quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Ferramentas para controlar o estresse



01. Capacitar o Eu para ser gestor da mente: deixar de ser espectador passivo e dirigir o scrip da própria história.

02. Gerenciar o sofrimento por antecipação: ser livre para pensar, mas não escravo dos pensamentos.

03. Gerenciar os pensamentos doentios que nos vincula ao passado.

04. Gerenciar a impulsividade, evitando o fenômeno ação-reação.

05. Gerenciar o pessimismo, o coitadismo (autocompaixão) e o conformismo.

06. Gerenciar as crenças limitantes (medo de ousar, de se reinventar; de correr riscos): construir janelas light* paralelas (núcleos saudáveis ao redor de núcleos traumáticos) e reeditar janela killer*.

07. Gerenciar as falsas crenças (eu não posso, não tenho inteligência, fui programado para ser infeliz e não ter sucesso, ninguém gosta de mim): construir janelas light paralelas e reeditar janelas killer.

08. Autocontrolar as fobias: reeditar janelas killer.

09. Não cobrar excessivamente de si mesmo nem dos outros: dar sempre uma nova chance a si mesmo e às pessoas com as quais se relaciona.

10. Treinar a ser bem-humorado e relaxado: não ser autopunitivo, aprender a dar risada de sua estupidez, medos e limitações.

11. Fazer escolhas: escolher o essencial e estar disposto a perder o trivial.

12. Estabelecer metas claras: saber aonde quer chegar para não fazer de qualquer lugar seu porto.

13. Ter resiliência: trabalhar perdas e frustrações e saber que não há céu sem tempestade.

14. Dormir um sono reparador: não usar celular ou computador uma duas horas antes de dormir.

15. Desenvolver uma rotina saudável para trabalhar, praticar esportes, não trair férias, feriados, descansos, a não ser temporariamente.

16. Ser um sonhador: ter o sonho como motor da motivação e do sentido existencial.

17. Saber que sonhos não são desejos: sonhos são projetos, desejos são intenções.

18. Compreender que sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas; e disciplina sem sonhos produz indivíduos autônomos, que só sabem obedecer a ordens.

19. Não buscar o mecanismo de recompensa imediato: planejar a médio e longo prazo.

20. Superar as necessidades neuróticas de poder, de ser perfeito, de evidência social, de estar sempre certo, de se preocupar demais com a opinião dos outros.

(Do livro “Ansiedade 2 Autocontrole” de Augusto Cury)

* janela light → corresponde a todas as áreas da memória com conteúdo prazeroso, tranquilizador, sereno, lúcido, coerente. As janelas light “iluminam” o Eu, alicerçam sua maturidade, sua lucidez, sua coerência. Contêm experiências saudáveis, como demonstrações de apoio, superação, coragem, sensibilidade, capacidade de se colocar no lugar do outro, de pensar antes de agir, de amar, de se solidarizar, de tolerar.

* janel killer ou traumáticas → correspondem a todas as situações traumáticas que vivenciamos ao longo da vida e registram conteúdo emocional angustiante, fóbico, tenso, depressivo, compulsivo. Killer que dizer “assassino”; portanto, essas são janelas que controlam, amordaçam, asfixiam a liderança do Eu.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

O ninho

Bráulio Bessa


Outro dia observei
a construção de um ninho;
vi graveto por graveto
no bico do passarinho,
parecia um engenheiro
tão forte e tão ligeiro
mesmo tão pequenininho.

É ali que cada filho
vai aprender a cantar,
vai ver os raios de sol,
ouvir a chuva pingar,
até que um belo dia
vai provar da alegria
de aprender a voar.

Eu fiquei ali pensando
do que é feito nosso ninho...
Afinal, também nascemos
frágeis feito um passarinho
e a mãe do mesmo jeito,
trabalha e estufa o peito
e constrói o nosso cantinho.

Enfrenta tudo no mundo
pra poder nos proteger,
dá pra gente o de calçar,
o de vestir e o de comer.
E quando o dia chegar
a gente não vai voar,
mas já vai saber correr.

Vai correr no mêi do mundo
na correria da vida.
Vai sofrer, vai sentir medo,
vai ter a alma partida,
mas também vai entender
que a estrada a percorrer
não é apenas de ida.

O ninho tá sempre ali
basta o cabra reparar,
que é talvez pelo retorno
que a gente aprende a andar,
que as coisas são diferentes
que às vezes andar pra frente
também pode ser voltar.

Voltar pra não esquecer
de quem nunca esquece a gente!
Pra se lembrar do abraço
mais apertado, mais quente,
lembrar da ave mais bela,
mais bonita, mais singela,
mas também a mais valente.

Lembrar que cada graveto
de amor e de carinho,
cada folha, cada galho,
prepararam o seu caminho
lhe deram sabedoria,
pois já já será o dia
de fazer seu próprio ninho.

(Do livro “Poesia com rapadura”)


As injustiças do mundo

“Todo aquele que encobre a própria injustiça
debaixo do manto lustroso da eloquência
merece um grande castigo.”

(Eurípedes)


“Para que o mal triunfe basta que os bons
fiquem de braços cruzados.”

Edmund Burke

Um homem, autoproclamado humanista e profundamente religioso, depois de conhecer vários lugares do mundo e ver injustiças sociais tais como fome, desemprego, abandono de idosos, de animais, desmatamento, miséria, percebeu que as pessoas passavam por mendigos nas ruas e não lhes davam sequer uma moeda. Assistiu, calado, a pessoas jogando lixo nas calçadas, arrancando flores de jardins públicos. Ele viu jovens desajustados pichando ruas do seu bairro, mas não tomou qualquer atitude. Ele viu fracos sofrendo nas mãos dos mais fortes; mulheres apanhando caladas e ele, calado também, assistia a tudo isso, sem tomar partido.

Num sonho, ele encontrou, num bosque florido, Deus, rodeado de anjos. Amargurado, com as coisas que viu na terra, arrasado de tristeza, ele dirigiu-se, respeitosamente, ao Criador do Universo, que o recebeu com um abraço.

− Deus, vi as maiores iniquidades na Terra. Gente carente, abandonada à própria sorte. Animais famintos largados em todo lugar. Injustiças, fracos, principalmente idosos, sendo agredidos, covardemente, por parentes mais jovens e  fortes. Eu vi tudo isso e me desesperei! E o Senhor, meu Deus, não fez nada para dar um lenitivo aos injustiçados que sofrem?

Deus olhou, com amor e profunda pena, o homem desesperado:

− Eu fiz, sim, meu filho, eu fiz alguém que pode defender, corrigir e lutar para que tudo isso nunca mais aconteça a um filho meu na terra. Eu fiz você!

O homem acordou sobressaltado, com os olhos marejados de lágrimas. E jurou para si mesmo que nunca mais seria o mesmo. Aprendeu, num sonho, que atitude, de agora em diante, tomaria diante de fatos pelos quais um homem de coragem deve lutar.

Sim, Deus fez algo importante para corrigir as injustiças sociais do mundo. Ele fez cada um de nós.

(NSM)


Posso não ser capaz de mudar o mundo a minha volta, mas posso mudar o que vejo dentro de mim.

Filha maltratava mãe de 76 anos

Aconteceu em Natal, no Rio Grande do Norte

(...) a filha pega bruscamente as mãos da mãe, que demonstra estar debilitada pela idade, e obriga a idosa a varrer o quintal da residência. Quando a vítima apresenta falta de forças para fazer a limpeza, a filha a agride com um cabo de madeira, acertando a testa da mãe. Não satisfeita com o trabalho, a  filha dá uma segunda pancada, acertando a boca da idosa. A vítima leva a mão aos lábios e começa chorar, afirmando estar com dor. A filha não dá importância ao choro e a dor que a mãe diz sentir.

A idosa demonstra dificuldade para andar, mas mesmo assim é empurrada pela filha. Quando a vítima tenta se apoiar em uma cadeira, a filha manda que ela solte o móvel.

Algum ser humano fez alguma coisa? Um vizinho, simplesmente, filmava tudo pelo celular, sem fazer absolutamente nada, a não ser dar uma cópia para uma TV e ter o seu momento de fama.

Tudo bem, a mulher foi presa, a filmagem até que ajudou, mas as agressões poderiam ser evitadas. Bastava uma atitude...


As Potreadas*



Coluna Prestes em passagem pelo Planalto Central.

Os militares de São Paulo, a princípio, não deram grande valor às montarias. Quando daí se afastaram. E depois da junção com os gaúchos, compreenderam o que representava o cavalo naquela marcha sem limites. O gaúcho, em combate, não faz muita questão da indumentária: duas camisas de xadrez, uma bombacha de lã, um par de botas de sanfona bastam para o seu conforto. Onde, porém, a vaidade se manifesta, é nos arreios de seu cavalo. Se acontece a montaria cair abatida pelo fogo do inimigo ou exausta pelo cansaço, o gaúcho desencilha o animal e carrega às costas os pesados arreios, até encontrar outra montaria. Daí terem-se desenvolvido as potreadas, epopeia de pequenas patrulhas, de cinco a quinze homens no máximo, que se afastavam em surtidas, por vezes de vários dias, à cata de animais, à notícia vaga de uma cavalhada num rincão distante, para voltarem trazendo os animais de que a Coluna necessitava. A audácia dos potreadores não encontra nada que se lhe compare, dizem os cronistas da Coluna.

João Alberto* e Moreira Lima* tecem o elogio, sem limites, dos potreadores, cujas correrias audaciosas enchiam os sertões de lendas, cada qual mais arrojada. Houve potreadas que não mais regressaram, aniquiladas pelo inimigo. Outras, percorreram centenas de léguas, até voltarem ao convívio dos companheiros. Há notícias, destacadamente, de três que atravessaram longas zonas até atingir a Coluna: a do sargento Menoti, que se apartou com dez homens, só voltando a se unir na fronteira de Mato Grosso, tendo perdido três companheiros em combate; a do capitão Euclides Krebis, com quinze homens, saída igualmente do norte de Goiás, reunindo-se já naquele Estado com quatro perdas; e do tenente Manuel Francisco de Sousa.

Potreador emérito era o tenente Manuel Francisco de Sousa − caboclo sergipano, o melhor comandante de M.P. da Coluna, cujas características de valentia, iniciativa e longa prática desse tipo de ação, foram maravilhosamente aproveitadas quando a Coluna precisou se internar na Bolívia, em fevereiro de 1927. Nessa ocasião foi designado o tenente Sousa, com uns 15 homens bem montados (a Coluna estava quase toda a pé, por essa época), a cumprir a tarefa de iludir as forças irregulares, largamente disseminadas pela região mato-grossense ao norte de São Luís de Cáceres, atacando-as, de surpresa, confundido-as sobre as intenções do grosso da tropa revolucionária, a fim de permitir sua emigração. Durante mais der uma dezena de dias, com vários encontros diários, marchando e contramarchando em diferentes rumos, o tenente Sousa desorientou inteiramente os agrupamentos irregulares colocados na fronteira Brasil-Bolívia, dando liberdade de ação à Coluna, que só foi molestada pela retaguarda.

Nem assim o tenente Sousa julgou concluída a sua missão. Mandou um emissário pedir licença ao chefe da Coluna para retirar-se do campo de luta. Só depois de obtida a permissão, atravessou a fronteira com seus bravos.

Um autêntico herói, companheiro de Prestes na Grande Marcha, o general Emídio Miranda, resumiu toda a epopeia das potreadas, na enumeração impressionante de suas missões:

Remontar, propriamente, a Coluna; suprir de gado bovino os destacamentos; desorientar e inquietar o inimigo, combatente ou não, com o seu aparecimento em toda parte e a todo momento; colher informações sobre o inimigo para facilitar aos comandantes da Coluna e dos destacamentos a tomada de suas decisões e maior liberdade de manobra

(Do livro “1926 A Grande Marcha” de Hélio Silva)

*João Alberto Lins de Barros (Recife, 16 de junho de 1897 − Rio de Janeiro, 26 de janeiro de 1955) foi um militar e político brasileiro. Além de ter participado da Revolta Paulista de 1924 e da Coluna Prestes,

*Lourenço Moreira Lima foi um advogado e guerrilheiro brasileiro, responsável pelos registros dos fatos ocorridos durante a marcha da Coluna Prestes pelo país, durante meados dos anos 1920.

*Potrear: arrebanhar (gado e cavalo), com violência, do campo do proprietário sem consentimento deste. Essa prática era comum, durante as revoluções, as operações militares. 



Coluna Prestes no interior do Brasil


Coluna Prestes - soldados


Líderes da Coluna Prestes




sábado, 14 de setembro de 2019

A expressão “Deus lhe pague!”


O Cunhado


Uma edificante história, envolvendo a luta pela vida, religiosidade, crença e fé.

Em São Paulo, um cara passou mal no meio da rua, caiu, e foi levado para o setor de emergência de um hospital particular, pertencente à Universidade Católica, e administrado totalmente por freiras.

Lá, verificou-se que teria que ser urgentemente operado no coração, o que foi feito com êxito. Quando acordou, a seu lado estava a freira responsável pela tesouraria do hospital e que lhe disse prontamente:

- Caro senhor, sua operação foi bem sucedida e o senhor está salvo. Entretanto, um assunto precisa sua urgente atenção: como o senhor pretende pagar a conta do hospital? O senhor tem seguro-saúde?

- Não, irmã.

- Nem cartão de crédito?

- Não, irmã.

- Pode pagar em dinheiro?

- Não tenho dinheiro, irmã.

- Em cheque, então?

- Também não, irmã.

- Bem, o senhor tem algum parente que possa pagar a conta?

- Ah... Irmã, eu tenho somente uma irmã solteirona, que é freira, mas não tem um tostão.

E a freira:

- Desculpe que lhe corrija, mas as freiras não são solteironas, como o senhor disse. Elas são casadas com Deus!

- Magnífico! Então, por favor, mande a conta pro meu cunhado!

E foi, então, que nasceu a expressão: “Deus lhe pague!”.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Escravidão e tortura no século XX

1925 – Coluna Prestes viaja pelo Brasil


Preso com gargalheira no pescoço

(...)

Prestes (1)* e Miguel Costa (2)* estão chocados com a realidade política, econômica e social do interior de Goiás. Nas cadeias e até mesmo em algumas fazendas ainda são encontrados instrumentos de tortura medieval, como troncos de jatobá, para açoites, e gargalheiras de ferro, que eram usadas para prender escravos pelo pescoço. A maioria dos presos ainda é castigada com chibatadas e mantida prisioneira com pesados grilhões.

Na cadeia de Porto Nacional, os rebeldes encontram um negro velho, acusado de homicídio, que cumpre pena há vários anos, acorrentado no interior de uma cela. Absolvido do crime pelo corpo de jurados, mesmo assim foi condenado a 30 anos pelo juiz, que estava bêbado na hora do julgamento. Esquelético, quase cego, com feridas nas pernas causadas pelas correntes, o negro já tinha cumprido onze anos: os primeiros sete, amarrado num tronco; os quatro últimos anos, acorrentado pelos pés. O homem foi imediatamente libertado pelos rebeldes, mas seu estado de saúde era tão precário, em consequência dos maus-tratos sofridos, que não podia caminhar.


Grilhão para prender os pés dos condenados

Em Porto Nacional, como nas cidades por onde passam, os rebeldes são muitas vezes abordados pela população em busca de justiça. Os moradores queixam-se de perseguições e de toda sorte de retaliações por parte das autoridades. Não foram poucas as vezes em que os oficiais tiveram de proteger essas autoridades da fúria popular.

Os cartórios, mesmo os criminais, eram sempre preservados, e os únicos documentos que destruíam publicamente, em grandes fogueiras, eram os livros e as lista de cobrança de impostos. Os rebeldes achavam que, pelo menos por algum tempo, a população ficaria livre dos escorchantes tributos do Governo. Muitas vezes, Prestes solicitava a Lourenço Moreira Leite (3)*, que era advogado, pareceres jurídicos sobre determinados processos criminais. Os documentos só eram destruídos quando Moreira Lima se convencia de que o processo havia sido conduzido de má-fé ou que a sentença proferida pelo juiz contrariava a prova dos autos.

(Do livro “As Noites das Grandes Fogueiras
Uma História da Coluna Prestes”, de Domingos Meirelles)


Alto Comando da Coluna Costa-Prestes:

Sentados da esquerda para a direita: Djalma Dutra, Siqueira Campos, Luis Carlos Prestes, Miguel Costa, Juarez Távora, João Alberto e Cordeiro de Farias;

Em pé, na mesma ordem: J. Pinheiro Machado, Atanagildo França, Emídio Miranda, João Pedro, Paulo Krügel, Ari Freire, Nelson Machado, Manuel Lima Nascimento, Sadivale Machado, Trifino Corrêa e Ítalo Landucci, em Porto Nacional (GO), outubro de 1925.


* (1) Luis Carlos Prestes (foto acima): foi um militar e político comunista brasileiro, uma das personalidades políticas mais influentes no país durante o século XX. Prestes ganhou fama nacional ao liderar a Coluna Prestes na década de 20.

Nascimento: 3 de janeiro de 1898, Porto Alegre, Rio Grande do Sul;
Falecimento: 7 de março de 1990, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro;
Partido: Partido Comunista Brasileiro;
Formação: Escola Militar do Realengo (1916–1919).


* (2) Miguel Crispim da Costa Rodrigues, foto acima, nasceu em Buenos Aires, em 1874.

Transferiu-se ainda criança para o Brasil, fixando-se em Piracicaba (SP). Anos mais tarde, naturalizou-se brasileiro.

Militar, iniciou sua carreira como soldado da Força Pública do estado de São Paulo, instituição que durante a República Velha possuía efetivos comparáveis aos do Exército. Nela, atingiu o posto de oficial da cavalaria.

Teve participação destacada, em julho de 1924, no levante ocorrido na capital paulista contra o governo de Artur Bernardes, sob o comando do general Isidoro Dias Lopes. Os rebeldes assumiram o controle da cidade durante três semanas, mas sem poder continuar resistindo ao cerco das tropas legalistas, retiraram-se com cerca de 3 mil homens em direção ao estado do Paraná. Ali, em abril do ano seguinte, vieram se juntar a eles as forças que haviam sublevado, nos meses anteriores, guarnições do interior gaúcho sob o comando do capitão Luís Carlos Prestes.

Morreu em 1959, na capital paulista.


* (3) Lourenço Moreira Lima, foto acima, − o Bacharel Feroz (Itambé, 1881 – São Paulo, 5 de setembro de 1940, foi um advogado e guerrilheiro brasileiro, responsável pelos registros dos fatos ocorridos durante a marcha da Coluna Prestes pelo país, durante meados dos anos 1920.

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O que foi

→ A Coluna Prestes foi um movimento político, liderado por militares, contrário ao governo da República Velha e às elites agrárias. Este movimento ocorreu entre os anos de 1925 e 1927. Teve este nome, pois um dos líderes do movimento foi o capitão Luís Carlos Prestes.

Causas principais

→ A principal causa foi a insatisfação de parte dos militares (tenentismo) com a forma que o Brasil era governado na década de 1920: falta de democracia, fraudes eleitorais, concentração de poder político nas mãos da elite agrária, exploração das camadas mais pobres pelos coronéis (líderes políticos locais).

Objetivos principais:

→ Percorrer grande parte do território brasileiro (principalmente interior), incentivando a população a se rebelar contra o governo e as elites agrárias. O objetivo era derrubar o governo do presidente Arthur Bernardes;

→ Implantar o voto secreto e o ensino fundamental obrigatório no Brasil;

→ Acabar com a miséria e a injustiça social no Brasil.

Como foi
(resumo)


→ Os integrantes da Coluna Prestes percorreram cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do território brasileiro. O núcleo fixo tinha cerca de 200 homens, porém em vários momentos da caminhada o movimento chegou a contar com cerca de 1400 pessoas (militares e simpatizantes do movimento).

→ Os integrantes da Coluna Prestes passam e paravam nas cidades. Conversavam com as pessoas e faziam a propaganda contra o governo federal, mostrando as injustiças sociais da época e defendendo reformas políticas e sociais.

→ O movimento teve início na cidade de Alegrete (sul do Rio Grande do Sul) e após dois anos e meio e percorrer 11 estados, terminou dividido. Um grupo foi para a Bolívia, enquanto outro para o Paraguai.

Consequências

→ Embora não tenha conseguido derrubar o governo, a Coluna Prestes foi um movimento que enfraqueceu politicamente a República Velha, abrindo caminho para a Revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas ao poder.

Curiosidades:

→ Com o término do Movimento, Luís Carlos Prestes foi estudar marxismo na Bolívia em 1928. Foi morar na União Soviética em 1931. Retornou ao Brasil, de forma clandestina, em dezembro de 1934.

→ Com o movimento, Luís Carlos Prestes ganhou o apelido de “Cavaleiro da Esperança”.

→ Outro líder importante do movimento foi o militar e revolucionário brasileiro Miguel Costa.

(Do Blog Sua pesquisa.com)

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O quadro, a beleza e a morte.



Num livro de Marcel Proust, ele retrata a morte de um personagem, o escritor Bergotte. Numa famosa passagem de Em Busca do Tempo Perdido, Bergotte vai a uma exposição de arte holandesa em Paris que, entre outros quadros, exibe Vista de Delft (acima), de Johannes Vermeer. Bergotte é um apaixonado pela Vista de Delft. Já a contemplou várias vezes, e em cada uma descobre coisas novas. Nesta, ele repara pela primeira vez nos pequenos personagens vestidos de azul, à esquerda da tela, e na cor rósea da areia em que pisam. Principalmente, fixa a atenção num pequeno pedaço de muro amarelo. O muro amarelo, aparentemente insignificante, no conjunto de um quadro que mostra um aglomerado de construção à beira do rio, o captura de modo irresistível. Seu olhar se fixa nele “como o de uma criança em uma borboleta amarela que deseja apanhar”. Sente então uma tontura, acomoda-se num banco e morre.

O personagem Bergotte morreu sob o impacto de uma emoção estética da obra predileta do artista predileta. Morreu do que chamamos de “morte ideal”.

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De uma frase de Rui Castro, 
com Texto de Roberto Pompeu de Toledo e ilustrado por Nilo Moraes.

A Vista de Delft é o chef-d'oeuvre de Vermeer. O quadro ficou ainda mais famoso por ter sido usado por Proust como símbolo da transcendência na Arte, no episódio da morte do escritor Bergotte.

Bergotte vai ver o quadro, exposto em Paris, para descobrir o “pequeno muro amarelo” descrito por um crítico como “tão precioso quanto uma pintura chinesa” e que Bergotte não conseguia ver nas reproduções.

Diante do quadro, Bergotte encontra a manchinha amarela e tem uma epifania, a revelação de que toda a obra dele não vale aquela mancha de pintura. O escritor tem um ataque e morre, rolando pelo chão da galeria.

Proust se baseou num episódio real. Ele mesmo foi ver o quadro (e a tal mancha amarela), mas teve uma tonteira forte, sentiu-se mal. Foi a última vez que Proust saiu de casa, passou o resto da vida na cama.

Os críticos não concordam sobre qual das manchas amarelas no quadro seria a de Bergotte e Proust. A discussão já rendeu vários livros. Há três fortes candidatas. Escolha a sua.