quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Um recado ao presidente e a todos os presidentes

Pela ordem, Seu presidente.

de Ary Monteiro e Raimundo Olavo


Linda Batista interpreta

Pela ordem, pela ordem!
Peço a palavra, Seu Presidente!

Vossa Excelência, dá licença,
Quero um aparte para falar.
Quero falar num artigo,
Cadê o trigo, cadê o trigo?
Levam a vida nessa marmelada,
Passa o tempo e não resolvem nada. (bis)

Peço a palavra pela ordem,
Na voz do meu coração.
O povo não tem casa pra morar,
Não tem transporte, não tem carne, nem feijão.
Até das frutas que existiam por aqui,
Só resta agora o abacaxi!

Vossa Excelência, dá licença,
Quero um aparte para falar.
Quero falar num artigo,
Cadê o trigo, cadê o trigo?
Levam a vida nessa marmelada,
Passa o tempo e não resolvem nada.

Disco RCA Victor 80-0551-A. Novembro de 1947. Arquivo Nirez. Coisas que o tempo levou.
Edição sugerida pelo Barão do Pandeiro.

Luciano Hortencio.

(Do Blog GGN – O Jornal de Todos os Brasis)

P.S.1: A gravação dessa música, na voz de Linda Batista, está disponível na internet no Blog citado acima.

P.S.2: Essa música era para o presidente Eurico Gaspar Dutra (1883-1974), que governou o Brasil de 1946 a 1951. Linda Batista era muito amiga de Getúlio Vargas. Alguns diziam até que era mais do que amizade...

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Por que a Cor Azul é usado para meninos e Rosa para meninas?



O rabino Dr. R. Brasch, um estudioso australiano de teologia, história e filosofia, assim como escritor, produtor de rádio e TV e conferencista, adquiriu renome internacional por seus livros How Did It Begin? (Como Tudo Começou?). Fez a seguinte constatação;

Como os bebês se parecem, foi decidido há muito tempo que os sexos seriam identificados pelo uso de cores diferentes. Nos tempos antigos, acreditava-se que os espíritos do mal ameaçavam o bem-estar dos bebês. Diz o Dr. Brasch: “Concluiu-se que a associação do azul com o céu do paraíso tornava as forças satânicas impotentes e as repelia”. Mesmo em nossos tempos, os árabes no Oriente Médio continuam a pintar as portas de suas casas de azul, para afugentar os demônios. Assim, vestir o bebê de azul não era simplesmente um adorno, mas uma precaução necessária.


Por outro lado, como os bebês do sexo feminino eram considerados inferiores, achava-se que não precisavam de cor especial para sua proteção. Posteriormente, os pais começaram a se preocupar com a negligência em relação às meninas e introduziram a cor rosa específica para elas.

(Do “Almanaque Para Todos”,
de Irving Wallace & David Wallechinsky, Parte 2)

Rosa nem sempre foi 'cor de menina' − nem o azul, 'de menino'


“A regra geralmente aceita é que rosa é para os meninos, e azul para as meninas. O motivo é que o rosa, sendo uma cor mais decidida e forte, é mais apropriado para meninos. Enquanto o azul, que é mais delicado e gracioso, é mais bonito para a menina.”

O parágrafo acima foi publicado há cem anos, em 1918, por uma revista de moda infantil americana, a Earnshaw, voltada para profissionais da área. Foi encontrado por Jo Paoletti, professora emérita de Estudos Americanos na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e autora do livro Pink and Blue: Telling the Boys from the Girls in America (Rosa e Azul: Distinguindo Meninos de Meninas nos Estados Unidos).

“(Encontrar essa frase) virou minhas suposições de cabeça para baixo”, lembra a pesquisadora, em conversa com a BBC News Brasil. Afinal, o rosa nem sempre havia sido uma cor de menina, nem o azul cor de menino.

 “A ideia de que há algo natural e permanente sobre o uso de rosa para as meninas e azul para garotos é historicamente errada”, diz Paoletti. “Assim, também é errada a ideia de que se você não tratar as crianças segundo um estereótipo de gênero elas vão crescer confusas, serão pervertidas, vão se tornar homossexuais, transgênero. Não há nenhuma evidência disso. Não é dos estereótipos de gênero que nasce a identidade homossexual ou trans.”

(Do Blog BBC News Brasil)


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Macchu Picchu

(Vilcapampa)



A 24 de julho de 1911, um destemido arqueólogo norte-americano, Hiram Bingham*, fez uma descoberta extraordinária, no topo de um precipício, sobre um rio impetuoso. À procura da última capital inca, ele acabou descobrindo a Cidade Perdida dos incas, hoje chamada de Machu Picchu (“velha montanha”), mas outrora conhecida como Vilcapampa, um centro do culto ao Sol. Bingham viu um conjunto espantoso de templos, palácios, praças e escadarias, uma cidade com estruturas de granito branco, de beleza incomparável, construída com uma maestria excepcional. Um pouco distante, havia centenas de terraços escorados com pedras, onde se plantavam as colheitas para alimentar os habitantes desse espetacular santuário de pedra. Era ali que viviam os imperadores e nobres incas, os sacerdotes do Sol e as mulheres Escolhidas ou Virgens do Sol, um grupo de mulheres treinadas desde a infância para ajudar nos rituais religiosos, escolhidas por sua beleza. Os visitantes autorizados a ingressar nos recintos sagrados tinham que se submeter aos rituais de purificação e tirar as sandálias, como um sinal de humildade. Os visitantes não autorizados eram barrados fisicamente pelas altas muralhas e psicologicamente pela ameaça de morte.


Foi em Vilcapampa que os últimos imperadores incas encontraram refúgio, ameaçados que estavam pelos conquistadores espanhóis, no século XVI. Foi ali que o primeiro inca, Manco, o Grande (cerca de 1200), construiu um templo memorial, com três imensas janelas dando para o Sol nascente. Outras construções importantes são o Templo Principal e o Templo Semicircular, reverenciado por ser o local de sepultamento dos imperadores. Sua muralha exterior, com uma suave inclinação, serviu de modelo para o famoso Templo do Sol, em Cuzco. Os incas reverenciavam e procuravam apaziguar o deus-sol, embora também venerassem a Lua, as estrelas, o trovão e o relâmpago. No alto dos Andes, sobre o platô peruano, a atmosfera rarefeita não retém calor do Sol e as noites são terrivelmente frias. Não havia qualquer garantia de que o Sol voltaria de sua jornada para o norte anual. O medo era mais intenso por ocasião do solstício de inverno, a 21 ou 22 de junho. 


Somente os sacerdotes podiam impedir a fuga do Sol. E eles o faziam prendendo um gigantesco disco de ouro, representando o Sol, a um pilar de pedra chamado de Intihuatama, “o lugar em que o Sol está preso” ou, de uma forma mais coloquial, “o pilar de amarrar o Sol”. Os espanhóis tinham o hábito de destruir tais estruturas, mas jamais chegaram à de Machu Picchu, que continua intacta. Podemos imaginar as procissões cerimoniais dos sacerdotes e Virgens do Sol, subindo pelas imensas escadarias brancas de granito, até o Intihuatama. Os sacerdotes erguiam os braços para o Sol nascente e atiravam-lhe beijos, como um ato de reverência.

Quando a dinastia inca terminou, em 1572, a cidade foi sendo gradativamente abandonada. Permaneceu ignorada da civilização, devido a sua localização remota e quase incessível. Machu Picchu é hoje um lugar santo. Os turistas chegam até a região de trem, depois pegam um ônibus para fazerem o percurso de oito quilômetros da Rodovia HIram Bingham. E deparam com uma vista espetacular. Cercadas por encostas de uma altura estonteante, sentem toda a magnitude do que ali está. Contemplando a grandiosidade e a serenidade de Machu Picchu, não há quem deixe de se emocionar e pensar nos mistérios do passado.

Do “Almanaque Para Todos Irving Wallace & David Wallechinsky”, 
Parte 1


* Hiram Bingham não era arqueólogo. Nem havia praticado arqueologia antes. Ele era um explorador que estava fascinado com a história da América Latina.

Sua obsessão por esse território foi consolidada em 1908, quando viajou a Santiago do Chile para participar do Congresso Científico Pan-americano. Em seu retorno aos Estados Unidos, ele parou em Lima, onde foi convencido a visitar a cidade de Choquequirao.

Bingham tinha o espírito de um explorador e estava obcecado com a possibilidade de encontrar antigas cidades Inca inexploradas. Assim, em 1911 ele fez sua primeira viagem ao Peru com o objetivo de descobrir a última capital do Império Inca. 

domingo, 18 de agosto de 2019

A carta do Fulano



por Luciano Hortencio

Minha mãe Luzinha Simões, bem antes de conhecer meu pai, teve um grande amor e uma maior decepção. Foi noiva do Fulano e o rapaz rompeu o laço por força de injunções e interesses maiores do que poderia ter ao casar com mamãe, órfã de pai, situação àquela época que equivalia a um demérito.

Ao romper o noivado, o Fulano escreveu-lhe uma carta de umas dez ou mais páginas, onde tentou encobrir sua fraqueza ao alegar problemas de saúde. Carta tocante para nós, já que o Fulano foi realmente um grande amor de mamãe.

Ao final da missiva, Fulano pede que a carta seja guardada, se a amada tivesse pena de um desgraçado, até a morte.

Quando mamãe estava já velha e um pouco esquecida, muitas vezes perdia a “Carta do Fulano” e até papai ajudava a procurá-la, pois sabia ele e nós todos que aquele tinha sido um grande amor, o primeiro grande amor de mamãe. Isso era respeitado por toda nossa família.

Quando partiu mamãe, coloquei a “Carta do Fulano” e alguns bilhetes do papai atrás de sua cabecinha branca. Alguém disse que eu não fizesse aquilo, uma vez que aqueles documentos eram importantes para nossa memória familiar. Fiz ouvidos moucos, porque tenho certeza que mamãe, se pudesse optar, queria levar as cartas com ela. E isso foi feito. Mamãe descansa em plena paz.

Há poucos dias descobri a gravação de Mariza de Lima para Carta de amor, de Alfredo Schultz e a associei à “Carta de Fulano”.

Carta de Amor

Há uns dias atrás,
Isso foi num domingo, aliás,
Encontrei, entre os velhos papéis,
Uma carta de amor.

Outra carta, assim,
Não deixava saudades em mim,
Raramente, as juras de amor
Causam tanta tristeza e dor.

Reviver outra vez
Um romance, antigo e a paixão,
Um momento feliz,
Muito curta é a separação...

A culpada fui eu,
Já é tarde a clamar pelo céu,
E por isso eu quero-te bem,
Não te guardo rancor.

O que foi já passou,
As feridas o tempo sarou,
E só uma lembrança ficou...
Essa carta de amor.

Mariza de Lima – Carta de Amor, samba-canção de Alfredo Schultz – Disco Chantecler 78 −0144-B, gravado em julho de 1959. A música está disponível na internet.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Historinhas sintéticas



Menina intrigada

Menina, olhando as fotos da família, pergunta à mãe:
− Mamãe, quem é este rapaz bonito, magro, cabeludo que está com a senhora nesta foto?
− Esse é teu pai, minha filha.
− E quem é esse gordo careca que mora aqui em casa?

A Grande Lição

− Mestre, qual é o segredo da felicidade?
− Nunca discutir com um idiota.
− Não concordo, mestre, que esse seja o motivo!
− Você tem razão, meu filho.

Pensamento do dia:

Dinheiro deveria ser que nem problema: Devia aparecer do nada!

Miniteste de inteligência

1) Um açougueiro mede 1,80, calça 40 e pesa?

2) Uma é bom, duas são muitas e três são impossíveis?

3) Hoje em dia o que se deve fazer para a visita ir embora?

Respostas

1. Carne;

2. Ponta de lápis;

3. Desligar o Wi-Fi.

A melhor mãe!

Dez horas da manhã, toca o telefone. Aquela sorridente senhora atende e ouve do outro lado da linha:
− Mamãe?
− Que foi, minha filha?
− Mamãe, aconteceu algo terrível... Minha casa está uma bagunça, tenho que ir buscar as crianças na escola, fazer o almoço, preciso levar o Pedrinho na natação, estou com 38 graus de febre e o Otávio acabou de me ligar que vai trazer três amigos para o jantar.
− Mamãe, você precisa me ajudar, por favor!
− Fica calma, minha filha! Eu vou já pra aí. No caminho pego as crianças na escola, faço o almoço, depois levo o Pedrinho na natação, dou uma ajeitada na casa e, em seguida, preparo uma Lasanha para o jantar. Enquanto isso, você toma um comprimido e vai para a cama, descansar.
− Oh! Mamãe! Você é a melhor mãe do mundo, sabia? Te amo, mamãe!
− Obrigada, minha linda! Também te amo! Daqui a pouco estarei aí!
− Tá certo, e não se esquece de mandar um beijo para o papai!
− Papai? Mas filha, o seu pai morreu quando você era ainda uma garotinha!
− Pera um pouco! Aí não é do 7633-0856?
− Nããão. Aqui é do 7633-0865!
− Então, quer dizer que a senhora não vem?

Morto de sorte

O médico legista, Dr. Joaquim Manoel, chega em casa após um dia estafante.
− E aí? Como foi o seu dia hoje? − pergunta a esposa.
− Foi duro! Fiz autópsia num cara que levou seis tiros.
− Nossa que azar!
− Azar nada! Até que ele teve sorte. Só um tiro foi fatal, o resto pegou tudo de raspão!
  
Diálogo para cortar o barato

(Da tira do Níquel Náusea)

Barato:
− Oi, você vem sempre aqui?
Barata:
− Como assim?
Barato:
− Como assim o quê?
Barata:
− Como assim, eu venho sempre aqui?
Barato:
− Eu só estou conversando!
Barata:
− Como assim?
Barato:
− Eu acho que vou embora!
(Sai o barato)
Barata:
− “Como assim” não falha nunca!

O Esculápio e o Fígaro

Um médico entra numa barbearia e se senta:
- O cavalheiro deseja?
- Amputar os cabelos.

A descoberta da menina

Menina de 6 aninhos falando com a sua mãe:
− Descobri que o namorado da mana (de 18 anos) é guarda-noturno.
− Como você soube, filhinha.
− É que sempre que eles estão namorando no portão e eu me aproximo, ela fala pra ele: guarda... guarda...

Diferença

− Você sabe por que as mulheres são o sexo oposto?
− Não, por quê?
− Porque a gente gosta de uma coisa, e elas gostam de outra.

Acontecimento trágico

− Você sabe o que aconteceu com o sujeito que caiu entre os trilhos do trem do metrô?
− Não, não sei...
− Morreu em vão!

Galanteio original

Paquerador falando com uma mocinha num banco de praça:
− Se você fosse refrigerante seria soda.
− Ué, por quê?
− Porque no meu coração só dá você!

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Dona Palmira, a defensora dos animais.



No dia 10 de novembro de 2019, completou 40 anos da morte de Palmira Gobbi Dias, uma das figuras mais marcantes da história da defesa dos animais no Rio Grande do Sul. Ela morreu depois de sofrer por dois meses com câncer de fígado. Porto-alegrense, era casada com o comerciante português chamado José Dias. Os dois tiveram uma filha, mas adotaram 16 crianças. Idealizadora da Associação Rio-Grandense de Proteção aos Animais (Arpa), Palmira Gobbi deixou um legado importante ao Estado. “Ela foi a primeira nessa luta. Tinha um coração bom, encontrava um cachorro na rua e levava para casa. Chegou até a empenhar joias para cuidar dos seus amigos. Era uma mulher forte. Quando via alguém maltratando bichos, ia de relho para cima”, relatou um amigo anônimo.

“Quem maltrata animais é mau caráter”, disse Palmira à Folha da Tarde, em 1974. Ela afirmava que havia testemunhado “horrores” desde pequena. Seu pai tinha um açougue na avenida Azenha. Perto dali, funcionava uma espécie de depósito da carrocinha que recolhia cachorros da rua. Aos 8 anos, Palmira costumava levar restos de carne do açougue para os cachorros, que eram mortos a pauladas no local. “Era uma forma de me despedir deles. Quando ouvia seus gritos, chorava que nem sei”, lamentava.

Um alívio surgiu quando a Câmara de Vereadores decidiu fazer vigorar o decreto 24.645, de 1934, que estabeleceu normas de proteção aos animais. No dia seguinte, Palmira estava em frente à prefeitura para conhecer o vereador Bonorino Butelli, autor da ideia. “Tornei-o fundador e primeiro presidente da Arpa. Começava então nossa maratona.” Dona Palmira, como ficou conhecida, fundou e presidiu a Associação Rio-Grandense de Proteção aos Animais (Arpa), que funcionou nos altos do Mercado Público, em Porto Alegre. Mais tarde, a entidade chegou a criar um hospital veterinário destinado a curativos, cirurgias e medicação em nível ambulatorial.

Devota de São Francisco de Assis, Palmira deixava de lado qualquer resquício de dureza diante dos animais, a ponto de chorar quando via algum ser maltratado. Ela abrigou muitos animais em sua própria casa até morrer, em novembro de 1979. Hoje, é lembrada como nome de rua e do minizoo do Parque Farroupilha.

Era a legítima mulher faca-na-bota. Nos anos 1960 e 1970, era sempre um prato cheio para a mídia porto-alegrense. Sem papas nem bispos na língua, enfurecia-se com quem maltratava animais.

Não ficava nisso. Várias vezes ela e seu inseparável chicote iam às ruas para detonar algum carroceiro que espancava o cavalo. É de sua inspiração uma lei, que consta vigir até hoje, obrigando carroceiros a colocarem chapéus nos cavalos no verão.


Ela tinha um horário fixo no final da tarde em uma rádio e a produção gostava de criar o contraditório, botar alguém para discutir e trocar farpas. Conta o jornalista Cristiano Dartsch que, certa vez, Palmira foi provocada no ar por uma desafeta que, exacerbada, provocou ao microfone:

- Está querendo me dizer que sou uma cadela?

E Dona Palmira: 

- Antes fosse, minha senhora. Antes fosse!



Sou profundo admirador de Dona Palmira Gobbi (4 de abril de 1909 - 10 de novembro de 1979), minhas mãos arrumam as flores de seu túmulo, no Cemitério da Santa Casa, em Porto Alegre, RS, que, para mim, deveria ser um santuário. 

(NSM)

Poemas de Antônio Carlos Osório*

Velhice


Aos poucos a velhinha foi sendo jogada par um canto do mundo
e foi se apequenando cada vez mais
humilde
para caber nele
e não incomodar a ninguém
com o que resta da sua presença.

Soneto do grito


Se for preciso grite e é preciso
gritar ora blasfêmias, ora louvor
e alto gritar a hora enquanto é vivo
o tempo em chama matando riso e dor.

Claro gritar, gritar na treva escura,
gritar na pura exaltação do amor,
gritar a cólera em látego que dura
enquanto carne exsude desamor.

Que grite o homem, só o gritar perdura
perdido embora, grite enquanto é rubro
o sangue a circular a pele impura.

O homem é um grito solto em largo espaço
e se ninguém ouvi-lo pouco importa,
ele sempre dirá: sou um grito e assim me faço.

*****

(O) muro se vai construindo
de
va
gar.

Antonio Carlos Elizalde Osorio nasceu em Quarai, RS, na fronteira com o Uruguai, em 1928 e faleceu em Brasília, DF, em 22 de abril de 2016. Fez estudos na França e formou-se em Filosofia e depois em Direito, em Porto Alegre. Viveu em Brasília desde a época da construção até a sua morte.


Ele foi o primeiro advogado a se estabelecer na capital federal, em 1957. Em um sorteio, os fundadores da Ordem decidiram que não haveria a inscrição 001. Ele ficou então com a de número 007. A diretoria convoca a advocacia do Distrito Federal a prestar essa última homenagem ao seu primeiro representante.