Crianças que se tornaram célebres
Benjamin Franklin tinha apenas dez anos de idade quando seu pai o tirou da escola, por não dispor de recursos, visto que tinha dezesseis filhos, e, naturalmente, todos precisavam de roupas e comida.
‒ Benjamin pode estudar sozinho ‒ disse o senhor Franklin ‒ É um menino muito inteligente e poderá também me ajudar a fazer velas.
O senhor Franklin era fabricante de velas e precisava de uma pessoa para trançar os pavios e encher as formas com o sebo derretido.
E Benjamin deixou a escola para ajudar o pai. Uma vez ou outra o pai lhe dava uns níqueis para gastar.
Certa manhã ia Benjamin andando muito satisfeito pela rua, com alguns níqueis no bolso, quando se encontrou com outro menino, que vinha tocando um apito.
‒ Que apito lindo você tem! ‒ exclamou ‒ onde o comprou?
‒ Naquele armazém ali ‒ respondeu o menino, apontando a casa comercial onde o comprara.
Para lá se dirigiu Benjamin, comprando um apito igual ao que lhe mostrara o garoto, e entregando ao dono da loja todos os níqueis.
Quando chegou em casa e o mostrou aos irmãos, estes riram. Eles sabiam que o apito não valia o preço que Benjamin pagara.
‒ O apito não vale nem a metade do dinheiro que você entregou ao homem! ‒ disseram eles.
Benjamin Franklin nunca mais se esqueceu disso. Desse dia em diante nunca mais perdeu tempo nem gastou dinheiro comprando coisas inúteis. “Não pague caro demais pelo seu apito”, costumava dizer.
Benjamin não gostava de ajudar o pai a fabricar velas. Achava que podia ganhar mais dinheiro fazendo outra coisa.
Benjamin tinha um irmão impressor, o qual o convidou a trabalhar em sua loja. Benjamin aceitou o convite e, assim, pôde aprender muita coisa acerca de impressão na loja do irmão.
Com o dinheiro que este lhe pagava, comprava comida e livros, que lia à noite, aprendendo neles muita coisa interessantes.
Mas por fim, disposto a ganhar ainda mais, Benjamin seguiu para Filadélfia aonde chegou uma bela manhã, com muita fome.
Dirigiu-se imediatamente a uma padaria e aí conheceu aquela que mais tarde seria a sua esposa.
Em pouco tempo, Benjamin arranjou emprego num jornal, publicando também um almanaque que todos gostavam de ler. Mas apesar de tudo isso Benjamin não parou um só momento de estudar, ampliando cada vez mais os seus conhecimentos.
Naquela época quase nada se sabia sobre eletricidade. Hoje, nós a usamos de diversas maneiras, como por exemplo, para iluminar a nossa casa. Benjamin Franklin viu o raio riscar o céu e disse:
‒ Acredito que possa ser útil. Vou ver se descubro um meio de captá-lo.
Fez Benjamin Franklin um papagaio (pipa), em cima do qual colocou um fio, destinado a atrair o raio ao papagaio. Este foi amarrado a outro comprido fio, no extremo do qual havia uma chave. A extremidade que Benjamin segurava era constituída por uma faixa de seda.
Quando caiu uma tempestade, Benjamin saiu e soltou o papagaio. Brilhou o raio! Benjamin não estava com medo! Ele sacudiu levemente a chave e dela saíram pequenas faíscas. Benjamin ficou muito contente, pois sabia agora que podia recolher a eletricidade atmosférica.
Foi
Benjamin Franklin o inventor do para-raios, esta haste de metal que vemos nos
telhados das casas destinada a atrair os raios e levá-los para a terra sem
causar nenhum dano à casa.
(Do Almanaque do “O Globo Juvenil”, de 1943)


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