sábado, 1 de março de 2025

Cria da comunidade

 Serginho Meriti e Xande de Pilares

 

E lá vou eu, e lá vai ela na janela da composição.
Coelho Neto é logo ali, logo depois de Acari,
Pra quem vem lá de São João de Meriti,
Que, aliás, nem tem metrô.
Andando até a Pavuna eu vou.

E todo dia, aquela hora, ela embarca na mesma estação...
E foi assim que então se deu,
Dela sentar-se ao lado meu,
E deslizando sob os trilhos da conversa,
Pela linha dois ali, a dois, ela falou:
A negra mina mãe de uma negra menina filha de Comunidade
Que ralou,
Essa guerreira, lá do Morro da Pedreira
Pra fazer a faculdade, se formou.
Ainda mora no mesmo lugar, não quer sair de lá,
Só quer comprar uma casinha maiorzinha no asfalto.

Na subida da colina, que menina, que amor de pessoa!
Que conversa boa que a gente trocou.
Perguntou quem eu era,
Se era fácil ou difícil o ofício do compositor.

Que amor de pessoa, que conversa boa que a gente trocou.
Perguntou quem eu era, se era fácil ou difícil o ofício do compositor.

Pra responder, prometi que pra ela faria uma linda canção assim,
Pra descrever a história de vida bonita que ela contou pra mim.
Pra resumir, na Central da cidade ela desembarcou.
E eu segui pra Zona Sul.
Foi assim que nasceu esse samba.

E lá vou eu e lá vai ela na janela da composição.
Coelho Neto é logo ali, logo depois de Acari,
Pra quem vem lá de São João de Meriti,
Que, aliás, nem tem metrô.
Andando até a Pavuna eu vou.

E todo dia mesma hora ela embarca na mesma estação,
E foi assim que então se deu,
Dela sentar-se ao lado meu,
E deslizando sob os trilhos da conversa
Pela linha dois ali, aí ela falou:
A negra mina mãe de uma negra menina filha de comunidade
Que ralou!
Essa guerreira, lá do Morro da Pedreira
Pra fazer a faculdade se formou.
E ainda mora no mesmo lugar, não quer sair de lá,
Só quer comprar uma casinha maiorzinha no asfalto,

Na subida da colina, que menina,
Que amor de pessoa,
Que conversa boa que a gente trocou.
Perguntou quem eu era,
Se era fácil ou difícil o ofício do compositor.

Que amor de pessoa,
Que conversa boa que a gente trocou.
Perguntou quem eu era,
Se era fácil ou difícil o ofício do compositor,

Pra responder, prometi que pra ela faria uma linda canção assim,
Pra descrever a história de vida bonita que ela contou pra mim.
Pra resumir, na Central da cidade ela desembarcou
E eu segui pra Zona Sul
Foi assim que nasceu esse samba

E lá vou eu e lá vai ela na janela da composição...

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A música “Cria da Comunidade”, interpretada por Serginho Meriti, é uma celebração da força e resiliência das mulheres das comunidades cariocas. A letra narra o encontro casual entre o compositor e uma jovem mulher no metrô do Rio de Janeiro, que se transforma em uma conversa reveladora sobre a vida dela. A mulher, descrita como uma 'negra mina mãe de uma negra menina filha de comunidade', compartilha sua história de luta e superação, desde a infância no morro até a conquista do diploma universitário. 

A narrativa da música é rica em detalhes que pintam um quadro vívido da vida nas comunidades do Rio de Janeiro. A menção a bairros como Coelho Neto, Acari e São João de Meriti, bem como a rotina diária de pegar o metrô, cria um cenário autêntico e familiar para muitos ouvintes. A mulher, apesar de todas as dificuldades, não deseja abandonar suas raízes; ela sonha apenas com uma casa mais espaçosa, mas ainda dentro da comunidade. Essa escolha reflete um profundo senso de pertencimento e orgulho de suas origens. 

A canção também destaca a importância da educação como um meio de transformação social. A jovem mulher é uma guerreira que, apesar das adversidades, conseguiu se formar e agora serve como um exemplo de determinação e esperança para sua comunidade. A promessa do compositor de criar uma canção para ela é uma forma de homenagear não apenas a história dela, mas também a de muitas outras pessoas que compartilham trajetórias semelhantes. “Cria da Comunidade” é, portanto, um tributo à resiliência, ao orgulho comunitário e à capacidade de superar obstáculos através da educação e do esforço pessoal. 

P.S. Escute, na internet, essa música na voz de um dos compositores: Serginho Meriti.


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