terça-feira, 21 de novembro de 2023

Moeda sonante*

 Nílson Souza

Minha compra na padaria totalizou R$ 23. Perguntei à moça do caixa se podia pagar com moeda sonante. Ela me olhou desconfiada, como se eu a estivesse submetendo a uma pegadinha. E estava mesmo. Sustentei o olhar sem dizer mais nada para induzi-la a falar o que eu já sabia que ia ouvir: 

‒ O que é isso? ‒ questionou. 

‒ Dinheiro, moça! Dinheiro vivo, ainda que nossas notas e moedas pareçam condenadas à morte pelo próprio Banco Central, que já cogita a criação de um mecanismo digital para sepultar também os cartões de débito e crédito. Em tempo de Pix e criptomoedas o dinheiro físico começa a ser visto com desconfiança ‒ e, às vezes, até com repugnância. Já vi gente passando álcool nas mãos depois de pegar uma cédula com a ponta dos dedos. 

Pensei em explicar à minha interlocutora que o termo sonante vem de uma época antiga em que as transações financeiras eram legitimadas por moedas metálicas, especialmente de ouro e prata. Lançadas sobre um balcão ou uma mesa, ouvia-se o tilintar que assegurava a pureza do metal utilizado. Sonante, portanto, deriva daquele som inconfundível para os comerciantes pretéritos. 

(...) 

******* 

* Parte da crônica “A menina da raiz quadrada”, de Nílson Souza, no jornal Zero Hora, novembro de 2023.

Características do Fascismo

 

Frank Arellano 

Professor de História e Mestre em Linguística 

O fascismo se caracteriza por ser um sistema político oposto ao socialismo e também imperialista, autoritário, antiliberal e antissocialista, anticomunista e nacionalista. Algumas características gerais: Estado totalitário: o Estado controlava todas as manifestações da vida pública e privada da população. 

O que caracteriza um fascista? 

Fascismo é uma ideologia política ultranacionalista e autoritária caracterizada por poder ditatorial, repressão da oposição por via da força e forte arregimentação da sociedade e da economia. 

Quais são as principais ideias fascista? 

A ideia dos fascistas era tomar o poder da Itália a partir da via eleitoral, mas também por meio de atos violentos contra os opositores, especialmente contra os socialistas. O uso da violência pelos fascistas contra os socialistas recebeu forte apoio de diversas camadas da sociedade italiana. 

Quais são as consequências do fascismo? 

Entre as consequências dessa forma governo destacam-se a Criação do PNF (Partido Nacional Fascista) em 1921, Censura aos jornais da época, colocação do parlamento em segundo plano e se tornando o chefe supremo (Duce) do país e fim democracia, além das tensões que os levariam a outro conflito mundial: a segunda guerra... 

Por que a burguesia apoiou o fascismo? 

À burguesia era mais vantajoso apoiar a tomada do poder pelo fascismo do que correr o risco de um avanço ainda maior da luta da classe trabalhadora. 

Veja as 8 principais características que definem esse tipo de governo. 

1. Valoriza o nacionalismo 

Os regimes fascistas valorizam de forma intensa o sentimento de nacionalismo. Assim, é comum que os governos fascistas utilizem, de forma exacerbada, propagandas nacionalistas através de lemas, símbolos, músicas e bandeiras. 

Em nome do nacionalismo, os governos fascistas utilizam todas as formas possíveis de manipulação da população, seja através da mídia, da religião ou mesmo da violência. Além disso, os regimes fascistas estabelecidos na Itália e na Alemanha buscavam constantemente a expansão do seu território.

2. Totalitarismo e Corporativismo 

O fascismo estabelece um governo totalitário que exerce o controle absoluto dos direitos dos cidadãos, seja no contexto político, cultural ou econômico. Além disso, o governo incita o corporativismo entre todos os setores da sociedade com o objetivo de criar um “Estado Orgânico”. 

O maior exemplo de corporativismo fascista ocorreu na Itália durante o governo de Mussolini. Na época, foram criados sindicatos de trabalhadores e de patrões para cada profissão. Esses sindicatos eram submetidos à supervisão do Partido Nacional Fascista, o que garantia que todas as classes, de todas as áreas, estivessem sempre em harmonia com os ideais do governo. 

3. Ênfase no militarismo 

O fascismo é um regime que acredita na utilização da força e da violência para atingir seus objetivos. Por esse motivo, o governo dedica quantidades desproporcionais de recursos ao financiamento de armas e guerras. Neste tipo de governo, soldados e militares são vangloriados pelas massas. 

Nos regimes fascistas a polícia é altamente militarizada e possui ampla autonomia para lidar com problemas internos e domésticos que normalmente não necessitam de participação militar. 

4. Obsessão com a segurança nacional 

Os regimes fascistas possuem uma necessidade constante de preparar a nação para um conflito armado. Com esse objetivo, são propagados discursos de terror para causar um sentimento de insegurança e paranoia na população, que busca se unir para lutar pela mesma causa. Assim, o fascismo utiliza o medo como instrumento de motivação. 

5. Desprezo pelos direitos humanos 

Em uma sociedade altamente militarizada e em constante confronto, os ideais do governo são constantemente impostos de forma violenta, convencendo os cidadãos de que os direitos humanos não são prioridade. Assim, no fascismo não existe valorização da liberdade ou da integridade física daqueles considerados inimigos. 

Nos regimes fascistas, o desprezo pelos direitos humanos é transmitido para a população, que passa a ser conivente com práticas como execuções, torturas, prisões arbitrárias, etc. 

6. Desprezo por intelectuais e artistas 

Considerando que os governos fascistas possuem o apoio da população, aqueles que não se adéquam aos ideais da nação são abertamente hostilizados. 

Por esse motivo, intelectuais e artistas com a capacidade de questionar o regime e influenciar o povo a fazer o mesmo são perseguidos, e qualquer forma de insurgência contra o Estado é rechaçada de forma violenta. 

7. Controle da mídia e censura 

A fim de manter a integridade do sistema, os regimes fascistas tendem a controlar os meios de comunicação. Por vezes, o controle é exercido diretamente pelo governo e, em outras, a mídia sofre regulação indireta. De qualquer forma, a censura de ideias contrárias ao regime é comum. 

8. Usa a religião como forma de manipulação 

Tanto na Alemanha quanto na Itália o fascismo, nos primeiros anos, disputava a devoção das pessoas com a igreja. No entanto, os dois governos resolveram utilizar a religião a seu favor para manter os ideais da população alinhados e reunir mais seguidores. Dessa forma, os fascistas passaram a traçar paralelos forçados entre preceitos religiosos e ideologias políticas para manipular as pessoas. 

Na Itália, Mussolini, além de ser ateu, havia planejado confiscar os bens da igreja até decidir incorporar a retórica religiosa em seus discursos. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Por que é importante praticar atividade física?

 Larissa Roso*

● Promove bem-estar e melhora a qualidade de vida. 

● Melhora as habilidades de socialização por meio da participação em atividades em grupo. 

● Aumenta energia, disposição, autonomia e independência para as atividades do dia a dia. 

● Reduz o cansaço durante o dia. 

● Melhora a capacidade para se movimentar e fortalece músculos e ossos. 

● Reduz as dores nas articulações e nas costas. 

● Melhora a postura e o equilíbrio. 

● Reduz risco de quedas e das lesões. 

● Melhora a qualidade do sono. 

● Melhora a autoestima e a autoimagem. 

● Auxilia no controle do peso. 

● Reduz os sintomas de ansiedade e depressão. 

● Ajuda no controle da pressão alta. 

● Permite controlar o colesterol e o diabetes. 

● Reduz o risco de desenvolver doenças do coração e alguns tipos de câncer. 

● Melhora a saúde dos pulmões e a circulação. 

● Ajuda na manutenção da memória, da atenção, da concentração, do raciocínio e do foco. 

● Além disso, a prática de atividade física traz outro benefício importante: reduz o risco para demência, como a doença de Alzheimer. 

(Do jornal Zero Hora, 20.11.2023) 

* Parte da sua matéria. 

Fontes: Carla Helena Augustin Schwanke, médica geriatra, Guia de Atividade Física para a População Brasileira do Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

O cão bilíngue

 

Um cão, supertreinado, vê um anúncio num jornal oferecendo emprego. O texto dizia o seguinte: “Oferece-se emprego. O candidato deve datilografar setenta palavras por minuto, ter conhecimentos sólidos de computação e ser bilíngue. O empregador, pessoa liberal, não discrimina candidatos”. O cão candidata-se à vaga, mas é logo rejeitado. 

‒ Não posso contratar um cachorro para o emprego ‒ diz o chefe do escritório. ‒ Mas quando o animal lhe mostra a referência ao caráter liberal do empregador, o gerente suspira e pergunta: ‒ Sabe datilografar? 

O cachorro dirige-se até a máquina de escrever e bate uma carta sem cometer nenhum erro. 

‒ Sabe trabalhar com computador? ‒ indaga o chefe. 

O cachorro senta-se diante do terminal e cria um programa que roda perfeitamente. 

‒ Veja, mesmo assim, continuo sem poder contratar um cachorro para a função ‒ diz, exasperado, o chefe. ‒ Você possui muitas qualidades, mas eu preciso de alguém que seja bilíngue. Está escrito no anúncio. 

O cachorro nem sequer vacila. Encara o homem e responde: 

‒ Miau!

domingo, 19 de novembro de 2023

Avarento

Avarento significa mesquinho, miserável, sovina, que não é generoso, que não faz caridade. É aquele que é sordidamente apegado ao dinheiro. 

Avarento é um adjetivo que qualifica aquele indivíduo que tem avareza, ou seja, que tem apego demasiado ao dinheiro, que tem o desejo ardente de acumular riqueza. 

O indivíduo avarento recebe vários adjetivos, entre eles algumas expressões populares, nas diversas partes do Brasil, entre eles: avaro, casquinha, chifre de cabra, esganado, fuinha, gaveteiro, mão de finado, mão de leitão, mão de vaca, mãos atadas, migalheiro, muquirana, pão duro, sórdido, sovina, tacanho, tranca, vinagre etc. 

No sentido figurado, avarento é aquele indivíduo que é parco em palavras, isto é, que economiza palavras, que é poupador de palavras. Avarento é também uma adjetivação usada para o indivíduo ciumento, que não gosta de dividir nada que lhe pertence. 

O avarento, aquele indivíduo que faz pouca caridade, que não é generoso, que não gosta de gastar seu dinheiro, é também chamado de mão de vaca. 

Uma das características mais notáveis encontradas em alguns avarentos é a quebra do que podemos entender como uma das propriedades do dinheiro, sua conversibilidade. Na verdade, para o avarento tudo se converte em dinheiro, mas o caminho inverso é impedido. 

O avarento parece desejar não desejar, desejar não ser um ser de pulsão, mas um corpo regido pelo instinto autoconservativo. A grande pergunta do avarento é: “para que você quer isso? Você precisa mesmo disso?”. 

É engraçado ver o avarento praticando caridade. A impressão que dá é que isso lhe dói os ossos! 

Este comportamento se caracteriza pela dificuldade e o medo de perder o que possui, como bens materiais e recursos. Por isso, uma pessoa avarenta tem dificuldade de abrir mão do que tem mesmo que receba algo em troca, tem cuidado excessivo com seus pertences e é uma pessoa egoísta. 

Avarento é um adjetivo que qualifica aquele indivíduo que tem avareza, ou seja, que tem apego demasiado ao dinheiro, que tem o desejo ardente de acumular riqueza. 

O que a avareza causa? 

Muitas vezes, passam fome ou se alimentam mal somente movidos pelo intuito de poupar, de guardar. Se a avareza doentia impõe sacrifícios pessoais, fica descartada qualquer possibilidade de gesto altruísta e solidário aos necessitados, mesmo nas desgraças e calamidades. 

O ponto de vista da psicanálise sobre a avareza 

A pessoa avarenta está, na realidade, aterrorizada, e organiza a sua vida a partir de uma fantasia de controle. Para a psicanálise, o tema está relacionado com uma dificuldade de superação da fase anal. 

Quando a criança percebe o quanto a fase de controle intestinal é traumática ou excessivamente severa, ela geralmente desenvolve uma obsessão por reter, por evitar a dar. Isso se traduz na vida adulta tanto em avareza, quanto no egocentrismo 

Principais Hábitos de um Avarento 

01. Deixa de fazer coisas que gosta para não gastar dinheiro; 

02. Tem um grande medo de perder o que possui, o que faz com que o comportamento em relação às finanças também impacte nas emoções; 

03. Se recusa a ajudar alguém se isso for lhe custar algo; 

04. Não lhe agrada nem se alegra com a ideia de que os “seus preciosos bens” caiam nas “mãos de outros que não fizeram nada para obtê-los”. Sabe que a partilha exige perder (quando dou, deixo de ter aquilo que dou), e sofre com isto; 

05. Não se importa se isso vai ajudar outros, para o avarento a “alegria de dar” parece ser menor do que a de “receber”; 

06. A alegria do avarento é passar necessidade e guardar dinheiro; 

07. A diferença entre ser econômico e ser avarento? Simples. O avarento só é econômico com o que é dele, mas é pródigo com o que é dos outros; 

08. O avarento gasta mais no dia da sua morte do que gastou em dez anos de vida, e o seu herdeiro gastará mais em dez meses do que ele na vida inteira; 

09. Os avarentos não creem numa vida por vir, para eles o presente é tudo; 

10. O avarento e o porco de engorda tornam-se úteis só depois de mortos. 

O avarento e o seu tesouro

La Fontaine

Um avarento escondia suas moedas num buraco. Um dia, constatou que alguém havia descoberto o esconderijo e furtado todo seu tesouro. Ficou a chorar, quando se aproximou um amigo.

‒ Por que choras?

‒ Roubaram todo meu tesouro! Todo dinheiro que escondia há anos neste buraco!

‒ Se você tinha dinheiro para admirar, para ver, então não tinha nada. Quem tem algo e não o usufrui, não aproveita; nada tem ! Encha um saco de pedras e enterre neste buraco, não fará diferença nenhuma! 

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Qual a moral da fábula “O avarento”? 

Sua preocupação era tanta que, pensando não ser a casa um local seguro, ele resolveu enterrar o ouro no jardim. Mas ele não esperava que alguém estivesse vendo essa ação. Com essa história. As crianças aprendem que nossas posses materiais não são tudo na vida.

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Primo trapalhão

 

Um jovem casal tinha que ir a uma festa, e tinha, também, algumas tarefas para aquela noite. A mulher, então, convidou um primo para dar uma ajuda. 

O primo não era muito de confiança, mas recebeu do dono da casa as seguintes instruções: 

‒ Carlinhos (esse era o nome dele), você terá que fazer o seguinte: derramar sabão com água no chão; passar manteiga nas torradas; temperar com azeite e vinagre o frango e botar a criança para dormir, tá ok? 

‒ Deixa comigo, primo, eu vou fazer tudo certinho!

O casal voltou tarde da noite da festa, encontrando o primo lendo calmamente uma revista, sentado no sofá da sala. 

‒ E daí, primo, correu tudo bem? 

Ele, com ar de missão cumprida, respondeu: 

‒ Fiz tudo certinho como me foi recomendado: joguei manteiga no chão, temperei a criança, derramei sabão e água nas torradas... 

‒ Você é maluco, primo! 

‒ Fala baixo, pois já botei o frango pra dormir.

Malhação de Judas

 

Malhação de Judas ou Queima de Judas é uma tradição vigente em diversas comunidades católicas e ortodoxas que foi introduzida na América Latina pelos espanhóis e portugueses. É também realizada em diversos outros países, sempre no Sábado de Aleluia, simbolizando a morte de Judas Iscariotes. 

Consiste em surrar um boneco do tamanho de um homem, forrado de serragem, trapos ou jornal, pelas ruas de um bairro e atear fogo a ele, normalmente ao meio-dia. 

A malhação de Judas é uma tradição popular ligada aos ritos da Páscoa cristã e amplamente difundida em diversos países, principalmente na América Latina e na Europa. No rito secular, comunidades se unem para confeccionar, pendurar em postes e queimar bonecos em alusão à figura bíblica de Judas Iscariotes. 

No Brasil, o rito acontece entre a madrugada da Sexta-Feira Santa e a manhã de Sábado de Aleluia. Já em Portugal, o boneco é malhado na passagem do Sábado de Aleluia para o Domingo de Páscoa. Embora a malhação seja um dos ritos da Paixão de Cristo reencenados por fiéis, não faz parte da liturgia católica.  

Segundo a Bíblia, Judas Iscariotes foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. O discípulo teria traído Jesus ao entregá-lo para a crucificação em Jerusalém em troca de pagamento. O relato bíblico é de que Judas entrou em desespero: “E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar” (Mateus, 27:5).