Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e com a licença do Patrão Celestial. Vou chegando, enquanto cevo o amargo das minhas confidências, porque, ao romper da madrugada e ao descambar do sol, preciso camperear por outras invernadas e repontar do Céu a força e a coragem para o entrevero do dia que passa.
Eu bem sei que qualquer guasca bem pilchado de faca, rebenque e espora, não se afirma nos arreios da vida, se não se estriba na proteção do Céu. Ouve, Patrão Celestial, a oração que Te faço, ao romper da madrugada e ao descambar do sol.
Tomara que todo o mundo seja como irmão! Ajuda-me a perdoar as afrontas e não fazer aos outros o que não quero para mim. Perdoa-me, Senhor, porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana, de quando em vez, quase sem querer, eu me solto porteira-fora...
Eta potrilho xucro, renegado e caborteiro... Mas eu Te garanto, Meu Senhor, quero ser bom e direito. Ajuda-me, Virgem Maria, primeira prenda do Céu. Socorre-me São Pedro, capataz da estância gaúcha. Para fim de conversa, vou Te dizer, meu Deus, mas somente para Ti: que Tua vontade leve a minha de cabresto para todo o sempre e até a querência do Céu! Amém.
Composta e indulgenciada por Dom Luiz Felipe de Nadal.
Dom Luiz foi bispo de Uruguaiana e morreu em acidente aéreo
em 1963.
Sempre foi ligado ao movimento tradicionalista gaúcho.

Nenhum comentário:
Postar um comentário