segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Fazer acontecer

 

Um jovem foi procurar emprego numa grande empresa de comunicações. Passou na entrevista inicial e ia encontrar-se com o diretor para a entrevista final. O diretor viu o seu currículo e achou-o excelente, perguntou: 

‒ Recebeste alguma bolsa de estudo para a escola? 

O jovem respondeu: 

‒ Não senhor. 

‒ Foi o teu pai que pagou os teus estudos? 

‒ Sim, foi.

‒ Onde trabalha o teu pai? 

‒ O meu pai é ferreiro. 

O diretor pediu ao jovem para lhe mostrar as mãos. O jovem mostrou um par de mãos macias e perfeitas. 

‒ Já ajudaste o teu pai no trabalho dele? 

‒ Nunca, meu pai sempre quis que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, ele consegue fazer o trabalho melhor do que eu. 

O diretor disse: 

‒ Tenho um pedido: quando fores para casa hoje, vai lavar as mãos do teu pai e, depois, vem ver-me amanhã de manhã. 

O jovem sentiu que a possibilidade de conseguir o emprego era alta. Quando voltou para casa, perguntou ao pai se lhe permitia lavar as suas mãos. O pai sentiu uma mistura de emoções e mostrou as mãos ao filho, que as lavou, lentamente. 

Foi a primeira vez que notou as mãos enrugadas do seu pai tinham muitas cicatrizes e contusões tão dolorosas, que a sua pele estremeceu quando lhes tocou. Foi a primeira vez que o jovem reconheceu o que significava para este par de mãos, trabalhar todos os dias para poder pagar os seus estudos. 

Os hematomas nas mãos foram o preço que pagou pela educação, pelas atividades escolares e pelo seu futuro. 

Depois de limpar as mãos do pai, o jovem ficou em silêncio e começou a arrumar e limpar a oficina. 

Naquela noite, pai e filho conversaram por muito tempo. 

Na manhã seguinte, o jovem foi ao escritório do diretor. O diretor notou lágrimas nos olhos do jovem, quando lhe perguntou: 

‒ Podes dizer-me o que fez e o que aprendeu ontem, na tua casa? 

O rapaz respondeu: 

‒ Lavei as mãos do meu pai, quando terminei, fiquei na oficina, limpei-a toda. Agora sei o que é apreciar e reconhecer que, sem o meu pai, eu não seria quem sou hoje. Ao ajudar o meu pai hoje, percebi como é difícil fazer algo sozinho. Passei a apreciar a importância e o valor de ajudar a família. 

O diretor disse: 

‒ Isto é o que eu procuro na minha empresa. Quero contratar alguém que possa apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que saiba a dificuldade que os outros têm, para fazer as coisas, e que não coloca o dinheiro como seu único objetivo na vida. Estás contratado. 

Uma criança que foi mimada, protegida e geralmente teve sempre o que quis, desenvolve uma mentalidade de “Eu tenho o direito” e colocar-se-á sempre em primeiro lugar, ignorando os esforços dos pais. 

Se somos este tipo de pai protetor, estamos mesmo a demonstrar amor ou estamos a destruir os nossos filhos? 

Podes dar ao teu filho uma casa grande, boa comida, aulas de informática, e assistir a filmes em ecrã grande. Mas, quando estiveres a lavar o chão ou a pintar uma parede, por favor, deixa-o experimentar isso também. 

Depois de comer, eles que lavem a louça com os irmãos e irmãs. Não é porque não tens dinheiro para contratar alguém para fazer isto, é porque queres amá-los da maneira certa. Não importa quão rico és, apenas queres que entendam. Um dia o teu cabelo vai ser totalmente branco, como o pai deste jovem. O mais importante é que o teu filho aprenda a apreciar o esforço de viver nas dificuldades e aprender a capacidade de trabalhar com os outros para conseguir fazer acontecer. 

(Autor desconhecido)

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