quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Finalmente piadas inteligentes



Essa tem que pensar...

Numa reunião de cientistas, aparece subitamente um gênio da lâmpada. Ele diz para um deles:

- O senhor sempre foi uma pessoa muito sensível e humana e fui encarregado de lhe ofertar um dos três poderes a seguir: saúde perfeita com grande longevidade, riqueza imensa ou sabedoria infinita. 

O cientista escolhe imediatamente: “sabedoria infinita”. O gênio dá-lhe um toque com a mão e desaparece.

Todos olham assombrados para o ungido, esperado uma reação. Ele para, olha em volta e declara:

- Eu devia ter escolhido “riqueza imensa”.

*****
          
O vendedor estava numa dureza sem tamanho. Há meses não registrava um pedido no talão de notas. Um belo dia, porém, encontrou uma lâmpada no meio da rua. Esfregou-a e dela saiu um gênio.

– Meu amo! O senhor tem direito a três pedidos!

– Oba! Espera aí que vou buscar o meu talão.

*****

Marido e mulher voltam de uma festa e ela diz:

- Que mulher detestável essa nossa vizinha, achou você um mocorongo. Além disso, insinuou que me visto mal, que meu cabelo estava desgrenhado, falou do meu vestido, como se o dela fosse mais bonito, criticou meu modo de falar, muito baixo, ora. E ainda falou sobre meu corpo, quando mencionou que eu precisava emagrecer pelo menos uns quilinhos; que coisa horrorosa. Falou mal do meu batom, muito chamativo, segundo ela, e do colar que usei, porque achou que as pérolas poderiam ser falsas. Mulherzinha insuportável. Quero distância dela!

O marido ficou alguns instantes em silêncio e depois comentou: 

- Quer dizer que eu sou um mocorongo, né?...

*****

Bom, o cara, metido a inteligente, na terceira classe de um avião com voo internacional, queria tomar um uísque, mas queria com gelo. A comissária informou-lhe que estavam sem gelo.

- Bobagem, eu sei que se você se esforçar, vai dar um jeitinho e conseguir nem que sejam duas pedrinhas, vai, quebra o meu galho...

A comissária trouxe a bebida com gelo, mas o homem pediu mais uma dose, sempre pedindo que caprichasse no gelo. Insistiu várias vezes e, em uma hora, já havia tomado cinco doses, sempre insistindo no gelo.

Quando voltou a pedir a sexta dose, a comissária explodiu:

- Meu senhor, por favor, não insista, desse jeito o defunto vai chegar podre a Nova York!

*****

O guarda rodoviário manda o apressadinho parar o carro:

- Documentos, por favor! O senhor estava a 130 Km e a velocidade máxima nesta estrada é 100 Km. O senhor está colocando os seus passageiros em perigo.

- Que isso, seu guarda, eu estava a 100, com certeza!

Mas a sogra, no banco de trás, corrige:

- Ah, que é isso, Valdemar! Você estava a 130 ou mais!

O cara olha pra sogra com raiva.

- E sua lanterna direita não está funcionando.

- Minha lanterna? Nem sabia. Deve ter pifado aqui na estrada.

A sogra novamente:

- Ah, que coisa feia! Você vem falando há semanas que precisa consertar a lanterna!

O cara, mais puto ainda, faz sinal à sogra para calar a boca.

- E o senhor está sem o cinto de segurança.

- Mas, seu guarda, eu estava com ele. Só tirei para pegar os documentos!

- Ah, deixa disso, Valdemar! Você nunca usa!

O cara não se aguenta e grita pra sogra:

- Cala a boca, velha maldita!

O guarda se inclina e pergunta:

- Ele sempre grita assim com a senhora?

- Não, seu guarda; só quando bebe... 


Palestra do Dr. Içami Tiba

Shopping Curitiba, 23 de julho de 2008.)

Alguns trechos:


01. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre.

02. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar alguém com internet, som, TV, etc.

03. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.

04. Confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.

05. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.

06. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe não pode interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai disse que não ganhará doce, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente. Em casa que tem comida, criança não morre de fome. Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto tem que dizer qual é a hora de se comer e o que comer.

07. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.

08. Temos que produzir o máximo que podemos, pois na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio. Não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.

09. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente, pois aquela informação, de que droga faz mal, não está gerando conhecimento.

10. A gravidez é um sucesso biológico, e um fracasso sob o ponto de vista sexual.

11. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para da droga fazer uso. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da ideia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'.

12. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

13. Homem não gosta quando a mulher vem perguntar: 'E aí, como foi o seu dia?'. O dia, para o homem, já foi, e ele só falará se tiver alguma coisa relevante. Não quer relembrar todos os fatos do dia.

14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.

16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se desistir ou for mal na faculdade.

17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.

18. Mães, muitas são loucas. Devem ser tratadas. (palavras dele)

19. Se a mãe engolir sapos do filho, a sociedade terá que engolir os dele.

20. Videogames são um perigo. Os pais têm que explicar como é a realidade. Na vida real, não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.

21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.

22. Pai não pode explorar o filho por uma inabilidade que o próprio pai tenha. 'Filho, digite tudo isso aqui pra mim porque não sei ligar o computador'. O filho tem que ensiná-lo para aprender a ser líder. Se o filho ensina o líder (pai), então ele também será um líder. Pai tem que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível o pai pagar para falar com o filho que mora longe.

23. O erro mais freqüente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. Não há hierarquia. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.

24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que saber qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto que isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

26. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Tem que controlar e ensinar a gastar.

*****

Içami Tiba foi um médico psiquiatra, psicodramatista, colunista, escritor de livros sobre Educação, familiar e escolar, e palestrante brasileiro. Professor em diversos cursos no Brasil e no exterior, criou a Teoria da Integração Relacional, que facilita o entendimento e a aplicação da psicologia por pais e educadores.
Nascimento: 15 de março de 1941, Tapiraí, São Paulo
Falecimento:  2 de agosto de 2015, São Paulo, São Paulo, aos 74 anos

Pressão arterial



Pressão arterial é a pressão que o sangue exerce contra a parede da artéria (vaso sanguíneo). A medida da pressão arterial nos dá informações sobre o funcionamento do coração e vasos.

O coração é um músculo que se contrai e relaxa; quando se contrai, envia sangue ao corpo; e quando relaxa, recebe sangue.

Pressão arterial máxima, ou sistólica, ocorre durante a contração do coração e a pressão arterial mínima, ou diastólica, ocorre durante o relaxamento do coração.

O valor médio da pressão arterial é de 120 mmHg (milímetros de mercúrio) para a máxima e de 80 mmHg para a mínima, sendo este valor considerado o normal.

Fatores que alteram a pressão arterial:

01) Idade:

→ O envelhecimento, em geral, aumenta a pressão arterial.

02) Postura:

→ A posição do paciente altera os valores da pressão arterial.

03) Emocional:

→ A tensão aumenta a pressão arterial.

04) Alimentação:

→ Após as refeições, ocorre um aumento da pressão arterial.

05) Dieta:

→ O sal é responsável pela elevação da pressão. Não devemos usar mais do que 5 g/dia, entretanto, utiliza-se, em média, 1,5 g/dia.

06) Excesso de peso:

→ Calcula-se que para cada 10 kg acima do peso ideal a pressão aumenta 10 mmHg.

07) Vida sedentária:

→ A prática de exercício, regular, alivia o trabalho do coração e contribui para a queda da pressão arterial.

08) Fumo:

→ O fumo promove o aumento da pressão, além de causar complicações cardiovasculares.

09) Álcool:

→ Além de causar efeitos negativos para a saúde, também eleva a pressão arterial.

10) Medicamentos:

→ Algumas drogas alteram a pressão; podem aumentar e diminuir.

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Médico Dr. Eliseu Santos Cremers 5801 - dreliseusantos@terra.com.br

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

A história por trás de “Meu caro amigo”.



Meu caro Amigo foi antes de tudo uma espécie de desabafo de Chico e Francis Hime – instrumentista brasileiro renomado a quem também é creditada a autoria do clássico. Escrita, seguindo a linha da sutileza para burlar os olhos atentos dos generais, a canção trata-se de uma carta-canção em homenagem ao já falecido dramaturgo Augusto Boal, que vivia no exílio em Lisboa. Faz parte do disco de título quase igual “Meus caros amigos”. A seguir, a controvertida letra:

Meu Caro Amigo

Chico Buarque & Francis Hime

Meu caro amigo, me perdoe, por favor,
Se eu não lhe faço uma visita,
Mas como agora apareceu um portador,
Mando notícias nessa fita.
Aqui na terra tão jogando futebol,
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll,
Uns dias chove, noutros dias bate o sol,
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta.

Muita mutreta pra levar a situação,
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça,
E a gente vai tomando que também sem a cachaça,
Ninguém segura esse rojão.

Meu caro amigo, eu não pretendo provocar.
Nem atiçar suas saudades,
Mas acontece que não posso me furtar,
A lhe contar as novidades.
Aqui na terra tão jogando futebol,
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll,
Uns dias chove, noutros dias bate o sol,
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta.

É pirueta pra cavar o ganha-pão,
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro,
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro,
Ninguém segura esse rojão.

Meu caro amigo, eu quis até telefonar,
Mas a tarifa não tem graça.
Eu ando aflito pra fazer você ficar,
A par de tudo que se passa.
Aqui na terra tão jogando futebol,
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll.
Uns dias chove, noutros dias bate o sol,
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta.

Muita careta pra engolir a transação,
Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho,
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho,
Ninguém segura esse rojão.

Meu caro amigo, eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco.
Se me permitem, vou tentar lhe remeter,
Notícias frescas nesse disco.
Aqui na terra tão jogando futebol,
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll,
Uns dias chove, noutros dias bate o sol,
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta.

A Marieta manda um beijo para os seus,
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças.
O Francis aproveita pra também mandar lembranças,
A todo o pessoal,
Adeus!

‘Meu caro amigo’: carta em forma de canção

Marina Vaz*

No álbum de Chico Buarque “Meus caros amigos”, lançado em 1976, entre sucessos como “O que será (À flor da terra)” e “Mulheres de Atenas”, uma música se destaca por misturar gêneros de dois tipos de escrita: a letra de música e a carta. A “carta-canção”, feita por Chico e Francis Hime, é destinada ao teatrólogo Augusto Boal ­– que, na época, estava exilado em Lisboa – e é um dos exemplos da chamada canção de protesto.

Concebida durante o governo de ditadura de Ernesto Geisel, seu refrão explicita bem a mensagem principal da letra. Depois de anunciar que precisa contar ao destinatário “as novidades”, o autor lança os versos “Aqui na terra tão jogando futebol/ Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll/ Uns dias chove, noutros dias bate sol”. Ora, o futebol, a predominância no Brasil de estilos como o samba e as (óbvias) variações climáticas não são exatamente novidades que mereçam ser destacadas em uma carta para um amigo distante.

Com uso da ironia, a mensagem passada é de que nada mudou no país desde a saída do exilado e que realmente “a coisa aqui tá preta”, como sugere um dos versos seguintes. Para “segurar esse rojão”, o eu-lírico (a voz que fala na letra) acaba buscando refúgio em meios de prazer momentâneo, como a “cachaça”, o “cigarro” e o “carinho”. Nesse contexto, a palavra “choro”, tida inicialmente como um estilo musical, assume outro sentido – representa a tristeza em relação à situação do país. E essa tristeza aparece disfarçada por uma suposta alegria, entremeada de “samba” e de “rock’n’roll”.

Além disso, quando ele se refere a seu lugar de origem como “Aqui na terra”, torna-se inevitável pensar em um “lá”, o local onde o destinatário da mensagem se encontra. Este lugar poderia ser um “céu” (em oposição a “terra”, com letra minúscula), reforçando a ideia de que a vida política e social do Brasil da época nem de longe lembrava a imagem idealizada de paraíso. Ou até mesmo o “espaço” (em oposição a “Terra”, planeta, com letra maiúscula), reforçando a ideia de que o amigo foi obrigado a sair do país, sumiu, ou, na linguagem informal, “foi pro espaço”.

Curioso é perceber que o artista, ao escolher a canção “Meu caro amigo” para dar nome ao disco, colocou-a no plural. Ou seja, apesar de a ideia original da canção ser mandar notícias a um determinado exilado, ela sai ainda mais do plano particular quando o álbum é batizado de “Meus caros amigos”. Isso porque havia mais “amigos” (exilados ou não) como Augusto Boal, vítimas da Ditadura. Assim, o próprio título do álbum reforça o caráter crítico que permeia não apenas esta, mas diversas de suas canções.

*Marina Vaz é jornalista e apaixonada por MPB.


terça-feira, 2 de outubro de 2018

A grande sapoti



O verdadeiro nome de Ângela Maria era Abelim Maria da Cunha. Ela nasceu em Macaé, no Rio de Janeiro, em 1928. Filha de um pastor protestante, mudou de nome para cantar nos programas de calouro do rádio sem que o pai descobrisse. Ela tinha 20 anos quando se tornou crooner. O primeiro disco veio em 1951 e, em pouco tempo, já era a Rainha do Rádio. Ela encantou o presidente Getúlio Vargas. Ganhou dele o apelido de Sapoti. Para Getúlio, a voz de Ângela Maria era doce como a fruta. Algumas canções como “Babalu” se eternizaram na voz de Ângela.

(globo.com)

(...)

Em 2015, entrevistei Ângela Maria para o Caderno de Sábado. Ela explicou o apelido que ganhou de Getúlio: “Encontrei Getúlio Vargas uma única vez. Lembro como se fosse hoje. Foi numa festa na casa do diretor da Rádio Nacional, Victor Costa. Era uma virada de ano. Tinha muita gente. Alegria e descontração total. Getúlio parecia muito satisfeito. Sorria muito. Eu estava começando a minha carreira depois de muito esforço. Tinha apenas dois anos de estrada. Achei até estranho ter sido convidada. À meia-noite, os artistas fizeram fila para cumprimentar Getúlio. Fiquei por último, a menorzinha. Quando, finalmente, cheguei perto dele, Getúlio me disse: ʽAh, Sapoti, que alegria te verʼ. Fiquei surpresa. Não entendi bem. Amarrei a cara. Ele percebeu que eu não tinha gostado de alguma coisa. Aí eu falei: ʽComo vou gostar, o senhor está me chamando de jabuti?ʼ Getúlio abriu seu sorriso: ʽNão, não é jabuti, menina. É sapoti. Uma fruta doce como mel e como a tua vozʼ. Ali, naquela hora, ele me batizou de Sapoti. Pegou. Quando fui à Europa, os jornais já me chamavam assim. Fiquei Sapoti para sempre”.

Juremir Machado da Silva, Correio do Povo, outubro de 2018.

*****

Aos 89 anos, morreu em São Paulo, a cantora Ângela Maria. Ela estava internada há 34 dias, no Hospital Sancta Maggiore em decorrência de um quadro de infecção. O velório e o enterro ocorrerão hoje (30.9.2018) no Cemitério Congonhas. De acordo com a família, foi um período de sofrimento para a artista.

A cantora morreu na noite deste sábado (29.9.2018). Em um vídeo, publicado no Facebook, Daniel D’Angelo, marido da cantora, Alexandre, um dos quatro filhos adotivos do casal, e um assessor confirmaram a morte e pediram orações. Também afirmaram que jamais deixarão a estrela dela apagar.
  
Agência Brasil



segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Uma das últimas fotos de Machado de Assis


Uma das últimas fotos de Machado de Assis 
é encontrada na Argentina

Retrato do autor de 'Dom Casmurro' foi publicado
 por revista argentina  em janeiro de 1908, 
oito meses antes de ele morrer.


A foto descoberta: de corpo inteiro pouco antes de morrer
(Caras y Caretas/Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional de España)

De traje formal, casaca inclusive, o senhor de barba e cabelos brancos coloca a mão esquerda na cintura e olha meio de lado para a câmera através dos óculos pincenê. É Machado de Assis aos 68 anos.

Publicada originalmente em 25 de janeiro de 1908 da revista semanal argentina “Caras y Caretas”, a foto do escritor acaba de ser redescoberta pelo pesquisador independente Felipe Pereira Rissato.

De acordo com o Rissato, o retrato até hoje era desconhecido e é possivelmente o último do autor. “Certamente é dos três meses finais de 1907 ou mesmo de janeiro de 1908”, afirma o pesquisador. Machado de Assis morreu 29 de setembro de 1908, aos 69 anos.

O registro foi encontrado na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional de España, disponível on-line.

“Ademais, temos Machado de corpo inteiro e sozinho, algo que até então só havia sido observado em dois retratos de sua primeira sessão fotográfica, feita aos 25 anos (1864) no estúdio de Insley Pacheco, e mesmo assim, sentado. Mais tarde, acreditava-se que as lentes somente teriam capturado Machado de corpo inteiro rodeado por amigos.”


Machado de Assis aos 25 anos, em foto feita por Insley Pacheco em 1864; pertencente à coleção particular de Ruy Souza e Silva, o original traz a dedicatória: ‘A F[rancisco] Ramos Paz, excelente amigo/Machado de Assis’ (Foto: Insley Pacheco/Coleção Ruy Souza e Silva)

Para Rissato, “o que pode ter contribuído para que a imagem de Machado ora apresentada não tivesse sido referenciada anteriormente é o fato de sua publicação em revista estrangeira, a exemplo de uma imagem dele aos 61 anos, publicada na revista ‘Brasil-Portugal’, de Lisboa, em 1900 e descoberta em 2016”.

Há dois anos, o mesmo pesquisador havia encontrado a única imagem de Machado de Assis presidindo uma sessão da Academia Brasileira de Letras (ABL), feita em 1905.

A foto do ataque epilético


Fotografia 1º de setembro de 1907 mostra Machado de Assis sentado em um banco da Praça XV, no Rio, às 11h da manhã, sendo amparado após sofrer um ataque epilético; imagem era tida como o último registro feito do escritor feito em vida (Foto: Augusto Malta / Peregrino Júnior, ‘Doença e constituição de Machado de Assis’)

Há oficialmente 38 registros catalogados do autor de “Memórias póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”. O conjunto apareceu reunido pela primeira vez em dezembro de 2016 na “Revista Brasileira”, publicação da ABL.

Naquela edição, Rissato escreveu o ensaio “Iconografia fotográfica de Machado de Assis”, no qual explicava que a última foto de Machado de Assis datava de 1º setembro de 1907 (veja acima).

Mas, daquela imagem, dá ver muito pouco de Machado de Assis – apenas a parte de trás da cabeça.

Ele está sentado num banco da Praça XV, no Rio, e é amparado por um homem. Um segundo sujeito parece abaná-lo, vários outros observam. O escritor tinha acabado de sofrer um ataque epilético.

“O Dr. Maxado (sic) de Assis acometido de uma síncope no caes da Pharoux – Rio – 1.9.07”, escreveu o fotógrafo Augusto Malta na identificação.

‘Machado: homem público do Brasil’



Matéria intitulada ‘Homens ilustres do Brasil’ publicada na revista semanal argentina ‘Caras y Caretas’ de 25 de janeiro de 1908 mostra foto de Machado de Assis; imagem é possivelmente o último retrato do autor feito em vida (Foto: Caras y Caretas/Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional de España)

O Machado de Assis que vemos na foto agora reencontrada é outro: está de corpo inteiro e posa num jardim.

O retrato saiu em uma matéria de página e meia na “Caras y Caretas” número 486. O título era “Homens públicos do Brasil”.

A revista argentina dá pouquíssima informação sobre o registro. Lê-se somente a seguinte legenda: “El escritor Machado de Assis presidente de la Academia de la Lengua Brasileña”.

‘Machado mais abatido’


Machado de Assis (o segundo da esquerda para a direita, na fileira de baixo) em almoço oferecido pelo ministro plenipotenciário da Colômbia ao prefeito Francisco Pereira Passos, em 8 de setembro de 1906 no jardim do Clube dos Diários (Cassino Fluminense) (Foto: Augusto Malta/Coleção IHGB)

Rissato conta que chegou a cogitar a possibilidade de a fotografia que acaba de encontrar ser na verdade um registro desconhecido de uma sessão feita durante um almoço de 8 de setembro de 1906 oferecido pelo prefeito Pereira Passos ao ministro plenipotenciário da Colômbia, Rafael Uribe.

No evento, foram feitas fotos no jardim do Clube dos Diários (Cassino Fluminense). Aquelas em que Machado de Assis aparece já eram conhecidas.

“Mas a foto que saiu na ‘Caras y Caretas’ não foi feita na mesma ocasião. Machado está com roupa diferente, gravata diferente. E ele está mais velho do que em 1906. Nesta de 1908, ele já está um pouco mais debilitado.”

Para atestar que o Machado de Assis da imagem agora encontrada está mesmo mais velho do que aquele de sessões anteriores, Rissato recorreu ainda à última fotografia do escritor feita em estúdio, de autoria de L[uiz] Musso & Cia., em fevereiro de 1907 (veja abaixo).

Machado de Assis aos 67 anos, em foto do estúdio L[uiz] Musso & Cia, de fevereiro, 1907; acredita-se que esta é a última foto do escritor feita em estúdio. Ela foi enviada a Alfredo Pujol, com autógrafo e data: ʽ18-2-1907ʼ. O original pertencente à Família de Mário Alencar tem a dedicatória: ‘Ao meu bom amigo Mário de Alencar / Machado de Assis / 1907’. (Foto: L. Musso & Cia./Coleção Ruy Souza e Silva)

(Fonte G1)

O que mostra uma imagem recém-descoberta
 de Machado de Assis


A recente descoberta, por parte do notável pesquisador independente Felipe Pereira Rissato, do que parece ser a última fotografia em vida do escritor Machado de Assis é importante na discussão sobre a cor de sua pele. Estampado na revista argentina Caras y Caretas, no ano de sua morte, o Machado de corpo inteiro é um homem evidentemente negro.

Trajado com perfeição, a barba e o bigode irretocáveis, apresentado como “presidente de la Academia de la Lengua Brasileña”. Ainda assim, ou por isso mesmo, esse instantâneo afro-brasileiro rompe com o modelo ático legado à posteridade. No improviso da tomada da foto se revela o racismo que hoje em dia felizmente se tornou inaceitável.

(Revista Veja, julho de 2018)



Lembram da Admissão ao Ginásio?



Nosso tradicional e antigo curso primário era composto de quatro anos. Ao concluir-se esse curso, para ingressarmos no curso ginasial, éramos submetidos a uma avaliação de nossos reais conhecimentos gerais, adquiridos no curso primário, denominado Exame de Admissão ao Ginásio, praticamente um pequeno vestibular Esses exames eram obrigatórios para os alunos saídos do curso primário. Também tinha a finalidade de filtro, evitando não deixar ultrapassar a quantidade de vagas existentes no curso ginasial, para cada exercício. Devidamente aprovados nesse exame de conhecimentos gerais, composto pelas matérias de Português, Matemática, História, Geografia, estávamos aptos para ingressar no curso ginasial e, durante mais quatro anos, aprender os conhecimentos ministrados em suas quatro séries.

Muitos alunos, claro, aqueles que sempre se destacavam como bons alunos durante a realização do curso primário, levavam enorme vantagem frente aos demais. Prestavam os exames de admissão ao ginásio e eram aprovados até com muito louvor. Como costumamos dizer na linguagem popular, tiravam de letra esse pequeno vestibular.

Era objeto de desejo da classe média em ascensão. O aluno se quisesse continuar a estudar tinha que passar no exame de admissão.

O cursinho preparatório que, geralmente, era feito concomitantemente ao último ano do Curso Primário (com isso “ganhava-se” um ano). Entretanto havia também em algumas cidades a opção de fazê-lo durante as férias de janeiro e fevereiro, o que deixava a molecada bastante frustrada por terem que “abrir mão” das deliciosas brincadeiras durante as preciosas férias!

Quando reprovado na admissão, lá vai mais um ano em uma classe especial só para a “Admissão”. A criança envergonhada respondia quando lhe perguntavam:

− Em que ano você está?

− Estou na “admissão”...

A criança se sentia como se estivesse dando um atestado de sua própria incapacidade ou de “burrice” mesmo!
  
(Texto do Blog do Clube dos Entas de Catanduva)