quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Homem Que Nunca Existiu


(The Man Who Never Was)

Ewen E. S. Montagu


O livro em tela relata um fato histórico de relevante importância dentro do contexto da segunda guerra mundial, na medida em que trata de uma operação de vulto, a invasão da Sicília.

Tudo acontece quando o autor e o seu grupo de trabalho responsável por examinar assuntos relacionados com a segurança de operações aliadas resolvem montar uma dissimulação para encobrir o verdadeiro local de desembarque aliado após a bem sucedida campanha no norte da África. Os locais onde poderiam ocorrer o desembarque seriam na Grécia, Sardenha e Córsega. A Sicília possui localização estratégica para qualquer comboio ou operação que use o mar Mediterrâneo, sua conquista fornece segurança para os aliados.

O autor decide usar um cadáver (codinome Major William Martin, dos Fuzileiros Reais) para ser desovado na costa da Espanha (Huelva), simulando um afogamento após um acidente aéreo, esse corpo teria junto de seus pertences, uma mensagem, nível alto comando, que tiraria a atenção dos alemães do real local da invasão da Sicília.

A preparação do corpo e de toda a dissimulação (Operação Mincemeat - recheio) foi minuciosa para poder passar pelos testes de autenticidade que o serviço de inteligência germânico (Abwher) certamente faria. Resolveu-se que Martin seria homem de inteligência viva e perito em lanchas de desembarque – daí o motivo de sua ida à África do Norte. Mas era, também, um pouco estróina: no seu bolso foi posta uma carta da matriz do Lloyds Bank, datada de 14 de abril de 1943, convidando-o a saldar um débito de quase 80 libras de saques a descoberto.

Todo oficial moço tem alguma ligação romântica – e o major Martin conhecera havia a pouco uma encantadora jovem chamada Pam. Na carteira ele guardava uma fotografia e duas cartas dela. Essas cartas foram dobradas e desdobradas repetidas vezes para dar a impressão de que tinham sido lidas e relidas. Provavelmente, esse namoro era a causa do seu débito no banco, pois que lá estava no seu bolso uma nota de 53 libras proveniente da compra de um anel de noivado.

Naturalmente, major levava também a miscelânea de costume – chapas de identificação, relógio de pulso, cigarros, bilhetes antigos de ônibus, pedacinhos de papel, chaves. Resolveu-se que ele teria levado a noiva ao teatro na sua última noite passada na Inglaterra, e meteu-se no bolso as metades de dois ingressos para uma peça levada a 22 de abril, antes de ter ele embarcado num submarino no dia 19. Estava preparada a cilada em todos os seus detalhes.

Após a desova do Major Martin no litoral espanhol, tudo ocorreu como planejado, foi resgatado e antes do corpo e do material ser devolvido aos ingleses, os documentos foram copiados (comprovado pela técnica da dobra de papel única) e entregues aos alemães.

A operação Mincemeat foi um sucesso comprovado por diversos eventos:

- O alto comando germânico (OKW) concentrou tropas na Grécia, aumentou a estrutura de defesa (campos de minas e baterias de costa) e transferiu uma divisão panzer da França para a Grécia;

- Hitler transferiu seu general favorito para a Grécia para comandar a defesa;

- As ilhas da Sardenha e Córsega (Mediterrâneo Ocidental) foram reforçadas em suas estruturas de defesa.

Esses fatores podem ser comprovados por documentos da época e quem constam do livro.

Para os defensores dos direitos humanos de plantão que possam alegar crime na manipulação do cadáver, tudo foi feito com a autorização da família, o nome e os detalhes nunca foram divulgados e o corpo foi enterrado com honras e com o devido respeito após a devolução aos ingleses.


P.S.: O cadáver cuja causa mortis pudesse confundir-se com afogamento, foi conseguido de um homem que morreu de pneumonia, forma de morte em que há líquidos nos pulmões. Outra dificuldade era a carteira de identidade do Major Martin, de todas as fotos tiradas do cadáver, nenhuma dava impressão de pessoa viva. Mas um dia, numa reunião, descobriu-se um sósia do Major Martin. Ele pousou para a fotografia. Estava pronta a carteira de identidade do morto, que está enterrado até hoje na Espanha.



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