sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Texto do Almanhaque de 1955

Barão de Itararé


Justiça de Salomão

Por Tristão Bernardo
    
O rei Salomão, como sabeis, morreu em 975 em Jerusalém e nasceu em 1032. Esta é uma originalidade dos personagens de antes da era cristã de morrer assim antes do seu nascimento. Ele era o autor daquele julgamento cujas razões e “consideranda” são presentes em todas as memórias, entre duas mães que disputavam uma criança. Seu julgamento causou tão viva impressão que mais nenhuma pessoa no país se atrevia a litigar. Salomão chegava todos os dias no palácio, para fazer justiça:

 Nada de novo? – perguntava ao chefe da guarda.

 Nada de novo, Majestade.

Salomão oscilava gravemente a cabeça e dizia:

 Tanto melhor! Tanto melhor!

Entretanto, ele achava que assim seu renome de bom juiz estava sendo mal conservado e empalidecendo um pouco na lembrança dos homens.

Mais que um dia, como o rei Salomão caminhava devagar, ia chegando com méis hora de atraso, o chefe da guarda veio a seu encontro, correndo:

 Majestade! Estão aí dois contendores!

 Vamos ver, - disse o rei.

O soberano entrou precipitadamente na sala de audiências, e levaram à sua presença dois homens e uma mulher idosa. Os dois homens que pareciam muito irritados, um contra o outro, expuseram, bem ou mal, constantemente interrompidos pela mulher, a questão que os levava ao tribunal.

Um daqueles homens partira, trinta anos antes, para um país longínquo, onde se casou com uma moça; tendo morrido rapidamente a supracitada jovem, ele deixou o país em questão e regressou à cidade natal. Trinta anos depois desse acontecimento, a mãe da moça falecida chegou a Jerusalém e procurou saber onde morava o seu genro. Aconteceu, porém, que na localidade residiam dois homens, portadores do mesmo nome e que eram, mais ou menos, da mesma idade.

Grande perplexidade. Cada um desses homens dizia à mulher: “Eu não a conheço!” Um de boa e outro de má fé, evidentemente.

Qual seria o verdadeiro genro? O rei Salomão concentrou-se durante alguns instantes e, segundo a jurisprudência que tanto o notabilizara, mandou que trouxessem um grande sabre para dividir em dois o corpo da mulher. Mas no momento em que o estribeiro decepante ia praticar o seu ofício, um dos homens gritou:

 Não, não! Isso é muito desumano!

Enquanto o outro dizia:

 Mas, em todo caso, é uma solução!

Salomão aproximou-se deste último, pôs-lhe a mão sobre o ombro e disse-lhe:

 Tu és o verdadeiro genro!

E entregou-lhe a sogra, de corpo inteiro.


Um punhal no Senado



Pinheiro Machado

Pinheiro Machado mandava no país. Mandava tanto que era considerado o “Condestável da República”. Dele também diziam ser o “fazedor de presidentes”. Com tamanho poder, não lhe era difícil angariar adeptos, promover acordos políticos, estender seu prestígio a todos os Estados.

Amado por muitos, também era odiado por outros tantos que o culpavam pelos males do país.

Tinha, por isso, medo de ser assassinado. Em julho de 1915, ele disse:

“– É possível que durante a convulsão que nessa hora sacode a República em seus fundamentos, possamos submergir. (...) É possível mesmo que o braço assassino, impelido pela eloquência delirante das ruas, nos possa atingir”.

Era mesmo um tempo de convulsões e indisciplina, inclusive nos quartéis. Foram expulsos 256 sargentos, naquele ano.

A biografia do gaúcho José Gomes Pinheiro Machado é reveladora. Nasceu em Cruz Alta, em maio de 1851 e, aos 14 anos, fugiu da Escola Militar, para alistar-se e seguir rumo à Guerra do Paraguai, tendo participado de vários combates. Em 1879, concluído o curso de Direito na Faculdade de São Paulo, estabeleceu-se como advogado e pequeno estancieiro.

Com a chegada da República, em 1889, elegeu-se senador e logo se tornou um dos pró-homens da política nacional. Já havia se destacado aqui, como líder republicano, partidário de Júlio de Castilhos e um dos fundadores do jornal A Federação.

Em 1905, escolhido vice-presidente do Senado, cabia-lhe o controle da decisiva Comissão de Verificação de Poderes, responsável pela definição de quais os eleitos teriam o direito de tomar posse.

Usou com mão de ferro esse instrumento poderoso, para impedir o acesso ao Parlamento de adversários políticos, e com isso angariou ainda maior número de inimigos.

A ascensão de Hermes da Fonseca à Presidência da República só fez aumentar o poder de Pinheiro Machado, de tal forma que passou a ser conhecido como “o homem que governa o governo”.

Mas isso lhe causou dissabores, a começar pela articulação de seus adversários para impedi-lo de suceder o marechal na presidência, como pretendia.

Também cresceu o ódio popular.

Em julho de 1915, tentaram linchá-lo, quando deixava o Palácio Monroe. Foi então que respondeu ao motorista, sobre o que fazer diante da multidão, com uma frase que se tornou célebre:

– Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo.

Pinheiro Machado era admirado por estar sempre vestido com extrema elegância.

Na tarde do dia 8 de setembro de 1915, deixa o Senado na companhia de políticos da sua intimidade para encontrar o líder republicano paulista Rubião Júnior.

Entra no Hotel dos Estrangeiros vestindo fraque com cravo vermelho na lapela, calças escuras e colete, chapéu e bengala.

Francisco Manso de Paiva Coimbra, um homem do povo, também gaúcho, ferrenho adversário das ideias de Pinheiro Machado, sabe dessa visita. E fica à tocaia, na entrada do hotel.

Deixa-o passar.

E logo o apunhala pelas costas.

– Ah! Canalha! – diz Pinheiro Machado.

Os amigos, espantados, seguram o agressor.

– Apunhalaram-me... – é a última expressão do senador de ferro.

Manso de Paiva afirma que agiu por conta própria.

Encerra-se naquele entardecer carioca a história da ascensão e queda de um dos maiores políticos da história do Rio Grande e do país.

O corpo embalsamado de Pinheiro Machado é trazido para Porto Alegre. Chega 10 dias depois, na manhã de 18 de setembro, a bordo do navio Javary.

Milhares de pessoas se aglomeram nas ruas próximas ao Cais do Porto e acompanham o féretro até a Intendência Municipal, onde é celebrada missa e a população homenageia o político durante toda a noite.

Por volta das 10 horas do dia seguinte, um domingo, enorme cortejo acompanha o corpo até o Cemitério da Santa Casa.

No Rio de Janeiro, a polícia recolhe, da caixa de correspondência do assassino, dezenas de cartas de desconhecidos que aplaudem e festejam a atitude de Manso de Paiva.

E os admiradores de Pinheiro Machado lembram as palavras por ele ditadas ao jornalista João do Rio, dias antes:

– Morro na luta. Matam-me pelas costas, são uns “pernas finas”. Pena que não seja no Senado, como César...

Da coluna Boletim de Ocorrência, em ZH, por Celito De Grandi

Pinheiro Machado, advogado e fazendeiro, líder republicano e senador do Rio Grande do Sul desde a Constituinte de 1890, condestável da República Velha, foi visitar o senador Bernardo Monteiro, seu amigo, em um hotel do Rio, e viu que ele usava ceroulas comuns. Reclamou:

– Bernardo, precisamos estar preparados para morrer na rua. Vista-se sempre de seda por baixo. Seja um cadáver decente.

Em 8 de setembro de 1915, Pinheiro Machado foi assassinado a facadas, no hall do Hotel dos Estrangeiros, no Rio, por um popular, Francisco Manso de Paiva Coimbra. Apareceram as ceroulas. De seda. Um cadáver decente.

(Sebastião Nery)


À esquerda, Manso de Paiva, o assassino, à direita,
o assassinado, o senador Pinheiro Machado.

O assassino, o gaúcho Manso de Paiva, tinha 33 anos, estava desempregado e ostentava no currículo e deserção do Exército e uma temporada como cabo da Polícia. Segundo Nosso Século “não fugiu nem tentou se livrar da culpa”. Alcançado, “entregou a faca suja de sangue nas mãos de um deputado e esperou a polícia”. Eis tudo: “Preso em flagrante, foi depois julgado e condenado a 30 anos de prisão. Até a morte, na década de 1960, declarou ter agido por conta própria, e não a mando de alguém”. Submetido a exames, interrogatórios e perícias, o assassino disse que o seu gesto “teve influência decisiva do que lia nos jornais sobre o Senador Pinheiro Machado”. Culpa da mídia? Na época, a mídia se chamava imprensa.

(Da coluna de Juremir Machado da Silva)



Fraque com cravo vermelho na lapela, 
calças escuras e colete, chapéu e bengala.


Cortejo Fúnebre - Av. Beira-Mar - Rio - 9.9.1915


Cortejo Fúnebre em Porto Alegre-RS


Túmulo do Senador Pinheiro Machado no Cemitério da Santa Casa, 
em Porto Alegre, RS.




Significado das cores e história da bandeira

História da bandeira


A bandeira do Rio Grande do Sul tem sua origem nos desenhos de rebeldes durante a Guerra dos Farrapos, em 1835, mas sem o brasão de armas até então. Sua autoria é controversa; alguns apontam Bernardo Pires, enquanto outros apontam José Mariano de Mattos. A bandeira foi oficializada como bandeira do estado em 5 de janeiro de 1966, já com o brasão de armas na parte central.

Significados das cores

Não há um consenso sobre o significado das cores da bandeira rio-grandense. Algumas fontes alegam que as cores simbolizam o auriverde do Brasil separado pelo vermelho da guerra. Há outras que afirmam ser a bandeira uma combinação do rubro-verde da bandeira Portuguesa com o aurivermelho da bandeira espanhola, o que faria todo o sentido em uma região de fronteira entre essas duas potências coloniais; há que se salientar, todavia, que à época da Revolução Farroupilha, as cores nacionais de Portugal eram o alviceleste, símbolo da monarquia, e que só mudaria para o rubro-verde mais de meio século depois.

A versão mais aceita é de que o verde e o amarelo representam o Brasil e a faixa vermelha representa o sangue, a república e a liberdade. Portanto, está no meio do verde e do amarelo para demonstrar a separação do Rio Grande do resto do País.

Liberdade, Igualdade e Humanidade

Sabe-se que o lema escrito na bandeira do estado, tanto quanto os símbolos, estão diretamente ligados à Maçonaria, haja vista que a elite gaúcha militar e política à época da Guerra dos Farrapos era, em sua maioria, maçônica.


O Brasão

Oficializado pela LEI Nº 5213, DE 5 DE JANEIRO DE 1966

ILDO MENEGUETTI, Governador do Estado do Rio Grande do Sul.

Faço saber, em cumprimento ao disposto nos artigos 87, inciso II e 88, inciso I, da Constituição do estado, que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono e promulgo a Lei seguinte:

As armas do Estado, ou Brasão, são as da história Republicana Rio-Grandense, onde contém:

escudo oval, em prata com um quadrilátero com sabre de ouro, sustentando na ponta um barrete frígio vermelho, entre ramos de fumo e erva-mate, cruzando sobre o punho de sabre; um losango verde com duas estrelas de cinco pontas de ouro, colocadas nos ângulos superiores e inferiores; ao lado, duas colunas de ouro, com uma bola de canhão antigo; tudo sobre um campo verde; ao redor deste escudo, uma bordadura azul, contendo a inscrição REPÚBLICA RIO-GRANDENSE e a data 20 DE SETEMBRO DE 1835, de ouro, separadas por duas estrelas de cinco pontas, também de ouro; o escudo está sobreposto a: quatro bandeiras tricolores (verde, vermelho e amarelo) entrecruzadas duas a duas com hastes rematadas de flor de lis invertidas de ouro. As duas bandeiras dos extremos estão decoradas com uma faixa vermelha com bordas de ouro, atadas junto à ponta; uma lança da cavalaria, de vermelho, rematada por uma flor de lis, de ouro, entre: quatro fuzís armados de baionetas de ouro e, na base do conjunto, dois tubos-canhão de negro, entrecruzados, semi-cobertos pelas bandeiras; um listel de prata com a legenda LIBERDADE, IGUALDADE, HUMANIDADE, de negro.

Alguns historiadores atribuem a origem do Brasão ao "Histórico Lenço Republicano", de provável autoria de Bernardo Pires, lenço que foi catalisador do ideal republicano rio-grandense. Sabe-se que o brasão, originariamente, ostentava amores-perfeitos, simbolizando a firmeza e a doçura dos republicanos. Posteriormente, foram substituídos por rosetas de ouro que, por sua vez, deram lugar a estrelas de cinco pontas nas Armas do Estado, conforme descrição da Lei Nº 5213 de 5 de Janeiro de 1966.




Morte no Posto do Avião



Posto do Avião – anos 60

O desenho do Centro Histórico de Porto Alegre era bem outro há meio século, no inverno de 62. Onde hoje está o prédio dos Correios, na Rua Siqueira Campos, atrás do edifício do Santander Cultural, havia um posto de gasolina com formato de avião.

Além de abastecer carros da clientela, abrigava uma espécie de estacionamento, e mais, tornou-se referência geográfica na cidade: o Posto do Avião.

Nesse cenário, por volta das 2h de 16 de julho de 1962, o motorista de táxi da Praça da Alfândega Ubirajara Gonçalves Pereira foi lá trocar a bateria do carro.

Bateu na porta e estranhou que o plantonista Elirio Bianchi, 37 anos, pai de dois filhos, não o atendesse de pronto, como fazia sempre.

Decidiu entrar no posto.

Encontrou o amigo assassinado, com duas manchas de sangue no peito.

A gaveta do caixa estava arrombada.

Bem próximo dali, funcionava a boate Marabá. Com muita música, danças e mulheres, era parada obrigatória dos boêmios da época.

Fidélis Pereira, funcionário da casa, sempre que necessário, socorria-se do posto para “fazer troco” das cédulas de maior valor.

Naquela noite, ele foi até lá duas vezes, primeiro para trocar Cr$ 10 mil (hoje cerca de R$ 700, em valores corrigidos), depois para conferir e “acertar o troco”, porque Elirio havia se equivocado no número de cédulas de Cr$ 1 mil.

Ele se despediu e provocou o frentista, dizendo-lhe que o deixava “em agradável companhia”. Referência às mulheres que ali estavam com outro homem.

Elirio respondeu que as conhecia.

Não foi difícil para a polícia chegar às três prostitutas que, em muitas madrugadas frias, abrigavam-se nas asas ou no interior do Posto do Avião.

O comissário Alfredo Vitorino Vargas estava preocupado com as investigações do Caso Kliemann, ocorrido menos de um mês antes, mas tão logo a notícia do crime do posto chegou até ele, foi para lá.

Ao amanhecer daquele dia, Sônia Maria, 23 anos, Maria Eugênia, 21 anos, e Beatriz, 18 anos, foram presas, na residência da última. Elas se preparavam para fugir, e o destino era São Paulo. Também foi identificado um homem suspeito, apontado como amante de Sônia Maria. O comissário Vargas, a esta altura, tinha ouvido um depoimento essencial: o motorista de táxi que foi buscado por uma delas, para levá-las dali, depois do crime. Ele alertou: um homem entrou no táxi com as mulheres.

Depois de um dia de interrogatório, elas acabaram por confessar: o plano era distrair o frentista com provocações sensuais, enquanto o parceiro de crime arrombava o caixa. Elirio pressentiu o assalto, pretendeu buscar auxílio, e aí foi abatido com dois tiros de revólver 38.

Quem era o homem, o parceiro, o assassino?

Começou aí uma grande embrulhada.

O primeiro suspeito era um soldado que tinha álibi perfeito. Estava no quartel naquele horário.

A cada depoimento, as mulheres mudavam a versão.

Foram sendo investigados, como autores dos disparos, todos os malandros, toxicômanos e parceiros da Praça da Alfândega.

Um a um, eram recolhidos, ouvidos e liberados. Todos tinham explicações, todos tinham álibis.

A única verdade era o valor do roubo: cerca de Cr$ 23,6 mil (cerca de R$ 1,7 mil atualizados). Ninguém viu que, em outra gaveta, havia mais Cr$ 14 mil (R$ 985.00).

O conhecido delegado Júlio de Souza Moraes encarregou-se do inquérito policial daquele caso que, pelas circunstâncias, mobilizou a opinião pública e foi manchete durante vários dias na imprensa de Porto Alegre.

Foi dele a providência de determinar que o Instituto Médico Legal examinasse detidamente as três mulheres, inclusive com a perícia de decalque de parafina nas mãos.

Não demorou e o laudo do IML respondeu que sim, havia cristais de pólvora usada em revólveres nas mãos de Maria Eugênia e Beatriz.

Diante da evidência, as mulheres decidiram mudar a estratégia: assumiram por inteiro a responsabilidade pela morte de Elirio Bianchi.

Com isso, buscavam não comprometer quem estava com elas na madrugada. Tinham medo, foi o que concluiu a polícia, de serem mortas pelo homem que as teria ameaçado.

Elas foram indiciadas, julgadas e punidas com 15 anos de prisão.

O homem nunca foi identificado.

Da coluna Boletim de ocorrência, em ZH, por Celito De Grandi.


O Posto do Avião já foi demolido e, hoje, abriga o novo prédio da Agência Central dos Correios. Ele estava localizado na Rua Siqueira Campos, defronte ao hoje Santander Cultural.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Mensagens publicitárias de Ano-Novo



O tempo

Segundo Einstein, ele é relativo. E ele tinha razão. O tempo é o que cada um faz dele. Thomas Edison, por exemplo, transformou seus 84 anos de vida em algumas das maiores invenções de todos os tempos. Por outro lado, em apenas 4 dias, Neil Armstrong chegou ao espaço e se tornou o primeiro homem a pisar na lua. E o que dizer de Usain Bolt, que em 9,58 segundos fez história? O tempo é assim, não importa o quanto você use, ele sempre pode virar algo surpreendente. Você pode usar o seu tempo para se tornar um famoso inventor, um pai dedicado, um advogado reconhecido, um pescador cheio de histórias ou simplesmente passar 3 minutos e 47 segundos ouvindo a sua música preferida. É você quem escolhe.

E se fosse para escolher uma só coisa para ensinar a você, a gente escolheria isto: transforme o seu tempo (no ano de 2020) em tudo o que você quiser.

(Propaganda da UniRitter, na Revista Veja)


Que em 2020 você...

Aproveite mais os pequenos momentos de cada dia. Ouça sua música preferida enquanto está no trânsito, saboreie com calma aquele chocolate delicioso e brinque com seu filho (neto, afilhado, sobrinho...) e divirta-se tanto quanto ele!

Organize sua casa e tire do armário o que nunca usa e nunca vai usar, Abra espaço para coisas novas! Faça aquela reforma que você tanto queria, mude as cores das almofadas, redecore o seu quarto, compre aquele porta-retratos. Assim, cada cantinho vai contar um pouco da história da sua família.

Guarde tempo só para namorar. Isso vai trazer mais saúde, mais felicidade, mais inspiração, mais disposição e, além de tudo, deixará você muito mais bonito(a).

Consiga se programar para sair com aqueles(as) amigos(as) que você adora e quase nunca encontra.

Possa fazer pequenos (mas importantes) esforços pela preservação do planeta: chame as crianças para plantar uma árvore ou uma horta em casa, separe o lixo para reciclagem ou chame os(as) amigos(as) para uma tarde de brechó em casa com as roupas que se filho não usa mais.

Conheça algo novo. Pode ser uma comida, uma cultura diferente, um lugar na sua própria cidade, um idioma. Qualquer coisa que deixe sua curiosidade tão viva quanto a de uma criança.

Inclua você mesmo(a) entre as prioridades do dia a dia.

Gaste suas energias com o que realmente vale a pena.

Perceba que um pai (ou uma mãe) incrível e que faz tudo que pode pelo(s) seu(s) filho(s). E que, assim, você consiga mandar aquele sentimento de culpa que bate de vez  em quando para bem longe.

Esses são os nossos desejos para você, que adora ser pai ou mãe, ter um novo ano muito especial com a sua família!

(Da revista Crescer, janeiro de 2011)


Um ano bom é feito de dias bons.

Um ano bom é aquele que termina
do mesmo jeito que começa:
cheio de expectativas.

Um ano bom é aquele em que realizamos grandes coisas,
mas também aquele em que extraímos
o máximo das coisas mais simples.

Um ano bom é aquele em que conhecemos muita gente,
e também aquele em que descobrimos
como são importantes as pessoas que estão do nosso lado.

Um ano bom é aquele em que vivemos os todos os dias
como se fosse o primeiro do ano.
Porque um ano bom é feito de dias bons.

Desejo a todos um 2020 com 365 dias muito bons.

Feliz Ano Novo.

(Este texto foi a mensagem de Ano Novo da Copesul
jornal O Sul, de 31.12.2006)

O que faz você levantar toda a manhã?

Ver um sonho ganhar vida?
Ou ver a sua vida ganhar novos sonhos?
O que é isso que corre nas suas veias e faz o seu coração bater mais forte?
Que paixão é essa, capaz de arrepiar você da cabeça aos pés?
O que faz você ser você? Suas ideias? Seus valores?
O que define você? O que impulsiona você?
O que move você?
O que move você move a gente.
Seus sonhos, suas conquistas, sua realizações.
Isso que faz você evoluir.
E é isso que move a gente, todos os dias.
A criar o novo, o único, o ideal para você.
Porque só quem conhece você como, nós, seus amigos.
Pode querer para você tudo de bom no ano que vai começar...

(Adaptação de um texto para o Banrisul)


Um dia, ele vai chegar...

Quando chegar o dia em que você viver apenas de lembranças,
de que lembranças você vai querer viver?
Das escadas que não subiu?
Das praias que não mergulhou?
Das grutas que não desbravou?
Dos beijos que não roubou, ou se deixou roubar?
Das portas que não abriu?
Das histórias que não conheceu?
Das que não viveu?
Das que não contou?

Viva.

Viva para ter o que lembrar,
pois vai chegar o dia em que a sua maior riqueza serão as lembranças.
E são elas que o manterão vivo.

Feliz 2020

(Propaganda da Concessionária Honda-RS)




Gol de placa

Só podia ser dele.


Pelé por Hoiser

Maracanã, 1961, Santos 1 X 0 Fluminense. Pelé recebe no meio de campo e arranca rumo ao gol: passa por um, passa por dois, dribla um, dribla o segundo, o terceiro e, na saída do goleiro Castilho, a pões no fundo das redes. Fascinado, o então cronista esportivo Joelmir Betting sugere ao jornal O Esporte, para o qual trabalhava em São Paulo, que se faça uma placa de bronze para eternizar aquele golaço. Paga do próprio bolso e manda afixá-la na entrada do estádio. Nascia ali a expressão “gol de placa”. Jorge Ben cantou, em Fio Maravilha, foi um gol de anjo, verdadeiro gol de placa, e o Aurélio registra: “Conceito criado a partir de um gol espetacular de Pelé (Edson Arantes do Nascimento), que lhe rendeu uma placa honorária”. Palmeirense roxo, Joelmir Betting declara: “Nunca fiz um gol de placa, mas fiz a placa do gol”. 


Joelmir Betting o dono da placa
e placa do gol



Bagadus e Tinteiros



Estava revisando alguns livros, quando me bateu a curiosidade de ver que efemérides Coruja Filho (pseudônimo literário de Sebastião Leão) registrou em “Datas Rio-grandenses”, neste Dia de São Pedro. Pois nem de propósito: em 21 de junho 1849, ele assinalou uma batalha campal travada por adolescentes, que marcou a história da cidade de Porto Alegre – Bagadus x Tinteiros.

Era um tempo em que não havia tevê, drogas ou computadores, a cuja influência se atribui, hoje em dia, muitos dos problemas protagonizados por menores. Já podiam ser identificados, entretanto, então, dois males que persistem na sociedade brasileira: educação e má distribuição de renda.

Os Bagadus eram meninos de famílias pobres que moravam no então 3º Distrito de Porto Alegre, área compreendida pelas Ruas do Arroio (Bento Martins), Varzinha (Demétrio Ribeiro), Pantaleão Telles (Washington Luís), Cadeia (desaparecida na reurbanização da cidade), Praça da Harmonia e parte das Ruas dos Andradas, Ponte (Riachuelo) e Igreja (Duque de Caxias). As famílias dos Tinteiros, mais abonadas, habitavam a área entre as Ruas do Arroio e Portão.

Os dois bandos viviam brigando e por mais de uma vez causaram ferimentos sérios uns nos outros. Geralmente os Bagadus eram os vencedores porque tendo de trabalhar desde cedo, eram fisicamente mais fortes.

Naquele ano de 29 de junho 1849, um fato agravou a rivalidade: em uma novena ou festejo do Espírito Santo, um grupo de tinteiros encontrou três bagadus desprotegidos e decidiram surrá-los para se vingar das derrotas sofridas.

Imediatamente, os bagadus se mobilizaram, pois um dos surrados era seu próprio chefe. Os dois grupos trocaram notas e combinaram a tarde de 29 de junho para resolver a questão no Alto da Bronze. O que se seguiu foi hilariante. É Sebastião Leão que nos conta:

“De fato, na hora e dia indicados, ali se achavam armados com bengalas e facas, dezenas de meninos dos dois partidos. Travou-se tremenda luta entre os dois grupos, que inopinadamente viram-se cercados por numerosa força armada, que para ali fora enviada pelo Chefe de Polícia, Dr. Sayão Lobato. O comandante da força recebera ordens terminantes de não maltratar os meninos, e, simplesmente, amedrontá-los, pois era convicção do Chefe de Polícia que a presença da força bastaria para que os dois partidos batessem em retirada. (...)

Vendo-se cercados pela polícia, os dois grupos inimigos aliaram-se e reagiram como homens. A princípio os soldados foram apanhando às pauladas, sem tugir nem mugir, mas, quando sentiram as costas quentes, começaram a despejar bordoadas a torto e a direito. O aspecto da luta tornou-se mais grave, e terríveis seriam as suas consequências, se não tivessem acudido ao local do combate, grande número de chefes de família e as mães dos jovens guerreiros, que conseguiram dar termo à batalha.”

Soares Andréa, o Presidente da Província, para terminar de vez com as brigas entre os dois bandos, anunciou que seriam presos e remetidos para a Escola de Aprendizes de Marinheiro os menores que brigassem nas ruas. Para dar exemplo, ordenou a prisão de “alguns meninos vagabundos, de maus costumes, e mandou que passassem pelas ruas da cidade, no meio de um pelotão de soldados de baionetas caladas, e depois embarcassem para o Rio de Janeiro”.

Segundo a nota de Sebastião Leão foi o suficiente para acabar de vez com as brigas de Tinteiros e Bagadus. Temerosos do mesmo destino, nunca mais se engalfinharam.

Jayme Copstein


Tinteiros e Bagadus - Porto alegre 1837

... chamada “Tinteiros e Bagadus”, Aquiles lembra que nem sempre reinava a harmonia no espaço urbano e descreve os confrontos dominicais dessas duas turmas.

“Atavismo ou simplesmente imitação, o caso é que há sempre na infância uma tendência muito acentuada para a espada, para a guerra, para todos os armados em luta. (...) Em Porto Alegre (...) havia os “Tinteiros e Bagadus”. Estes eram constituídos pelos rapazes do terceiro distrito, e aqueles pelos de outra zona da cidade. Estes dois partidos digladiavam-se terrivelmente. Armavam conflitos formidáveis, eram irreconciliáveis e não se pense que “Tinteiros” e “Bagadus” se compunham somente de garotada vagabunda. Não. Muitos rapazes de boa família faziam parte, como chefes ou simples soldados, desses grupos arruaceiros que em certos dias da semana, punham na "urbs" uma nota belicosa. Além disso, nesse tempo, a cidade estava infestada pela praga terrível dos "capoeiras". Nessas lutas "domingueiras" (eram sempre aos domingos) entre "Tinteiros e Bagadus" as armas empregadas era a capoeira e a pedra [grifo nosso]." (Achylles,1994,p.95)

Achylles Porto Alegre (1848-1926) revela que a capoeira era recorrente nas ruas das cidades, não praticada somente por populares "Os Bagadus" que habitavam ao sul do lago Guaíba, 3° Distrito (geralmente associado aos territórios negros), mas também por segmentos de classe média e alta da cidade, geralmente estudantes egressos de famílias tradicionais, "Os Tinteiros", que ocupavam as partes altas da cidade, 1° Distrito).

O autor aponta ainda para uma demarcação simbólica dos espaços, onde estes eram motivos de conflitos nas famosas domingueiras.


Negros capoeiras