quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Mágica: Os três objetos



Um aprendiz de mágico coloca em uma mesa três objetos diversos, por exemplo:

Um relógio, um anel e uma caneta, e, além disso, 24 fichas em montes; depois, solicita de três espectadores que apanhem, cada um deles, um dos objetos, de maneira que ele (o mágico) não o veja.

Feito isso, aleatoriamente, o mágico entrega uma das fichas ao primeiro espectador, duas ao segundo e três ao terceiro, deixando as restantes 18 fichas na mesa.

Depois desse preâmbulo, avisa aos participantes que irá retirar-se do recinto, indo para um dos aposentos mais distantes da casa; todavia, antes de sair, deixa a seguinte incumbência aos três espectadores:

a)   Þ Quem tiver o anel, deverá apanhar do monte de fichas, tantas quantas lhes foi entregue por ele;

b)  Þ quem tiver o relógio, por sua vez, deverá retirar do monte exatamente o dobro de fichas que já possui;

c)  Þ finalmente, quem for o possuidor da caneta, que retire exatamente o quádruplo de fichas, ou seja, quatro vezes mais das que já possui.

Passando alguns segundos, o futuro mágico regressa ao palco dos acontecimentos, dá uma olhada rápida na mesa, olha profundamente nos olhos dos colaboradores, e, sem mais delongas, sem pestanejar, sob os olhares atônitos dos demais, descobre, de forma categórica, quem está de posse temporária dos três objetos.

Você saberia dizer como o mágico conseguiu tal façanha?

A resposta, caso você não descubra o truque, vem abaixo:


Se ficar uma ficha, a primeira pessoa tem o anel; a segunda, o relógio; a terceira, a caneta.

Se ficarem duas fichas, a primeira tem o relógio; a segunda, o anel; a terceira, a caneta.

Se ficarem três fichas, a primeira tem o anel; a segunda, a caneta; a terceira, o relógio.

Se ficarem cinco fichas, a primeira tem o relógio; a segunda, a caneta; a terceira, o anel.

Se ficarem seis fichas, a primeira tem a caneta; a segunda, o anel; a terceira, o relógio.

Se ficarem sete fichas, a primeira tem a caneta; a segunda, o relógio; a terceira, o anel.

Nunca sobram quatro fichas.


Expressões populares

Abraço de tamanduá

Sinônimo de traição ou deslealdade. O tamanduá se deita de barriga para cima e abre seus braços. O inimigo, ao se aproximar, é surpreendido por um forte braço, que o esmaga.

 O canto do cisne

São as últimas realizações de alguém. Antigamente, dizia-se que o cisne emitia um lindo canto quando estava preste a morrer.

 Dormir com as galinhas

Nada de levar o travesseiro e o colchão para o galinheiro. A expressão significa apenas deitar-se cedo, logo ao anoitecer, como fazem as galinhas.


Estômago de avestruz

Aquele que come qualquer coisa. O estômago do avestruz é dotado de poderoso suco gástrico que é capaz de dissolver até metais.

Lágrimas de crocodilo

É uma expressão bastante usada para se referir a choro fingido. O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele “chora” enquanto devora uma vítima.

Memória de elefante

O elefante lembra de tudo o que aprende, motivo pelo qual é uma das principais atrações de circo. Por isso, dizem que as pessoas que lembram de tudo (até mesmo as magrinhas) têm a memória do bichão.

Olhos de lince

Os filhotes só abrem os olhos com dez dias de vida. Em compensação, quando crescem, os linces têm uma visão apurada. Os povos mais antigos acreditavam que esses animais conseguiam enxergar através das paredes. Ter olhos de lince significa enxergar longe.

Erros e Perdão



Lupicínio Rodrigues, jovem


Há pessoas que tanto erram, que tantas vezes são perdoadas, que até se acostumam nesta condição, fazendo tudo que bem entendem, sem pensar nos dias futuros. Abusam de quem tem um coração bom, capaz de relevar qualquer falta. Isto foi o que aconteceu com aquela moça que vivia fazendo das suas e depois ia ao telefone pedir-me perdão, porque não tinha coragem de fazê-lo pessoalmente. Eram promessas e mais promessas, porém nenhuma delas cumpridas. Essa conversa toda foi me saturando de tal forma, que um dia não pude mais suportar. E, para acabar de uma vez com todas aquelas promessas vãs, eu resolvi não mais perdoá-la. Para isso, selei minha resolução, fazendo este samba, cuja letra vai publicada para os leitores da Última Hora.

Nunca

(Samba de Lupicínio Rodrigues)

Nunca,
Nem que o mundo
Caia sobre mim,
Nem se Deus mandar
Nem mesmo assim,
As pazes contigo eu farei.
Nunca,
Quando a gente
Perde a ilusão
Deve sepultar
O coração
Como eu sepultei.

Saudade,
Diga a essa moça,
Por favor,
Como foi sincero
O meu amor
Quanto eu a adorei,
Tempos atrás.
Saudade,
Não se esqueça também
De dizer
Que é você
Quem me faz adormecer,
Pra que eu
Viva em paz.

E até sábado...

**********

(Do livro “Foi assim” – O cronista Lupicínio conta as histórias das suas músicas.) Publicadas no jornal Última Hora, entre fevereiro de 1963 a fevereiro de 1964.

Histórias do Professor Jânio Quadros



 Jânio estava hospedado na casa do deputado Murilo Costa Rego, no Recife, na campanha para presidente da República. Acordou com sede:
 Murilo, tu podes providenciar-me um uísque?
Murilo providenciou. Quando o garçom chega com a garrafa está entrando na sala uma comissão de prefeitos pernambucanos. Jânio não se perturba:
 Eu disse leite, Murilo. Lei-te.
Veio “lei-te”. E ele o bebeu.
*****

 Em Fortaleza, na casa do deputado Jorge Furtado Leite, Jânio descansava na rede. Furtado Leite tentava convencê-lo a receber uma comissão de juízes.
 Não os recebo, Juiz é magistrado, não faz política. Nada tenho a prometer-lhes e nada têm eles a dar-me.
Olha em volta, está cercado de juízes. Levanta-se rápido:
 Juízes de minha terra que também o fui!...
E longamente conversou com eles.

*****

 Em 43, um estudante magricela de olho esbugalhado saía do escritório do advogado Vicente Rao, ex-ministro da Justiça de Getúlio Vargas. Na porta, encontra-se com um senhor magro e moreno que chegava. Apresentados, começaram a conversar e foram até a sala de Vicente Rao. O senhor magro e moreno pediu para ver a mão do estudante magricela de olho esbugalhado:
 O que é que você faz?
 Estudo Direito e ensino Português.
 Você vai ser político. Vereador, deputado, prefeito, governador, presidente da República, em pouco tempo. Sai da presidência e a ela volta depois para ser assassinado.
O estudante magricela e olho esbugalhado chamava-se Jânio Quadros. O senhor magro e moreno, Sana Khan.

*****

 Eleito governador de São Paulo, Jânio foi procurado pelos deputados Wilson Rahal e Germinal Feijó, que se haviam empenhado inteiramente em sua campanha. Levavam reivindicações políticas.
 Meus queridos Wilson e Germinal. Os senhores estão muito enganados. Elegeram-se e eu me elegi. Estamos quites.
E bateu a porta.

*****

 Jantar de aniversário de Quintanilha Ribeiro, também na década de 70, na casa dele, em São Paulo, pouco antes de morrer. Jânio saiu, já tarde, com Oscar Pedroso Horta. Continuamos conversando: Quintanilha, José Aparecido, eu, um grupo. Perguntei a Quintanilha pela renúncia. Aparecido não gostou:
 Sebastião, sobre a renúncia fala o presidente. O Nery tem um computador na cabeça, vai gravar tudo e publicar.
 Ora, Aparecido, é hora de nós, os amigos de Jânio, pararmos com essa besteira. Não podemos deixar que o Jânio entre na História do Brasil como um fujão, quando sabemos que o que ele foi mesmo foi um conspirador de merda.

*****

 Júlio César Toledo Piza, como sempre fazia, foi visitar Jânio na sua casa, em Santo Amaro, na Capital. Os jornais falavam naquele dia das comemorações de mais um aniversário do “Movimento de 31 de Março”, na semana próxima. Júlio César puxa o assunto da “Revolução”, Jânio fica em silêncio, pensando:
 Pois é, meu caro, cassaram-me, puniram-me, confinaram-me, marginalizaram-me. Por quê? Por que, se fizeram em março de 1964 exatamente o que eu quis fazer em agosto de 1961?
Julinho entendeu tudo.

*****

 O ministro chegou para despacho. Tirou o primeiro processo, Jânio leu, releu, tirou os óculos:
 Ministro, o senhor é alfaiate?
 Não, presidente. Por quê?
 Toda vez que o senhor vem aqui fica querendo dar uma tesourada em minha toga.

*****

 No natal de 87, o governador Fernando Collor, de Alagoas, voltava da China, desceu em Roma. O embaixador Carlos Alberto Leite Barbosa o convidou para um jantar. Jânio passava por Roma, a caminho da Turquia, Carlos Alberto o convidou também.
Quando Jânio chegou à magnífica embaixada da Plaza Navona, Collor já estava lá. Jânio entrou com passos largos e um casacão preto pesado. Abriu os braços para Collor, escandindo as sílabas:
 Meu caro governador, que bom este encontro. Fiquei feliz.
 Eu também, presidente,. Não sabia que estava por aqui.
 De passagem, governador. A caminho de Istambul. Gosto muito do mundo árabe. É um dos nossos passados. Estou lendo nos jornais, que me chegam do Brasil, que é candidato a presidente da República no próximo ano.
 Ainda não sei, presidente. É uma ideia de alguns amigos.
 Governador, parece-me muito jovem para presidente, aos 40 anos.
 A mesma idade com que o senhor foi presidente.
 E deu no que deu, meu caro! Deu no que deu!!!

*****

 Presidente, Jânio foi a Mato Grosso, sua terra, no dia 25 de fevereiro de 61. Mandou chamar o chefe regional do DNER, engenheiro José Azevedo, irmão do deputado Vasco Azevedo Neto, da Bahia:
 Quero uma estrada até Guaporé. O senhor tem seis meses para construí-la. No dia exato, daqui a seis meses espero um telegrama comunicando-me o cumprimento do dever.
O engenheiro empurrou a estrada a toque de caixa. No dia 25 de agosto, chegava a Guaporé. Ligou o rádio, anunciava-se a renúncia de Jânio. José Azevedo foi ao telégrafo:

“Presidente Jânio Quadros, Brasília:
Cheguei hoje às margens do rio Guaporé.
Eu cumpri o meu dever.”

a) José Azevedo, chefe do DNER-Mato Grosso.

Jânio entendeu.

(Do livro “Folclore Político” – 1950 histórias,
de Sebastião Nery – Geração Editorial)


Jãnio Por Baptistão


Orações



São Francisco de Assis

(Bênção do Santo)

O Senhor te abençoe e te guarde.
Que Ele te mostre a sua face e tenha misericórdia de ti.
Volva a ti o seu olhar e te dê a paz.

Oração dos simples:

Ó Senhor, faze de mim um instrumento da tua paz:
- onde há ódio, que eu leve o Perdão;
- onde há ofensa, que eu leve União;
- onde há descrença, que eu leve a Fé;
- onde há erro, que eu leve a Verdade;
- onde há desespero, que eu leve a Esperança;
- onde há tristeza, que eu leve a Alegria;
- onde há trevas, que eu leve a Luz.
Ó Mestre, faze que eu não procure tanto:
- ser consolado, quanto consolar;
- ser compreendido, quanto compreender;
- ser amado, quanto amar,
pois e dando, que recebemos;
perdoando, que somos perdoados;
morrendo, que ressuscitamos para a Vida Eterna.

ª ª ª
Oração

Pascal (Blaise)

Fazei, meu Deus, que, com o mesmo ânimo, eu receba toda sorte de acontecimentos, uma vez que não me dado saber o devemos pedir, e não posso desejar uma coisa de preferência a outra sem presunção e sem me tornar juiz e responsável das conseqüências que vossa sabedoria quis justamente ocultar.

Senhor, eu apenas sei que é bom seguir-vos e mau ofender-vos. Além disto, não sei qual o melhor nem o pior; não sei o que me seja mais vantajoso: a saúde ou a moléstia, bens de fortuna ou pobreza. É um discernimento que excede as forças dos homens e dos anjos e que se acha oculto nos segredos de vossa providência, que adoro e cujos desígnios não quero sondar.

ª ª ª

A oração de São Francisco e a de Pascal foram traduzidas por Júlio Nogueira (Da Academia Brasileira de Filologia)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

As flores



Há dois meses que Iracema recebia flores, sem cartão. Colocava tudo nas jarras, vasos, copos, mesas, janelas, banheiro e até na cozinha. Quando o marido lhe perguntava por que tantas flores, todos os dias, ela sorria.

− Deixe de brincadeira, Epitácio.

Ele não percebia bem o que ela queria dizer, até que um dia:

− Epitácio, acho bom você parar de comprar tanta flor, já não tenho mais onde colocar.

Foi aí que ele compreendeu tudo:

− O quê? Você quer insinuar que não sabia que não sou eu quem manda essas flores?

Foi o diabo, ela não sabia explicar quem mandava, ele não conseguia convencê-la de que não era ele.

− Um de nós dois está mentindo – gritou, furioso.

− Então é você – rebateu ela.

No dia seguinte, de manhã, ele decidiu não sair, pra desvendar o mistério. Assim que as flores chegassem, a pessoa que as trouxesse seria interrogada. Mas não veio ninguém:

− Já são duas horas da tarde e as flores não chegaram, Epitácio. É muita coincidência. Vai me dizer que não era você.

Ele não tinha por onde escapar. Insinuou muito de leve que a mulher devia ter conhecido alguém na sua ausência. Ela chegou a chorar e se trancou no quarto. A discussão entrou pela noite até o dia seguinte. Epitácio saiu cedo sem mesmo tomar café. Bateu a porta com força e levou o mistério para o trabalho.

Meia hora depois, a mulher saiu e foi ao florista.

− Como vai, Dona Iracema? A senhora ontem não veio, hein? Aconteceu alguma coisa?

À noite, Epitácio viu as flores e não disse uma palavra, mas a mulher não parou:

− Seu cínico. Bastou você sair para as flores aparecerem e ainda tem coragem de dizer que não foi você.

Nessa noite ele teve insônia.

**********

(Texto extraído do livro “O homem ao zero”,
de Leon Eliachar)


Mais ideias para sua lápide



Aran & Castelo


Þ O Agnóstico: Deus é grande, mas não é dois.

Þ O Ansioso: Uma cueca limpa, por favor.

Þ O Ateu: Tão bem vestido e nenhum lugar para ir...

Þ O Britânico: Morri, presumo.

Þ O Cego: Aqui onde?

Þ O Cinéfilo: From Here to Eternity.

Þ O Comunista: O Paraíso não existe. Avisem Karl Marx. Pensando bem, Karl Marx também não existe. Esquece.

Þ O Cri-cri: Volto a insistir: para mim isso foi só um desmaio.

Þ O Decorador: Aqui repousa Fabinho Darling num caixão lindíssimo de mogno perolado, com luxuosas alças douradas em estilo Luis XV. Acima, mármore de Carrara marrom, combinando com o vaso de cerâmica marajoara. As flores são manufaturadas em papel crepom multicolorido e pintadas à mão.

Þ O Doente de hemorróidas: Ainda bem que não enterram a gente sentado.

Þ O Editor: Fora de catálogo.

Þ O Ejaculador precoce: Eu já esperava por isso, mas não tão rápido.

Þ O Empreiteiro: Este mausoléu e mais um empreendimento da Construtora Oderbretch & Corleone, com o apoio dos Governos Federal, Estadual e Municipal. Consulte nosso corretor.

Þ O Enrustido: Aqui jaz Sebastião. Tião, para o pessoal da obra. Sebé para os íntimos.

Þ O Esportista: Asa delta, nunca mais.

Þ O Favelado: Aqui, mais uma casa própria entregue pela Caixa Econômica Federal.

Þ O Feirante: Olha o cadáver fresquinho, dona freguesa!

Þ O Fotógrafo: Velei.

Þ O Geólogo: É pau, é pedra, é o fim do caminho.

Þ O Impotente: De pé, nunca mais.

Þ O Juiz: Isso não é justo.

Þ O Mal-humorado: Não incomodem.

Þ O Místico: À margem do rio Piedra eu sentei e dancei.

Þ O Pagodeiro: Favor não batucar na lápide.

Þ O Paranóico: Tá olhando o quê?

Þ O Proctologista: Tomei no cu.

Þ O Punk: Enfim, podre.

Þ O Segurança: Favor deixar o crachá visível.

Þ O Telegrafista: Fim da mensagem Pt

Þ O Workaholic: Podem continuar rezando, que meu celular está tocando.

Þ O Zumbi: Aqui jazia.



Charge dos autores: Aran & Castelo,

 autores do livro “Aqui jaz – O livro dos Epitáfios”, Editora Ática.