domingo, 7 de junho de 2020

Palavras vindas de outras línguas



Malaio → Pode vestir o seu sarongue atrás daqueles bambus.

Árabe → Na alcova, o almirante seguia sentado no sofá, sonhando com um harém e buscando consolo na alquimia do álcool em vez de se precaver contra o assassino que se aproximava.

Esquimó inuíte → Ele vestiu sua parka antes de embarcar no caiaque para chegar até o iglu.

Tcheco → Nem os tiros de pistola fizeram o robô recuar.

Islandês → Uma saga sobre um gêiser?

Sânscrito → O guru ficou repetindo o mantra na esperança de escapar do seu carma.

Sueco → O ombudsman só usa canetas com ponta de tungstênio.

Norueguês → Foi um erro deixar o lemingue usar o esqui no slalom.

Húngaro → O bussardo desembainhou seu sabre e matou o cozinheiro que havia posto páprica demais no gulache.

Russo → O comissário disse ter visto um mamute depois de beber dois litros de vodca ao som de balalaicas.

Farsi/Persa → No quiosque daquele bazar encontra-se de tudo: de talco a tiaras.

Asteca → Tomate com chocolate? Melhor atirar essa mistura aos coiotes.

Do livro “A Miscelânea Original de Schott”,
de Ben Schott.

sábado, 6 de junho de 2020

O lugar

Mário Prata


Todos nós temos o nosso lugar e sabemos onde ele fica.

Sempre, desde que nascemos. Quantas vezes já não te perguntaram: de onde você é? Você já sabe, é o lugar onde você nasceu. Foi (e será para sempre) o seu primeiro lugar. Você pode hoje estar morando a centenas de quilômetros daquele lugar. Mas ele está lá, o seu lugar.

Depois vem a mesa. Conversando outro dia com uma hippie lá do interior de Santa Catarina ela me chamou a atenção sobre os nossos lugares. Sim, porque hippie também ainda tem o seu lugar no mundo. Mas estávamos falando da mesa.

Da mesa de jantar. Aliás, não sei por que aquele lugar nunca foi chamado de mesa de almoço. É mesa de jantar.

Você se lembra de quando ainda morava com os seus pais? Cada um tinha o seu lugar na mesa, não é? Nunca saberemos como é que aquilo foi se definindo.

Outro dia, meu irmão José Maria, o caçula, estava recitando os nossos lugares na mesa em Lins. E éramos sete! Durante os 20 anos que passei em várias casas no interior, tudo mudava. Menos o lugar na mesa.

E a minha amiga hippie fazendo um comentário:

– Isso era uma burrice, porque você passou toda a sua infância e adolescência tendo a mesma visão. Olhando para a mesma parede.

É isso. Havia alguém que comia olhando para a janela. Sempre. Outro, de costas para a janela. E aquela irmã sempre à sua direita? Talvez, se houvesse um rodízio na hora das refeições (não de carnes) da família, ela permanecesse ainda mais unida. E com mais assunto. Você não precisaria pedir o pão sempre para a mesma pessoa. Você poderia ficar mais amigo do irmão caçula, agora passando uma temporada ao seu lado e não lá naquela ponta. E poderia, vez ou outra, admirar a mangueira repleta de frutas lá fora. Nada disso, você tinha o seu lugar, sabia disso e nunca passou pela sua cabeça que pudesse mudar a ordem das coisas, das cadeiras, da sua vida.

E, quando alguém se sentava no lugar do outro, éramos tomados por um ódio que vinha não sei de onde:

– Mãe, o Leonel está no meu lugar! Olha lá!

Bastava um olhar sério do pai e lá ia o Leonel, cabisbaixo, para o seu lugar.

– Parece que não sabe mais onde é o seu lugar, menino!

E na escola? Cada um tinha também o seu lugar. E, ali também, nunca soube quem definia aquilo. Era mais democrático. Nós mesmos escolhíamos. Tinha aqueles que gostavam de ficar lá na frente. Geralmente cdf. E a turma de trás, os bandidos, os que só iam à aula para azucrinar os professores. Eu sempre fui dos fundos. Lá era o meu lugar. Uma semana de aula e todo mundo já tinha o seu lugar. E aquilo durava o ano todo. Por quê? Jamais saberemos.

E foi na escola que começamos a entender que poderíamos ser “primeiro lugar”. Por que lugar? Nunca fui o primeiro lugar, nem o segundo. Sempre tive um lugar intermediário, mas este lugar não tinha nem nome nem classificação. Também nunca fui o último lugar.

Nos esportes também a necessidade de obter o primeiro lugar. Na fila. Tinha uma expressão no meu tempo para designar o primeiro lugar na fila ou em qualquer sorteio: xiniqueiro. Ou seria chiniqueiro? Vou ver o Aurélio e já volto. Tempo perdido. Não tem. Nem no Houaiss. A palavra só tem lugar mesmo é na minha memória.

Já que estava com o dicionário na tela, copiei o que ele define como lugar.

Veja que loucura:

Espaço ocupado, sítio, data e lugar de nascimento, espaço próprio para determinado fim, ponto de observação, posição, posto, ambiente, povoação, localidade, região, país, situação (que faria você se estivesse em meu lugar?), classe, categoria, ordem (ponha-se no seu lugar, não suporto má-criação!), ocupação, emprego, função, cargo (temos de arranjar um lugar para ele: está desempregado), assento marcado e determinado (não dizia eu, lá em cima?).

Portanto, ponha–se no seu lugar.

*****

Do livro “Crônica Brasileira Contemporânea”.
organização e apresentação de Manuel da Costa Pinto.

Sete maravilhas do mundo antigo



1) Templo de Ártemis em Éfeso erguida em homenagem à deusa da natureza e da caça.

2) A Grande Pirâmide de Gizé é enorme estrutura de pedra perto da antiga cidade de Mênfis, usada como um túmulo para o faraó egípcio Khufu (ou Quéops).

3) O Colosso de Rodes, estátua gigante do deus-sol Hélio.

4) Os Jardins Suspensos da Babilônia foram construídos como parte do palácio do rei Nabucodonosor II às margens do rio Eufrates.

5) Mausoléu de Helicarnasso, sepulcro construído para o rei Mausolo, sátrapa persa da Caria. A estrutura foi desenhada pelos arquitetos gregos Sátiro e Pítis.

6) O Farol da Alexandria construído pela dinastia dos Ptolomeus na ilha de Faros.

7) Estátua de Zeus em Olímpia esculpida pelo lendário escultor Fídias.



sexta-feira, 5 de junho de 2020

Grandeza do mar

Paulo Roberto Gaefke


Você sabe por que o mar é tão grande?
Tão imenso? Tão poderoso?
É porque teve a humildade de colocar-se alguns centímetros
abaixo de todos os rios.

Sabendo receber, tornou-se grande. 

Se quisesse ser o primeiro, centímetros acima de todos os rios,
não seria mar, mas sim uma ilha.
Toda sua água iria para os outros e estaria isolado. 

A perda faz parte.
A queda faz parte.
A morte faz parte.

É impossível vivermos satisfatoriamente.
Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber viver.

Se aprenderes a perder, a cair, a errar, ninguém mais o controlará.
Porque o máximo que poderá acontecer a você é cair, errar e perder.
E isto você já sabe.

Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda, a vida e a morte. 

Coisas que só as mulheres sabem o significado:



- Aliança: Garantia financeira.

- Amante: Homem que faz tudo aquilo que o marido nunca fez.

- Amor Impossível: Um pretendente pobre.

- Batom: Poderosa arma feminina que deixa marcas fatais.

- Bolsa: Membro essencial no funcionamento do corpo feminino.

- Cansaço: Vontade de ficar sozinha.

- Certeza: Quase certeza.

- Confiança: Ação incompatível com os homens.

- Dor de cabeça: Falta de vontade.

- Extravasar: Galinhar.

- Falta de atenção: Falta de presentes.

- Fracasso: Perder um homem para uma mulher mais magra.

- Gravidez: Investimento a longo prazo.

- Minutos: Horas. Principalmente antes de sair.

- Maquiagem: Realce da beleza natural e disfarce de feiúra original.

- Meia calça: Camada de acabamento das pernas.

- Namorado: Desculpa usada para despistar homens indesejados.

- Nunca: Por enquanto, não.

- Pílula: Medicamento usado no momento certo e suspenso no momento oportuno.

- Problemas conjugais: Ausência de orgasmo.

- Satisfação: Verbete desconhecido no dicionário feminino.

- Seios: Sinônimo de maçaneta, pois também abrem muitas portas.

- Talvez: Sim.

- Terapia de grupo: Shopping com as amigas.

- Valorização: Flores no dia seguinte.

Coisas que só uma mulher consegue...

* Passar a vida inteira, lutando contra o próprio cabelo.

* Comprar uma blusa que não combina com mais nada, só porque o preço estava irresistível.

* Ser tratada feito idiota pelo mecânico na oficina.

* Fingir naturalidade durante um exame ginecológico.

* O poder de uma calça jeans para radiografar a estrutura do corpo.

* Ter crise conjugal, crise existencial, crise de identidade, crise de nervos!

* Ser mãe solteira, mãe casada, mãe separada, mãe do marido.

* Lavar a calcinha no chuveiro. E depois pendurá-la na torneira, para horror do sexo masculino.

* Escutar que: mulher no volante perigo constante; homem do lado perigo dobrado...

* Depilar a perna de 15 em 15 dias − com cera!

* Rasgar a meia na entrada da festa.

* Sentir-se pronta para conquistar o mundo, quando está usando um batom novo!

* Chorar no banheiro, se olhando no espelho para ver qual o melhor ângulo.

* Achar que o seu relacionamento acabou, e depois descobrir que era tudo tensão pré-menstrual.

* Nunca saber se é para dividir a conta, ou se é para ficar meiguinha.

* Ser chamada de tia por uns brotinhos bem gatinhos.

* Colocar uma cinta para disfarçar a barriga.

* Ficar completamente feliz, porque ele ligou.

* Dizer não, para ele insistir bastante, e aí ter que dizer sim!

* Sorrir gentilmente para o cliente enquanto uma cólica louca te rasga como se fosse uma bazuca...

Só as mulheres entendem...

01. Por que é bom ter cinco pares de sapatos pretos;

02. A diferença entre creme, marfim, e bege claro;

03. Que chorar pode ser divertido;

04. Roupas soltas;

05. Uma salada, bebida diet, e um sundae de chocolate fazem um almoço equilibrado;

06. Descobrindo um vestido de marca em oferta pode ser considerada uma experiência de vida;

07. A inexatidão de toda balança;

08. Achar o homem ideal é difícil, mas achar um bom cabeleireiro é praticamente impossível;

09. Por que um telefonema entre duas mulheres nunca dura menos que dez minutos;

10. Por que só as mulheres entendem as outras mulheres!


quinta-feira, 4 de junho de 2020

Tipos folclóricos da Rua Praia



Uma fauna sortida

Marcello Campos*

No álbum de tipos pitorescos que borboletearam pela Porto Alegre da época em que Bataclan (ou “Bataclã”, na versão agauchada pela mídia local) fez do burburinho das ruas o seu ganha-pão, muitos estão na memória da cidade.

Maria Chorona, a jornaleira que pronunciava o seu mantra lamurioso no Largo dos Medeiros: “Correeeeeeeio! Diaaaaaaário!”. Territorial, enxotava concorrentes e piás marotos que se divertiam em arremedá-la.

Homem dos Cachos, o ocultista de túnica branca, cabelo “comanche” e a inseparável mala com uma “janela” a exibir punhados de cédulas. Suas previsões faziam a alegria da imprensa.

Professor Brilhante, de boina e cavanhaque, a pincelar e vender seus quadros na rua Vigário José Inácio. Seu nome batizou oficialmente o largo de desenhistas e pintores em frente ao Shopping Rua da Praia.

Tom Mix, mandalete do Cine Apolo e que realizava suas fantasias de mocinho de bang-bang com o dedo indicador a desferir tiros imaginários em desafetos na Praça da Alfândega.

Marimbondo, o gringo alto que não poupava ninguém. Por qualquer cachê, topava os desafios mais estapafúrdios, como lamber o pescoço de um inocente casal que deixava o Cine Guarani.

Terezinha Morango, a torcedora que agitava o Beira-Rio e bares do Centro. Nem o Inter escapou: dizendo-se desprestigiada ao não receber uma ajuda financeira do clube, virou a casaca para o Grêmio.

Volnei Salles, o vendedor de loterias cujo bordão “Gurizada Medonha”, nas cercanias da rua Uruguai, rendeu o próprio apelido e se tornou uma expressão popular que perdura na boca do povo.

Arlindo Alfaiate, o enigmático senhor a desfilar como um dândi, de cartola e terno boquirrotos, mala de viagem e guarda-chuva. Tudo coberto por "anúncios" escritos à mão.

Manoel da Loteria, o ambulante falecido aos 71 anos, sem os braços, despertava o carinho e curiosidade dos porto-alegrenses, ao oferecer loterias e, principalmente, foi um tremendo exemplo de obstinação.

*****

* Marcello Campos: Formado em Jornalismo e Publicidade & Propaganda (ambas pela Pucrs) e Artes Plásticas (Ufrgs). Tem quatro livros já publicados. Há mais de uma década, dedica-se ao resgate de fatos, lugares e personagens porto-alegrenses.

(Do Jornal do Comércio, de 8.3. 2019)

P. S. Outra figura folclórica da Rua da Praia era Joel Granato Veiga, o Camelinho, um dos torcedores mais conhecidos da história do Grêmio, morreu em 10.08.2008, aos 78 anos, na Capital aos 78 anos, segundo o site oficial do Grêmio. 

Figura histórica da Rua da Praia, Camelinho nasceu em Bagé em 1930. Era morador de Porto Alegre desde que o Grêmio jogava no Estádio da Baixada. No centro da Capital, ficou conhecido pela sua defesa intransigente e alegre do Grêmio, o que o transformou em torcedor símbolo do tricolor.

Na foto acima feita em 12.02.1966, ele é o primeiro da fila da esquerda para a direita dos que estão em pé. Os demais são Cleo, Ortunho, Airton, Aureo, Altemir, Alberto. Agachados: Adroaldo Marques, João Severiano, Alcindo, Sérgio Lopes, Wolmir Massaroca e Ataídes Carvalho. No dia que foi feita esta foto, o Grêmio jogou em Santa Maria na inauguração do estádio do “colorado santamariense” − Internacional − que ao que parece até hoje não ficou pronto.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Um herói anônimo de nossa cidade

Manoel da Loteria

(1948-2019)

Sem os dois braços, vendia bilhetes no centro de Porto Alegre.


Foto Marcello Campos-Arquivo pessoal

Porto Alegre perde um de seus mais queridos personagens populares
30 de junho de 2019

Sorriso tímido, olhar de menino, passinho apressado pela Rua da Praia, Ladeira, Andrade Neves e imediações. Dinheiro trocado no bolso direito da camisa social sempre impecável, comprovantes de apostas dobrados no lado do coração, com promessas de fortuna em forma de papel.

Esta imagem singela deixará saudade entre os porto-alegrenses, com a morte do vendedor ambulante Manoel Vilson do Nascimento, 71 anos (completados no dia 4 de junho de 2019), o “Manoel da Loteria”, ocorrida por volta das 0h30min deste domingo no Hospital Conceição.

Internado no setor de emergência da instituição, de acordo com familiares ele não resistiu a complicações de um quadro de insuficiência renal e infecção pulmonar. O sepultamento foi realizado no final da manhã deste domingo, no Cemitério da Santa Casa. “Foi tudo muito rápido, de surpresa”, contou o seu afilhado William Oliveira.

Trajetória

Em 2017, durante rápida entrevista concedida ao repórter Marcello Campos, do jornal “O Sul”, Manoel declarou sobre o seu tempo de atividade: “Perdi as contas”. Testemunhos dão como certo, porém, a sua onipresença nas ruas, avenidas e marquises do Centro Histórico pelo menos desde o começo da década de 1970.

Morador da Vila Farrapos, na Zona Norte, ele não deixou mulher, filhos ou patrimônio. Esse pequeno-grande homem entregou à capital gaúcha, porém, um baita legado: o exemplo de superação. As dezenas de depoimentos registrados por amigos e conhecidos no Facebook ao longo do dia não poupavam elogios ao vendedor.

O álbum de tipos folclóricos da cidade ganha mais uma figurinha carimbada. Manoel da Loteria agora está na mesma galeria de tipos inesquecíveis como Bataclan, Gurizada Medonha, Teresinha Morango, Arlindo Alfaiate, Homem dos Cachos, Marimbondo, Maria Chorona, apenas para mencionar os mais conhecidos.

(O Sul)

(Do blog Porto 24 Alegre)


Foto e texto de Fernando Albrecht

A vida é dura...

Manoel Nascimento, 70 anos, nasceu assim em Cachoeira do Sul, sem os dois braços. Foi com compreensíveis enormes dificuldades que aprendeu a gerenciar sua vida. Ainda criança, veio para a cidade grande e, desde o início dos anos 1970, passou a vender bilhetes da Loteria Federal e das Loterias da Caixa. Em um bolso da camisa deixa os volantes e no outro dinheiro trocado. Os fregueses tiram o que lhes interessa e fazem o troco.

...para quem é mole

Perguntado como encarava a sofrida condição desde a nascença, Nascimento abre um sorriso largo e diz “graças a Deus!”. E arremata: “Eu podia ter nascido cego”. Ora, alguém que diz isso é um herói. Ele poderia sentar na calçada e chorar maldizendo a própria sorte, mas não. Foi à luta e chega aos 70 anos com clientela fiel. É um exemplo para quem tem dois braços, duas pernas e desiste falando uma frase mortal, “não dá”.

(Do Jornal do Comércio, de 29.03.2019)

P.S. Vi, muitas vezes, esse senhor vendendo bilhetes nos anos 70, no centro de Porto Alegre. Realmente, a gente ficava impactado com a sua garra em vender um pequeno papel para fazer um novo rico. Nunca fui de tentar a sorte, mas hoje, lendo a sua história, me arrependo de nunca ter comprado um bilhete dele...

(NSM)