sábado, 27 de outubro de 2018

Como foram nomeados os Continentes



→ Ásia vem do acádio asu (“suba”, em português), em referência à terra onde o Sol se levanta. Os romanos nomeavam assim a capital da Lídia – na atual Turquia – e, mais tarde, o continente oriental.

→ Oceania vem das filhas de Oceano, um dos 12 titãs da mitologia grega, e foi batizada pelo dinamarquês Conrad Malte-Brun no século 19.

→ Europa também teria vindo do acádio – língua falada na atual Turquia por volta de 1000 a.C. No caso, de erebu, que denota a terra onde o sol se põe.

→ África se refere à tribo Afri, que vivia em Cartago (atual Tunísia). Os romanos venceram os cartagineses em 146 a.C. e chamaram o território conquistado de África (“terra dos Afri”).

→ América é uma homenagem ao navegador Américo Vespúcio, que desbravou parte do continente na virada do século 15 para o 16. O cartógrafo alemão Martin Waldseemüller usou mapas de Vespúcio e nomeou o continente.

→ Antárdida é uma simples oposição ao Polo Norte, com o prefixo “ant” significando oposição ao termo grego arktikos (“perto do urso”), em referência à constelação Ursa Maior, marcante no Hemisfério Norte.
  
(Coluna Oráculo da revista Super Interessante)

São Longuinho

Por que São Longuinho tem fama de achar coisa perdidas?


→ A fama de encontrar objetos tem a ver com o processo de canonização do soldado romano Longinus, tornado santo pelo papa Silvestre II em 999 d.C. O processo se arrastava havia anos por causa da burocracia e de documentos perdidos. Para achar a papelada, o papa teria apelado ao próprio aspirante de santo e sido atendido. Cerca de mil anos antes de virar santidade, Longinus teria, segundo a Bíblia, perfurado Jesus com uma lança para checar se estava mesmo morto na cruz. Pela tradição católica, o banho de sangue curou o soldado de um problema de visão. A partir daí, ele viveu e morreu pelo cristianismo. Depois de beatificado, virou Longuinho (em português) e caiu no gosto dos brasileiros.

(Da revista Super Interessante)

→ Apesar de hoje ser considerado um Santo católico, ele foi o homem responsável por colocar fim à vida de Jesus Cristo, perfurando o peito Dele com uma lança. No entanto, um milagre aconteceu, assim que o sangue de Cristo tocou na sua pele, ele ficou curado de uma grave doença que carregava. De imediato, Longuinho se arrependeu e pediu perdão a Deus declarando: “Esse homem é mesmo o Filho de Deus”. Depois disso, ele abandonou o exército e converteu-se ao Cristianismo. Fugiu para a Capadócia, mas mais tarde acabou por ser encontrado por Pilatos (prefeito da Judeia entre 26 e 36 d.C.) e foi decapitado, torturado e morto. Por volta do século 10, o papa Silvestre II atribuiu o estatuto de Santo a Longuinho, ficando conhecido como hoje o invocamos: São Longuinho.

Oração de São Longuinho

Caro São Longuinho,
patrono dos pobres
e o ajudante daqueles que procuram artigos perdidos,
me ajude a encontrar o objeto que eu perdi:
(diz aqui o objeto perdido)
e que eu encontre melhor uso para o meu tempo
e o use para ganhar para Deus a maior honra e glória.

Oração a São Longuinho

Glorioso São Longuinho, a vós suplicamos,
cheios de confiança em vossa intercessão.
Sentimo-nos atraídos a vós por uma especial devoção,
e sabemos que nossas súplicas serão ouvidas por Deus Nosso Senhor,
se vós, tão amado por Ele, nos fizer representar.
Vossa caridade, reflexo admirável, inclina-se a socorrer toda miséria,
a consolar todo sofrimento,
a suprir toda necessidade em proveito de nossas almas,
e assegurar cada vez mais nossa eterna salvação,
com a prática de boas obras e a imitação de vossas virtudes!
Amém!

A tradição dos três pulinhos

(Versão popular, sem embasamento histórico)

Até hoje, São Longuinho é invocado por quem precisa encontrar algum objeto perdido. Diz-se que ele era um homem baixinho e que, servindo na corte de Roma, vivia nas festas. Nesses ambientes, por sua pequena estatura, conseguia ver o que se passava por baixo das mesas e sempre encontrava pertences de pessoas. Os objetos achados eram devolvidos aos seus donos. Assim, teria surgido o costume de pedir-lhe ajuda para encontrar o que se perdeu. Em agradecimento, segundo a tradição, são oferecidos três pulinhos e uma oração.

Diz-se também que essa forma de agradecimento seria pelo fato de o soldado ser manco. Outra explicação afirma que os pulinhos remetem à Santíssima Trindade

(Do Blog Aleteia)

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

As cinco construções mais antigas de Porto Alegre


Por Luís Eduardo Gomes

→ A história conta que Porto Alegre começou a ser povoada em 1752. A partir da década de 70 do mesmo século começariam a ser erguidos as primeiras grandes edificações ao redor de onde hoje está a Praça da Matriz, como o primeiro Palácio do Governador e a Igreja da Matriz. No entanto, estas construções foram posteriormente demolidas e substituídas por outras edificações.

→ Levando em conta construções que ainda estão sendo utilizadas a partir de suas estruturas originais, o prédio mais antigo da cidade é o atual Memorial do Legislativo, que data de 1790. A seguir, conheça a história das cinco edificações mais antigas de Porto Alegre que ainda estão em funcionamento.


Memorial do Legislativo − Foto: Joana Berwanger/Sul21

1) Memorial do Legislativo

→ Localizado na rua Duque de Caxias, no atual número 1.029, o prédio começou a ser construído entre 1769 e 1772 e foi concluído em 1790 para abrigar a Antiga Provedoria Real da Fazenda. Mais notadamente, a partir de 1835, passou a ser sede da Assembléia Legislativa Provincial, precursora da Assembleia Legislativa. Foi sede do parlamento gaúcho por 132 anos, até 19 de setembro de 1967, quando foi realizada a última sessão plenária ali. Desde 30 de junho de 2010, sedia o Memorial do Legislativo gaúcho, que abriga o acervo arquivístico da Casa.


Igreja Nossa Senhora das Dores − Foto: Joana Berwanger/Sul21

2) Igreja Nossa Senhora das Dores

→ Localizada na Rua dos Andradas, sem número, a Igreja Nossa Senhora das Dores é a igreja mais antiga de Porto Alegre que permanece em pé. O início de sua construção data de 1807, tendo a primeira capela sendo concluída em 1813. No entanto, suas obras só seriam encerradas quase um século depois, em 1903, quando houve a inauguração oficial da igreja. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) ainda em 1938, recentemente tem passado por uma série de reformas para restauração da estrutura original.


Solar dos Câmara − Foto: Joana Berwanger/Sul21

3) Solar dos Câmara

→ Prédio residencial mais antigo da cidade, este casarão começou a ser construído na Duque de Caxias, nº 968, em 1818, sendo concluído seis anos mais tarde. Seu primeiro proprietário foi José Feliciano Fernandes Pinheiro, chefe da Alfândega do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e, posteriormente, primeiro presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. O segundo morador do prédio foi José Antônio Corrêa da Câmara (a partir de 1851), que curiosamente viria a ser o primeiro governador do Rio Grade do Sul, em 1889. O último morador da casa, Armando Pereira da Câmara (até 1975), foi senador e reitor da UFRGS e da PUCRS. Em 1981, o prédio foi adquirido pela Assembleia. Após um tempo fechado, desde 1993 abriga o Departamento de Relações Públicas e Atividades Culturais (DRPAC), onde estão instaladas a Biblioteca Borges de Medeiros, exposições fotográficas da Sala J.B. Scalco* e ocorrem espetáculos musicais gratuitos do projeto Sarau no Solar.


Solar da Travessa Paraíso − Foto: Mariano Czarnobai/Divulgação

4) Solar da Travessa Paraíso

→ Em 1820, começava a ser construído o casarão da Travessa Paraíso, atualmente no número 71, em uma grande área onde é hoje o Morro Santa Teresa. A partir de 1930, o Solar foi dividido para abrigar várias famílias, sendo que de 1970 aos anos 90 o prédio ficou abandonado. No entanto, em 1994, o seu valor arqueológico foi reconhecido pela cidade e a Prefeitura assumiu a posse e promoveu uma restauração do prédio, que foi reinaugurado em 2000. Hoje é sede do festival internacional de teatro Porto Alegre Em Cena


Museu Joaquim José Felizardo − Foto: Maia Rubim/Sul21

5) Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo

→ Fechando a lista, o antigo Solar Lopo Gonçalves foi construído entre 1845 e 1853, na antiga Rua da Margem, conhecida atualmente como João Alfredo. Originalmente, foi usada como chácara pela família Gonçalves Bastos e como residência de cidade para seus herdeiros. Posteriormente, foi de propriedade de outra família e também abrigou a sede do Serviço de Assistência Social e Seguro dos Economiários. Desde 1982, sedia o Museu de Porto Alegre.

(Do Blog Sul21)

*João Batista Scalco (1951-1983) − O espaço cultural recebeu esse nome em homenagem ao gaúcho João Batista Scalco, considerado um dos melhores fotojornalistas do Brasil. Ele atuou na empresa jornalística Caldas Júnior (contratado pela Folha da Tarde), Zero Hora, Jornal da Terra, Jornal de Santa Catarina e na Revista Placar, onde trabalhou por dez anos e era conhecido como “Van Gogh dos pampas”. Na área esportiva, fez a cobertura de quatro Copas Libertadores da América, da Copa do Mundo da Alemanha, de três Campeonatos Mundiais de Fórmula 1 e das Olimpíadas de Moscou.

Em apenas 32 anos de vida, 16 dedicados à fotografia, ele acumulou diversas distinções na área. Um exemplo é o Prêmio Esso de Jornalismo, recebido em 1979, pela cobertura do sequestro dos exilados políticos uruguaios Lílian Celiberti e Universindo Díaz, ocorrido em novembro de 1978. Junto com o repórter Luís Cláudio Cunha, da revista Veja, Scalco foi mantido sob a mira de revólveres por 20 minutos e liberado depois de um breve interrogatório. O fotógrafo reconheceu um dos seqüestradores: um policial que tinha sido jogador de futebol. Os jornalistas conseguiram provar o envolvimento de brasileiros no crime, e seus autores foram condenados por abuso de autoridade. O caso repercutiu no Brasil e no exterior, e um de seus desdobramentos no plano político foi a criação da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia gaúcha, a primeira do país em âmbito legislativo. Scalco morreu de infarto no dia 3 de janeiro de 1983.



Breve tratado dos chatos de eleição

(Elio Gaspari)


Faltando pouco para o segundo turno, está à solta o chato de eleitoral. É um personagem que tenta transformar qualquer conversa em discussão política para defender seu candidato. Assim como sempre haverá gente que enfia o dedo no nariz, não há como evitar que ele exista. Pode-se limitar o alcance de sua chateação cortando-se polidamente o assunto. O general Alfredo Malan tinha uma fórmula: “Política e jogo de cartas me dão sono”. (Não era verdade, mas funcionava.)

Há dois tipos de chatos eleitorais.

O primeiro, benigno, é o militante. Ele supõe que sua palavra iluminada pode conseguir um voto para seu candidato. Esse chato pode ser neutralizado com uma simples mudança de assunto. O melhor remédio é deixá-lo falar o tempo que quiser. Interrompê-lo será estimulá-lo.

O segundo chato eleitoral, maligno, quer vender seu candidato, mas há nele algum tipo de insegurança. Fez sua escolha, mas busca apoio, cumplicidade.

Esse é o tipo mais desagradável e perigoso, porque precisa de uma discussão. Afinal, só assim poderá se convencer que fará o certo, pois mais gente decidiu como ele. Quanto mais corda recebe, mais enfático ou radical se torna. Nesse caso o culpado pela chateação será quem lhe deu corda (...).

Se nenhum recurso der certo, pode-se recorrer ao truque do deputado Temperani Pereira. Depois de ouvir uma exposição de um colega ele lhe disse:

“Sua opinião me deixa incorrobúvel e imbafefe”.

Depois comentou: “Quero ver ele achar essas palavras no dicionário.”




Esta imagem está se movendo?

Ilusão de ótica viraliza nas redes sociais



Ilusão de ótica apresentada pela neurocientista Alice Provérbio
(Crédito: Reprodução/Twitter)

→ Uma imagem publicada no Twitter da neurocentista Alice Proverbio tem viralizado pelas redes sociais por conta de uma ilusão de ótica. Essa imagem faz parte de um trabalho que analisa o funcionamento do cérebro humano.

→ O desenho, de acordo com informações da BBC, foi criado pela artista Beau Deeley e mostra uma esfera deslizando. A sensação é de que é um vídeo ou um gif, enganando quem está vendo.

→ Segundo a neurocientista, a imagem é estática, mas nosso cérebro acaba sendo enganado e imagina que existe um movimento. Ela ainda afirma que o efeito é produzido no nosso córtex visual, o responsável por processar tudo que vemos.

→ Na entrevista para a BBC, Alice ainda diz que em telas não muito grandes, como as de celular, a imagem pode não ganhar o efeito desejado.

ISTOÉ, outubro de 2018.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Os sapos



(Arriscar, às vezes, é a melhor coisa a se fazer.)

Existem três sapos na beira de um lago, e um deles decide pular da beira para a água. 

Quantos sapos restam na beira do lago?

A resposta certa é: Restam três sapos. Porque o sapo apenas decidiu pular na água. Ele não fez isso.

Nós não somos como sapo muitas vezes? Que decide fazer isso, fazer aquilo, mas, ao final, acabamos não fazendo nada? 

Na vida, temos que tomar muitas decisões. 

Algumas fáceis; algumas difíceis.

A maior parte dos erros que cometemos não se deve às decisões erradas, mas sim, às indecisões. 

Temos que viver com as consequências das nossas decisões. 

E isto é arriscar. 

Tudo é arriscar. 

Ser feliz é a consequência de muitos riscos.



quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O Caso do Padre Ventríloquo

Por Rolando Boldrin


O Zequinha, menino de uns 10 anos de idade, era na fazenda do meu padrinho o que se pode chamar de “charrete boy”. Na cidade tem o motoboy, não tem? Então! Nas fazendas tem – ou tinha naquele tempo, que já vai longe – o charrete boy. O menino que com a charrete do fazendeiro vai buscar as coisas ou as pessoas na cidade.

Pois naquele dia, o Zequinha tinha ido buscar na cidade o Padre Antônio, que estava iniciando sua temporada por lá. Era um padre novo e tinha uma particularidade que a gente só ficou sabendo depois desse causinho que tô contando aqui e agora: ele era ventríloquo. Um dom que poucas pessoas possuem que é o de falar sem abrir a boca. Dizem que é uma técnica de emitir os sons pelo estômago. Aliás, um grande ventríloquo que existiu no Brasil foi o pai das cantoras Linda e Dircinha Batista. Chamava-se Batista Junior e se apresentava em circos e teatros. E, de lambuja, era um grande compositor.

Mas, seguindo no causo. O Padre Antônio sobe na charrete com o caipirinha Zequinha, ruma a fazenda do meu padrinho pra rezar uma missa. Logo na saída, o padre pergunta se era longe a tal fazenda, ao que o menino prontamente e muito espertamente lhe responde que levaria uns pares de horas. O que dava pra entender que era longe pra cacete e a viagem ia ser dolorosa ou dolorida para um padre que não estava acostumado a meter a bunda no banco duro de uma charrete velha conduzida por uma eguinha lerda.

Padre: – Oh, menino! Você sabia que os animais conversam?

Zequinha: – Entre eles, eu sabia, sim sinhô. Eles cunvérsa bastante.

Padre: – Não, filho. Estou dizendo que os animais conversam com a gente. Conosco. Mas para isso é preciso conversar com eles com muito amor. Você quer ver os animais conversando comigo?

Aí o menino, esperto, se encanta e atiça.

Zequinha: – Ara, sêo padre. Essa eu tô pagando pra vê. Animar conversa cum gente. Essa nunca vi não sinhô. E o sinhô me adiscurpa, mas num querdito.

Padre (falando para a égua): – Dona eguinha! Está muito pesada a charrete? (E faz a voz da égua sem abrir a boca) − Tááá... sêo padre.

O menino, num susto, para a charrete.

Zequinha (gaguejando): – Sêo... padre... a égua falô... a minha égua... respondeu pru sinhô... eu escutei...

Padre: – Todos os animais conversam com a gente. Quer ver mais?

O padre olha um urubu nos céus e fala:

Padre: – Bom dia, urubu. (E faz voz.) Bom dia, parceiro. Bom dia, sêo padre.

E assim, o Padre Antônio foi se divertindo com a surpresa encantada daquele caboclinho, que viu com os próprios olhos e ouvia ali, in loco, os bichos falando com aquele padre. Com isso, a viagem, que poderia ser longa, terminou logo, logo.

Zequinha: – Óia, sêo Padre! O sinhô tá vendo aquela cabrita branca ali na grama? Por favor, o sinhô num querdite em nada que ela falá prô sinhô, viu!