quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Tereza da praia em duas versões

 

O ano, 1954, dois grandes astros da gravadora Continental (Lúcio Alves e Dick Farney) protagonizavam uma rivalidade entre os fãs. Quem era melhor? Ruy Castro, no seu antológico livro “Chega de Saudade” (Cia das letras, 1991),  relatava: 

“…E desde quando Lúcio Alves poderia ser comparado a Dick Farney, a ponto de merecer um fã-clube? Curiosamente, não ocorria aos membros do (fã clube) Sinatra-Farney que Farney, como cantor, devia tudo, ou quase tudo a Crosby, não a Sinatra – e que, se havia alguém de fato original entre os dois brasileiros, era Lúcio Alves. O que os ligava era o tipo de repertório e o fato de ambos terem, como se dizia, ‘voz de travesseiro’”. 

A gravadora, evidentemente, lucrava com a rivalidade, até que, em certo momento, encomendou uma música na qual pretendia apimentar a dita “rivalidade” (que na verdade acontecia entre os fãs, pois Dick e Lúcio eram amigos). 

Tereza da praia tornou-se um sucesso e um dos maiores clássicos pré-bossa nova.  E, obviamente, os fãs continuaram discutindo quem seria melhor cantor: Dick Farney ou Lúcio Alves. 

Tereza da praia 

Billy Blanco e Tom Jobim 

Ó, Dick,

Fala, Lúcio.

Arranjei novo amor no Leblon,

Que corpo bonito, que pele morena,

Que amor de pequena,

Amar é tão bom, tão bom! 

Ó, Lúcio,

Ela tem o nariz levantado,

Os olhos verdinhos, bastante puxados?

Cabelo castanho e uma pinta do lado? 

Ela minha Tereza da praia!

Se ela é tua, ela é minha também.

O verão passou todo comigo!

É, mas no inverno pergunta com quem? 

Então vamos a Tereza na praia deixar

Aos beijos do sol

E abraços do mar,

Tereza é da praia

Não é de ninguém,

Não pode ser tua,

Nem tua também.

Tereza da praia

Não é de ninguém... 

A paródia feita por Billy Blanco 

E já sem Tom Jobim, ele compôs a até hoje inédita paródia que Billy se viu obrigado a fazer de “Teresa da praia”, ao constatar que a garota, com os novos tempos, havia mudado: 

Ela usa o nariz só de um lado,

Tem olho vermelho bastante injetado,

Cabelo na venta e sapato quarenta. 

Essa é a tua Teresa da Praia,

No Leblon, não engana ninguém.

O meu caso é um rabo de saia,

Vai com calma, que é o dela também. 

P.S. Parte final da crônica “Humor de Billy”, de Ruy Castro de seu livro “A arte de querer bem”. 

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