O ano, 1954, dois grandes astros da gravadora Continental (Lúcio Alves e Dick Farney) protagonizavam uma rivalidade entre os fãs. Quem era melhor? Ruy Castro, no seu antológico livro “Chega de Saudade” (Cia das letras, 1991), relatava:
“…E desde quando Lúcio Alves poderia ser comparado a Dick Farney, a ponto de merecer um fã-clube? Curiosamente, não ocorria aos membros do (fã clube) Sinatra-Farney que Farney, como cantor, devia tudo, ou quase tudo a Crosby, não a Sinatra – e que, se havia alguém de fato original entre os dois brasileiros, era Lúcio Alves. O que os ligava era o tipo de repertório e o fato de ambos terem, como se dizia, ‘voz de travesseiro’”.
A gravadora, evidentemente, lucrava com a rivalidade, até que, em certo momento, encomendou uma música na qual pretendia apimentar a dita “rivalidade” (que na verdade acontecia entre os fãs, pois Dick e Lúcio eram amigos).
Tereza da praia tornou-se um sucesso e um dos maiores clássicos pré-bossa nova. E, obviamente, os fãs continuaram discutindo quem seria melhor cantor: Dick Farney ou Lúcio Alves.
Tereza da praia
Billy Blanco e Tom Jobim
Ó, Dick,
Fala, Lúcio.
Arranjei novo amor no Leblon,
Que corpo bonito, que pele
morena,
Que amor de pequena,
Amar é tão bom, tão bom!
Ó, Lúcio,
Ela tem o nariz levantado,
Os olhos verdinhos, bastante
puxados?
Cabelo castanho e uma pinta do lado?
Ela minha Tereza da praia!
Se ela é tua, ela é minha
também.
O verão passou todo comigo!
É, mas no inverno pergunta com quem?
Então vamos a Tereza na praia deixar
Aos beijos do sol
E abraços do mar,
Tereza é da praia
Não é de ninguém,
Não pode ser tua,
Nem tua também.
Tereza da praia
Não é de ninguém...
A paródia feita por Billy Blanco
E já sem Tom Jobim, ele compôs a até hoje inédita paródia que Billy se viu obrigado a fazer de “Teresa da praia”, ao constatar que a garota, com os novos tempos, havia mudado:
Ela usa o nariz só de um
lado,
Tem olho vermelho bastante
injetado,
Cabelo na venta e sapato quarenta.
Essa é a tua Teresa da Praia,
No Leblon, não engana
ninguém.
O meu caso é um rabo de saia,
Vai com calma, que é o dela também.
P.S. Parte final da crônica “Humor de Billy”, de Ruy Castro de seu livro “A arte de querer bem”.

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