Em 1918, no Rio de Janeiro, um rapaz de 23 anos entregou cinco contos ao editor do jornal O Imparcial. O editor nem olhou.
Dias depois, o rapaz voltou com os mesmos textos e disse que eram traduções de R. S. Slady, um autor americano que fazia sucesso em Nova York. O editor acreditou, e os contos foram publicados.
R. S. Slady nunca existiu. O episódio foi contado depois pelo próprio autor dos contos.
O nome dele era Júlio César de Mello e Souza. Nasceu no Rio em 6 de maio de 1895 e era professor de matemática. Acreditava que um escritor brasileiro não chamaria atenção escrevendo contos árabes.
Então criou um autor árabe, com nome comprido e tudo: Ali Iezid Izz-Eduim Ibn Salim Hank Malba Tahan. Inventou até o tradutor dos livros, o Professor Breno Alencar Bianco. Também não existia.
Em 1938, Malba Tahan lançou “O Homem que Calculava”, as aventuras de Beremiz Samir, um calculista da Pérsia que resolvia problemas com números e histórias. O livro vendeu mais de 2 milhões de exemplares só no Brasil.
Com o tempo, o nome Malba Tahan entrou até na carteira de identidade do professor.
E um dos alunos dele foi Tom Jobim. Em 1958, Tom compôs uma música chamada Aula de Matemática.
Júlio César de Mello e Souza morreu em 28 de dezembro de1974, aos 79 anos.
Em 2013, uma lei federal transformou 6 de maio, dia do aniversário dele, no Dia Nacional da Matemática. No texto da lei, o homenageado aparece como Malba Tahan.
O Homem que Calculava, Malba Tahan, está marcado na foto abaixo.
Literatura Ilimitada

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