O Teatro Mágico
Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
Bem-vindos ao Teatro Mágico,
Sintaxe à vontade.
Todo sujeito é livre para
conjugar o verbo que quiser.
Todo verbo é livre para ser
direto e indireto.
Nenhum predicado será
prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a
crase, nem vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da
vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
E estar entre vírgulas pode
ser aposto
E eu aposto o oposto
Que vou cativar a todos,
Sendo apenas um sujeito
simples.
Um sujeito e sua oração, sua
pressa, sua prece,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para
nossa oração,
Separados ou adjuntos,
nominais ou não.
Façamos parte do contexto
E de todas as capas de edição
especial.
Sejamos também da contracapa,
Mas ser capa e ser contracapa
É a beleza da contradição.
É negar a si mesmo,
E negar a si mesmo pode ser
também encontrar-se com Deus,
Com o teu Deus,
Sem horas e sem dores.
Que nesse encontro que
acontece agora,
Cada um possa se encontrar no
outro,
Até porque tem horas que a
gente se pergunta:
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?
Composição: Fernando Anitelli*
* Fernando Eduardo Silva Anitelli (Presidente
Prudente, 20 de maio de 1974) é um cantor, instrumentista, compositor,
ator, e responsável pela criação do projeto O Teatro Mágico, um
projeto que mistura arte circense, cultura, poesia e discussões políticas, nas
quais Fernando debate assuntos relacionados a temas como a importância da arte
e da cultura independente, [carece de fontes] pluralidade e distribuição
livre de conteúdo. Atualmente mantém ainda um trabalho solo chamado “As Claves
da Gaveta”, se apresenta em formatos de voz e violão, dá palestras e oficinas
relacionados à música e educação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário