hematomas e eu não sair de lá mais roxo que repolho, tive a brilhante ideia de abraçá-la... PQP! 

Foi punk, a maluca cravou as unhas nas minhas costas e foi descendo costelas  abaixo, tirando mais de meio quilo do meu couro. Parecia que eu estava sendo atacado por um urso siberiano. 

Não bastando os vergões e retaliações, a abençoada mordeu meu peito numa voracidade que ficou a marca umas três semanas, pareciam um terceiro mamilo. 

Dei um berro tão grande, meio grave e desafinando pro agudo, parecia o Tarzan gripado que viu assombração... Eu não sabia o que fazer! A mina tava possuída pelo Satanás do Kama Sutra. 

Meu corpo falava:  Reaja, homem! A minha cabeça gritava: Mete o pé! Vaza, porra, sai dessa furada, imbecil! 

E a gente no segundo andar, eu não sabia se escalava pro terceiro ou se pulava dali mesmo e foda-se a minha vida. 

Minha pressão subindo, o meu pinto querendo dar pane geral, suor pingando, a asma atacando, tava pior que jogador de várzea, que já tinha atuado em todas as posições e nada de fazer um gol! 

Não sou muito religioso, mas nessa hora foquei num pau nosso, ou melhor, pai nosso (perdoe-me a blasfêmia), e depois de jogar os dois tempos mais na prorrogação, quase indo pros pênaltis, cabeceei do meio da área fiz o gol! 

Eu já estava igual aquela série do Netflix, “Um Estranho no Paraíso”. Com a sensação de dever cumprido. Depois, tipo jogador de terceira divisão, pedi, chorando, pra aliviar meu intestino e ser substituído... Fui correndo esbaforido ao banheiro... Tranquei a porta. Lavei o rosto pra disfarçar a cara de choro e desespero. 

Não deu nem dois minutos... Escuto uma voz de fundo: 

“Mozão, volta pro segundo Round...”. 

E eu ali, desesperado, tentando escapar nu pela janela do banheiro. Me vesti apressado, atravessei a sala correndo e me mandei porta afora. 

Que roubada que eu fui me meter! Nunca mais embarco numa canoa furada dessas. Cruz credo!


A zebra no futebol

 Leandro Staudt

(...) 

Por que falamos “deu zebra” quando um time consegue uma vitória improvável? O folclórico técnico Gentil Cardoso inventou a expressão no Campeonato Carioca de 1964. Ele treinava o time da Portuguesa do Rio de Janeiro e queria surpreender os clubes grandes. Momentos antes de um jogo contra o Vasco, disse: “acho que vai dar zebra”. 

O reinador acreditava na vitória do seu time, considerada quase impossível, assim como seria sair a zebra no jogo do bicho, porque não constava na lista de 25 animais das apostas. Naquela noite, “deu zebra”. A Portuguesa ganhou do Vasco por dois a um. 

A partir de 1973, a simpática Zebrinha do Fantástico, que divulgava os resultados da loteria esportiva no programa da TV Globo, ajudou a popularizar a expressão. 

(...) 

(Do Almanaque Gaúcho, de Zero Hora, 14 de março de 2025)