Não são as viagens luxuosas, mas a viagem em família, onde o carro avariou e todos tiveram que empurrar e, do nada, começou a chover…
O que permanece…
Não são os milhares de ‘likes’ numa foto perfeita, tirada com um telefone perfeito, no momento perfeito, com os filtros perfeitos, mas a foto tremida pela felicidade de um momento único.
O que permanece…
Não são as declarações de amor públicas feitas para uma plateia, mas o abraço que recebes, mesmo quando falhas e erras, quando podes ser tu, mesmo na totalidade do teu ser.
O que permanece...
Não é voo de helicóptero, mas voar em um balanço amarrado num galho de infância.
O que permanece...
Não são os carros que conduziste na vida, mas a primeira vez em que desceste uma ribanceira de bicicleta.
O que permanece...
Não são os pratos da alta gastronomia, mas, sim, um almoço comum de domingo na casa da avó.
O que permanece...
Não é correr 20 km em uma estrada, mas quando os teus olhos viram os primeiros passos de alguém.
O que permanece...
Não são os milhares de beijos ardentes, mas o beijo na testa antes dos olhos do sono serem abertos.
O que permanece...
Não são as calçadas das viagens internacionais, mas aquela calçada em que tropeçaste e caíste, aprendendo a importância da dor.
“O
Que Permanece...” refere-se a um poema atribuído a Cora Coralina*
que exalta a importância das pequenas experiências, das conexões humanas
genuínas e dos momentos simples em contraste com o valor excessivo dado a bens
materiais e “likes” na sociedade
moderna. A obra destaca que o que realmente fica na vida são os laços
afetivos e as memórias significativas, como um abraço sincero, uma viagem
familiar em tempos difíceis, ou o sabor de um almoço de domingo, que marcam a
alma e o caráter.
*******
*
Pelas palavras e pelo estilo do texto, não cremos que seja de autoria da grande
poetisa Cora Coralina...


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