quinta-feira, 22 de maio de 2014

Os Mandamentos do Escritor


Nietzsche

  
01. O que mais importa é a vida: o estilo deve ter vida.

02. O estilo deve ser apropriado a tua pessoa, em função de uma pessoa determinada a quem tu queres comunicar teu pensamento.

03. Antes de segurar a caneta, é preciso saber exatamente como se expressaria de viva voz o que se tem que dizer. Escrever deve ser apenas uma imitação.

04. O escritor está longe de possuir todos os meios do orador. Deve, pois, inspirar-se em uma forma de discurso muito expressiva. O resultado escrito, de qualquer modo, aparecerá mais apagado que seu modelo.

05. A riqueza da vida se traduz na riqueza dos gestos. É preciso aprender a considerar tudo como um gesto: a longitude e a pausa das frases, a pontuação, as respirações; também a escolha das palavras e a sucessão dos argumentos.

06. Cuidado com o período. Só tem direito a ele aqueles que têm a respiração muito longa quando falam. Para a maioria, o período é apenas uma afetação.

07. O estilo deve mostrar que tu acreditas em teus pensamentos. Deve mostrar não só que pensas neles, mas que os sentes.

08 convergir até. Quanto mais abstrata é a verdade que se quer ensinar, mais importante é fazer ela todos os sentidos do leitor.

09. O tato do bom prosador na escolha de seus meios consiste em aproximar-se da poesia até roçá-la, mas sem ultrapassar jamais o limite que a separa.

10. Não é sensato nem hábil privar o leitor de suas refutações mais fáceis; pelo contrário, é muito sensato e hábil deixar que ele formule a última palavra da nossa sabedoria.



 Gabriel Garcia Marquez


01. Uma coisa é uma história longa e outra é uma história alongada.

02. O final de uma história deve ser escrito quando você ainda estiver na metade.

03. O autor lembra mais facilmente como uma história termina do que como ela começa.

04. É mais fácil atrair a atenção de um coelho que a de um leitor.

05. É necessário começar com a intenção de que se escreverá a melhor coisa (jamais escrita) porque logo essa vontade diminui.

06. Se você se aborrece escrevendo, o leitor se aborrece lendo.

07. Não force o leitor a ler uma frase novamente para compreender seu sentido.



Hemingway


01. Escreva frases breves. Comece sempre com uma oração curta. Utilize o seu idioma de maneira vigorosa. Seja positivo, não negativo.

02. A gíria adotada deve ser recente, caso contrário não tem utilidade.

03. Evite o uso de adjetivos, especialmente os extravagantes como “esplendido, grande, magnífico, suntuoso”.

04. Ninguém que tenha um pouco de inteligência, que sinta e escreva com sinceridade sobre as coisas que deseja dizer, pode escrever mal se atentar para estas regras.

05. Para escrever, imagino a antiga solidão do quarto de hotel onde comecei a escrever. Diga a todo mundo que vives em um hotel e hospeda-te em outro. Quando te localizarem, mude para o campo. Quando te localizarem no campo, muda-te para outro lugar. Trabalhe o dia todo até que esteja tão esgotado que o único exercício que possa fazer será ler os jornais. Então coma alguma coisa, jogue  tênis, nade ou realize alguma tarefa que te entonteça só para manter o intestino em movimento e, no dia seguinte, volte a escrever.

06. Os escritores deveriam trabalhar sozinhos. Deveriam se ver só quando as suas obras estivessem concluídas e, ainda assim, não com demasiada frequência. Caso contrário, se tornam como os escritores de Nova Iorque. Como minhocas de terra dentro de uma garrafa, tentando alimentar-se a partir do contato entre eles e a garrafa. Às vezes, a garrafa tem a forma artística, às vezes econômica e às vezes econômica-religiosa. Mas uma vez que estão na garrafa, permancem ali. Sentem-se solitários fora da garrafa. Não querem sentir-se solitários. Têm medo de estar só com as suas crenças...

07. Às vezes, quando tenho dificuldade para escrever, leio meus próprios livros para levantar o ânimo e depois me lembro que sempre foi difícil e às vezes quase impossível escrevê-los.

08. Um escritor, se tem alguma utilidade, não descreve. Inventa ou constrói a partir do conhecimento pessoal ou impessoal.



Juan Carlos Onetti


01. Não busquem ser originais. Ser diferente é inevitável quando alguém se preocupa em sê-lo.

02. Não tentem deslumbrar o burguês. Não dá resultado. Ele só fica assustado quando lhe ameaçam o bolso.

03. Não tratem de complicar o leitor, nem buscar nem reclamar sua ajuda.

04. Não escrevam jamais pensando na crítica, nos amigos ou parentes, na doce noiva ou esposa. em sequer no leitor hipotético.

05. Não sacrifiquem a sinceridade literária por nada. Nem a política, nem o triunfo. Escrevam sempre para esse outro, silencioso e implacável, que levamos conosco e não é possível enganar.

06. Não sigam modas, abjurem o mestre antes do terceiro canto do galo.

07. Não se limitem a ler os livros já consagrados. Proust e Joyce foram depreciados quando mostraram o nariz. Hoje são gênios.

08. Não esqueçam a frase, justamente famosa: 2 mais 2 são 4; mas e se forem 5?

09. Não desdenhem temas com narração estranha, seja qual for sua origem. Roubem se for necessário.

10. Mintam sempre.

11. Não esqueçam que Hemingway escreveu: “Inclusive de leituras de bobagens já prontas de meus romances, que vem a ser o nível mais baixo em que um escritor pode cair.”


 Stephen Vizinczey*


01. Não beberás, não fumarás, nem te drogarás.

02. Não terás costumes caros.

03. Sonharás e escreverás, e sonharás e voltarás a escrever.

04. Não serás vaidoso.

05. Não serás modesto.

06. Pensarás sem cessar nos que são verdadeiramente grandes.

07. Não deixarás um só dia sem reler algo importante.

08. Não adorarás Londres/Paris/Nova Iorque.

09. Escreverás para satisfazer a ti mesmo.

10. Será difícil de satisfazer-te


*StephenVizinczey, escritor e poeta húngaro, autor de autor de O milionário inocente e Verdades e mentiras na literatura, dentre outros.



Antonio Carlos Secchin


01. Amarás a literatura acima de todas as coisas.

02. Não invocarás os centenários de Machado de Assis e Guimarães Rosa em vão: trata de fazer algo inteiramente diverso.

03. Guardarás os fins de semana para escrever tudo aquilo que teu emprego não permite que escrevas nos outros dias.

04. Duvidarás de pai, mãe, avós, enfim: de toda a linhagem de teus ascendentes literários.

05. Não matarás o idioma supondo reinventá-lo em cada nova obra.

06. Não pecarás contra a causticidade da língua, abrigando em teus textos a ironia, o humor, a irreverência.

07. Não furtarás obras alheias: com elas estabelecerás “diálogos intertextuais”.





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