quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Os homens falam à amada



Millôr Fernandes

Num dia, para lá dos tempos e para cá das eras,
encontraram-se todos os que eram apaixonados por aquela mesma mulher.

Disse o Escritor: Eu te descreverei o mundo de mil formas diferentes.

Disse o Cozinheiro: Quando ela se cansar de teu palavreado vazio, eu a alimentarei com meus acepipes.

Disse o Farmacêutico: Quando ela adoecer de teus alimentos, eu lhe prepararei uma poção.

Disse o Médico: Quando ela enfermar de teus remédios, eu a curarei com minha Ciência.

Disse a Maquiador: Quando ela sair de tuas mãos, pálida e abatida, eu a embelezarei com meus cosméticos.

Disse o Pintor: Quando ela sair bela de teu salão, eu a fixarei em minha tela.

Disse o Jornalista: Eu reproduzirei tua tela cem mil vezes, na capa da minha revista.

Disse o Cineasta: Eu darei movimento a essa arte parada, colocando-a num filme.

Disse o Gravador: Eu juntarei à tua cópia muda o som de sua voz, que é tudo.

Disse o Milionário: Eu comprarei todas as cópias para que só eu possa vê-la e ouvi-la.

Disse o Ladrão: Roubarei teu dinheiro para oferecer a ela.

Disse o Policial: Eu te prenderei para que ela me queira.

Disse o Advogado: Inventarei o crime e a violência para que ela me admire.

Disse o Historiador: Registrarei na história, o crime e o castigo, e lhe explicarei a ela, a sós, o sentido da vida.

Disse o Caixeiro-Viajante: Que lhe importa a história, se eu lhe ofereço o mundo?

Disse o Astrônomo: Em matéria de mundo, eu lhe ofereço todos.

Disse o Assassino: Não posso contra todos, mas a matarei, se não for minha.

Disse o Agente Funerário: Eu lhe farei, então, a mais bela campa.

Disse o Poeta: Ela não morrerá: viverá para sempre nos meus versos.


Rosa



“Rosa” é de 1917 e chamou-se originalmente “Evocações”, só recebendo letra mais tarde. “O autor dessa letra” - esclarece Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho), que fez música, é Otávio de Souza, um mecânico do Engenho de Dentro (bairro carioca) muito inteligente e que morreu novo. Sobre a gravação original, há um erro de concordância e palavra de Orlando Silva, que canta “sândalos dolentes” (olentes=odorantes). Aliás, o cantor abandonou esta música após a morte de sua mãe, dona Balbina, 1968. Era sua canção favorita, e o sensível Orlando jamais conseguiu voltar a cantá-la sem chorar.


“Rosa” é uma linda valsa-canção “de breque”, mas de difícil interpretação vocal, especialmente para o uso de legatos, já que as pausas naturais são preenchidas por segmentos que restringem os espaços para o cantor tomar fôlego. Quanto à letra, é também um exemplo do estilo poético rebuscado em moda da época.


Rosa

(Letra de Otávio de Souza e Música de Pixinguinha)


Tu és divina e graciosa, estátua majestosa
Do amor, por Deus esculturada e formada com ardor!
Da alma da mais linda flor, de mais ativo olor,
Que da vida, é preferida pelo beija-flor.

Se Deus me fora tão clemente, aqui neste ambiente,
De luz, formada numa tela deslumbrante e bela.
O teu coração junto ao meu, lanceado, pregado
E crucificado sobre a rósea e a cruz do arfante peito teu.

Tu és a forma ideal, estátua magistral,
Oh! Alma perenal, do meu primeiro amor, sublime amor.
Tu és de Deus a soberana flor.
Tu és de Deus a criação, que em todo coração,
Sepultas o amor, o riso, a fé e a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor,
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor.

És láctea estrela,
És mãe da realeza,
És tudo, enfim, que tem de belo
Em todo o esplendor da santa natureza.

Perdão, se ouso confessar-te,
Eu hei de sempre amar-te.
Oh! Flor, meu peito não resiste,
Oh, meu Deus, quanto é triste
A incerteza de um amor que mais me faz penar
Em esperar em conduzir-te, um dia, ao pé do altar.
Jurar, aos pés do Onipotente, em prece comovente,
De dor e receber a unção de tua gratidão.
Depois de remir meus desejos em nuvens de beijos,
Hei te envolver até meu padecer, de todo o fenecer.

Colaboração do jornalista Jair Teixeira e pesquisa no livro: “A Canção no tempo – 85 anos de Músicas Brasileiras – Vol. 1: 1901-1957, de Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello.


O Ateneu



Colégio Abílio, do Rio de Janeiro, escola que inspirou O Ateneu.

O Ateneu

(Fragmento)

Raul Pompeia


Entrando no Ateneu

Os companheiros de classe eram cerca de vinte; uma variedade de tipos que me divertia. O Gualtério, miúdo, redondo de costas, cabelos revoltos, motilidade brusca e caretas de símio - palhaço dos outros, como dizia o professor; o Nascimento, o bicanca, alongado por um modelo geral de pelicano, nariz esbelto, curvo e largo uma foice; o Álvares, moreno, cenho carregado, cabeleira espessa e intonsa de vate de taverna, violento e estúpido, que Mânlio atormentava, designando-o para o mister das plataformas de bonde, com a chapa numerada dos recebedores, mais leve de carregar que a responsabilidade dos estudos; o Almeidinha, claro, translúcido, rosto de menina, faces de um rosa doentio, que se levantava para ir à pedra com um vagar lânguido de convalescente; o Maurílio, nervoso, insofrido, fortíssimo em tabuada: cinco vezes três, vezes dois, noves fora, vezes sete?... lá estava Maurílio, trêmulo, sacudindo no ar o dedinho esperto... olhos fúlgidos no rosto moreno, marcado por uma pinta na testa; o Negrão, de ventas acesas, lábios inquietos, fisionomia agreste de cabra, canhoto e anguloso, incapaz de ficar sentado três minutos, sempre à mesa do professor e sempre enxotado, debulhando um risinho de pouco vergonha, fazendo agrados ao mestre, chamando-lhe bonzinho, aventurando a todo ensejo uma tentativa de abraço que Mânlio repelia, precavido de confianças; Batista Carlos, raça de bugre, válido, de má cara, coçando-se muito, como se o incomodasse a roupa no corpo, alheio às coisas da aula, como se não tivesse nada com aquilo, espreitando apenas o professor para aproveitar as distrações e ferir a orelha aos vizinhos com uma seta de papel dobrado. Às vezes a seta do bugre ricochetava até a mesa de Mânlio. Sensação; suspendiam-se os trabalhos; rigoroso inquérito. Em vão, que os partistas temiam-no e ele era matreiro e sonso para disfarçar.

Dignos de nota havia ainda o Cruz, tímido, enfiado, sempre de orelha em pé, olhar covarde de quem foi criado a pancadas, aferrado aos livros, forte em doutrina cristã, fácil como um despertador para desfechar as lições de cor, perro como uma cravelha para ceder uma ideia por conta própria; o Sanches, finalmente, grande, um pouco mais moço que o venerando Rebelo, primeiro da classe, muito inteligente, vencido apenas por Maurílio na especialidade dos noves fora vezes tanto, cuidadoso dos exercícios, êmulo do Cruz na doutrina, sem competidor na análise, no desenho linear, na cosmografia.

O resto, uma cambadinha indistinta, adormentados nos últimos bancos, confundidos na sombra preguiçosa do fundo da sala.


“A escola é um mundo onde a gente pode até errar,
fazer de novo e acertar.”

 


Os saltimbancos



Enriquez - Bardotti - Chico Buarque
para o musical infantil Os saltimbancos - 1977

Uma gata, o que é que tem?
‒ As unhas
E a galinha, o que é que tem?
‒ O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bichinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
‒ As patas
E o cachorro, o que é que tem?
‒ Os dentes
Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá

Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
‒ Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

Uma gata, o que é que é?
‒ Esperta
E o jumento, o que é que é?
‒ Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
‒ Leal
E a galinha, o que é que é?
‒ Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá
Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
‒ Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
E no entanto dizem que são tantos
Saltimbancos como somos nós.





Pelé



Uma crônica de Armando Nogueira

Sua vocação de jogador de futebol é incomparável e se exprime no campo com a mesma espontaneidade da bola que rola; é tão perfeito no criar como no fazer o gol, no drible, no passe, no chute, na cabeçada. Seja em que circunstância for, Pelé mantém com a bola uma relação de coexistência absolutamente íntima, terna, cordial; por isso é bom goleiro e ótimo goleador; por isso é capaz de estar, ao mesmo tempo, na concepção e na realização de uma jogada. Seu talento é do tipo esférico como a bola, o seu brinquedo mágico.

A técnica individual de Pelé não merece um só reparo do mais exigente crítico de futebol; ele domina a bola com naturalidade e perfeição, usando qualquer parte do corpo, notadamente os pés e o peito; tem chute potente e certeiro com as duas pernas; dribla com facilidade e grande arte, valendo-se de incrível poder de articulação nos tornozelos, joelhos, cintura e, sobretudo, graças a uma força instintiva, medular, que lhe permite sair criando movimentos novos, irresistíveis, à base de contrapés, falsas hesitações, meneios e desequilíbrios aparentes. Usa as faces exteriores e interiores dos pés tanto para o drible e o chute como para fazer passes de efeito; tem espantosa velocidade de partida e de corrida e se eleva para cabeçadas com uma elasticidade impressionante e com uma noção de tempo que só se vê nos grandes especialistas dessa jogada; tem agilidade felina para recobrar o equilíbrio perdido. E aqui vale recordar o lance do jogo Brasil 5 X Argentina 1, (1960), no Maracanã. Pelé recebe a bola na corrida, entra na defesa driblando uma fila de adversários; o último, pressentindo o perigo, aplica uma rasteira que alcança Pelé em pleno ar. Pelé se desequilibra, vai cair de costas, a bola foge ao seu domínio, o juiz apita a falta. Mas eis que no instante do apito, Pelé consegue recobrar o equilíbrio, alcança novamente a bola e restabelece a excelente condição de gol que conseguira. A essa altura, porém, já o árbitro havia interrompido o jogo e todo o maravilhoso esforço de recuperação de Pelé resultava inútil. Restou-lhe o consolo de ver o árbitro Juan Armental correr na sua direção e pedir-lhe desculpa humildemente, por ter apitado. Mais tarde, o juiz explicava à imprensa que aquele fora o maior exemplo de agilidade pessoal jamais visto em um campo de futebol nos seus vinte anos de arbitragem.

Por fim, Pelé tem uma capacidade quase irreal de infiltrar-se com a bola defesa a dentro. Vai como um raio, dando a impressão ao espectador de que está atravessando os corpos dos adversários. Temos ouvido tanta gente querendo descrever as infiltrações de Pelé mais ou menos assim: “Ele ia passando por dentro dos outros.” Realmente, o lance é muito rápido e sugere a imagem. O que ocorre, simplesmente, é que ele realiza a ação em alta velocidade e com notável noção do próprio corpo, que lhe assegura o mínimo de tropeços, o máximo de equilíbrio e grande fluência na corrida.

Em apenas três anos de prática ininterrupta, Pelé melhorou sensivelmente o seu futebol. Não tanto do ponto de vista da técnica individual, que isso ele é perfeito de nascença, mas do plano da ação coletiva. Antes, Pelé era um atacante, um especialista dos chutes e cabeçadas à porta do gol; hoje, ele multiplica sua presença conseguindo ser, com igual eficiência, construtor e finalizador: num momento, Pelé é arco que aciona e em seguida vai ser e flecha que alveja. Do ponto de vista moral, ele já se destaca como grande animador de equipes, impondo aos colegas e aos adversários a autoridade indiscutível que vem da alta categoria técnica. Uma única face de sua personalidade não tem evoluído no sentido da perfeição: a serenidade. Ele perdeu muito daquela ingenuidade com que jogava no começo da carreira; ficou irritadiço, impaciente. Mas, coitado, tanto sofreu nos pés dos medíocres, tanto lhe deram pontapés que ele deixou de ser aquela força da natureza exprimindo-se puramente, sem amargor. Antes, davam-lhe um trompaço brutal, ele se levantava, limpava os calções e ia tomar posição de jogo; agora, se o derrubam com deslealdade, ele reclama furiosamente.


Pelé por Dálcio

Repense o seu valor


       
Um aluno chegou a seu professor com um problema:

- Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Dizem que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso fazer para que me valorizem mais?

O professor sem olhá-lo, disse:

- Sinto muito, meu jovem, mas agora não posso ajudá-lo, devo primeiro resolver meu próprio problema. Talvez depois... E, fazendo uma pausa, falou:

- Se você me ajudar, eu posso resolver meu problema com mais rapidez e depois, talvez, eu possa ajudar a você resolver o seu.

- Cla... cla... claro, professor, gaguejou o jovem, mas se sentiu outra vez desvalorizado.

O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno, deu ao garoto e disse:

- Monte no cavalo e vá até o mercado. Você deve vender esse anel, porque tenho que pagar uma dívida. É preciso que obtenha pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda o mais rápido possível.

O jovem pegou o anel e partiu.

Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel. Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele. Só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel. Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e mais duas de bronze, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.

Depois de oferecer a joia a todos que passavam pelo mercado e abatido pelo fracasso, montou no cavalo e voltou. O jovem desejou possuir uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor e receber sua ajuda e seus conselhos.

Entrou na casa e disse:

- Professor, sinto muito, mas é impossível de conseguir o que me pediu. Talvez eu pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.

- É importante o que me disse, meu jovem, contestou, sorridente, o professor. Devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele dá por ele. Mas não importa o quanto ele ter ofereça, não o venda. Volte aqui com o meu anel.

O jovem foi até o joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse:

- Diga ao seu professor que, se ele vender agora, não posso dar mais do que 58 moedas de ouro pelo anel.

- 58 moedas de ouro! – exclamou o jovem.

- Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com o tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas a venda é urgente...

O jovem correu emocionado à casa do professor para contar o que ocorreu.

O professor depois de ouvir tudo o que o jovem lhe contou, disse:

- Você é como esse anel, uma joia valiosa e única. Só pode ser avaliada por um especialista. Pensava que qualquer um podia descobrir o seu valor.

E, dizendo isso, voltou a colocar o anel no dedo.

Todos nós somos como esta joia. Valiosa e única e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que as pessoas inexperientes nos valorizem.

Repense o seu valor!


Histórias humorísticas



Humor de Cornélio Pires

Dona Carlota trouxe há pouco uma criada do interior, evitando assim as criadas princesas da capital.

Ontem D. Carlota ordenou à criada:

− Benedita, vai ali no açougue ver se o açougueiro tem pé de porco.

Dali a pouco voltou a criada, enrolando uma ponta do avental:

− Num pude vê, patroa: ele tá de butina.

Músico ou mágico?

Certa noite, durante uma recepção, o célebre violinista Fritz Kreisler exibia as suas habilidades de prestidigitador com uma série de passes de mágicas com um baralho. No fim da festa, disse-lhe um dos convidados:

− Senhor Kreisler, tenho ouvido coisas admiráveis a seu respeito. Seria para mim uma grande satisfação se o senhor pudesse tomar parte numa festa que darei na próxima semana.

− Pois não, respondeu Kreisler. – Peço-lhe que procure o meu agente. Ele se encarregará dos detalhes financeiros.

O agente foi consultado, o contrato firmado e, na data combinada, Kreisler compareceu à festa. Colocou o violino sobre a cadeira e esfregou as mãos para esquentá-las.

O dono da casa, entrando na sala naquele momento, exclamou:

− Não me diga que o senhor também toca violino?

Uma historinha inglesa

O rio Avon, na Inglaterra, saiu do leito, inundou muitas casas e chegou até a mansão de um nobre inglês.

Enquanto este toma o chá, as águas penetram até as portas do salão em que ele se encontra. Então, o mordomo, com imperturbável fleugma britânica, anuncia, solenemente:

− O Avon, milord.

Caminho do céu

O caipira estava sentado sobre o mourão da porteira quando o padre, cansado e cheio de suor na testa, chegou perguntando:

− Escute, meu filho. Onde é a vila? Qual é a estrada que se toma para ir lá?

− O senhor vai direto, e na encruzilhada toma a esquerda. Sobe o morro e logo chega na vila.

− Obrigado, disse o padre. Olhe... Você vai ao catecismo aos domingos?

− Não, senhor.

− Então apareça por lá. Quero lhe ensinar o caminho do céu.

− Ih! Padre. Mas nem o caminho da vila o senhor sabe.