sexta-feira, 30 de maio de 2014

A arte de negar o fiado

Por Luís Celso Jr.


Quem está acostumado com o mundo boêmio, andando de bar em bar, sabe que para pedir fiado é preciso ter uma grande dose de cara-de-pau. Mas negar, então, é uma arte. Em cada boteco pé-sujo há pelo menos uma frase dizendo que vender bebidas para quem não paga na hora é proibido. E pelo tanto que negam, os pedidos para “pendurar” devem ser muitos. Interessante é ver a criatividade do povo quando o assunto é o mais sério do boteco: dinheiro. Confira abaixo uma seleção de frases e versos de “alerta”, do tipo espanta mau pagador.

“Fiado é igual barba, se não cortar, cresce.”

“Fiado só para maiores de 90 anos acompanhados dos pais.”

“In god we trust, all the others pay in cash.”


“Fiado? Só em dia de feriado, que o boteco está fechado.”


Para não haver transtorno, aqui neste barracão, só vendo fiado a corno, filho da puta e ladrão.

“Promoção! Peça fiado e ganhe um não!”

“Botequim do Serafim. Não é permitido entrar bêbado. Sair sim.”

“O tio que vendia fiado saiu."”

“Mulher bonita não paga, mas também não leva.”

“Em terra de pobre, quem vende fiado é rei.”

“Fiado só a partir de 2099.”

“Leve fiado e ganhe de brinde: a minha sogra.”

A polícia procura suspeito por ter pedido fiado, então não seja o próximo!

Freguês educado não cospe no chão, não pede fiado e não diz palavrão.

“60 num bar, 70 sair 100 pagar, aí mando a polícia 20 buscar.”

“O fiado é muito procurado, mas aqui não será encontrado.”

“Fiado só se faz a um bom amigo, e o bom amigo nunca pede fiado.”

“Eu tenho vergonha de lhe dizer não, por isso não peça fiado.”

Não passe sem parar, não pare sem entrar, não entre sem comprar, não compre sem pagar.”


Nota de Falecimento

“Faleceu, hoje, neste estabelecimento comercial, vítima de derrame financeiro, Dona Conta. Deixa viúvo o Senhor Fiado e os filhos De Graça, Grátis, Pago Depois, Pinduraí e Anota pra mim. A família, inconsolável, pede que não mandem flores, mas dinheiro.”

Quadrinhas

“Para servi-lo aqui estou,
trabalho e não sou folgado,
de amigo, parente e doutor
foi cortado o nosso fiado.

O fiado me dá pena
e a pena me dá cuidado,
me vejo livre da pena
não lhe vendendo fiado.

Caldo de galinha é canja,
conversa não é valentia
tudo com dinheiro se arranja
nesta casa não se fia.”

Se vem por bem,
entre esta casa é sua,
mas se me pedir fiado
não entre, fique na rua.

“Deus inventou o homem,
a mulher inventou o pecado.
Deus inventou o dinheiro,
o Diabo inventou o fiado!”




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