É um termo espanhol, usado para designar a miscigenação do índio com o branco, tanto pelo espanhol como pelo português.
Ocorreu na faixa pampeana que cobre Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul, os índios minuanos e charruas principalmente as índias, que em alguns casos eram atraídas por artefatos fabricados pelos brancos, as índias adoravam espelhos, pentes, roupas, calçados e como não tinham dinheiro trocavam por sexo.
Dessa mistura nasceu o mestiço com o cabelo grosso e eriçado, que foi chamado de Pelo-Duro. Termo que foi sendo deteriorado como sinônimo de gaúcho grosso, rude, sem educação.
Na verdade, o gaúcho trouxe a índole charrua ou minuana, que é de ser solitário, andarilho, andarejo que andava pelos campos, ora com uma viola atravessada o que causou com o tempo o ditado nas estâncias de quem tocava violão era vagabundo.
Sem se dar conta de tais discriminações, de que o violão ou a viola, era um artefato do branco que o índio adotou, como ser cavaleiro e ir onde o gado está. Pois o cavalo e o gado também foi uma introdução do branco em terras do Brasil. O gado vacum chegou aqui pelos jesuítas lá pelos meados de 1634.
Com a chegada do aramado, as cercas impediram o gaúcho de andar solto pelos campos, ficando ali e aqui sem eira nem beira, achegado em estâncias, dormindo ao relento, matando ovelha e deixando os restos no campo.
Pois foi as cercas que fizeram ele se achegar nas estâncias e aceitar ser peão, pois continuava a estar junto de quem gostava, o cavalo e o gado. A noitinha, lá no galpão, pegava seu violão e cantava para a lua.
Esse é o pelo-duro, uma palavra conjunta, que forma o gaúcho mestiço, pregado na terra com capim, não sabe gostar de outra coisa, se tirado do campo, fica triste nas vilas e olha para o mato e o campo sentindo uma saudade sem tamanho.
Fonte: Prof. Beraldo Lopes Figueiredo.
(Do Porteiras do Rio Grande)

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