quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Uma má interpretação

 Céfalo e Prócris

Céfalo e Prócris por Marques de Oliveira, 1879 

Céfalo, um belo jovem que amava verdadeiramente sua esposa Prócris, rejeitava outras mulheres que o procurava, pois era totalmente devotado ao amor que sentia por ela. Prócris havia dado a ele dois presentes ganhos pela deusa Diana para serem usados na caça: um cachorro, que era o mais veloz de todos e uma flecha, que jamais erraria seu alvo. 

Durante suas caças, na floresta, quando o sol estava a pico, Céfalo deitava numa sombra sobre a relva para se refrescar e descansar. Toda vez que ele descansava, dizia: “Vem, brisa suave, vem e refresca o meu peito, vem e mitiga o calor que me faz arder.” 

Certa vez, alguém passou por perto, ouviu o que Céfalo dizia e contou para Prócris, que duvidou e disse que só acreditaria na traição se visse a cena. 

Então, esperou Céfalo sair para a caça e o seguiu. Enquanto Céfalo descansava, Prócris, escondida em um arbusto, ouviu as mesmas palavras que ele sempre dizia e começou a chorar e fez um barulho nos arbustos com seu movimento. 

Céfalo pensou que era um animal selvagem e lançou sua flecha, que acertou Prócris. Quando Céfalo percebeu que havia ferido sua amada com o presente que ela mesma lhe havia dado, fez de tudo para que ela não morresse, porém de nada adiantou. 

Prócris morreu dizendo a Céfalo: “Imploro-te que, se algum dia me amaste, se já alguma vez mereci a bondade de tuas mãos, meu marido, faças este meu último desejo: não te cases com essa odiosa Brisa.” 

Tiago Dantas 

******* 

Ao conhecer, ler e observar os mitos, eles nos trazem algo que ainda hoje nos transmite situações que são vivenciadas pela humanidade através dos tempos. 

O mito de Céfalo e Prócris pode nos levar a refletir muito sobre julgamentos, má interpretações, a própria inveja da felicidade alheia, precipitação sobre algo que não lhe diz respeito, fofocas e todas as demais atitudes que se tomam sem serem bem pensadas e dignas da verdade, todo cuidado é pouco quando se trata de falar da vida do outro, de julgamentos precipitados. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário