segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Frases irritantes

  

A descarga não está funcionando! (O dono da casa avisando quando já é tarde demais.)

Aceita ticket?

Bom dia, estamos entrando em contato para verificar se o senhor não vai estar querendo...

Cabe mais um?

O governado do Rio afirma que a violência está sob controle. (De quem?)

Como você cresceu?! (Tiazona chata)

Compre já o seu carro ou casa pagando apenas Cr$ 10,00 por dia!

Domingo, domingo, Legal!

Espera aí que vou ver se consigo troco. (E o carro lá em frente ao ponto de ônibus...)

Está lotado!

Estou grávida! (Ui!)

Gasolina sobe ... % amanhã (Vale pra gás, luz, água, telefone...)

Hoje não estou a fim.

Já estamos fechando. (Quando se está seco para tomar a saideira.)

Mais uma semana internado e você ficará novo!

Me busca na rodoviária domingo, às 23h30min? (Tiazona chata e solteirona)

Me empresta 100 mangos até semana que vem? (Cunhado cara-de-pau que já te deve 800,00 há mais de ano)

Me liga outro dia, tá? (Nem adianta ligar.)

Meu filho pode ficar na sua casa por uma semana?

Meu sonho é me tornar apresentadora de programas infantis.

Minha família quer te conhecer.

Muito querido na vida pessoal, tanto quanto na profissional.

Não aceitamos cheques. (Sem um tostão na carteira)

Querido, não posso sair com você hoje, tenho um compromisso urgente!

O HD do seu computador queimou, mas acho que não foi só ele não...

O Jornal Nacional será interrompido por 20 minutos para o Horário Eleitoral Gratuito.

Obrigado pela licença que você nos concede em entrar na sua casa.

Paga hoje que na próxima eu compenso.

Pode ir lá em casa de 2 em 2 dias alimentar o cão e os peixes?

Pode ligar daqui a 10 minutos? 

Posso passar na sua frente, é só um volume...

Posso te dar o troco em balas?

Posso tomar conta do carro, chefia? 

Quanto custou?

Segura o cheque mais 30 dias. Os juros te pago depois.

Seu cartão não foi aceito. (Na frente de amigos ou namorada.)

Seu pneu está murcho. (antes de um pé d'água)

Seu saldo é insuficiente.

Seus créditos são insuficientes para completar essa ligação.

Só estou dando uma olhadinha. (Pobre em loja)

Só quero ser sua amiga. 

Só tem Skol.

Só tenho 5 paus. (na hora de rachar a conta de 150,00).

Sou muito amiga da sua irmã. (Gostosona que não pode saber que você é noivo)

Tá ligado, meu?

Tá sozinho aí, posso sentar contigo?

(dita em geral por homem/chato/filão/tagarela/bebum Sim, você jogou pedra na cruz)

Tem troco pra 100,00?

Tenham todos um ótimo final de domingo.

Tô precisando de um favor seu!

Vende fiado?

Você bebe, hein?

Você engordou? (amigo mala que não te vê há muito tempo)

Você poderia ser o padrinho de uma das crianças da LBV?

Você se importa que eu fume?

Vou tomar só um copinho da sua cerveja, posso?

O senhor não tem dinheiro trocado?

Reunião hoje após o expediente, quero a participação de todos, sem exceções!

Aí não, bem... Dói muito.

Tenho uma coisa importante pra te falar (a namorada quando quer terminar)

Iiii! o negócio foi feio! (mecânico dando diagnóstico do carro)

Não temos mais ingressos (Você está fila há umas 3 horas recebe a notícia.)

Entraremos em contato caso apareça alguma oportunidade (essa é clássica na entrevista de emprego)

O sistema está fora do ar (sempre quando vou aos correios pagar uma conta escuto isso)

Na sua idade eu já trabalhava! (Dito pelos pais quando estamos espalhados no sofá vendo TV)

Ah, tá pegando hein? (Dito por aquele seu amigo inconveniente que chega e dá uns tapinhas no seu ombro enquanto você está cantando a moça)

Pede pra sair 01! (alguém ainda suporta isso?)

“Aguarde, carregando!” Após o sinal, diga seu nome e a cidade de onde está falando... (Essa sim é uma frase nacionalmente irritante)

Você está grávida? (dita pra uma mulher que não está)

Vamos resolver tudo lá na delegacia...

E as namoradas? (dito pela tiazona chata quando o cara tem 8 anos de idade)

Você que ir no enterro da minha avó?

domingo, 3 de dezembro de 2023

Era uma vez...

 

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de autoestima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse: 

– Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre… 

…E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: 

– Eu, hein?… nem morta! 

(Luís Fernando Veríssimo) 


Poemas de Manuel Bandeira

 

Porquinho-da-índia 

Quando eu tinha seis anos

Ganhei um porquinho-da-índia.

Que dor de coração me dava

Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!

Levava ele pra sala

Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos

Ele não gostava:

Queria era estar debaixo do fogão.

Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...

‒ O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada. 

O bicho 

Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos. 

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade. 

O bicho não era um cão

Não era um gato,

Não era um rato. 

O bicho, meu Deus, era um homem. 

Tema e variações 

Sonhei ter sonhado

Que havia sonhado. 

Em sonho lembrei-me

De um sonho passado:

O de ter sonhado

Que estava sonhando. 

Sonhei ter sonhado…

Ter sonhado o quê?

Que havia sonhado. 

Estar com você.

Estar? Ter estado.

Que é tempo passado. 

Um sonho presente

Um dia sonhei.

Chorei de repente,

Pois vi, despertado,

Que tinha sonhado. 

Andorinha 

Andorinha lá fora está dizendo:

‒ Passei o dia à toa, à toa! 

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!:

‒ Passei a vida à toa, à toa. 

*******

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. É considerado como parte da geração de 1922 do modernismo no Brasil. Seu poema “Os Sapos” foi o abre-alas da Semana de Arte Moderna.

O uso do cachimbo entorta a boca,

 ou o uso do cachimbo faz a boca torta,

diz o ditado popular.

Expressão utilizada quando uma pessoa ganhou o costume de falar uma frase sem querer.

 ‒ O Fulano ganhou o costume de falar besteira... É como eu digo, o uso do cachimbo deixa a boca torta! 

O uso do cachimbo, quando não deixa a boca torta, deixa o beiço arriado e pode afetar o cognitivo. 

Desentortar a boca, após tempo de uso do cachimbo, é algo que requer paciência e perseverança. Enxergar que o cachimbo faz mal e que a boca precisa ser desentortada é apenas o primeiro passo. Do mesmo jeito, enxergar que um hábito não nos mais é necessário, é apenas uma das etapas do longo caminho que temos que trilhar, tendo em vista atingir, de forma completa, a paz que todos almejamos. 

Para quem não sabe, esse provérbio procura descrever o fato de que as pessoas se acostumam tanto em fazer algo que acabam incorporando o tal algo ao seu hábito, dia-a-dia ou até mesmo ao seu jeito de ser, falar, pensar, etc. 

As três referem-se ao fato de algo que fazemos com certa frequência – seja bom ou ruim – ser incorporado ao nosso jeito de ser, falar, pensar, agir e coisas assim. Portanto, trata-se de expressões que equivalem ao nosso provérbio o uso do cachimbo faz a boca torta. 

sábado, 2 de dezembro de 2023

Conto compacto de Jorge Valdano*

 

Era assim o sonho do goleiro Juan Antonio Felpa: com o placar de 0 a 0, a um minuto do final da partida, havia um pênalti e ele pegava a bola no ar, caindo com ela abraçado, aplaudido pela torcida. Foi assim o sonho até o dia em que teve oportunidade de realizá-lo. Faltavam quatro minutos para o final do jogo e estava ainda 0 a 0 quando aconteceu o pênalti. 

Não havia mais sol. Então Juan tirou o boné e o jogou para dentro do gol. O frescor na cabeça aumentou-lhe a fé. Quando o atacante chutou, Juan já voava em direção ao sonho, abraçando a bola, sentindo a maior alegria de sua vida.

Nunca se soube por que ele fez o que fez, então. Juan levantou-se e, com a bola debaixo do braço, foi buscar o boné no fundo da rede. O árbitro hesitou antes de dar o gol. 

******* 

* Jorge Alberto Francisco Valdano Castellanos (1955: é um ex-futebolista e treinador argentino) 

Parte da entrevista que Jorge Valdano deu à Folha de S. Paulo 

Folha ‒ Como surgiu seu gosto pela literatura?

Valdano ‒ Sou um autodidata e só me deixo guiar pelo prazer.

Folha ‒ É sua a frase “Gosto mais de escrever do que de dirigir uma equipe?”

Valdano ‒ Só disse que jogar futebol e escrever são as únicas coisas que me desconectavam da realidade. Comandar um time me apaixona, mas é demasiadamente “real”.

Crianças da Bíblia

 David e Golias

David era um jovem pastor, forte e corajoso, o espírito santo do Senhor o guiava em todos os seus atos. 

Na época em que se desenrolou esta história, os filisteus haviam reunido seus exércitos para combater o povo de Israel, e deles fazia parte o gigante Golias. O vaidoso Golias, confiante na sua força, desafiou o povo de Israel com estas palavras: “Escolhei um dentre vós para me enfrentar em combate. Se ele me vencer, seremos vossos servos, mas se eu o derrotar, tereis de trabalhar para nós.” 

Como nenhum israelita quisesse enfrentar o Golias, David deu um passo à frente. Empunhando uma funda*, ele se aproximou de Golias, que vendo um adversário quase menino, não se preocupou. 

Mas David respondeu: “Venho em nome do Senhor dos Exércitos. O Senhor mandou que eu te vencesse”. 

Golias deu uma gargalhada e correu para o valente pastor. David pôs uma pedra na funda, girou-a sobre a cabeça e atirou a pedra com a força e a pontaria de uma flecha. Acertando no poderoso Golias, a pedra lançou-o por terra, vencido. E assim, graças à coragem de David, o povo de Israel libertou-se dos filisteus. 

Moisés

Certa vez no antigo Egito, quando um faraó mandou matar todos os filhos varões dos judeus, uma mulher, temendo pela vida de seu filhinho, deitou-o numa cesta e escondeu-o entre os papiros da margem do Nilo. A irmã do menino ficou vigiando nas proximidades, para que ele nada sofresse. 

A filha do faraó foi banhar-se no rio e encontrou a cestinha. Quando ela viu a criança, o menino ergueu os bracinhos e pôs-se a chorar, e a filha do faraó ficou com pena dele. 

A irmã do menino aproximou-se então e disse: “Conheço uma mulher que poderá cuidar da criança para a senhora”. A menina levou sua mãe à presença da filha do faraó e esta, sem saber que estava falando com a mãe do menino, disse: “Tome conta dele, que eu lhe pagarei bem”. 

A filha do faraó levou o menino e sua mãe para o palácio, tratou-os muito bem e deu ao garotinho o nome de Moisés, que quer dizer “salvo das águas”. 

Quando esse menino cresceu, tornou-se um grande homem, “grande pelos seus atos e pelas suas palavras”. 

Histórias do Almanaque do “O Globo Juvenil”, de 1943.

Entenda o que é um 'jabuti' na política

 Por Octavio Guedes*

Trata-se de um “contrabando” que os parlamentares fazem ao inserir em uma medida provisória um assunto sem relação com o tema inicial da proposta. 

No jargão legislativo, “jabuti” é um “contrabando” que os parlamentares fazem ao inserir em uma proposta legislativa um tema sem relação com o texto original. 

Eles usam essa estratégia em medidas provisórias para passar assuntos de seu interesse aproveitando a tramitação mais rápida delas, já que elas têm prazo para serem votadas, ao contrário de outros tipos de proposta, que podem levar anos. 

O termo vem de uma frase atribuída ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Ulysses Guimarães, que dizia que “jabuti não sobe em árvore. Se está lá, ou foi enchente ou foi mão de gente.” 

*Comentarista de política da GloboNews e eterno repórter. Participa do Estúdio I. 

P.S. “O jabuti é um recurso estratégico que ganha notoriedade por ter um processo mais célere de tramitação [das MPs]. Chama muita atenção quando são escandalosos, talvez como o da Eletrobras, de um artigo da medida provisória que se destaca por algum motivo”, disse. Segundo a cientista política, não é fácil mapear os casos de jabutis nos textos, por isso, só aparecem quando são muito diferentes da proposta original.