terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A Rua das Rimas

 Guilherme de Almeida

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino

é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,

direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais,

animais e varais nos quintais;
e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso;
e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,

mas brando e brando,
soltando, de vez em quando,

na luz rara de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;

e de noite, no ócio capadócio,

junto aos lampiões espiões,

os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (mulata ingrata que mata…);
e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio…

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino

é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer  uma mulher que bem me quer;
é uma rua, como todas as ruas, com suas duas calças nuas,

correndo paralelamente, como a sorte diferente de toda gente, para a frente,

para o infinito; mas uma rua que tem escrito um nome bonito, bendito,

que sempre repito e que rima com mocidade, liberdade, tranquilidade: RUA DA FELICIDADE…

*******

Guilherme de Andrade de Almeida (Campinas, 24 de julho de 1890 ‒ São Paulo, 11 de julho de 1969) foi um poeta, cronista, jornalista, crítico de cinema, ensaísta e tradutor brasileiro. É considerado um verdadeiro comunicador, tendo utilizado, sem preconceitos, quase todos os meios de comunicação disponíveis em seu tempo: livro, jornal, revista, cinema, teatro, rádio, letra de música e hinos. 

É de sua autoria a letra da Canção do Expedicionário com música de Spártaco Rossi, referente à participação dos pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial.

Essa é pra quem bebe

 Paulo César Pinheiro e Wilson das Neves

Pra quem sempre bebe muito,
Mais devagar com esse andor,
Sobretudo quando o assunto,
Geralmente, envolve amor.
É melhor que tu não brinques,
Porque o amor é enganador,
Vale mais viver nos trinques,
Beber os seus drinks
Ser mais moderador.
 

Pra quem sempre bebe muito,
Mais devagar com esse andor,
Sobretudo quando o assunto,
Geralmente, envolve amor.
É melhor que tu não brinques,
Porque o amor é enganador,
Vale mais viver nos trinques,
Beber os seus drinks
Ser mais moderador.
 

Mas tu queres outra dose,
Porque não sabes parar.
Tens aumento de glicose,
Risco de cirrose,
Tu podes pifar.

E a mulher que está contigo,
A moçada quer levar.
É aí, meu caro amigo,
Que mora o perigo
Da testa se enfeitar.
 

Pra quem sempre bebe muito,
Mais devagar com esse andor,
Sobretudo quando o assunto,
Geralmente, envolve amor.
É melhor que tu não brinques,
Porque o amor é enganador,
Vale mais viver nos trinques,
Beber os seus drinks
Ser mais moderador.
 

Beiço rosa, pé inchado,
E vermelho é o seu olhar
De cachaça, rum, traçado
Genebra, quinado e conhaque do bar.
Que mulher nenhuma aguenta
Esse embalo segurar,
Qualquer dia o tempo esquenta
Um dia, a rua atenta
Ela vai te abandonar.
 

Pra quem sempre bebe muito,
Mais devagar com esse andor,
Sobretudo quando o assunto,
Geralmente, envolve amor.
É melhor que tu não brinques,
Porque o amor é enganador,
Vale mais viver nos trinques,
Beber os seus drinks
Ser mais moderador.
 

P.S,: Canta Wilson das Neves no CD Zeca apresenta o Quintal do Pagodinho.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Acadêmicos de Niterói

 Samba-Enredo de 2026 

Do Alto do Mulungu Surge a Esperança:

Lula, o Operário do Brasil.

Olê, olê, olê, olá,

Vai passar nesta avenida mais um samba popular.

Olê, olê, olê, olá,

Lula, Lula! 

Eu vi brilhar a estrela de um país
No choro de Luiz, à luz de Garanhuns,
Lugar onde a pobreza e o pranto
Se dividem para tantos
E a riqueza multiplica para alguns.
Me via nos olhares dos meus filhos,
Assombrados e vazios com o peito em pedaços.
Parti atrás do amor e dos meus sonhos,
Peguei os meus meninos pelos braços,
Brilhou um sol da pátria incessante.
Pro destino retirante te levei, Luiz Inácio.
 

Por ironia, 13 noites, 13 dias,
Me guiou Santa Luzia, São José alumiou.
Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical
À liderança mundial.
 

Vi a esperança crescer e o povo seguir sua voz.
Revolucionário é saber escolher os seus heróis:
Zuzu Angel, Henfil, Vladimir,
Que pagaram o preço da raiva.
Nós ainda estamos aqui no Brasil de Rubens Paiva.
 

Lute pra vencer, aceite se perder,
Se o ideal valer, nunca desista.
Não é digno fugir, nem tão pouco permitir,
Leiloarem isso aqui a prazo, à vista.
É... tem filho de pobre virando doutor,
Comida na mesa do trabalhador,
A fome tem pressa, Betinho dizia,
É... teu legado é espelho das minhas lições.
Sem temer tarifas e sanções,
Assim que se firma a soberania.
Sem mitos falsos, sem anistia,

Quanto custa a fome? Quanto importa a vida?
Nosso sobrenome é Brasil da Silva.
Vale uma nação, vale um grande enredo,
Em Niterói, o amor venceu o medo.
Vale uma nação, vale um grande enredo,
Em Niterói, o amor venceu o medo.
 

Olê, olê, olê, olá,

Vai passar nesta avenida mais um samba popular.

Olê, olê, olê, olá,

Lula, Lula! 

******* 

Autores: Teresa Cristina, André Diniz, Paulo César Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr.

O Peixe e a Peixinha

 

O peixe disse para a peixinha:

‒ Peixe-me, eu estou apeixonado por você...

‒ Jamais! Você jamais será meu marisco! Eu sei que você tem ostra! E, depois, o que é que o polvo vai falar?

‒ Não se faça de engrasardinha, todo o mar sabe que você traíra o seu outro namorado!

‒ Ah é?... Pois fique sabendo que eu já fui garoupa de Ipanema. Eu moro aqui na Vieira Souto!

‒ Traíra uma coisa em que eu não havia pensado. Só que corre pela arraia miúda, que você tá meio baiacu. Sereia melhor que você se cuidasse!

‒ Com esta, eu levei um bagre! Nunca poderia pensar que você diria isso.

‒ Bem, eu anchova melhor a gente depor as armas... Espadas baixas... OK?

‒ OK. Eu também fui meio cavalinha. Sabe, a mamãe está fazendo o meu anchoval. Já começou a minha concha de retalhos.

‒ E você não a ajuda?

‒ Não dá. Elagosta de fazer tudo sozinha. Mas eu já vi como vai ficar. Tem duas partes. A de lá é verde, e a de cá, marão.

‒ Mas deve haver alga que você possa fazer.

‒ Ela não sabe, mas eu já bordei atum-alha de mesa.

‒ Ah bom! Então posso crer que tatuindo de acordo com os nossos planos?

‒ Nem tanto ao mar, nem tanto a terra! Lembre-se: quem siri por último, siri melhor!

‒ Acho melhor rever tudo, para que não haja enganos. Na última hora é um tal de mexilhão na papelada, você sabe como é...

‒ Você vai querer que o padre diga algum salmão?

‒ Não será preciso. Você sabia que o salão foi todo pintado?

‒ De que cor?

‒ De Dourado!

‒ E as corvinas? Estão com os babados que eu pedi?

‒ Está tudo como você pediu.

‒ Tudo certo então?

‒ Tudo bem. Vamos para o motel dar umazinha, vamos no seu caracol, você enguia...  

(Autor desconhecido)

Se os grandes pensadores do passado e do presente

 Tivessem um grupo no WhatsApp:

Isaac Newton: Vocês não têm ideia da gravidade do que me aconteceu! 

Charles Darwin: Por acaso evoluiu para uma discussão? 

Albert Einstein: Depende do que você quer dizer com discussão. Isso é muito relativo. 

Galileu Galilei: Senhores, nem tudo gira em torno de vocês. 

Sócrates: De minha parte, só sei que nada sei. 

René Descartes: Penso que essa discussão de vocês me faz lembrar que eu existo. 

Leonardo da Vinci: Eu aviso a vocês: lembrem-se da simplicidade... 

Gandhi: Lembrem-se que vocês serão a mudança do que queremos ver no mundo. 

Maquiavel: Mas também quero lembrar ao grupo que devemos vencer a discussão de qualquer maneira, não importa como lutamos para conquistá-la. 

Ruy Barbosa: Eu de minha parte quero dizer que a maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado! 

Santo Agostinho: Quero lembrar ao grupo que enquanto houver vontade de lutar haverá esperança de vencer. 

Buda: Eu acho já que é melhor conquistar a si mesmo do que vencer mil batalhas. 

Shakespeare: Já eu creio que lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor. 

Sigmund Freud: Quero lembrar a todos do grupo que de erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade. 

Marco Aurélio: Muitas vezes erra não apenas quem faz, mas também quem deixa de fazer alguma coisa. 

Louis Scutenaire: Se os grandes homens nunca tivessem cometido erros, não saberíamos que eles haviam existido. 

Steve Jobs: Você pode encarar um erro como uma besteira a ser esquecida ou como um resultado que aponta uma nova direção. 

Oscar Wilde: Experiência é o nome que damos aos nossos erros. 

Pilatos: Diante dessas discussões, eu lavo as minhas mãos...

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Orelha só queria viver...

 

E mesmo assim tiraram dele o direito mais simples que existe: respirar, sentir, amar. 

Ele não tinha casa, mas tinha presença. Não tinha dono, mas tinha lealdade. Era daqueles que abanam o rabo mesmo quando o mundo oferece pedras. 

E foi exatamente esse mundo que decidiu silenciar o que era puro. A perda não é só de um cachorro de rua… é de humanidade. É de consciência. É de compaixão. 

Orelha se foi fisicamente, mas ficou como símbolo. Símbolo de proteção animal, de responsabilidade social, de justiça que precisa ser feita. Quando um inocente é arrancado da terra com violência, a cidade inteira perde valor. Não é só um caso é um alerta. É sobre direitos dos animais, é sobre segurança, é sobre futuro. 

Ele não tinha voz para pedir socorro… mas agora o nome dele ecoa como movimento. Ecoa em cada lágrima, em cada compartilhamento, em cada pessoa que decide não se calar. Justiça não é vingança. Justiça é consciência ativa. Justiça é investimento em humanidade. Justiça é respeito à vida. 

Enquanto houver alguém dizendo “Orelha” com o coração apertado, ele não desaparece. Ele vira memória viva. Vira causa. Vira transformação. E talvez seja exatamente isso que o céu faz quando recebe um coração puro: devolve à terra em forma de coragem.


Termos Literários

 

Aliteração: Repetição de sons idênticos ou semelhantes num mesmo verso ou ao longo de uma estrofe. É um recurso que intensifica a musicalidade dos versos e foi muito explorado pelos poetas do Simbolismo, sobretudo por Cruz e Sousa. 

Ambiente: O ambiente é o cenário por onde circulam personagens e onde se desenrola o enredo. Em alguns casos, a importância do ambiente é tão fundamental que ele se transforma em personagem. 

Anáfora: Repetição de termos ou frases no início dos versos de um poema. 

Anástrofe: Inversão da ordem natural das palavras correlatas. 

Antítese: Recurso de estilo em que se contrapõem palavras ou frases de sentido antagônico, de modo a tornar mais expressiva a oposição de ideias. 

Apólogo: Breve narrativa que expressa uma mensagem de fundo moral. Muito próximo da fábula e da parábola, a distinção entre essas formas é assim explicada por alguns autores: no apólogo, as personagens seriam objetos inanimados; a fábula apresentaria como personagens animais irracionais e a parábola seria protagonizada por seres humanos. Em todas essas formas de narrativa, porém, está presente a intenção de transmitir ao leitor uma mensagem moral. 

Auto: Breve peça de conteúdo religioso ou profano, geralmente em verso, que se originou na Idade Média. Em Portugal, alcançou seu apogeu na obra de Gil Vicente, no século XVI. No Brasil, José de Anchieta o empregou em sua missão de catequese do indígena e educação religiosa do colono. Em nossos dias, é praticado muito esporadicamente, merecendo destaque o Auto da Compadecida (1959), de Ariano Suassuna. 

Bucolismo: Tendência poética referente às obras que fazem o elogio da vida campestre. Essas poesias são também chamadas de pastoris, porque nelas os pastores são presenças constantes. O bucolismo foi uma das características da poesia arcádica. 

Cantiga: Breve composição poética feita para ser cantada. Na literatura portuguesa, as cantigas desenvolveram-se principalmente durante os séculos XII, XIII e XIV, constituindo o movimento poético conhecido por Trovadorismo. Essa denominação, aliás, deriva de trovador, nome dado ao autor das cantigas. Quanto ao assunto, as cantigas podiam ser: líricas (cantigas de amor e de amigo) e satíricas (cantigas de escárnio e de maldizer). As coleções de cantigas que restaram dessa época dá-se o nome de Cancioneiros. 

Carpe Diem: “Colhe o dia”, exortação de Horácio, poeta latino da época do Imperador Augusto; foi o lema persuasivo do galanteio e da conquista dos corações femininos, na medida em que chama a atenção para a perecibilidade da beleza, a morte de tudo; o carpe diem foi uma forma indireta de negaceio amoroso. 

Clichê: Frase ou expressão que, de tanto ser usada, perdeu sua beleza primitiva, tornando-se completamente banal. É um defeito de estilo que deve ser evitado, pois empobrece e vulgariza o texto. Também pode ser considerado clichê o final feliz de muitas obras literárias, e, sobretudo, de fotonovelas ou telenovelas. O clichê pode ser chamado também de lugar-comum, frase feita e chavão. 

Comédia: É a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil e geralmente critica os costumes de um determinado povo ou época. 

Conceptismo Barroco: Tendência para a especulação aguda de ideias, para a criação de conceitos novos; é um tipo de barroco oposto ao Cultismo, que se caracteriza pelo refinamento das imagens, tons e forma. 

Conotação: Carga lírica das palavras, a capacidade que elas têm de lembrar e sugerir ideias e associações, visões e imagens, através de imitações sonoras, empatias, derivações, graças à experiência pessoal ou grupal ou universal, de modo a justificar a asserção de Thierry Manier: “A atividade específica do poeta não é despertar em si uma porção de fantasmas para envolvê-los em palavras, e sim provocar nos outros a aparição do maior número possível de fantasmas que as palavras possam trazer consigo”. A conotação é um recurso da linguagem lírica, ao contrário da denotação que se presta melhor à linguagem científica. 

Cultismo Barroco: Tendência ao emprego de figuras refinadas; escola barroca que cultivou o requinte temático (descrição de objetos preciosos ou encarecimento de objetos que tenham alguma importância circunstancial). O Cultismo é uma degeneração tardia do barroco peninsular, ocorrida especialmente na América Espanhola e no Brasil. 

Denotação: Qualidade específica das palavras que designam, sem dubiedades nem associações, um só e único significado, válido em qualquer contexto. É o contrário da conotação. 

Didático: Um gênero não definido como literário, pois é despido de arte ou ficção. Uma técnica para se transmitir conhecimentos. 

Eco: Efeito sonoro resultante da recorrência de sons idênticos ou semelhantes no final de várias palavras de um texto. Em prosa, deve ser evitado porque provoca efeito desagradável, mas em poesia constitui autêntica rima interna, transmitindo grande musicalidade aos versos. 

Elegia: Tipo de composição poética que constitui geralmente um canto lamentoso e triste. 

Enredo: É a própria estrutura narrativa, ou seja, o desenrolar dos acontecimentos. 

Épica: Composição poética em que se revela a intenção do autor de “abranger a multiplicidade dinâmica do real físico e espiritual numa só obra, numa só unidade”. Contrariamente à lírica, que se restringe à expressão dos sentimentos do “eu”. 

Epopeia: Tipo de poema épico em que se cantam os feitos gloriosos de um povo, constituindo, portanto, uma exaltação da nacionalidade. A obra Os Lusíadas (1572), do poeta português Luís Vaz de Camões, representa a melhor realização de uma epopéia em língua portuguesa. 

Estribilho: Verso ou conjunto de versos que se repetem após uma ou mais estrofes de um poema. Pode ser chamado também de refrão.

Estrofe: Nome dado a cada grupo de versos que compõem um poema. De acordo com o número de versos que contêm (de 2 a 10), as estrofes recebem os seguintes nomes: dístico, terceto, quarteto ou quadra, quinteto, sexteto ou sextilha, sétima, oitava, nona, décima ou década. 

Farsa: Pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que critica a sociedade e seus costumes. 

Ficção: Vem do latim “fictionem” e significa “ato ou efeito de fingir, e simular”. É o produto da imaginação, da invenção. Podemos classificar uma narrativa de ficção em verossímil ou inverossímil: se a ficção guardar pontos de contato com a realidade, se o evento parecer verdadeiro ou provável, será verossímil; caso contrário, se parecer improvável, absurdo, sem contato com a realidade, será inverossímil. 

Flashback: Técnica narrativa que consiste em contar a ação do presente para uma volta ao passado, numa espécie de retrospectiva. Cria-se, dessa forma, uma situação narrativa com dois planos temporais: um no presente e outro no passado. 

Foco narrativo: Designa aquele que narra a história num conto, novela ou romance. O estudo do foco narrativo esclarece o leitor a respeito do ponto de vista a partir do qual é feita a narração. Quando o narrador é uma das personagens, dizemos que o foco narrativo é em primeira pessoa; quando não é uma das personagens, estando, portanto, fora da história, dizemos que o foco narrativo é em terceira pessoa. 

Fusionismo Barroco: É a fusão de aspectos sensoriais ou ideacionais (fusão de luz e treva, de sons, do irracional com o racional, etc.). 

Gongorismo Barroco: Estilo literário espanhol da época barroca; nome empregado pejorativamente, já que deriva de Luis de Gôngora y Argote, um dos maiores poetas barrocos; exagero no emprego das metáforas engenhosas e nos trocadilhos; abuso das soluções difíceis e complicadas. Na série de equívocos suscitados pelo Gongorismo, houve o hábito didático de classificar autores e obras, opositivamente, em cultistas e conceptistas, conforme o predomínio de palavras concretas ou abstratas. Como características secundárias do Gongorismo, pode-se apontar a mitologia clássica como fonte principal de temas e motivos, e a utilização cumulativa das figuras de retórica. No Brasil são duas as vozes gongoristas que merecem menção: Manuel Botelho de Oliveira (1636‒1711) e Sebastião da Rocha Pita (1660‒1738). 

Hipérbato: Figura de sintaxe que consiste na inversão violenta da ordem natural das palavras; decorre da imitação da sintaxe latina, onde as palavras não precisam ocupar um lugar definido no discurso, uma vez que seu sentido é plenamente captável. Sem os recursos flexionais do latim clássico, a língua portuguesa e espanhola têm certos limites de tolerância no desarranjo de termos, que os cultistas muitas vezes ultrapassaram. 

Hipérbole: Figura de linguagem em que se realça uma ideia por meio de uma firmação exagerada. 

Humanismo Barroco: É um conceito central do Renascimento. Consiste em tomar o homem total como objeto e inspiração da arte; valorização absoluta da idéia de homem. Na Era Barroca o humanismo é um conceito em crise. 

Imagem: Frase ou locução representativa ou sugestiva de emoção, sentimento, ideia ou conceito. A estrutura lingüística da imagem apóia-se na “comparação” entre os significados explícitos dos vocábulos e os implícitos que o poeta atribui às suas vivências ou motivações subjetivas. 

Lira: Tipo de composição poética de caráter sentimental que geralmente apresenta um estribilho após cada estrofe. Destacam-se, na literatura brasileira, as liras escritas pelo poeta arcádico Tomás Antonio Gonzaga (1744-1810) em seu livro Marília de Dirceu. 

Lírico: A Lira é um instrumento musical que acompanhava os cantos dos gregos. Daí nasce o termo lírico que vem denominar um gênero literário introspectivo e voltado às emoções e subjetividades. A lírica é uma expressão emocional do eu. Apoia-se em subjetividades, sentimentos. Os textos poéticos ou em prosa do gênero lírico centram-se na primeira pessoa do singular. 

Maneirismo: Forma tardia de Renascimento, espécie de estilo pré-barroco, caracterizado por seu experimentalismo formal, porém sem o impressionismo e o realismo que serão as características do barroco. 

Marinismo Barroco: Influência da lírica barroca italiana, começada por Marino. 

Metáfora: Recurso de estilo que consiste em associar a um elemento características que não lhe são próprias, enriquecendo-lhe o significado e revestindo-o de uma carga poética especial. A metáfora é um tipo especial de comparação, em que estão ausentes as partículas como, assim como e outras. Podemos falar ainda em linguagem metafórica quando queremos nos referir a uma linguagem rica em significados e associações. 

Metáfora Barroca: Figura que consiste em empregar um termo com dupla alusão. Toda metáfora é um pequeno mito, pois o que ela diz ‒ tomado ao pé da letra ‒, é um absurdo. Uma das grandes revoluções operadas pela poética barroca foi o aparecimento das metáforas erótico-anatômicas que associavam o amor ao prazer e a natureza à mulher. Por vezes, a técnica barroca construía uma verdadeira constelação de metáforas. A esse conjunto metafórico alguns autores chamam alegoria. 

Métrica: Também chamada de versificação, é a medida do verso, isto é, a contagem das sílabas poéticas que compõem um verso. Para se estabelecer a métrica dos versos, deve-se separá-los em sílabas poéticas (que são diferentes das sílabas gramaticais), considerando-se apenas até a última sílaba tônica. Além disso, por necessidade de ritmo, muitas vezes o poeta pode lançar mão de vários recursos para abreviar ou alongar as sílabas. A elisão, que consiste na fusão de vogais no encontro de palavras, é um dos recursos mais usados. De acordo com o número de sílabas que contém, o verso recebe o nome de: monossílabo, dissílabo, trissílabo, tetrassílabo, pentassílabo ou redondilha menor, hexassílabo, heptassílabo ou redondilha maior, octossílabo, eneassílabo, decassílabo, hendecassílabo, dodecassílabo ou alexandrino. Na literatura moderna predomina o verso livre, em que não há preocupação de rigor métrico. 

Misticismo Barroco: Deu-se na Espanha, no tempo de prosperidade da Companhia de Jesus. O misticismo é a concentração aguda em Deus, é um ato de fé capaz de provocar o milagre do reconhecimento de Deus. Santa Teresa de Jesus (freira, mística e escritora espanhola, Santa Teresa de Ávila, nasceu em Ávila, em 1515 e morreu em 1582, canonizada em 1622) e São João da Cruz (poeta e prosador místico espanhol, Juan de Yepes, nasceu em Fontiveros, Ávila, em 1542, e morreu em Úbeda, Jaén, a 14/12/1591) são seus melhores representantes na poesia. 

Narrativa: Designa um tipo de texto que apresenta o desenrolar de uma ação ou de uma história, num certo período de tempo, com a participação de uma ou mais personagens. Importa considerar ainda que, numa narrativa, podemos reconhecer o tempo da narração, isto é, o momento em que a narração dos fatos é feita, e o tempo da narrativa, isto é, o momento em que os fatos narrados aconteceram. Estes fatos podem ter ocorrido antes da narração ou podem ocorrer simultaneamente a ela; mais raramente poderão ocorrer posteriormente à narração, como é o caso, por exemplo, dos textos em que se fazem previsões ou profecias. 

Onomatopeia: Gramaticalmente, é uma palavra cuja formação procura reproduzir certos sons ou ruídos. Em literatura, consiste numa aliteração que tem por objetivo representar sonoramente determinada ação. 

Oxímoro: Quando o vigor da antítese resulta numa contradição ou paradoxo, isto é, quando as ideias expressas se excluem mutuamente, temos o oxímoro. 

Paródia: Composição literária cujo objetivo é imitar, com intenção satírica ou cômica, o tema ou o estilo de uma outra obra. 

Personagens: São os participantes do desenrolar dos acontecimentos; aqueles que vivem o enredo. A palavra personagem tanto pode ser feminina como masculina. O personagem principal de um enredo é chamado protagonista, geralmente é o herói, o mocinho. Há personagens que não representam individualidades, mas sim tipos humanos, identificados pela profissão, pelo comportamento, pela classe social, etc. Os personagens caricaturais têm seus traços ou comportamentos excessivamente realçados no enredo, fixando-lhe os detalhes de forma crítica ou irônica. 

Poema: Denominação genérica de uma estrutura verbal em verso. Obra poética. A palavra poesia vale por sinônimo de poema. Os poemas se dividem em diferentes gêneros: épico ou heroico, didático, didascálico, fábula, dramático, lírico, religioso e outros. 

Poesia: O termo poesia tem as seguintes conotações: 

1. estrutura verbal, também chamada poema, realizada segundo as seguintes exigências: 

a) ordenação de frases e respectivos membros em linhas com extensão determinada, denominadas versos; 

b) subordinação das palavras, em cada verso, a regras prosódicas, sistematizadas sob a forma de ritmo. 

2. Relação emotiva, sentimental ou estética, entre a forma do poema, ouvido ou lido, e a sensibilidade do ouvinte ou leitor. 

3. Qualidade própria do poema, que suscita essa relação de cunho subjetivo, caso em que se diz: “esta poesia é poética”, “este poema possui poesia”. Poesia é a beleza estética que se extrai de um poema.

Preciosismo: Termo com que se designa um trabalho de linguagem exageradamente requintado ou rebuscado. Dizemos que o estilo de um autor é precioso quando ele emprega palavras raras e construções sintáticas pouco usadas. Geralmente costuma-se opor a linguagem preciosa à linguagem coloquial, que é mais comunicativa e espontânea. 

Prosa: Diz-se, em oposição à poesia, o texto não escrito em versos, quanto à forma; e, quanto ao tratamento estilístico, a obra não escrita em linguagem lírica. 

Prosódia: Parte da Linguística dedicada ao estudo da pronúncia das palavras em geral; e em especial, para os fins de versificação. 

Rima: Repetição do mesmo acento na sílaba tônica da palavra final em versos sucessivos. 

Romance: Narração de um fato imaginário, mas verossímil, que representa quaisquer aspectos da vida familiar e social do homem. 

Sátira: Composição literária escrita quase sempre em linguagem irreverente e maliciosa, cujo objetivo é ridicularizar atitudes ou apontar defeitos. Na literatura brasileira, merecem destaque as poesias satíricas de Gregório de Matos (1636‒1696) e o poema incompleto Cartas Chilenas, de Tomás Antônio Gonzaga (1744‒1810). 

Soneto: Composição poética composta de 14 versos rimados em 2 quadras e 2 tercetos. O soneto pode ser regular e irregular. 

Soneto regular é composto em 10 sílabas sonoras em cada uma de seus versos – 2 quadras e 2 tercetos. Atualmente, se aceita o soneto com 3, 14, 15 e 16 sílabas, desde que sejam constantes. As rimas, porém, devem ser sempre 5, cruzadas e encadeadas nas quadras, pareadas e encadeadas nos tercetos. 

Tema no soneto regular, desenvolve-se apenas um tema, que é proposto nas 2 quadras e concluído nos tercetos. O tema distribui-se de modo que a sua expressão tenha mais acentuado cunho expressivo ou de maior relevo emotivo nos tercetos. Deve-se evitar nos sonetos os vocábulos polissilábicos, admitindo-se os mais extensos com 3 sílabas. 

No soneto irregular alteram-se os esquemas de rimas, utilizando-se versos heterométricos; inverte-se a ordem das estâncias – quadras e tercetos – aumenta-se o número de versos. Soneto invertido: os tercetos precedem as quadras. Soneto caudado: com mais de 14 versos; depois do segundo terceto acrescenta-lhe uma cauda de 2 ou 3 versos. Esta cauda é chamada pelos espanhóis de estrambose. 

Tragédia: É a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. 

Tragicomédia: Modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário. 

Verso: Linha escrita, de sentido completo ou fragmentário, que se caracteriza pela obediência a determinados preceitos rítmicos, fônicos, ou meramente gráficos, pelos quais difere das linhas de prosa. Verso é cada linha de um poema.

Extraído de www.regina.celia.com.br