terça-feira, 10 de agosto de 2021

Será que dá para entender?

 

Durante as compras na feira, a filha aponta para um recipiente cheio de ameixas e pergunta à mãe: 

− Mãe, o que é isso? 

− São ameixas pretas, minha filha − a mãe responde. 

− E por que são vermelhas? 

− Porque estão verdes. 

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Psiquiatra mostra ao paciente uma folha de papel com manchas: 

− O que você está vendo aqui? 

Paciente: 

− Vejo um homem triste e solitário. 

Psiquiatra quase chorando: 

− Eu estou falando do papel! 

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Segredo pra um bom relacionamento é beleza e paciência. 

Se der certo, beleza! 

Se não der, paciência! 

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Dois velhinhos conversando num banco de praça: 

− Lembra da Ritinha? 

− Ritinha? 

− Irmã da Lindalva. 

− Lindalva? 

− Que foi casada com o Lourenço. 

− Lourenço? 

− Deus me livre! Que péssima memória Edgar! 

− Edgar? 

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Antigamente, os cartazes nas ruas com os rostos dos criminosos oferecia recompensa. Hoje em dia, pedem votos! 

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Para o pessimista, o copo está meio vazio. Para o otimista, meio cheio. Para o cientista: metade água, metade ar. Então, tecnicamente, o copo está sempre cheio.

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− Você diz que odeia mentira, mas tem cinco mil amigos no Facebook. Cinco mil amigos? Tem certeza?

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Hoje

 Taiguara

Hoje, trago em meu corpo as marcas do meu tempo.

Meu desespero, a vida num momento,

A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo. 

Hoje, trago no olhar imagens distorcidas.

Cores, viagens, mãos desconhecidas

Trazem a lua, a rua às minhas mãos. 

Mas, hoje, as minhas mãos enfraquecidas e vazias,

Procuram nuas pelas luas, pelas ruas,

Na solidão das noites frias por você. 

Hoje, homens sem medo aportam no futuro.

Eu tenho medo, acordo e te procuro,

Meu quarto escuro é inerte como a morte. 

Hoje, homens de aço esperam da ciência.

Eu desespero e abraço a tua ausência,

Que é o que me resta, vivo em minha sorte. 

Sorte, eu não queria a juventude assim perdida,

Eu não queria andar morrendo pela vida,

Eu não queria amar assim como eu te amei. 

Sorte, eu não queria a juventude assim perdida,

Eu não queria andar morrendo pela vida,

Eu não queria amar assim como eu te amei. 

A letra da música “Hoje” foi censurada, porque fazia alusão ao governo militar, à tortura (trago em meu corpo as marcas do meu tempo) e insinuava que a sociedade era infeliz sob o comando da ditadura militar. A música foi gravada por Taiguara no LP Hoje, em 1969, pela EMI-Odeon. 

Taiguara 

Possuidor de um marcante estilo de interpretação, romântico, intenso, até com uma certa tendência ao monumental, Taiguara firmou-se como um dos mais assíduos cantores de festivais, defendendo músicas suas ou de outros compositores, algumas delas premiadas (como “Modinha”, de Sérgio Bittencourt, e “Helena, Helena, Helena”, de Alberto Land). 

Típico desse estilo é o seu maior sucesso, a balada “Hoje”, que canta sobre bela melodia o desabafo de um personagem desiludido com as agruras da vida e do amor: Mas, hoje / as minhas mãos enfraquecidas e vazias / procuram nuas, pelas luas, pelas ruas / na solidão das noites frias por você.” 

Muito visado pela censura, Taiguara (Taiguara Chalar da Silva) teve sua popularidade em declínio ao terminar a era dos festivais, passando a se dedicar ao estudo musical com Hermeto Pascoal, com quem aprendeu a fazer arranjos. 

Nascido no Uruguai, mas criado no Brasil, morreu aos 51 anos em 14.2.96 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34). 

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br/

 

Grandes escritores brasileiros

 

Por Carlos Alberto Veit* 

São indiscutíveis os benefícios da leitura. Através dos livros expandimos nossa imaginação, despertamos emoções, adquirimos conhecimento, nos socializamos, ativamos nossa criatividade, aprendemos a cultura de outros povos; enfim, ler é sempre abrir novos horizontes em nossa vida. Obviamente que não existiriam livros se não houvesse quem os escrevesse. Então, que tal conhecer alguns dos nossos maiores escritores?

 Gonçalves de Magalhães (1811-1882)

Nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 13 de agosto de 1811. Foi médico, filósofo, político e escritor. Ele é considerado o precursor do Romantismo brasileiro, embora não seja muito conhecido. Suas principais obras são: “Suspiros poéticos e saudades”, “Confederação dos Tamoios” e “Cânticos fúnebres”. 

Gonçalves Dias (1823-1864)

Nasceu em 10 de agosto de 1823, em Caxias, Maranhão. Foi advogado, jornalista, etnólogo e escritor, também pertencendo à geração romântica, mas introduzindo a temática indianista em algumas de suas obras. Morreu precocemente em um naufrágio quando se dirigia de volta a sua terra. Suas principais obras são: “Canção do Tamoio”, “I Juca-Pirama”, “Canção do Exílio” e “Cantos”. 

Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882)

Nasceu em 24 de junho de 1820, em Itaboraí (RJ). Ele também pertence à primeira geração do Romantismo no Brasil. Formado em Medicina, não exerceu essa profissão por muito tempo. Dedicou-se a escrever, sua grande paixão. Ficou famoso e sempre será lembrado por sua principal obra: “A Moreninha”. Outras obras de destaque: “O moço loiro” e “Os dois amores”. Também foi político tendo sido eleito deputado federal. 

José de Alencar (1829-1877)

Nasceu em 1° de maio de 1829, em Messejana (CE). Mais tarde, esse local perderia o status de município e se tornaria um bairro de Fortaleza. José de Alencar foi, sem dúvida, um dos maiores escritores brasileiros, tendo também sido advogado, jornalista e político. Morreu precocemente acometido pelo assim chamado Mal do Século, a tuberculose. Suas principais obras são: “Iracema”, “O Guarani”, “O gaúcho”, “Senhora”, “Lucíola” e “O tronco do ipê”. 

Manuel Antônio de Almeida (1830-1861)

Nasceu em 17 de novembro de 1830, no Rio de Janeiro (RJ). Formado em medicina, nunca exerceu a profissão, pois já trabalhava como diretor da Tipografia Nacional. Uma curiosidade, em uma época de muito preconceito, ele, como diretor, deu emprego a um jovem e pobre mestiço, o que surpreendeu a todos. Tratava-se, nada mais nada menos, do que Machado de Assis, que viria a se tornar um dos maiores escritores do nosso país. Manuel escrevia folhetins para o jornal Correio Mercantil. Dessas publicações surgiu sua obra mais famosa: “Memórias de um sargento de milícias”. Essa obra também se enquadrava no romantismo, embora tivesse características diferentes das obras de então. Outra obra de destaque foi “Dois amores”. 

Ele também morreu precocemente, com apenas 30 anos, no naufrágio do navio Hermes, no litoral do Rio de janeiro. 

Álvares de Azevedo (1831-1852)

Nasceu em 12 de setembro de 1831, em São Paulo (SP). Era estudante de Direito quando foi vitimado precocemente pela tuberculose, morrendo com apenas vinte anos. Ele é também integrante da segunda geração romântica brasileira. Como ele morreu muito cedo, sua obra foi toda publicada após a sua morte. Suas principais obras são: “Lira dos vinte anos”, “Noite na Taverna” e “Se eu morresse amanhã”. Os escritos de Álvares de Azevedo foram marcados pelo pessimismo. Curiosamente, ele escreveu a poesia “Se eu morresse amanhã” apenas um mês antes do seu falecimento. 

Casimiro de Abreu (1839-1860)

Nasceu em 04 de janeiro de 1839, em Barra de São João (RJ). Hoje essa localidade é um município que leva o seu nome. Também pertence ao romantismo e muitos o consideram o poeta da infância, pois seus escritos remetiam frequentemente a essa primeira fase da vida. A tônica de sua obra é a simplicidade e a ingenuidade. Suas obras de destaque são: “Meu oito anos”, “Minha mãe”, “Primaveras” e “Camões e o Jau”. Estava noivo e com apenas vinte e um anos morreu de tuberculose. 

Fagundes Varela (1841-1875)

Nasceu em 17 de agosto de 1841, em Rio Claro (RJ). É considerado uma transição entre a segunda e a terceira geração do nosso romantismo. Ingressou no curso de Direito, mas não o concluiu. 

Vivia uma vida de boêmio e morreu com apenas 33 anos. Também fez parte da escola romântica. Obras de destaque: “As bruxas”, “Anchieta ou o Evangelho nas selvas”, “Noturnas” e “Cantos Meridionais”. 

Castro Alves (1847-1871)

Nasceu em 14 de março de 1847, em Muritiba (BA). Hoje essa cidade tem o seu nome. Na adolescência foi morar em Recife, onde teve contato com ideais abolicionistas. Formou-se em Direito e ficou conhecido como “o poeta dos escravos”. Castro Alves pertenceu à terceira geração do romantismo brasileiro, dando a ele um sentido social. Morreu precocemente de tuberculose, aos 24 anos. 

Suas obras mais famosas foram: “O navio negreiro”, “Espumas flutuantes” e “Os escravos”. 

Machado de Assis (1839-1908)

Nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro (RJ). É quase unânime a opinião de que se trata do mais importante nome da literatura nacional. Para o crítico literário norte-americano, Harold Bloom, trata-se do maior escritor negro de todos os tempos. Ele é comparado a Shakespeare e Camões. Um verdadeiro gênio. Sobre ele eu* escrevi um artigo para essa revista** em abril de 2006. Vindo de uma família muito pobre, Machado chegava a ler à luz de velas para poder estudar. Escreveu em quase todos os gêneros literários, mas se destacou como romancista. Também foi jornalista e crítico literário. 

Suas principais obras são: “Memórias póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba”, “Dom Casmurro”, “Helena”, “A mão e luva” e “Iaiá Garcia”. 

Aluísio Azevedo (1857-1913)

Nasceu em 14 de abril de 1857, em São Luis (MA). Ele pertencia à escola literária Naturalista, que descreve a vida como ele é, sem suavidade. 

Com o passar do tempo se tornou jornalista e diplomata, abandonando o seu lado escritor. Suas principais obras foram: “O cortiço”, “Casa de pensão” e “O mulato”. 

Simões Lopes Neto (1865-1916)

Nasceu em 09 de março de 1865, em Pelotas (RS). Passou a infância nas estâncias dos avós e na adolescência foi para o Rio de Janeiro, estudar medicina. Não terminou o curso por motivo de saúde e retornou ao Sul. 

Foi representante da escola literária regionalista, abordando temáticas gaúchas. Suas principais obras são: “Contos gauchescos”, “Lendas do Sul” e “A Salamanca do Jarau”. 

Olavo Bilac (1865-1918)

Nasceu em 16 de dezembro de 1865, no Rio de janeiro (RJ). Jornalista e escritor, é considerado o principal representante do Parnasianismo no Brasil. Ele também é conhecido como “o príncipe dos poetas brasileiros”. Cursou medicina e direito, mas não se formou em nenhum dos dois cursos. 

Suas principais obras são: “Poesias”, “O caçador de esmeraldas”, “Via Láctea” e “Alma inquieta”. 

Monteiro Lobato (1882-1948)

Nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté (SP). Sobre ele eu* escrevi um artigo para essa revista** em abril de 2002. Ele foi um dos pioneiros e mais destacados autores da literatura infantil não só no Brasil, como em toda América Latina. Suas principais obras são: “Sítio do Pica-pau Amarelo”, “Reinações de Narizinho” e “O Saci”. 

Graciliano Ramos (1892-1953)

Nasceu em 27 de outubro de 1892, em Quebrangulo (AL). Escritor da escola literária modernista. Embora nas suas obras apareçam problemas sociais do Nordeste, ele sabia como poucos abordar as relações humanas em uma abrangência universal. Ele também foi político e funcionário público. Suas principais obras são: “Vidas Secas”, “Memórias do Cárcere” e “São Bernardo”. 

Oswald de Andrade (1890-1954)

Nasceu em 11 de janeiro de 1890, em São Paulo (SP). Pertence à escola literária modernista. Juntamente com Anita Malfatti e Mário de Andrade foi um dos principais articuladores da Semana de Arte Moderno de 1922, em São Paulo. 

Esse evento revolucionou o modo de se ver e fazer arte em nosso país. Sobre a Semana de Arte Moderna eu* escrevi um artigo para essa revista** em setembro de 2012, por ocasião dos 90 anos daquele evento. As principais obras de Oswald foram: “Manifesto Pau-Brasil”, “Manifesto Antropófago” e “Os condenados”. 

Mário de Andrade (1893-1945)

Nasceu em 09 de outubro de 1893, em São Paulo (SP). Foi funcionário público e professor. Ajudou a organizar a Semana de Arte Moderna de 1922, sendo, portanto, um autor modernista. 

É autor de uma das mais importantes obras da literatura nacional: “Macunaíma”, onde apresenta o “herói sem nenhum caráter”. Outras obras importantes são: “Pauliceia desvairada” e “Amar, verbo intransitivo”. 

Cecília Meireles (1901-1964)

Nasceu em 07 de novembro de 1901, em Rio Comprido, hoje um bairro do Rio de Janeiro (RJ). Foi jornalista, pintora, professora e escritora. É considerada uma das maiores poetisas do Brasil. Sua obra tem características simbolistas e modernistas. Em 1934, Cecília Meireles fundou a primeira Biblioteca infantil do Brasil, no Rio de Janeiro. 

Suas primeiras obras são: “Romanceiro da Inconfidência”, “Espectros” e “A festa das letras”. 

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Nasceu em 31 de outubro de 1902, em Itabira (MG). Foi um dos mais destacados poetas do nosso país. Foi também professor, funcionário público e jornalista, pertencendo à escola modernista. Suas principais obras são: “Alguma poesia”, “José”, “Sentimento do mundo” e “A rosa do povo”. 

Érico Veríssimo (1905-1975)

Nasceu em 17 de dezembro de 1905, em Cruz Alta (RS). É considerado um dos mais populares escritores nacionais, pertencendo à segunda geração do modernismo. Vinha de uma família rica, mas que perdeu tudo, fato que o fez trabalhar desde cedo. Foi balconista, bancário, professor e jornalista até conseguir se manter com seus escritos. 

Suas principais obras são: “O tempo e o vento” (trilogia), “Olhai os lírios do campo”, “Clarissa”, “O resto é silêncio” e “Incidente em Antares”. 

Mário Quintana (1906-1994)

Nasceu em 30 de julho de 1906, em Alegrete (RS). Trabalhou como balconista, jornalista e tradutor. Ficou conhecido como “o poeta das coisas simples”. Escrevia muitas vezes em forma de aforismos, que ficaram conhecidos como Quintanares. 

Descrevia o cotidiano como ninguém, demonstrando uma sensibilidade ímpar. Sem dúvidas, trata-se de um dos maiores poetas que nossa nação já teve. Por mais inacreditável que seja, a Academia Brasileira de Letras o recusou por três vezes! Depois a Academia o convidou para se candidatar pela quarta vez. Ele recusou. Perdeu a Academia, certamente. 

Mário nunca casou e passou a maior parte da vida sozinho. Nas últimas décadas de vida morou em hotéis, em Porto Alegre. Suas principais obras são: “Esconderijo do tempo”, “O aprendiz de feiticeiro”, “Baú de espantos” e “Caderno H”. 

Guimarães Rosa (1908-1967)

Nasceu em 27 de junho de 1908, em Cordisburgo (MG). Foi médico, diplomata e escritor. Um dos maiores autores brasileiros. Foi inovador na linguagem e ambientou muito dos seus romances e contos no sertão brasileiro. 

Eu* escrevi um artigo sobre ele nessa revista** em março de 2017. Suas principais obras foram: “Grande sertão: veredas”, “Sagarana” e “Corpo de baile”. 

Rachel de Queiroz (1910-2003)

Nasceu em 17 de novembro de 1910, em Fortaleza (CE). Foi escritora e jornalista, sendo a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, em 1977. 

Seu primeiro romance, intitulado de “O Quinze”, retrata a seca que se abateu sobre o Nordeste em 1915, mostrando a dura realidade do povo da região e dos retirantes. Suas principais obras foram: “O Quinze”, “Memorial de Maria Moura” e “Lampião”. 

Jorge Amado (1912-2001)

Nasceu em 10 de agosto de 1912, em Itabuna (BA). Foi advogado, político e escritor. Sua obra é marcada pelo regionalismo e pela denúncia social. Seu segundo casamento foi com a também escritora Zélia Gattai. Seus principais livros foram: “Capitães da Areia”, “Gabriela, cravo e canela”, “Mar morto”, “Dona Flor e seus dois maridos”, “Teresa Batista cansada de guerra”, “Tieta do agreste”, “Tocaia grande” e “Tenda dos milagres”. 

João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

Nasceu em 09 de janeiro de 1920, em Recife (PE). Foi funcionário público, diplomata e escritor. Embora não fosse engenheiro, é conhecido como “poeta-engenheiro” devido à forma objetiva e calculada com que escrevia. 

Suas principais obras são: “Morte e vida severina”, “Poemas para ler na escola” e “Educação pela pedra”. 

Clarice Lispector (1920-1977)

Nasceu em 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia. Chegou ao Brasil muito criança ainda, com menos de dois anos, por isso é considerada uma escritora nacional. A família foi morar em Maceió e depois em Recife. Na vida adulta foi morar no Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista e tradutora, já que era poliglota, dominando sete idiomas. Suas principais obras foram: “A hora da estrela”, “Laços de família” e “Felicidade clandestina”. 

Josué Guimarães (1921-1986)

Nasceu em 07 de janeiro de 1921, em São Jerônimo (RS), iniciou o curso de medicina, mas não deu continuidade. Gostava das letras e foi jornalista, político e escritor. 

Suas principais obras são: “Aferro e fogo”, “Depois do último trem”, “Tambores silenciosos” e “Dona Anja”. 

Ariano Suassuna (1927-2014)

Nasceu em 16 de junho de 1927, em Parahyba do Norte (atual João Pessoa), na Paraíba. Conhecido como “o cavaleiro do sertão”, foi advogado, professor e escritor. Suas principais obras são: “Auto da compadecida”, “O rico avarento” e “O castigo da soberba”. 

Moacyr Scliar (1937-2011)

Nasceu em 23 de março de 1937, em Porto Alegre (RS)... enfim, um conterrâneo. Foi médico, professor e escritor. Um dos escritores mais queridos da nossa pátria. Conseguiu levar com êxito suas múltiplas atividades, sendo consagrado tanto como médico quanto como escritor. 

Suas principais obras são: “O centauro no jardim” (que trata sobre a condição judaica). “A guerra no Bom Fim” e “O exército de um homem só”. 

Paulo Leminski (1944-1989)

Nasceu em 24 de agosto de 1944, em Curitiba (PR). Foi tradutor, professor e escritor. Ficou conhecido como “escritor maldito” pela sua forma polêmica de escrever. Sua poesia foi muito original e influenciada por sua admiração pela cultura japonesa e pelo zen budismo. Seu segundo casamento foi com a também escritora Alice Ruiz. 

Suas principais obras são: “Catatau”, “Distraídos venceremos” e “Agora é que são elas”. 

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Artigo retirado da revista “Rainha dos apóstolos”, outubro de 2020) 

*   Escritos por Carlos Alberto Veit 

** Para a revista “Rainha dos apóstolos” 

A revista “Rainha dos apóstolos” é uma publicação mensal da Sociedade Vicente Palloti, Província Nossa Senhora Conquistadora, Padres e Irmão Palotinos, Santa Maria (RS).

domingo, 8 de agosto de 2021

A influência paterna

 Martha Medeiros

O pai, cercado pelos filhos, faz um pronunciamento: “Pretendo desobrigar vocês a usarem o cinto de segurança, que só tem utilidade para quem dirige mal”. Os filhos se entreolham. É sabido que o cinto de segurança evita mortes em casos de colisões de pequeno e médio impacto. É um dispositivo de segurança para todos, não importa se dirigem bem, se dirigem mal, se não dirigem: estando dentro de um veículo em movimento, há risco. Motoristas e passageiros do mundo inteiro usam o cinto, que tem eficácia comprovada. O pai estaria batendo bem? 

Diante da reação de perplexidade da família, o pai, no dia seguinte, diz que foi mal interpretado, que ainda vai encomendar um estudo, aquela enrolação costumeira de quem faz uma burrada atrás da outra e depois tenta consertar. Só que a mensagem principal foi transmitida: o pai não confia no cinto de segurança. É um negacionista. E mesmo que se reconheça que ele bobeou, no inconsciente a mensagem foi assimilada. Amanhã, um dos filhos esquecerá de usar o cinto, e tudo bem. Depois de amanhã, outro filho viajará no banco de trás, e prender o cinto parecerá uma besteira. E assim, influenciados pela hierarquia paterna, circularão em meio ao trânsito sem usar o cinto e, claro, não sairão ilesos no caso de um acidente, tudo porque aquele homem, que deveria zelar pela família, usa sua autoridade para dar exemplos estúpidos. 

É assim também na vida pública. Todo chefe de Estado é visto como o “pai da pátria”. Quem assume um cargo de tamanha importância não pode se dar ao luxo de ir pela própria cabeça e induzir tanta gente ao erro. É preciso que dialogue com outros líderes, respeite a ciência, busque informação de qualidade e tenha compromisso civilizatório. Presidência não é lugar para irresponsáveis. 

Países que imunizaram mais de 70% da população estão flexibilizando, aos poucos, o uso da máscara, e mesmo assim, existe receio − ninguém se atreve a dizer que a pandemia é um episódio do passado. No Brasil, menos ainda. Há muita vacina a ser aplicada antes de relaxar. Milhares de brasileiros não procuraram até hoje os postos de saúde para tomar a segunda dose e alguns nem mesmo a primeira, atrasando a necessária imunização coletiva, o que não aconteceria se tivessem recebido o incentivo categórico de quem comanda. 

Tenhamos em mente que, gostemos ou não, há um homem ocupando o posto de líder, de influenciador, de pai da nação. Tudo o que ele faz e diz, por mais bizarro que pareça, contagia e infecciona. Pai ausente é um drama social. Afeta destinos. Todos precisam de um, mas não de um que nos usa como cobaia de seus devaneios. 

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(No caderno “Donna”, de Zero Hora, agosto de 2021)

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Elogios que encantam e provocam sorrisos

 

Tu estás fantástica nessa foto, mas consegues ser ainda mais incrível ao vivo. 

Desde que te conheci, estou tão distraído... Tu provocas esse efeito em mim. 

Qualquer dia ruim muda como mágica perto de ti. 

Eu sei que ainda estamos só nos conhecendo, mas queria te agradecer por estar me fazendo tão feliz. 

A tua beleza é natural, é rara, é única! 

Em poucos minutos, tu mexeste comigo como ninguém tinha mexido até hoje. 

Meu coração vibra de alegria só de sentir que recebeu uma nova mensagem de ti. 

Fico em dúvida se gosto mais dos teus olhos, da tua boca, do teu cabelo ou de tudo junto. 

Preciso atualizar o dicionário: ele ainda não tem o elogio que te descreve perfeitamente. 

Tu chegaste com esse sorriso lindo e com um mundo de filmes e livros novos. 

Tu me fazes perguntar como demorei tanto tempo para te conhecer. 

Já te achava incrível, mas depois que me contaste teu gosto musical, tudo ficou ainda melhor. 

Tu tens um jeito tão incrível de ver o mundo. 

Um anjo caiu do céu e veio parar diretamente no meu jardim. O que eu fiz para merecer isso? 

Meu coração logo me avisou que tu eras a pessoa certa da minha vida. 

Eu te admiro de um jeito que nunca tinha admirado alguém. 

Tu és linda por fora, fascinante por dentro! 

Tu és culpada por provocar em mim uma das melhores sensações do mundo. 

Tu tens o poder de tranquilizar totalmente o meu coração. 

Eu admiro cada pedacinho da tua existência. 

De tão fascinante, qualquer pessoa parece também ficar incrível ao teu lado. 

A dona do melhor cafuné do mundo tem nome. 

Tu és a combinação perfeita de humildade e determinação. 

Sinto-me até mais bonito só por andar acompanhado de ti. 

De coração doce e de olhar irresistível. Obrigado por me enlouqueceres do melhor modo possível. 

Tu não és um cara. Tu és o cara. 

Tu colocas uma paz dentro do meu coração que é até difícil de descrever. 

Eu já tinha desistido do amor, mas tu tens me feito refletir sobre o assunto. 

Não importa que roupa usas ou o que fazes no cabelo, a tua beleza sempre me impressiona. 

Do cheiro ao sorriso: tudo me enlouquece em ti. 

Adoro ouvir sobre tudo o que tu fazes. Acho verdadeiramente inspirador! 

Tu és sempre a mais bonita da sala! 

Deslumbrante, fascinante, extraordinária, irresistível, fantástica... Ainda estou procurando a melhor forma de te descrever! 

Tu me deixas sem graça: eu me sinto privilegiado por estar com uma pessoa tão inteligente e bonita ao mesmo tempo. 

Tu me fazes querer fazer coisas que eu nunca fiz na vida. 

Tu és como imã, que me atrai sem que eu possa fazer qualquer coisa para resistir. 

Tu tens um dom: fazes a minha vida parecer incrível todos os dias. 

Tu és a pessoa mais bonita por dentro que eu já conheci na vida. 

Às vezes, eu me pergunto: será que foi a vida que melhorou ou será que foi tu que a deixaste melhor? 

Eu adoro ver o teu jeito confiante de ser tu mesma. 

Tem qualquer coisa em ti que me faz querer passar cada minuto ao teu lado. 

Queria que tu pudesses ver o sorriso que essa tua fotografia provocou em mim. 

Eu adoro ver a vida pelos teus olhos. 

Poucas coisas na vida são melhores que chocolate. Mas tu consegues ser muito melhor. 

Tu provaste que a vida pode ser melhor que os sonhos. 

Hoje descobri que a tua existência mudou a minha vida. 

Obrigado por cada palavra, obrigado por cada sorriso, obrigado por me fazer sentir especial. 

Difícil acreditar que está nublado lá fora, porque tu provocaste um sol tão grande aqui dentro de mim. 

Bom dia para a pessoa que faz todas as minhas manhãs terem gosto de felicidade.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Janelas da saudade

 Paulo Mendes*

Existem certos ruídos da nossa casa da infância que, por mais que o tempo passe, não saem da lembrança. Um rangido de porta, um estalido de trinco, o portãozinho de ferro se fechando, a corrente do poço, os passos do pai no oitão, as panelas da mãe ao redor do fogão a lenha. O assoalho de tábuas provocava barulhos conhecidos que, com o passar dos anos, faziam parte de nós. Era lindo escutar a orquestra da passarada quando o dia clareava, trinados e cantos de todas as frequências, graves e agudos. Há dias que acordamos e ouvimos algo que nos remete para lá, de novo, para aquele tempo já tão distante, já quase esquecido, mas que por alguma razão volta para nos dizer que a gente cresce, vive, envelhece, mas é o mesmo sempre. 

(...)

Havia sons que nunca esqueço, principalmente os da nossa velha casa. Aos domingos pela manhã, se havia sol, costumávamos abrir bem as janelas, os postigos, as venezianas, para que entrasse casa adentro o calor que irradiava do lado de fora e a energia que brotava pelos campos e pelo arvoredo. Como éramos guris e as janelas tão antigas e grandes, tínhamos dificuldade para abri-las. Passavam dias e dias fechadas, endureciam, estalavam, faziam uns barulhos estranhos, cada vez diferentes, conforme a estação do ano. Na primavera, riam; no verão, gargalhavam; no outono, gemiam; e no inverno, choravam. Pelo menos parecia ser assim, era isso que eu e meu irmão entendíamos. Será mesmo? Ah, as verdades que trazemos na alma sempre são as nossas verdades num determinado tempo e espaço, por isso, inquestionáveis. 

Nos dias de semana, acordávamos com o ranger da cama da mãe, dona Mirica, quando ela se preparava para levantar. Era rápido. Então, saltava também da minha cama de ferro, vestia ligeiro as roupas, calçava as botas de borracha e pegava o velho chapeuzinho de feltro amassado. Lavava a cara numa pequena bacia de louça, me enxugava com as velhas toalhinhas de saco de farinha, enxugava a boca com um copo de vidro esverdeado, onde tinha sal e bicarbonato de sódio, e largava quebrando geada até o potreiro para buscar as vacas leiteiras. Depois, me lavava de novo, colocava o uniforme do colégio, tomava café e saía com a pasta de cadernos e lápis para pegar o ônibus Amarelão até a cidade. Cumpri essa rotina por anos a fio, até que os anos se atropelaram e tudo mudou. Ficaram os sons familiares daquele período. Vez por outra os ouço por aí em qualquer lugar que eu ande. Então, como num passe de mágica, estou lá outra vez, abrindo portas, fechando janelas, ouvindo os apitos do trem ao longe e o berro do gado. Em sonho vejo nossa casa depauperada, fechada, mas com uma janela aberta. 

*(De Campereadas, no Correio do Povo, agosto de 2021) 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Mitos e verdades

 (sobre cerveja) 

Amanda Xavier*

Uma das bebidas alcoólicas mais consumidas no Brasil e no mundo, a cerveja está presente em muitas rodas de amigos e é motivo de debates ao redor da mesa do bar. Mas, apesar de ser tão popular, a união do lúpulo, do malte e da água é responsável por muitas dúvidas e boatos que nem sempre são reais. Para desvendar algumas curiosidades do universo cervejeiro, conversamos com Diego Eduardo Corrêa, sócio-proprietário da Dubh Craft Beers, cervejaria localizada no Baixo Barra, no Barra Shopping Sul, em Porto Alegre. Compartilhamos 11 mitos e verdades sobre cerveja que irão fazer você parecer um entendedor nato nas conversas de bar. 

01. Cerveja tem muitas calorias 

Mito → A cerveja tem carboidratos e açúcares, assim como outras bebidas alcoólicas e não alcoólicas. O “mito” sobre o excesso de calorias, geralmente, está ligado ao excesso e aos acompanhamentos, já que uma boa cerveja vem junto de um bom petisco, que, normalmente, é bem calórico, como frituras, pizzas e outras delícias. 

02. Não existe diferença entre chope e cerveja 

Mito → O produto é o mesmo, mas, no Brasil, existe diferenciação na nomeclatura. O chope é a versão fresca, que precisa de refrigeração para se manter conservada. A cerveja é pasteurizada e não tem a necessidade de se manter refrigerada, facilitando a venda em grande escala. 

03. O colarinho é importante 

Verdade → Toda cerveja produz espuma, algumas mais, outras menos, dependendo do estilo. O colarinho ajuda a manter a temperatura e também auxilia na liberação de aromas. Mas, por ser uma bebida democrática, Corrêa ressalta que ela é servida como o cliente preferir, afinal, errado mesmo é não beber cerveja. 

04. O copo de vê estar virada para servir 

Verdade → A forma correta é iniciar com o copo em 45 graus para ter o controle perfeito da vazão e da formação de espuma. 

05. Cerveja deitada gela melhor 

Mito → A melhor forma de gelar a cerveja é em pé por dois motivos: evitar o contato do oxigênio da garrafa com uma superfície maior de líquido, evitando a oxidação; e, no caso das cervejas não filtradas, fazer os resíduos suspensos acumularem no fundo da garrafa, tornando a bebida menos turva. 

06. Toda cerveja precisa ser servida bem gelada 

Mito Tudo depende do clima, do estilo de cerveja e do gosto pessoal. O ideal é nunca beber uma cerveja em temperaturas negativas, pois as papilas gustativas adormecem e não sentem todos os sabores. A Pilsen, clássica do churrasco de domingo, por exemplo, pode ser servida a zero grau, já uma Imperial Stout é indicada ser consumida a 12 graus. No geral, cervejas mais leves consumimos em temperaturas menores, e cervejas mais complexas e alcoólicas, em temperaturas maiores. 

07. A puro malte é melhor 

Mito → No Brasil, foi utilizado muito como marketing, pela ideia de que os cereais não maltados, como milho e arroz, em cervejas de larga escala, tem como finalidade a redução de custo. Nas cervejas belgas, por exemplo, existem muito cereais não maltados nobres para realçar e dar complexidade ao sabor, e isso não interfere na qualidade. 

08. Pode ser servida em qualquer copo 

Mito → Assim como no vinho, o copo é fundamental para ter uma boa experiência com a cerveja. Dependendo do estilo, ele pode realçar o aroma além de melhorar o visual da bebida. 

09. Cerveja escura é mais forte e a clara é mais fraca 

Mito O que define a cor da cerveja é o tipo de malte utilizado. As escuras utilizam malte torrado para atingir a cor, mas o que vai garantir o amargor é a concentração de lúpulo. Podemos ter bebidas escuras, como uma Dry Stout, mais leve do que uma IPA, por exemplo, que é clara, porém, muito mais lupulada. 

10. Existe diferença entre cerveja de garrafa e de lata 

Verdade → No geral, o líquido é o mesmo, porém, de acordo com Corrêa, a lata leva uma certa vantagem em alguns estilos, pois protege mais a bebida da exposição à luz, e isso, para alguns estilos, é aconselhável. A claridade causa um efeito chamado de lightstruck, quando os raios solares atingem a cerveja e causam um aroma desagradável. Geralmente, nas garrafas verdes e transparentes são mais perceptíveis, já nas marrons é mais sutil. Quando a ser mais saboroso ou não, o cervejeiro afirma que é muito relativo, porque existem marcas que aproveitam esse efeito para ter uma característica proposital em sua fórmula, que pode ser percebida nitidamente quando se bebe a versão em garrafa ou em lata. 

11. Cerveja pode ser consumida no inverno 

Verdade → No inverno, a melhor pedida são cervejas mais alcoólicas, para esquentar. Um exemplo é a Barley Wine, estilo inglês, com teor alcoólico que pode chegar a 12%. Imperial Stout e Quadrupel também são boas opções. Mas uma boa cerveja não tem hora nem clima. Além disso, assim como o vinho, rótulos podem ser envelhecidos em barris para dar complexidade ao sabor. 

(No jornal Zero Hora, julho de 2021)