sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Modesta proposta

 Eduardo Bueno

Não é preciso ser cientista político – nem historiador com y, como eu – para perceber que o Brasil está fendido, rachado ao meio, partido em dois. E nem é preciso ser profeta para saber que as coisas não vão mudar muito depois de domingo. Assim, sempre disposto a promover a paz e a concórdia, o comedimento e a compostura, venho por meio dessas mal traçadas linhas lançar uma modesta proposta, a ser posta em prática já a partir de segunda-feira: separar fisicamente os brasileiros conforme suas mais profundas convicções. 

Isso implicaria, claro, uma operação de complexa logística. Mas finda essa espécie de metempsicose coletiva, as pessoas já despertariam numa nação apaziguada. De um lado – que iria, digamos, da serra gaúcha a São Paulo, dando uma guinada para oeste em Mato Grosso do Sul e subindo aos grotões da Amazônia –, viveriam pessoas felizes na sua imunidade de rebanho, tomando cloroquina, apoiando o garimpo onde quer que haja pirita e prontas para ver a Amazônia virar campo de futebol; gente que não crê em mudanças climáticas, acredita em “Intervenção militar já”, julga que “Supremo é o povo”, despreza a imprensa, só se informa pelo zap e acha a Lei Rouanet dispensável, a não ser para sertanejos e clubes de tiro. Clubes de tiro, aliás, lá estarão abertos a crianças a partir dos cinco anos. De quatro, não – não insista. 

Na outra parte do pais bipartido – a porção que inclui basicamente o Nordeste e, talvez, Minas Gerais –, viveriam, felizes, pessoas que acreditam, veja só, na vacina (até contra aftosa), acham que leis ambientais devem ser cumpridas, veem com preocupação eventos climáticos extremos; desconfiam, mas julgam que dos males o STF é o menor; acreditam que os militares são mais úteis ao país nos quartéis, creem que redes sociais não devem espalhar fake news, são favoráveis ao desarmamento e adoram a música de Caetano, Gil e Chico – e da Pablo Vittar e do João Gordo também. Sertanejo? Só se for Luciano sem Zezé e Xororó sem Chitãozinho. Ah, e Sócrates substitui o menino Cai-Cai. 

Ainda assim, resta um problema. Com quem ficará a bandeira do Brasil? Pessoalmente, sempre a achei brega. Então, não me importo se mudar de cor. Para azul-celeste, por exemplo, como a do Uruguai. Afinal, minha bandeira jamais será vermelha*. A não ser, claro, nesse domingo – pois para Mato Grosso eu não vou nem encilhado. Até porque sempre gostei mais do Nordeste. 

(Do jornal Zero Hora, 28 de outubro de 2022)

* Eduardo Bueno, o “Peninha” é gremista roxo, e a cor vermelha da bandeira do Internacional, incomoda-o muito... Logo não tem nada a ver com a cor partidária da bandeira.

P.S. Eduardo Romulo Bueno (Porto Alegre, 30 de maio, de 1958) é um jornalista, historiador, escritor, tradutor e youtuber brasileiro.

Meus poemas dos anos 70

 

O homem só e o rio 

O rio... um navio que desliza... mansamente...

A água turva e lisa como um espelho,

na manhã sem ventos, mas fria de inverno.

O homem só contempla, silencioso, sua vida. 

Um barquinho a motor corta as água.

Talvez, um pescador apressado na busca do seu rumo.

(O homem murmura... quem ama este rio?

Quem me ama?) 

O sol reflete pequenos pontos luminosos n'água.

Nuvens baixas, como flocos de algodão,

pairam no céu cinzento.

O homem caminha pelas margens do cais. 

Velhos marinheiros sonham com viagens

que nunca farão.

O rio segue seu rumo, já não é o mesmo,

como homem,

Que olha, triste, uma água-pé que desce a correnteza.  

Preciso 

Preciso de uma saudade, uma saudade imensa,

que eu chore, que eu sofra, me desespere.

Preciso de uma dor, mas uma dor tão intensa,

que me sangre, que me mate, me dilacere. 

Preciso de um amor, mas um amor tão forte,

Que seja puro, inquietante e o derradeiro,

do qual eu sempre bendiga tamanha sorte,

pois é infinito, o mais bonito e o verdadeiro. 

Preciso de música, de novos sons,

de novo sol e de novos mares;

de outros céus, com novos tons,

em outra galáxia como novos ares. 

Preciso de vida, de outras vidas,

Em novos mundos, com outras cores;

E novos versos e outras lidas,

e novas mulheres com outros amores.  

Momentos 

A felicidade só existe

no exato momento em que ela acontece. 

O amor só vale

no momento em que ele existe. 

O riso, o riso franco,

é a fração de um minuto de alegria. 

A beleza de alguma coisa

percebemos quando ela nos enternece. 

O som, uma música,

tem seu momento de infinita beleza

quando agrada nossos ouvidos. 

A poesia é bela

quando nos identificamos com ela. 

O sol é radioso

quando surge nas manhãs de inverno. 

A saudade, qualquer saudade,

não nos entristece

quando aquilo que nos deixou saudosos

temos certeza que vai voltar. 

A mulher, a melhor mulher,

é sempre aquela que nós não temos

E, talvez, nunca teremos. 

O amor, o amor mais intenso

é aquele que já tivemos

que nós já temos e que, ainda, teremos. 

(Poemas de Nilo da Silva Moraes)


A pequena história de um hino

 

O Grêmio foi fundado em 15 setembro de 1903. No ano de seu cinquentenário, foi feita uma grande festa no clube chamado “Mil e uma Noites”, que mudou de nome para “Bier Haus”, no Bairro Assunção, na zona Sul de Porto Alegre. Hoje, ele já foi demolido dando lugar a um condomínio. 

Em 1953, o Grêmio iria jogar contra o Força e Luz, time da CEEE (Companhia de Estadual de Energia Elétrica), no Estádio da Timbaúva, no Bairro Bonfim. Esse estádio receberia, uns anos depois, um pavilhão de madeira que fora trocado pelo seu melhor zagueiro: Airton Ferreira da Silva, mais tarde apelidado de “Pavilhão”, em virtude da troca realizada. 

No domingo do duelo futebolístico, muitos torcedores se dirigiram ao centro da cidade para apanhar a condução que os levariam até o local do jogo. Qual não foi a surpresa geral, ao saberem que estava ocorrendo uma greve dos funcionários da Carris, empresa dos bondes da cidade. Portando não haveria condução para levar os torcedores para assistirem a um clássico da cidade. 

Alguém, na multidão, deu um grito: “Pessoal, se não tem bondes, vamos todos a pé!”. Entre os torcedores estava o compositor Lupicínio Rodrigues, fanático torcedor do Grêmio. Ora, naquele tempo, o lendário aficionado do time, Salim Nigri, havia feito uma frase que era colocada em todos os estádios onde o Grêmio jogava: “Com o Grêmio, onde o Grêmio estiver”. Então, Lupicínio uniu o mote do torcedor com a frase famosa e estava quase feito o refrão do hino, como veremos abaixo. 

Hino Oficial do Grêmio FBPA

Letra e Música de Lupicínio Rodrigues 

Até a pé nos iremos
Para o que der e vier,
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio, onde o Grêmio estiver.

Cinquenta anos de glória
Tens, imortal tricolor.
Os feitos da tua história
Canta o Rio Grande com amor.

Nós, como bons torcedores,
Sem hesitarmos sequer,
Aplaudiremos o Grêmio
Aonde o Grêmio estiver.

Lara, o craque imortal,
Sobe seu nome elevar.
Hoje, com o mesmo ideal,
Nós saberemos te honrar,
 

Como curiosidade, salientamos que um único jogador que possui o seu nome no hino, foi o goleira Lara, que jogou o seu último Gre-Nal, saindo do estádio para um hospital, morrendo de tuberculose logo a seguir. 

Ainda o amor

 

Nos dias que vivemos, muito se ouve falar a respeito do amor. Suspiram os jovens por sua chegada, idealizando cores suaves e delicados tons. Alguns o confundem com as paixões violentas e degradantes e, por isso mesmo, afirmam que o amor acaba. Entretanto, o amor já foi definido pelos Espíritos do Bem como o mais sublime dos sentimentos. Reveste-se de tranquilidade e confere paz a quem o vivencia. Não é produto de momentos, mas construção laboriosa e paciente de dias que se multiplicam na escalada do tempo. 

Narra o famoso escritor inglês Charles Dickens que dois recém-casados viviam modestamente. Dividiam as dificuldades e sustentavam-se na afeição pura e profunda que devotavam um ao outro. Não possuíam senão o indispensável, mas cada um era portador de uma herança particular. O jovem recebera como legado de família um relógio de bolso, que guardava com zelo. Na verdade não podia utilizá-lo por não ter uma corrente apropriada. A esposa recebera da própria natureza uma herança maravilhosa: uma linda cabeleira. Cabelos longos, sedosos, fartos, que encantavam. Mantinha-os sempre soltos, embora seu desejo fosse adquirir um grande e lindo pente que vira em uma vitrina, em certa oportunidade, para prendê-los no alto da cabeça, deixando que as mechas, caprichosas, bailassem até os ombros. Transcorria o tempo e ambos acalentavam o seu desejo, sem ousar expor ao outro, desde que o dinheiro que entrava era todo direcionado para as necessidades básicas. 

Em certa noite de Natal, estando ambos face a face, cada um estendeu ao outro, quase que ao mesmo tempo, um delicado embrulho. Ela insistiu e ele abriu o seu primeiro. Um estranho sorriso bailou nos lábios do jovem. A esposa acabara de lhe dar a corrente para o relógio. Segurando a preciosidade entre os dedos, foi a vez dele pedir-lhe que abrisse o pacote que ele lhe dera. Trêmula e emocionada, a esposa logo deteve em suas mãos o enorme pente para prender os seus cabelos, enquanto lágrimas significativas lhe rolavam pelas faces. Olharam-se ambos e, profundamente emocionados descobriram que ele vendera o relógio para comprar o pente e ela vendera os cabelos para comprar a corrente do relógio. Ante a surpresa, deram-se conta do quanto se amavam.

O amor não é somente um meio, é o fim essencial da vida. Toda expressão de afeto propicia a renovação do entusiasmo, da qualidade de vida, de metas felizes em relação ao futuro. 

O amor tem a capacidade de estimular o organismo e de lhe oferecer reações imunológicas, que proporcionam resistência para as células, que assim combatem as enfermidades invasoras. 

O amor levanta as energias alquebradas e é essencial para a preservação da vida. Eis porque ninguém consegue viver sem amor, em maior ou menor expressão. 

Redação do Momento Espírita com base em conto de Charles Dickens, imagem acima.

O escritor 

A vida do século dezenove não era fácil para o rapaz londrino. Enquanto seu pai definhava na cadeia por causa de dívidas, dores excruciantes de fome corroíam seu estômago. Para alimentar-se, o garoto aceitou um emprego colando rótulos em garrafas de graxa em lúgubre armazém infestado de ratos. Dormia em um quarto desolador no sótão com dois outros rapazolas, enquanto sonhava secretamente tornar-se escritor. Tendo estudado apenas quatro anos, possuía pouca segurança em suas habilidades. A fim de evitar os risos zombeteiros que esperava, escapou furtivamente no meio da noite para enviar seu primeiro manuscrito. 

Uma história depois da outra era recusada até que, finalmente, uma foi aceita. Não o pagaram por ela, mas, ainda assim, um editor elogiou seu trabalho. 

O reconhecimento que recebeu através da impressão daquela história mudou sua vida. Se não fosse pelo encorajamento daquele editor, ele poderia ter passado toda a sua vida trabalhando em uma fábrica infestada de ratos. 

Você pode ter ouvido falar nesse garoto, cujos livros causaram tanta mudança no tratamento dado às crianças e aos pobres: seu nome era Charles Dickens. 

Willy McNamara 

(Do livro: “Histórias para aquecer o coração”)

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Histórias de escorpiões

 

Não mude a sua natureza

Um mestre oriental viu que um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez, o escorpião o picou. Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água e estava se afogando. O mestre tentou tirá-lo, e novamente o animal o picou. Alguém que estava observando aproximou-se do mestre e disse: 

- Desculpe-me, mestre, mas você é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo? 

O mestre respondeu: 

- Ele age de acordo com a sua natureza, a natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha natureza, que é ajudar. 

Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou sua vida. 

Não mude sua natureza se alguém lhe faz algum mal; apenas tome precauções. Alguns perseguem a felicidade, outros a criam... Quando a vida lhe apresentar mil razões para chorar, mostre-lhe que tem mil e uma razões pelas quais sorrir. Pense nisso! Há duas formas de viver a vida: Uma é que você não pode mudar a Natureza de ninguém. E a outra é que nada pode mudar a sua Natureza. 

O Sapo e o Escorpião 

Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio. O escorpião vinha fazer um pedido: 

− Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo? 

O sapo respondeu: 

− Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralisado e vou afundar.

Disse o escorpião: 

− Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos. 

Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio. No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo. Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: 

− Por quê? Por quê?

E o escorpião respondeu: 

− Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza.


A roupa não faz o homem

 

Mahatma Gandhi provou que “a roupa não faz o homem”. 

Ele só usava uma tanga, a fim de se identificar com as massas simples da Índia. 

Certa vez, ele chegou assim vestido, numa festa dada pelo governador inglês. 

Os criados não o deixaram entrar. 

Ele voltou para casa e enviou um pacote ao governador, por um mensageiro. 

Dentro continha um terno. 

O governador ligou para a casa dele e perguntou-lhe o significado do embrulho. 

O grande homem respondeu:

“Fui convidado para a sua festa, mas não me permitiram entrar por causa da minha roupa. Se é a roupa que vale, eu lhe enviei o meu terno.”

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Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869 na Índia Ocidental, faleceu em 30 de janeiro de 1948, ainda jovem foi morar na Inglaterra para estudar Direito. Se tornará de uma nação sem ser político sem carga oficial, ele o povo com sua sabedoria espiritual. 

Gandhi demonstra claramente, através de suas vestes, e com o ato de fabricar, suas opiniões políticas e filosofias de vida. Ele escolheu a tradicional como forma de destruição à cultura ocidental que era pregada com os pobres ditatorialmente e como identificada com os pobres ditatorialmente. Sua escolha pessoal tornou-se um poderoso gesto político, clamando seus seguidores mais privilegiados para copiar ou exemplo de descartar, ou seu mesmo, queimar suas roupas de estilo europeu, e retornar, com orgulho, à cultura antiga e pré-colonial indiana. 

Gandhi que o ato de tecer da forma tradicional afirmou também vantagens materiais, uma vez que criaria uma base para independência econômica e possibilidade de sobrevivência também para comunidades rurais e desfavorecidas da Índia. 

Em vez de trabalhar com o trabalhador das tecelagens e trabalhar com ele, mas trabalhando para a intenção era não trabalhar com o trabalhador, mas aumentando o funcionamento os oprimidos. O protesto pacífico produziu em mais altos. 

Parábola do Meeiro

 

Certo meeiro* há muitos anos trabalhava as terras de um latifundiário, num convívio de perfeito equilíbrio e harmonia. 

Das rendas auferidas o meeiro destinava:

·   25% ao dono da terra,

·   20% insumos agrícolas,

·   30% mão de obra,

·   15% investimentos,

·   10% sustento da família.

O meeiro vivia feliz, até que certo dia ao fim de uma safra, o dono da terra lhe disse: 

− Olha..., eu estou endividado. Os empréstimos bancários estão consumindo tudo quanto eu arrecado. As coisas não vão bem. Não consigo administrar as minhas receitas. Contratei empregados demais, sabe como é, dei estabilidade no emprego para todos e agora a maior parte deles não quer fazer mais nada. Marcam o ponto, deixam os paletós nas cadeiras e cada um vai cuidar da sua própria vida. Alguns até tem até vários empregos. Só me resta contar com você. Na próxima safra você vai me pagar 35%. 

O meeiro reclamou, mas acabou concordando. Dispensou 5% da mão de obra, cortou 5% dos investimentos e pagou os 35% ao dono da terra. Mal terminou de pagar os 35% e o dono da terra lhe disse que na próxima safra necessitava receber 45%. 

− Sabe como é − disse o dono da terra − a minha dívida aumentou, as empresas produzem menos e as despesas são cada vez maiores. Não há outra solução, você vai me pagar os 45%. 

O meeiro rangeu os dentes e virou-lhe as costas, mas, mal deu os primeiros passos, voltou e concordou. O que fazer? Onde vou cortar? − questionava-se o meeiro. 

Os investimentos já estavam contratados. Os custos da mão de obra e o sustento da família estavam no limite, resolveu então cortar 10% nos insumos agrícolas. 

Ao final da safra apareceu o dono da terra para receber os seus 45% e constatou que estava recebendo muito menos do que recebera na safra anterior. 

− Esta conta está errada − disse o dono da terra imaginando estar sendo lesado pelo meeiro. 

Prontamente o meeiro esclareceu: 

Na safra anterior para pagar 35%, cortei 5% na mão de obra e 5% no investimento. Com muita dificuldade, fiz os operários trabalharem mais para suprir a diminuição da mão de obra e do investimento. Nesta safra só me restava cortar 10% nos insumos agrícolas e como resultado, colhi menos que na safra anterior. Para a próxima safra já não tenho mais sementes. Estou pensando em pedir empréstimo no seu banco, mas não posso lhe dar garantias. 

− Empréstimo sem garantias? − Gritou o dono da terra. Em ato contínuo grunhiu, esbravejou, rangeu os dentes, disse muitos palavrões, esmurrou as paredes, chutou o vento, citou leis, dissecou a constituição e terminou dizendo: 

− Aguarde... Meus auditores e meus advogados virão procurá-lo! 

O final da história foi lamentável. Como a justiça é demorada, o meeiro trabalhou doze safras na informalidade. Desobrigado de prestar contas ao dono da terra, quando o processo transitou em julgado, este se declarou insolvente. Na calada da noite, desocupou as terras, levando tudo consigo para local incerto e não sabido. 

O dono da terra sem contato com o meeiro, viu-se incapaz de se ressarcir dos prejuízos. 

Anos mais tarde, soube-se que o meeiro vivia próspero e estava mais feliz do que nunca. Na Informalidade, sem pagar ao dono da terra, transformou-se em grande latifundiário. 

Moral da história: 

IR, IPI, IPTU, IPVA, ICMS, PIS, COFINS, COFINS,... Já são 61 impostos. É impossível saber quantas taxas. E agora tentam impor a MP 232 elevando a base de cálculo da CSSLL de 32% para 40%! 

Quantos meeiros irão ser prósperos e felizes na informalidade? 

(Autor desconhecido)

*O meeiro ocupa-se de todo o trabalho, e reparte com o dono da terra o resultado da produção. O dono da terra fornece o terreno, a casa e, às vezes, um pequeno lote para o cultivo particular do agricultor e de sua família. Fornece, ainda, equipamento agrícola e animais para ajudar no trabalho.