Aliteração: Repetição de sons idênticos ou semelhantes num mesmo
verso ou ao longo de uma estrofe. É um recurso que intensifica a musicalidade
dos versos e foi muito explorado pelos poetas do Simbolismo, sobretudo por Cruz
e Sousa.
Ambiente: O ambiente é o cenário por onde circulam personagens
e onde se desenrola o enredo. Em alguns casos, a importância do ambiente é tão
fundamental que ele se transforma em personagem.
Anáfora: Repetição de termos ou frases no início dos versos
de um poema.
Anástrofe: Inversão da ordem natural das palavras correlatas.
Antítese: Recurso de estilo em que se contrapõem palavras ou
frases de sentido antagônico, de modo a tornar mais expressiva a oposição de
ideias.
Apólogo: Breve narrativa que expressa uma mensagem de fundo
moral. Muito próximo da fábula e da parábola, a distinção entre essas formas é
assim explicada por alguns autores: no apólogo, as personagens seriam objetos
inanimados; a fábula apresentaria como personagens animais irracionais e a parábola
seria protagonizada por seres humanos. Em todas essas formas de narrativa,
porém, está presente a intenção de transmitir ao leitor uma mensagem moral.
Auto: Breve peça de conteúdo religioso ou profano, geralmente em verso, que
se originou na Idade Média. Em Portugal, alcançou seu apogeu na obra de Gil
Vicente, no século XVI. No Brasil, José de Anchieta o empregou em sua missão de
catequese do indígena e educação religiosa do colono. Em nossos dias, é
praticado muito esporadicamente, merecendo destaque o Auto da Compadecida
(1959), de Ariano Suassuna.
Bucolismo: Tendência poética referente às obras que fazem o
elogio da vida campestre. Essas poesias são também chamadas de pastoris, porque
nelas os pastores são presenças constantes. O bucolismo foi uma das
características da poesia arcádica.
Cantiga: Breve composição poética feita para ser cantada. Na
literatura portuguesa, as cantigas desenvolveram-se principalmente durante os
séculos XII, XIII e XIV, constituindo o movimento poético conhecido por Trovadorismo.
Essa denominação, aliás, deriva de trovador, nome dado ao autor das cantigas.
Quanto ao assunto, as cantigas podiam ser: líricas (cantigas de amor e de
amigo) e satíricas (cantigas de escárnio e de maldizer). As coleções de
cantigas que restaram dessa época dá-se o nome de Cancioneiros.
Carpe Diem: “Colhe o dia”, exortação de Horácio, poeta latino da
época do Imperador Augusto; foi o lema persuasivo do galanteio e da conquista
dos corações femininos, na medida em que chama a atenção para a perecibilidade
da beleza, a morte de tudo; o carpe diem foi uma forma indireta de negaceio
amoroso.
Clichê: Frase ou expressão que, de tanto ser usada, perdeu sua beleza
primitiva, tornando-se completamente banal. É um defeito de estilo que deve ser
evitado, pois empobrece e vulgariza o texto. Também pode ser considerado clichê
o final feliz de muitas obras literárias, e, sobretudo, de fotonovelas ou
telenovelas. O clichê pode ser chamado também de lugar-comum, frase feita e
chavão.
Comédia: É a representação de um fato inspirado na vida e no
sentimento comum, de riso fácil e geralmente critica os costumes de um
determinado povo ou época.
Conceptismo Barroco: Tendência para a especulação aguda de ideias, para a
criação de conceitos novos; é um tipo de barroco oposto ao Cultismo, que se
caracteriza pelo refinamento das imagens, tons e forma.
Conotação: Carga lírica das palavras, a capacidade que elas têm
de lembrar e sugerir ideias e associações, visões e imagens, através de
imitações sonoras, empatias, derivações, graças à experiência pessoal ou grupal
ou universal, de modo a justificar a asserção de Thierry Manier: “A atividade
específica do poeta não é despertar
em si uma porção de fantasmas para envolvê-los em palavras, e sim provocar nos
outros a aparição do maior número possível de fantasmas que as palavras possam
trazer consigo”. A conotação é um recurso da linguagem lírica, ao contrário da
denotação que se presta melhor à linguagem científica.
Cultismo Barroco: Tendência ao emprego de figuras refinadas; escola
barroca que cultivou o requinte temático (descrição de objetos preciosos ou
encarecimento de objetos que tenham alguma importância circunstancial). O
Cultismo é uma degeneração tardia do barroco peninsular, ocorrida especialmente
na América Espanhola e no Brasil.
Denotação: Qualidade específica das palavras que designam, sem
dubiedades nem associações, um só e único significado, válido em qualquer
contexto. É o contrário da conotação.
Didático: Um gênero não definido como literário, pois é
despido de arte ou ficção. Uma técnica para se transmitir conhecimentos.
Eco: Efeito sonoro resultante da recorrência de sons idênticos ou
semelhantes no final de várias palavras de um texto. Em prosa, deve ser evitado
porque provoca efeito desagradável, mas em poesia constitui autêntica rima
interna, transmitindo grande musicalidade aos versos.
Elegia: Tipo de composição poética que constitui geralmente
um canto lamentoso e triste.
Enredo: É a própria estrutura narrativa, ou seja, o desenrolar dos
acontecimentos.
Épica: Composição poética em que se revela a intenção do autor de “abranger
a multiplicidade dinâmica do real físico e espiritual numa só obra, numa só
unidade”. Contrariamente à lírica, que se restringe à expressão dos sentimentos
do “eu”.
Epopeia: Tipo de poema épico em que se cantam os feitos
gloriosos de um povo, constituindo, portanto, uma exaltação da nacionalidade. A
obra Os Lusíadas (1572), do poeta português Luís Vaz de Camões, representa a
melhor realização de uma epopéia em língua portuguesa.
Estribilho: Verso ou conjunto de versos que se repetem após uma
ou mais estrofes de um poema. Pode ser chamado também de refrão.
Estrofe: Nome dado a cada grupo de versos que compõem um
poema. De acordo com o número de versos que contêm (de 2 a 10), as estrofes recebem os
seguintes nomes: dístico, terceto, quarteto ou quadra, quinteto, sexteto ou
sextilha, sétima, oitava, nona, décima ou década.
Farsa: Pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que critica
a sociedade e seus costumes.
Ficção: Vem do latim “fictionem” e significa “ato ou efeito de fingir, e
simular”. É o produto da imaginação, da invenção. Podemos classificar uma
narrativa de ficção em verossímil ou inverossímil: se a ficção guardar pontos
de contato com a realidade, se o evento parecer verdadeiro ou provável, será
verossímil; caso contrário, se parecer improvável, absurdo, sem contato com a
realidade, será inverossímil.
Flashback:
Técnica narrativa que consiste em contar a ação do presente para uma volta ao
passado, numa espécie de retrospectiva. Cria-se, dessa forma, uma situação
narrativa com dois planos temporais: um no presente e outro no passado.
Foco narrativo: Designa aquele que narra a história num conto,
novela ou romance. O estudo do foco narrativo esclarece o leitor a respeito do
ponto de vista a partir do qual é feita a narração. Quando o narrador é uma das
personagens, dizemos que o foco narrativo é em primeira pessoa; quando não é
uma das personagens, estando, portanto, fora da história, dizemos que o foco
narrativo é em terceira pessoa.
Fusionismo Barroco: É a fusão de aspectos sensoriais ou ideacionais
(fusão de luz e treva, de sons, do irracional com o racional, etc.).
Gongorismo Barroco: Estilo literário espanhol da época barroca; nome
empregado pejorativamente, já que deriva de Luis de Gôngora y Argote, um dos maiores poetas barrocos; exagero no
emprego das metáforas engenhosas e nos trocadilhos; abuso das soluções difíceis
e complicadas. Na série de equívocos suscitados pelo Gongorismo, houve o hábito
didático de classificar autores e obras, opositivamente, em cultistas e
conceptistas, conforme o predomínio de palavras concretas ou abstratas. Como
características secundárias do Gongorismo, pode-se apontar a mitologia clássica
como fonte principal de temas e motivos, e a utilização cumulativa das figuras
de retórica. No Brasil são duas as vozes gongoristas que merecem menção: Manuel
Botelho de Oliveira (1636‒1711) e Sebastião da Rocha Pita (1660‒1738).
Hipérbato: Figura de sintaxe que consiste na inversão violenta
da ordem natural das palavras; decorre da imitação da sintaxe latina, onde as
palavras não precisam ocupar um lugar definido no discurso, uma vez que seu
sentido é plenamente captável. Sem os recursos flexionais do latim clássico, a
língua portuguesa e espanhola têm certos limites de tolerância no desarranjo de
termos, que os cultistas muitas vezes ultrapassaram.
Hipérbole: Figura de linguagem em que se realça uma ideia por
meio de uma firmação exagerada.
Humanismo Barroco: É um conceito central do Renascimento. Consiste em
tomar o homem total como objeto e inspiração da arte; valorização absoluta da
idéia de homem. Na Era Barroca o humanismo é um conceito em crise.
Imagem: Frase ou locução representativa ou sugestiva de emoção, sentimento,
ideia ou conceito. A estrutura lingüística da imagem apóia-se na “comparação”
entre os significados explícitos dos vocábulos e os implícitos que o poeta
atribui às suas vivências ou motivações subjetivas.
Lira: Tipo de composição poética de caráter sentimental que geralmente
apresenta um estribilho após cada estrofe. Destacam-se, na literatura
brasileira, as liras escritas pelo poeta arcádico Tomás Antonio Gonzaga (1744-1810)
em seu livro Marília de Dirceu.
Lírico: A Lira é um instrumento musical que acompanhava os cantos dos gregos.
Daí nasce o termo lírico que vem denominar um gênero literário introspectivo e
voltado às emoções e subjetividades. A lírica é uma expressão emocional do eu.
Apoia-se em subjetividades, sentimentos. Os textos poéticos ou em prosa do
gênero lírico centram-se na primeira pessoa do singular.
Maneirismo: Forma tardia de Renascimento, espécie de estilo
pré-barroco, caracterizado por seu experimentalismo formal, porém sem o
impressionismo e o realismo que serão as características do barroco.
Marinismo Barroco: Influência da lírica barroca italiana, começada por
Marino.
Metáfora: Recurso de estilo que consiste em associar a um
elemento características que não lhe são próprias, enriquecendo-lhe o
significado e revestindo-o de uma carga poética especial. A metáfora é um tipo
especial de comparação, em que estão ausentes as partículas como, assim como e
outras. Podemos falar ainda em linguagem metafórica quando queremos nos referir
a uma linguagem rica em significados e associações.
Metáfora Barroca: Figura que consiste em empregar um termo com dupla
alusão. Toda metáfora é um pequeno mito, pois o que ela diz ‒ tomado ao pé da
letra ‒, é um absurdo. Uma das grandes revoluções operadas pela poética barroca
foi o aparecimento das metáforas erótico-anatômicas que associavam o amor ao
prazer e a natureza à mulher. Por vezes, a técnica barroca construía uma
verdadeira constelação de metáforas. A esse conjunto metafórico alguns autores
chamam alegoria.
Métrica: Também chamada de versificação, é a medida do verso,
isto é, a contagem das sílabas poéticas que compõem um verso. Para se
estabelecer a métrica dos versos, deve-se separá-los em sílabas poéticas (que
são diferentes das sílabas gramaticais), considerando-se apenas até a última
sílaba tônica. Além disso, por necessidade de ritmo, muitas vezes o poeta pode
lançar mão de vários recursos para abreviar ou alongar as sílabas. A elisão,
que consiste na fusão de vogais no encontro de palavras, é um dos recursos mais
usados. De acordo com o número de sílabas que contém, o verso recebe o nome de:
monossílabo, dissílabo, trissílabo, tetrassílabo, pentassílabo ou redondilha
menor, hexassílabo, heptassílabo ou redondilha maior, octossílabo, eneassílabo,
decassílabo, hendecassílabo, dodecassílabo ou alexandrino. Na literatura
moderna predomina o verso livre, em que não há preocupação de rigor métrico.
Misticismo Barroco: Deu-se na Espanha, no tempo de prosperidade da
Companhia de Jesus. O misticismo é a concentração aguda em Deus, é um ato de fé
capaz de provocar o milagre do reconhecimento de Deus. Santa Teresa de Jesus
(freira, mística e escritora espanhola, Santa Teresa de Ávila, nasceu em Ávila,
em 1515 e morreu em 1582, canonizada em 1622) e São João da Cruz (poeta e
prosador místico espanhol, Juan de Yepes, nasceu em Fontiveros, Ávila, em 1542,
e morreu em Úbeda, Jaén, a 14/12/1591) são seus melhores representantes na
poesia.
Narrativa: Designa um tipo de texto que apresenta o desenrolar
de uma ação ou de uma história, num certo período de tempo, com a participação
de uma ou mais personagens. Importa considerar ainda que, numa narrativa,
podemos reconhecer o tempo da narração, isto é, o momento em que a narração dos
fatos é feita, e o tempo da narrativa, isto é, o momento em que os fatos
narrados aconteceram. Estes fatos podem ter ocorrido antes da narração ou podem
ocorrer simultaneamente a ela; mais raramente poderão ocorrer posteriormente à
narração, como é o caso, por exemplo, dos textos em que se fazem previsões ou
profecias.
Onomatopeia: Gramaticalmente, é uma palavra cuja formação procura
reproduzir certos sons ou ruídos. Em literatura, consiste numa aliteração que
tem por objetivo representar sonoramente determinada ação.
Oxímoro: Quando o vigor da antítese resulta numa contradição
ou paradoxo, isto é, quando as ideias expressas se excluem mutuamente, temos o
oxímoro.
Paródia: Composição literária cujo objetivo é imitar, com
intenção satírica ou cômica, o tema ou o estilo de uma outra obra.
Personagens: São os participantes do desenrolar dos
acontecimentos; aqueles que vivem o enredo. A palavra personagem tanto pode ser
feminina como masculina. O personagem principal de um enredo é chamado protagonista,
geralmente é o herói, o mocinho. Há personagens que não representam
individualidades, mas sim tipos humanos, identificados pela profissão, pelo
comportamento, pela classe social, etc. Os personagens caricaturais têm seus
traços ou comportamentos excessivamente realçados no enredo, fixando-lhe os
detalhes de forma crítica ou irônica.
Poema: Denominação genérica de uma estrutura verbal em verso. Obra poética. A
palavra poesia vale por sinônimo de poema. Os poemas se dividem em diferentes
gêneros: épico ou heroico, didático, didascálico, fábula, dramático, lírico,
religioso e outros.
Poesia: O termo poesia tem as seguintes conotações:
1.
estrutura verbal, também chamada poema, realizada segundo as seguintes
exigências:
a)
ordenação de frases e respectivos membros em linhas com extensão determinada,
denominadas versos;
b)
subordinação das palavras, em cada verso, a regras prosódicas, sistematizadas
sob a forma de ritmo.
2.
Relação emotiva, sentimental ou estética, entre a forma do poema, ouvido ou
lido, e a sensibilidade do ouvinte ou leitor.
3.
Qualidade própria do poema, que suscita essa relação de cunho subjetivo, caso
em que se diz: “esta poesia é poética”, “este poema possui poesia”. Poesia é a beleza estética
que se extrai de um poema.
Preciosismo: Termo com que se designa um trabalho de linguagem
exageradamente requintado ou rebuscado. Dizemos que o estilo de um autor é
precioso quando ele emprega palavras raras e construções sintáticas pouco
usadas. Geralmente costuma-se opor a linguagem preciosa à linguagem coloquial,
que é mais comunicativa e espontânea.
Prosa: Diz-se, em oposição à poesia, o texto não escrito em versos, quanto à
forma; e, quanto ao tratamento estilístico, a obra não escrita em linguagem
lírica.
Prosódia: Parte da Linguística dedicada ao estudo da pronúncia
das palavras em geral; e em especial, para os fins de versificação.
Rima: Repetição do mesmo acento na sílaba tônica da palavra final em versos
sucessivos.
Romance: Narração de um fato imaginário, mas verossímil, que
representa quaisquer aspectos da vida familiar e social do homem.
Sátira: Composição literária escrita quase sempre em linguagem irreverente e
maliciosa, cujo objetivo é ridicularizar atitudes ou apontar defeitos. Na
literatura brasileira, merecem destaque as poesias satíricas de Gregório de
Matos (1636‒1696) e o poema incompleto Cartas Chilenas, de Tomás Antônio
Gonzaga (1744‒1810).
Soneto: Composição poética composta de 14 versos rimados em 2 quadras e 2
tercetos. O soneto pode ser regular e irregular.
Soneto
regular é composto em 10 sílabas sonoras em cada uma de seus versos – 2 quadras
e 2 tercetos. Atualmente, se aceita o soneto com 3, 14, 15 e 16 sílabas, desde
que sejam constantes. As rimas, porém, devem ser sempre 5, cruzadas e
encadeadas nas quadras, pareadas e encadeadas nos tercetos.
Tema
no soneto regular, desenvolve-se apenas um tema, que é proposto nas 2 quadras e
concluído nos tercetos. O tema distribui-se de modo que a sua expressão tenha
mais acentuado cunho expressivo ou de maior relevo emotivo nos tercetos.
Deve-se evitar nos sonetos os vocábulos polissilábicos, admitindo-se os mais
extensos com 3 sílabas.
No
soneto irregular alteram-se os esquemas de rimas, utilizando-se versos
heterométricos; inverte-se a ordem das estâncias – quadras e tercetos –
aumenta-se o número de versos. Soneto invertido: os tercetos precedem as
quadras. Soneto caudado: com mais de 14 versos; depois do segundo terceto
acrescenta-lhe uma cauda de 2 ou 3 versos. Esta cauda é chamada pelos espanhóis
de estrambose.
Tragédia: É a representação de um fato trágico, suscetível de
provocar compaixão e terror.
Tragicomédia: Modalidade em que se misturam elementos trágicos e
cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário.
Verso: Linha escrita, de sentido completo ou fragmentário, que se
caracteriza pela obediência a determinados preceitos rítmicos, fônicos, ou
meramente gráficos, pelos quais difere das linhas de prosa. Verso é cada
linha de um poema.
Extraído de www.regina.celia.com.br