quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Uma bela música religiosa

 

I Will Follow Him 

I will follow Him
Follow Him wherever He may go,
And near Him, I always will be
For nothing can keep me away,
He is my destiny.
 

I will follow Him,
Ever since He touched my heart i
 knew,

There isn't an ocean too deep,
A mountain so high it can keep,
Keep me away, away from His love.

I love Him, I love Him, I love Him,
And where He goes,
I'll follow, I'll follow, I'll follow.

I will follow Him,
Follow Him wherever He may go,
There isn't an ocean too deep,
A mountain so high it can keep,
Keep me away,

We will follow Him,
Follow Him wherever He may go,
There isn't an ocean too deep,
A mountain so high it can keep,
Keep us away, away from His love...

I love Him (Oh yes I love Him)
I'll follow (I'm gonna follow) true love

(He'll always be my true love)
Forever (from now until forever)

I love Him, I love Him, I love Him,
And where He goes,
I'll follow, I'll follow, I'll follow,
He'll always be my true love,
My true love, my true love,
From now until forever,
Forever, forever...

There isn't an ocean too deep,
A mountain so high it can keep,
Keep us away, away from His love...

Tradução

Eu O seguirei 

Eu O seguirei

O seguiremos onde quer que Ele possa ir

E perto d’Ele, eu sempre estarei

E nada pode me manter distante

Ele é meu destino 

Eu O seguirei

Desde quando Ele tocou meu coração eu soube

Não há oceano profundo demais

Ou montanha tão alta que possa me manter

Me manter longe, longe de Seu amor 

Eu O amo, eu O amo, eu O amo

E onde Ele for

Eu seguirei, eu seguirei, eu seguirei 

Eu O seguirei

O seguiremos onde quer que Ele possa ir

Não há oceano profundo demais

Ou montanha tão alta que possa me manter

Me manter longe, longe de Seu amor 

Nós O seguiremos

O seguiremos onde quer que Ele possa ir

Não há oceano profundo demais

Ou montanha tão alta que possa me manter

Me manter longe, longe de Seu amor 

Eu O amo (Oh sim eu O amo)

Eu seguirei (Eu vou seguir) verdadeiro amor.

(Ele sempre será meu verdadeiro amor)

Sempre. (De agora até sempre) 

Eu O amo, eu O amo, eu O amo

E onde Ele for

Eu seguirei, eu seguirei, eu seguirei

Ele sempre será meu verdadeiro amor

Meu verdadeiro amor, meu verdadeiro amor

De agora até sempre

Sempre, sempre 

Não há oceano profundo demais

Ou montanha tão alta que possa me manter

Me manter longe, longe de Seu amor

******

Música final do filme “Mudança de Hábito”, com Whoopi Goldberg;

A interpretação desta música, tirada do filme, está na internet.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Oliveira Silveira*

 

Eis o homem. Natural de Rosário do Sul, poeta e ativista do movimento negro, Oliveira Silveira completarias 80 anos de idade ontem (16.08.2021). A morte, porém, interrompeu a sua trajetória brilhante em 1° de janeiro de 2009. Entre as façanhas de Oliveira Silveira, está o fato de ter ajudado, e muito, a consagrar o 20 de novembro como dia da Consciência Negra. Formado em Letras, membro do Grupo Palmares, foi um combatente incansável e criativo. Poeta de grande qualidade estética, construtor de imagens fortes e precisas, retratou como poucos a história da opressão dos negros pelos brancos no Brasil. 

Poema sobre Palmares

Nos pés tenho ainda correntes,

nas mãos ainda levo algemas

e no pescoço gargalheira,

na alma um pouco de banzo

mas antes que ele me tome,

quebro tudo, me sumo na noite

da cor de minha pele,

me embrenho no mato

dos pelos do corpo,

nado no rio longo

do sangue,

voo nas asas negras

da alma,

regrido na floresta

dos séculos,

encontro meus irmãos,

é Palmar,

estou salvo! 

(...) 

O muro 

eu bato contra o muro

duro

esfolo minhas mãos no muro

tento longe o salto e pulo

dou nas paredes do muro

duro

não desisto de forçá-lo

hei de encontrar um furo

por onde ultrapassá-lo 

Poeta da resistência, da liberdade e do sofrimento, Oliveira Silveira foi marcante. Eu, que vivo fazendo perguntas ingênuas, pergunto: como foi que um cara desses não parou na Academia Brasileira de Letras? Aliás, faço outra pergunta: até quando a casa de Machado de Assis será dominada por senhores brancos, alguns sem obra literária? 

*Parte da coluna de Juremir Machado da Silva, no Correio do Povo, agosto de 2021

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Um certo Capitão Rodrigo

 

“Um Certo Capitão Rodrigo” – Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros 5 

Toda a gente tinha achado estranha a maneira como o capitão Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida, e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava um alazão, trazia bombachas claras, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal. Tinha um violão a tiracolo; sua espada, apresilhada aos arreios, rebrilhava ao sol daquela tarde de outubro de 1828 e o lenço encarnado que trazia ao pescoço esvoaçava no ar como uma bandeira. Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo, entrou arrastando as esporas, batendo na coxa direita com o rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido:                                     

− Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho! 

Havia por ali uns dois ou três homens, que o miraram de soslaio sem dizer palavra. Mas dum canto da sala ergueu-se um moço moreno, que puxou a faca, olhou para Rodrigo e exclamou: 

− Pois dê! 

Os outros homens afastaram-se como para deixar a arena livre, e Nicolau, atrás do balcão, começou a gritar: 

− Aqui dentro não! Lá fora! Lá fora! 

Rodrigo, porém, sorria, imóvel, de pernas abertas, rebenque pendente do pulso, mãos na cintura, olhando para o outro com um ar que era ao mesmo tempo de desafio e simpatia. 

− Incomodou-se, amigo? − perguntou, jovial, examinando o rapaz de alto a baixo. 

− Não sou de briga, mas não costumo aguentar desaforo. 

− Ooi bicho bom! 

Os olhos de Rodrigo tinham uma expressão cômica. 

− Essa sai ou não sai? − perguntou alguém do lado de fora, vendo que Rodrigo não desembainhava a adaga. O recém-chegado voltou a cabeça e respondeu calmo: 

− Não sai. Estou cansado de pelear. Não quero puxar arma pelo menos por um mês. − Voltou-se para o homem moreno e, num tom sério e conciliador, disse: − Guarde a arma, amigo. 

O outro, entretanto, continuou de cenho fechado e faca em punho. Era um tipo indiático, de grossas sobrancelhas negras e zigomas salientes. 

− Vamos, companheiro − insistiu Rodrigo. − Um homem não briga debalde. Eu não quis ofender ninguém. Foi uma maneira de falar… 

Depois de alguma relutância o outro guardou a arma, meio desajeitado, e Rodrigo estendeu-lhe a mão, dizendo: 

− Aperte os ossos. 

O caboclo teve uma breve hesitação, mas por fim sempre sério, apertou a mão que Rodrigo lhe oferecia. 

− Agora vamos tomar um trago − convidou este último. 

− Mas eu pago − disse o outro. 

Tinha lábios grossos, dum pardo avermelhado e ressequido. 

− O convite é meu. 

− Mas eu pago − repetiu o caboclo. 

− Está bem. Não vamos brigar por isso. Aproximaram-se do balcão. 

− Duas caninhas! − pediu Rodrigo. 

Nicolau olhava para os dois homens com um sorriso desdentado na cara de lua cheia, onde apontava uma barba grossa e falha. 

− É da boa − disse ele, abrindo uma garrafa de cachaça e enchendo dois copinhos. 

Houve um silêncio durante o qual ambos beberam: o moço em pequenos goles, e Rodrigo dum sorvo só, fazendo muito barulho e por fim estralando os lábios. 

Tornou a pôr o copo sobre o balcão, voltou- se para o homem moreno e disse: 

− Meu nome é Rodrigo Cambará. Como é a sua graça? 

− Juvenal Terra. 

− Mora aqui no povo? 

− Moro. 

− Criador! 

O outro sacudiu a cabeça negativamente. 

− Faço carreteadas daqui pro Rio Pardo e de lá pra cá. 

− Mais um trago? 

− Não. Sou de pouca bebida. 

Rodrigo tornou a encher o copo, dizendo: 

− Pois comigo, companheiro, a coisa é diferente. Não tenho meias medidas. Ou é oito ou oitenta. 

− Hai gente de todo o jeito − limitou-se a dizer Juvenal. Rodrigo olhou para o vendeiro. 

− Como é a sua graça mesmo, amigo? 

− Nicolau. 

− Será que se arranja por aí alguma coisa de comer? 

Nicolau coçou a cabeça. 

− Posso mandar fritar uma linguiça. 

− Pois que venha. Sou louco por linguiça! 

O capitão tomou seu terceiro copo de cachaça. Juvenal, que o observava com olhos parados e inexpressivos, puxou dum pedaço de fumo em rama e duma pequena faca e ficou a fazer um cigarro. 

− Pois le garanto que estou gostando deste lugar − disse Rodrigo. − Quando entrei em Santa Fé, pensei cá comigo: capitão, pode ser que vosmecê só passe aqui uma noite, mas também pode ser que passe o resto da vida... 

(...)

****** 

* “Um Certo Capitão Rodrigo” é o terceiro episódio do romance “O Continente”, da trilogia “O Tempo e o Vento”. 

O Tempo e o Vento é uma série literária de romances históricos do escritor brasileiro Érico Veríssimo. Dividido em O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1961), o romance conta uma parte da história do Brasil vista a partir do Sul − da ocupação do Rio Grande do Sul (1745) até 1945 (fim do Estado Novo), através da saga das famílias Terra e Cambará. É considerada por muitos a obra definitiva do estado do Rio Grande do Sul e uma das mais importantes do Brasil. 

O ator Tarcísio Meira interpretou Rodrigo Cambará numa série de TV, em 1985; Francisco di Franco, no cinema, em 1971 e Thiago Lacerda, também no cinema, em 2013.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Atenção, mesmo com as duas doses!

 Mesmo vacinado com duas doses, 

Tarcísio Meira foi vítima da covid-19; 

entenda por que isso pode ocorrer:

Foto do jornal O Globo 

Capacidade de induzir imunidade dependerá de muitas variáveis, como idade, doenças, problemas no funcionamento do sistema imunológico, entre outras. 

Infectado pelo coronavírus, o ator Tarcísio Meira, que já havia recebido as duas doses da vacina contra a covid-19, morreu em decorrência da doença. O óbito do ator de 85 anos, ocorrido nesta quinta-feira (12.08.2021), reacendeu o debate sobre a existência de situações em que o vírus é capaz de vitimar mesmo indivíduos que completaram seu esquema vacinal. A reportagem conversou com Fabiano Ramos, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital São Lucas, e com Paulo Gewehr Filho, infectologista do Hospital Moinhos de Vento, a respeito das variáveis que podem fazer com que uma pessoa imunizada morra devido ao vírus e da importância da vacinação da população. 

Depois que são aplicadas, as vacinas induzem a produção de anticorpos ou a imunidade celular. No entanto, essa indução dependerá muito da capacidade que o indivíduo que está recebendo o imunizante tem de desenvolver imunidade. Uso de medicações imunossupressoras, presença de doenças associadas e idade avançada − já que a partir dos 60 anos o sistema imunológico entra em um processo natural de declínio ao longo do tempo − são alguns dos elementos que dificultam o processo de imunização. Ao analisar as mortes de pessoas que receberam imunizantes contra a covid-19, é necessário levar em conta características individuais. 

− Nem todas as pessoas vacinadas vão desenvolver a proteção, e isso está associado a vários fatores, como idade, doenças, problemas no funcionamento do sistema imunológico, assim como em pacientes que fazem quimioterapia, radioterapia, usando medicações que baixam o sistema de defesa, e condições autoimunes. Essas situações todas podem diminuir a eficácia das vacinas, fazendo com que a pessoa não fique protegida contra a doença − afirma Grewer. 

Assim como Tarcísio, sua esposa Glória Menezes, 86 anos, também havia sido vacinada no início de 2021. Diferentemente do marido, após contrair o vírus, Glória desenvolveu uma forma menos grave da doença. De acordo com boletim divulgado pelo Hospital Albert Einstein na tarde desta quinta-feira, a atriz segue internada, mas está em recuperação e retirada progressiva do oxigênio. 

Outro ponto que explica a ocorrência de óbitos mesmo após as aplicações das doses necessárias contra o coronavírus é o fato de que, embora seguras, eficazes e essenciais para o controle da pandemia, nenhuma vacina disponível até o momento oferece 100% de proteção contra a evolução da covid-19 para a sua forma mais grave. Há um pequeno percentual de pessoas que, mesmo com a vacinação completa, poderá adoecer e morrer, principalmente quando fatores mencionados anteriormente − idade, comorbidades etc. − estiverem associados ao quadro da doença viral. 

− Sabemos que a proteção contra o desenvolvimento de doença grave vai ser, dependendo da vacina, em torno de 80% a 90%. Logo, temos que lembrar que pelo menos cerca de 10% das pessoas vacinadas, se adquirirem o vírus, poderão evoluir para um caso mais grave e vir a falecer. É natural que tenhamos mortes, estamos numa pandemia que ainda não está controlada − explica Fabiano Ramos. 

Os especialistas explicam ainda que a gravidade da doença depende também da quantidade de vírus que é transferida para o indivíduo. Estudos preliminares têm demonstrado que a variante Delta, detectada originalmente na Índia, possui uma carga viral muito mais alta do que outras cepas do coronavírus, o que pode culminar em casos mais graves, especialmente entre pessoas não vacinadas ou que estão com o esquema vacinal incompleto. 

O que temos visto na Delta é que é uma variante com capacidade de disseminação maior entre as pessoas e que leva uma quantidade de vírus maior. Isso pode diminuir a proteção oferecida pela vacina e influenciar na gravidade da doença que a pessoa vai ter, ainda mais quando se trata de pessoas idosas e com doenças crônicas − afirma Ramos. 

Diante do cenário de aumento de casos relacionados à variante Delta no país e no Rio Grande do Sul, a recomendação é de que cuidados básicos, como o uso de máscara, álcool gel e a prática do distanciamento social, adotados desde o ano passado, não sejam deixados de lado. 

− Especialmente neste momento, mesmo as pessoas vacinadas com duas doses têm que manter a proteção individual, dar preferência a atividades ao ar livre, evitar aglomerações. A Delta é a variante mais transmissível de todas, portanto, relaxar e confiar somente na vacina é um passo muito arriscado − conclui Paulo Grewer. 

(De GZH Saúde, agosto de 2021)

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

O Saci

 Hugo de Carvalho Ramos

Por aquele tempo o saci andava desesperado. Tinham-lhe surrupiado a cabaça de mandinga. O moleque, extremamente irritado, vagueava pelos fundões de Goiás. 

Pai Zé, saindo um dia à cata dumas raízes de mandioca castela que sinhá-dona lhe pedira, topou com ele nos grotões da roça. 

O preto, abandonando a enxada e de queixo caído, olhava pasmado o negrinho que lhe fazia caretas e trejeitos, a saltar no seu único pé, e fungando terrivelmente. 

– Vancê quer alguma coisa? – perguntou pai Zé admirado, vendo agora o moleque rodopiar como o pião do ioiô. 

– Olha negro – respondeu o saci, – vancê gosta de sá Quirina, aquela mulata de sustância; pois eu lhe dou a mandinga com que ela há de ficar enrabichada, se vancê me arranja a cabaça que perdi. 

Pai Zé, louco de contentamento, prometeu. A cabaça, ele sabia-o, fora amoitada pelo Benedito Galego, um caboclo sacudido que, cansado das malandrices do moleque, a tinha roubado das grimpas do jatobá grande, lá nas roças do ribeirão. 

Pai Zé fora um dos que o tinham aconselhado, para obstar que o saci, como era o seu costume quando incomodado, tornasse a levantar as árvores da derrubada que o Benedito fizera nessas terras. 

Arrastando as alpercatas de couro cru pelas terras de sô feitor, pai Zé capengava satisfeito e inchado com a promessa do saci. 

Desde Santo Antônio que ele rondava sá Quirina, procurando sempre ocasião de lhe mostrar que, apesar dos seus sessenta e cinco anos e meio, um olho de menos e falta de dente na boca, não era negro para se desprezar assim por um canto, não – que sustância ainda ele tinha no peito para aguentar com a mulata e mais a trouxa de sá Quitéria, sua mulher, se ele tinha! 

Mas a cafuza era dura da gente convencer. Toda a eloquência que ele penosamente engendrara em seu bestunto de africano e que lhe tinha despejado pela festa de São Pedro, não teve outro resultado senão a fuga da roxa quando o encontrava. 

– Mas agora – gaguejava o preto – eu lhe amostro, que o saci é mesmo bicho bom pra deitar um feitiço. 

Com a rica dádiva dum quartilho de cachaça e meia mão do seu fumo pixuá, pai Zé alcançou do Galego a cabaça desejada. 

Sá Quitéria, porém, não via com bons olhos o afã de seu velho pela posse da milonga. E ela também sabia deitar e tirar quebranto, se sabia! Perguntassem à bruxa da nhá Benta, que desde vésperas de Reis estava entrevada na trempe do jirau; e não era o zarolho e cambaio do seu homem que a enganasse. 

Por isso, a velha ciumenta estava de tocaia, desejosa por saber do seu intento. Lá ia pai Zé, arrastando novamente as alpercatas de couro cru pelas terras de sô feitor, à entrevista do saci. Atrás dele, sorrateira, lá ia também sá Quitéria. 

O negro chegou aos grotões e chamou pelo saci, que de pronto apareceu. 

– Toma lá a sua cabaça de mandinga, seu saci, e dá-me cá o feitiço pra sá Quirina. 

O moleque desbarretou-se, tirou uma pitada grossa da cumbuca, fungou, e, entregando o resto a pai Zé, disse: 

– Dá-lhe a cheirar esta pitada, que a crioula é sua escrava. 

E desapareceu, fungando, pulando no seu único pé, nos grotões e covoadas da roça. 

– Ah, negro velho dos infernos, que conheci a tua tramoia – gritou sá Quitéria furiosa, saindo do bamburral e segurando-o pelo papo. 

E, na luta do casal, lá se foi o feitiço que o pobre pai Zé adquirira com o sacrifício dum quartilho de cachaça e a meia mão do seu bom fumo pixuá.

 Desde então, nunca mais houve paz no casal, que se devorava às pancadas; e pai Zé arrenegava sem descanso o maldito que introduzira a discórdia no seu rancho. 

– Porque, Ioiô– concluiu o preto velho que me contava esta história – a todo aquele que viu e falou com o saci, acontece sempre uma desgraça. 

****** 

Hugo de Carvalho Ramos

(1895-1921)  

Nasceu em 21 de maio de 1895, em Vila Boa, então Capital do Estado de Goiás. Iniciou seus estudos na cidade natal e depois foi para o Rio de Janeiro, onde, em 1916, matriculou-se na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais. Em 1917, publicou “Tropas e Boiadas”,coletânea de contos que até hoje permanece como uma das obras goianas mais festejadas. Em 1920, estando prestes a concluir seu curso jurídico e, em crise de depressão, viaja ao interior de Minas Gerais e São Paulo. Em 31 de março de 1921, quando retorna ao Rio de Janeiro, suicidou-se, enforcando-se com uma corda de rede. Sempre presente na história da literatura pelo seu livro de contos, deixou poesias que mereceram inclusão no livro de Andrade Muricy sobre o Simbolismo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

A hora certa de comer

 Giulia Vidale

“Se você comer tarde da noite ou começar o café da manhã em um horário totalmente diferente a cada manhã, estará constantemente deixando seu corpo fora de sincronia. Não se preocupe, a solução é igualmente simples: basta definir uma rotina alimentar e cumpri-la. Tempo é tudo”, escreveu Satchin Panda, um dos maiores especialistas do mundo em ritmos circadianos, no best-seller The Circadian Code: Lose Weight, Supercharge Your Energy, and Transform Your Health from Morning to Midnight. 

É recomendação baseada no princípio da chamada crononutrição, uma área relativamente nova da ciência e que nos últimos anos ganhou tração inédita. Ela investiga o modo pelo qual o relógio biológico, ou ritmo circadiano, influencia o aproveitamento dos nutrientes que ingerimos. O que foi levantado até agora demonstra que quando comer é tão importante quanto o que comer. Tome-se como exemplo o mais recente estudo divulgado. Feito por pesquisadores da Universidade Waseda, no Japão, e publicado no início de julho na revista Cell Reports, o trabalho buscou esclarecer se consumir a maior parte da quantidade diária recomendada de proteínas no café da manhã, em vez de fazê-lo no jantar, resultaria em maior massa muscular. A resposta: sim. A hipótese é que, pela manhã, o metabolismo de proteínas é mais eficiente, contribuindo para o aumento do volume muscular. 

Outras pesquisas indicam que a digestão e a absorção de carboidratos e de gorduras também variam de acordo com o relógio interno. “Os alimentos são processados de modos distintos dependendo do horário em que os consumimos”, afirma a nutróloga Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia. Os horários das refeições, enfim, têm grande influência no ganho e na perda de peso e no risco do desenvolvimento de condições como diabetes e doenças cardiovasculares. 

Determinados hormônios, enzimas e o sistema digestivo estão preparados para a ingestão de alimentos pela manhã e à tarde, quando o organismo precisa de energia para dar conta das tarefas cotidianas. À noite, o que ele necessita é descanso. Por isso o sistema endócrino regula o sobe e desce de hormônios ao longo da vigília e do sono de forma a sincronizar produção e hora. Pela manhã, os níveis de cortisol e de insulina estão no máximo. Os dois hormônios atuam em conjunto para facilitar o armazenamento de energia. O cortisol contribui para a fabricação de insulina, responsável por permitir a entrada da glicose circulante no sangue dentro das células. O metabolismo, ou capacidade de queimar calorias, também é maior. À noite, o corpo se prepara para o relaxamento. A liberação da insulina diminui, o cortisol dá lugar à melatonina, hormônio que induz ao sono, e o metabolismo fica mais lento. Os compassos são precisos. “Mudanças na rotina alimentar podem levar a alterações que prejudicam a saúde”, diz o geneticista Marcelo Sady, diretor do laboratório Multigene. A sinfonia do corpo humano pede harmonia. 

Cada prato a seu tempo 

Regras básicas 

Das 8h às 15h 

Ingerir 75% das calorias diárias nesse intervalo. 

Das 8h às 20h 

Manter a ingestão de alimentos nesse período. De preferência, fazer as refeições em horários regulares. 

O corpo processa as calorias  de forma mais eficiente durante o dia, o que contribui para a perda de peso. Nesse período, a sensibilidade à insulina (hormônio que permite a entrada da glicose nas células) é maior e o metabolismo, mais acelerado. 

Menu 

Entre 8h e 10h 

Ovos e pão integral ou ovos com avocado*. 

A primeira refeição do dia deve ser farta e completa, com carboidrato, proteína, gordura e fibra. A composição fornece energia, reduz impulsos alimentares, favorece o ganho muscular e o aproveitamento do açúcar no sangue. Além disso, no início do dia, o corpo secreta muita lipase e protease, enzimas responsáveis pela digestão de gordura e da proteína. 

Entre 12h e 14h 

Macarrão ou arroz integral, carne e vegetais. 

O organismo ganha o último grande aporte de nutrientes distintos e a leptina, hormônio que dá sensação de saciedade produzindo durante e depois da refeição, mantém a fome sob controle. 

Entre 15h e 17h 

Chocolate meio amargo, ou um punhado de castanhas. 

Momento em que o organismo precisa de uma injeção de energia para aliviar o cansaço do dia. 

Entre 18h e 20h 

Peixe ou frango com legumes no vapor 

O jantar precisa ser a refeição mais leve do dia. Carboidratos devem ser evitados, pois o corpo tem mais dificuldades de processá-los. À noite, ocorre a liberação da melatonina, o hormônio que induz ao sono, e redução da liberação de insulina, prejudicando o aproveitamento da glicose pelas células. O metabolismo também fica mais lento, o que diminui a queima de gordura. 

*Avocado é uma espécie de abacate melhorado; um fruto ainda pouco familiar entre os brasileiros, mas altamente nutritivo, que ajuda a manter o coração em ordem. 

O avocado é uma variedade do abacate, um parente próximo em nome, sabor e aparência. Mas cuja principal diferença é a quantidade de calorias que ele oferece. 

(Texto da revista Veja, agosto de 2021)

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Frases soltas

 

Odeio ser bipolar... É maravilhoso! 

Se eu sou bom partido, imagina eu inteiro! 

Se tem uma mulher que deixa o homem de boca aberta, é a dentista. 

Se você estiver no limite, não esquente, fale com o gerente do banco e parcele. 

Desistir é para os fracos. Faça como eu, nem tente. 

Dica de beleza: ande sempre com um amigo mais feio que você. 

Amizade é igual um caminhão sem freio na descida: passa por cima de tudo! 

Vocês que já tomaram um rumo, digam-me, tem gosto de quê? 

Encontrei o seu nariz. Ele estava onde não foi chamado. 

Antes eu era feio, agora eu tenho um carro de luxo. 

Dizem que tudo que vai volta. Acho que meu dinheiro se perdeu pelo caminho... 

Se você pensa que a aventura é perigosa, eu sugiro que você experimente a rotina. É mortal!  

Pobre é igual pneu, quanto mais trabalha, mais liso fica! 

Sexo é pura matemática: primeiro você diminui as roupas, depois divide bem as pernas e por último reza pra não dar multiplicação. 

Quando eu entro numa briga, meu lema é: ou mato ou morro. Se der pra fugir pelo mato, eu vou, se não der… vou pelo morro. 

O dia que alguém correr atrás de mim, podem ter certeza, é assalto. 

As aparências enganam, e, em alguns casos, até assustam. 

Se você quer uma mulher que realize todas as suas fantasias, case com uma costureira de Escola de Samba.

Com o tempo eu aprendi o significado de amor ao próximo. Não me ama? Próximo!

Não tomo juízo porque já tomo vinho e não sou de misturar.

Não procuro problemas. Os problemas que geralmente me encontram.

Se eu ganhasse um prêmio em dinheiro por preguiça, mandaria alguém ir buscar pra mim.

Estou tão carente, que só preciso de um oi... (tocentos mil reais na minha conta!).

O dinheirinho que me sobrava, antigamente, dos meus parcos recursos financeiros, eu o guardo na memória...

O cara chega num posto de combustível, dirigindo um carro modesto.

O frentista, já com a mangueira de abastecimento na mão, pergunta ao motorista:

− Quanto?

O motorista:

− Jura que não vai rir? 

Todo mundo tem cliente. Só traficante e analista de sistemas é que tem usuário.

Mantenha sempre suas palavras leves e doces, pois pode acontecer de você precisar engolir todas elas.

Lembre que é o segundo rato que come o queijo – o primeiro fica preso na ratoeira. Saiba esperar.

O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas; e as pessoas idiotas estão cheias de certezas. 

A esperança é a última que morre... E a  minha paciência é a primeira. 

Com o tempo você percebe que as pessoas são como os livros. Algumas te enganam pela capa, e outras te surpreendem pelo conteúdo. 

Seja a pessoa que o seu cachorro acha que você é.

Se um dia você perder o controle, levante-se e mude de canal manualmente.

Deus deu 24 horas por dia para cada um cuidar de sua vida e tem gente que ainda faz questão de fazer hora extra.

Nunca desista de um sonho, se não achar em uma padaria, tente em outra.

Quando alguém lhe chamar de gordo não ligue, você é maior que tudo isso.

A humanidade está perdendo seus maiores gênios… Aristóteles faleceu, Newton bateu as botas, Einstein morreu, e eu não estou me sentindo muito bem hoje.

Uma vantagem dos sem-teto é de nunca levar desaforo pra casa.

Todas as pessoas inteligentes têm dúvidas! Eu acho... mas não tenho certeza...

Eu sou uma das 78,36% das pessoas que não acreditam em estatística. 

Se uma coisa que acaba com o meu dia é a noite.

Ladrão que rouba ladrão mora em Brasília.

Ontem não tem H, hoje já tem. Pra você ver como as coisas mudam de um dia pro outro.