sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Crônica de um sonho quase possível




Quinta-feira, mês de novembro, um dia ensolarado de primavera, acordo cheio de energia, disposto ter um dia de intensa felicidade.

Vou pegar minha moto Harley Davidson, colocar o capacete e ir em direção ao Lami, onde vou embarcar na minha pequena lancha e dar um passeio até o farol de Itapuã, no extremo Sul da cidade. Depois, irei até o Parque Marinha do Brasil andar de skate.

À tarde, pretendo dar um pulo até o aeroporto Salgado Filho, procurar um amigo que tem uma pequena aeronave, e, no ar, ele sempre me dá, por alguns minutos, o comando para eu pilotar seu avião.

Nisso... me lembro que não tenho moto, nem lancha, nunca andei de skate e não tenho nenhum amigo piloto!

Que pena, tinha tudo para ser um dia perfeito...

NilodaSilvaMoraes

Humor de Billy Blanco



Quando Dick Farney e Lúcio Alves gravaram “Teresa da Praia”, de Billy Blanco e Tom Jobim, em 1954, a letra encantava de saída: [Lúcio] “Ô Dick, arranjei novo amor no Leblon/ Que corpo bonito, que pele morena/ Que amor de pequena, amar é tão bom...” / [Dick] “Ô Lucio, ela tem o nariz levantado?/ Os olhos verdinhos, bastante puxados? Cabelo castanho e uma pinta do lado?”.

Segue o samba e os rapazes descobrem que a moça que conheceram no Leblon e pela qual se apaixonaram (“É a minha Teresa da praia!”) deu, digamos, amor a ambos, um de cada vez. [Dick] “O verão passou todo comigo!” / [Lucio] “É, mas no inverno se esquentou com quem?” E resolvem “a Teresa na praia deixar/ aos beijos do sol/ e abraços do mar”, porque “Teresa é da praia, não é de ninguém”.

Teresa podia ser da praia, sem problema − menos da praia do Leblon. Em 1954, o Leblon era um bairro solidamente residencial, mas, quem não fosse seu morador, não tinha por que visitá-lo, exceto para fins imorais. No fim da praia, ficava o Hotel Leblon, o primeiro “motel” do Brasil, e, à noite, a areia deserta e sem luz era um convite a nheco-nhecos à milanesa, principalmente entre jovens. Donde “ser visto” no Leblon costumava implicar alguma bandalheira.

Billy Blanco morreu na sexta-feira (8 de julho de 2011). “Teresa da Praia” foi o começo de sua breve, mas fecunda parceria com Jobim, que renderia ainda a bela “Esperança Perdida” (‘Eu pra você fui mais um...”) e os dez sambas da “Sinfonia do Rio de Janeiro’. E, já sem Tom, a paródia que Billy viu-se obrigado a fazer de ‘Teresa da Praia”, ao constatar que a garota havia mudado:

“Ela usa o nariz só de um lado/ Tem o olho vermelho/ Bastante injetado/ Cabelo na venta/ E sapato 40/ Essa é a tua Teresa da praia/ No Leblon, não engana ninguém/ O meu caso é um rabo de saia/ Vai com calma, que é o dela também”.

(Do livro “A arte de querer bem – crônicas”, de Ruy Castro)


Dick Farney e Lúcio Alves: 

Teresa da Praia

(Billy Blanco / Tom Jobim),
Continental 16 994 (1954)

− Lúcio, arranjei novo amor no Leblon,
que corpo bonito,
que pele morena,
que amor de pequena,
amar é tão bom!

− Ô Dick, ela tem um nariz levantado?
Os olhos verdinhos,
bastante puxados?
Cabelo castanho...

Dick:
− E uma pinta do lado?

Lúcio:
− É a minha Tereza da praia!

Dick:
− Se ela é tua, é minha também.

Dick:
− O verão passou todo comigo!
Lúcio:
− O inverno pergunta com quem?

Dick e Lúcio:
− Então vamos
a Tereza na praia deixar,
aos beijos do sol
e abraços do mar.

Tereza é da praia,
Dick:
− não é de ninguém.
Lúcio
− Não pode ser tua,
Dick:
− nem tua também.

P.S. Ouça, na internet, a gravação original dessa música nas vozes de Dick Farney e Lúcio Alves. Ou com Caetano Veloso e Roberto Carlos.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Mona Lisa tinha colesterol alto


 

     No olho: xanthelasma
Na mão: xanthoma

“Mona Lisa” atrai também os cientistas e demais que veem nela detalhes que só eles percebem. Foi assim com o cardiologista paulistano Sergio Timerman. Após visitar o Louvre várias vezes, intrigou-se com sinais na mão e no rosto da modelo de Leonardo. “Desconfiei de mim mesmo”, afirma. Recorreu a obras científicas de scholars e descobriu que sua suspeita havia rendido estudos em revistas científicas. Assim incluiu a tela em suas aulas de Emergência Cardiovascular. “Da Vinci levou à tela suas pesquisas em anatomia e fisiologia”, diz. “Ele descobriu uma moléstia − hipercolesterolemia familiar −, 400 anos antes de ter sido identificada.”

Se a encontrasse, lhe daria um conselho: “Lisa, continue tomando bons vinhos, mas cuidado com o consumo de gordura e dieta hiperproteica.” Talvez tivesse vivido mais do que 37 anos.

Lesões na pele

→ Mona Lisa, tela de Leonardo da Vinci, pintada entre 1503 a 1506.

→ A modelo foi Lisa Maria de Gherardini (1479-1516).

→ Exames clínicos da modelo mostram uma mancha amarela na pálpebra (xanthelasma) e um inchaço na mão (xanthoma).

→ A pintura é a primeira evidência de que Mona Lisa sofria de hipercolestromelia familiar (HF) por excesso de colesterol.

Fonte:

“O verdadeiro Código da Vinci”, de Sergio Timerman, baseado no estudo “The Real Code of Leonardo da Vinci”, de Leiv Ose.

(Revista IstoÉ, novembro de 2019)


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Pensamentos poéticos de Pedro Bial



No meio

Se a pessoa quiser entrar na sua vida, deixe a porta aberta.
Se a pessoa quiser sair da sua vida, deixe a porta aberta.
O problema é a pessoa ficar parada no meio da porta.
Isso bloqueia o tráfego.

Os casais bonitos são aqueles que, acima de namorados, são amigos.
Brincam, brigam, tiram sarro um do outro, se mordem, beliscam,
mas se amam de um jeito
que nenhuma pessoa do mundo consegue duvidar.
Amor não é só beijos e amassos, amor é cuidado,
amor é carinho, amor também é amizade!

Poesia não dá camisa.
Mas quando o poeta tem uma musa,
não precisa de blusa,
vive de brisa.

Não existe falta de tempo, existe falta de interesse.
Porque quando a gente quer mesmo, a madrugada vira dia.
Quarta-feira vira sábado e um momento vira oportunidade.

A estrada é longa...

A estrada é longa e o tempo é curto.
Não deixe de fazer nada que queira,
mas tenha responsabilidade
e maturidade para arcar com as consequências destas ações.
Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo,
mas também 50% de chance de darem errado.
A escolha é sua!

Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes, por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra com você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.

Estique-se.

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,
aos vinte e dois anos, o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões, mais interessantes
que eu conheço, ainda não sabem.

Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta,
talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.

Faça o que fizer não se autocongratule demais,
nem seja severo demais com você.
As suas escolhas têm sempre metade das chances de dar certo,
é assim para todo mundo.

Desfrute de seu corpo, use-o de toda maneira que puder, mesmo!
Não tenha medo de seu corpo 
ou do que as outras pessoas possam achar dele,
é o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.

Dance

Mesmo que não tenha nada além de seu próprio quarto.
Dedique-se a conhecer seus pais.
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.

Seja legal com seus irmãos.
Eles são a melhor ponte com o seu passado
E, possivelmente, quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.

Entenda que amigos vão e vêm,
mas nunca abra mão de uns poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas
e de estilos de vida,
porque quanto mais velho você ficar,
mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.

Viaje

Aceite certas verdades inescapáveis:
E não espere que ninguém segure a sua barra.

Escreva a Sua História

Escreva a sua história na areia da praia,
para que as ondas a levem através dos 7 mares;
até tornar-se lenda na boca de estrelas cadentes.

Conte a sua história ao vento,
cante aos mares para os muitos marujos;
cujos olhos são faróis sujos e sem brilho.

Escreva no asfalto com sangue,
grite bem alto a sua história
antes que ela seja varrida na manhã seguinte pelos garis.

Abra o peito em direção dos canhões,
Suba nos tanques de Pequim,
Derrube os muros de Berlim,
Destrua as cátedras de Paris.

Defenda a sua palavra,
a vida não vale nada
se você não tem uma boa história para contar.

Às vezes, o que precisamos está tão próximo...
Passamos, olhamos, mas não enxergamos.
Não basta apenas olhar.
É preciso saber olhar com os olhos,
enxergar com a alma e apreciar com o coração.
O primeiro passo para existir é imaginar.
O segundo é nunca se esquecer de que querer fazer é poder fazer,
basta acreditar.

Onde foram parar os homens com H da vida?
Está faltando homem com pegada.
Está faltando homem que assuma seus afetos,
homem que se apaixone e que se dane o que os outros pensem,
o que a sociedade aplauda ou condene.
Está faltando homem.
Homem que aguente as conseqüências de seus desejos,
que defenda as razões de seu coração.


Pedro Bial (Rio de Janeiro, 29 de março de 1958) é um apresentador de televisão, jornalista, escritor, cineasta e poeta brasileiro. Atua principalmente na televisão, sendo conhecido por apresentar os programas Fantástico (1996-2007), Big Brother Brasil (2002-2016) e Na Moral (2012-2014). Apresentando atualmente o talk-show Conversa com Bial.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

PELÉ: 1000

Carlos Drummond de Andrade*


O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé. Aquele gol que gostaríamos tanto de fazer, que nos sentimos maduros para fazer, mas que, diabolicamente, não se deixa fazer. O gol.

Que adianta escrever mil livros, como simples resultado de aplicação mecânica, mãos batendo máquina de manhã à noite, traseiro posto na almofada, palavras dóceis e resignadas ao uso incolor? O livro único, este não há condições, regras, receitas, códigos, cólicas que o façam existir, e só ele conta – negativamente – em nossa bibliografia.

Romancistas que não capturam o romance, poetas de que o poema está-se rindo à distância, pensadores que palmilham o batido pensamento alheio, em vão circulamos na pista durante 50 anos. O muito papel que sujamos continua alvo, alheio às letras que nele se imprimem, pois aquela não era a combinação de letras que ele exigia de nós. E quantos metros cúbicos de suor, para chegar a esse não-resultado!

Então o gol independe de nossa vontade, formação e mestria? Receio que sim. Produto divino, talvez? Mas, se não valem exortações, apelos cabalísticos, bossas mágicas para que ele se manifeste... Se é de Deus, Deus se diverte negando-o aos que o imploram, e, distribuindo-o a seu capricho, Deus sabe a quem, às vezes um mau elemento.

A obra de arte, em forma de gol ou de texto, casa, pintura, som, dança e outras mais, parece antes coisa-em-ser da natureza, revelada arbitrariamente, quase que à revelia do instrumento humano usado para a revelação. Se a obrigação é aprender, por que todos que aprendem não a realizam?

Por que só este ou aquele chega a realizá-la? Por que não há 11 Pelés em cada time? Ou 10, para dar uma chance ao time adversário? O Rei chega ao milésimo gol (sem pressa, até se permitindo o charme de retificar para menos a contagem) por uma fatalidade à margem do seu saber técnico e artístico. 

Na realidade, está lavrando sempre o mesmo tento perfeito, pois outros tentos menos apurados não são de sua competência. Sabe apenas fazer o máximo, e quando deixa de destacar-se no campo é porque até ele tem instantes de não-Pelé, como os não-Pelés que somos todos.

*(Crônica publicada no Jornal do Brasil, em 28 de outubro de 1969)

P.S. O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu a crônica acima, quando Pelé estava se aproximado do gol 1000

P.S. Em 19 de novembro de 1969, Pelé marcou o 1000 gol em todas as competições, no que foi um momento muito aguardado no Brasil. O objetivo, popularmente apelidado de O Milésimo, ocorreu em uma partida contra o Vasco da Gama, quando Pelé marcou a partir de um pênalti, no Estádio do Maracanã.

Chamem-me de banana



Depois de ler isto, você nunca vai olhar para uma banana da mesma maneira novamente.

A banana contém três açúcares naturais: sacarose, frutose e glicose, combinados com fibra. A banana dá uma instantânea e substancial elevação da energia.

Pesquisas provam que apenas duas bananas fornecem energia suficiente para um treino de 90 minutos extenuantes. Não é à toa que a banana é a fruta número um dos maiores atletas do mundo.

Mas energia não é a única forma de uma banana poder nos ajudar a manter a forma. Pode também nos ajudar a curar ou prevenir um grande número de doenças. Tornando-se uma obrigação adicionar a banana à nossa dieta diária.

Depressão: De acordo com recente pesquisa realizada pela MIND, entre pessoas que sofrem de depressão, as pessoas se sentiam melhores após ter comido uma banana. Isto porque a banana contém triptofano, um tipo de proteína que o corpo converte em seratonina, reconhecida por relaxar, melhorar o seu humor e, geralmente, fazem você se sentir mais feliz.

TPM Esqueça as pílulas − coma uma banana. A vitamina B6 regula os níveis de glicose no sangue, que podem afetar seu humor.

Anemia: contendo muito ferro, bananas estimulam a produção de hemoglobina no sangue e ajudam nos casos de anemia.

Pressão Arterial: Este fruto tropical é muito rico em potássio, mas reduzido em sódio, tornando-a perfeita para combater a pressão alta. Tanto é assim, que a Food and Drug Administration nos Estados Unidos, permitiu que a indústria da banana oficialmente informasse ao publico, que ao comer essa fruta, ela poderá reduzir o risco de pressão alta e infarto.

Cérebro: 200 estudantes da escola Twickenham na Inglaterra, tiveram ajuda nos exames este ano, comendo bananas no café da manhã, lanche e almoço em uma tentativa de elevar sua capacidade mental. A pesquisa mostrou que o elevado teor de potássio na banana, pode ajudar a aprendizagem, tornando os alunos mais alertas.

Constipação: com elevado teor de fibra, incluir bananas na dieta pode ajudar a normalizar as funções intestinais, ajudando a superar o problema sem recorrer a laxantes.

Ressaca: uma das formas mais rápidas de curar uma ressaca é fazer uma vitamina de banana, adoçado com mel. A banana acalma o estômago e, com a ajuda do mel aumenta os níveis de açúcar no sangue, enquanto o leite suaviza e reidrata o sistema.

Azia: elas têm efeito antiácido natural no organismo, por isso, se você sofre de azia, experimente comer uma banana para aliviar.

Enjoo matinal: comer uma banana entre as refeições ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue elevado e evita as náuseas.

Picadas de mosquito: antes do creme para picada de inseto, experimente esfregar a zona afetada com a parte interna da casca da banana. Muitas pessoas acham excelentes para reduzir o inchaço e a irritação.

Nervos: Bananas são ricas em vitaminas do complexo B que ajuda a acalmar o sistema nervoso.

Excesso de peso e no trabalho? Estudos do Instituto de Psicologia na Áustria mostram que a pressão no trabalho leva à excessiva ingestão de alimentos como chocolate e biscoitos.

Estudando 5000 pacientes em hospitais, pesquisadores concluíram que os mais obesos eram os que mais sofriam de pressão alta e ataques de ansiedade. O relatório desse estudo, concluiu que: para evitar que comamos biscoitos e doces quando estamos ansiosos, então é necessário que se coma alimentos ricos em carboidratos a cada duas horas para manter níveis estáveis de açúcar no sangue,e é aí que entra a nossa querida banana.

Úlceras: A banana é usada na dieta diária contra desordens intestinais pela sua textura macia e suavidade. É a única fruta crua que pode ser comida sem desgaste em casos de úlcera crônica. Também neutraliza a acidez e reduz a irritação, protegendo as paredes do estômago.

Controle de temperatura: Muitas culturas vêem a banana como fruta 'refrescante', que pode reduzir tanto a temperatura física como emocional de mulheres grávidas. Na Tailândia, por exemplo, as grávidas comem bananas para os bebês nascerem com temperatura baixa.

Seasonal Affective Disorder (SAD): a banana auxilia os que sofrem SAD, porque contêm a vitamina B6 e Triptofano, que nos acalma e nos faz ficar bem humorados.

Fumar e Uso do Tabaco: As bananas podem ajudar as pessoas que tentam deixar de fumar. Vitaminas − A, B6 e B12, assim como o potássio e magnésio, ajudam o corpo a recuperar dos efeitos da retirada da nicotina.

Stress: O potássio é um mineral vital, que ajuda a normalizar os batimentos cardíacos, levando oxigênio ao cérebro e regula o equilíbrio de água no corpo. Quando estamos estressados, nossa taxa metabólica se eleva, reduzindo os níveis de potássio que podem ser reequilibrado com a ajuda da banana, que é rica em potássio.

Enfarto: de acordo com pesquisa publicado no New England Journal of Medicine, comer bananas como parte de uma dieta regular, pode reduzir o risco de morte por enfarto em até 40%!

Verrugas: os interessados em alternativas naturais juram que se quiser eliminar verrugas, pegar um pedaço de casca de banana e colocá-lo sobre a verruga, com o lado amarelo para fora. Segure cuidadosamente a casca no local com esparadrapo!

Assim, a banana é um remédio natural para muitos males. Quando você compará-lo com uma maçã, tem quatro vezes mais proteínas, duas vezes mais carboidratos, três vezes mais fósforo, cinco vezes mais vitamina A e ferro e o dobro das outras vitaminas e minerais. Também é rica em potássio e é um dos alimentos mais valiosos pra nossa saúde. Então talvez seja hora de mudar essa frase em inglês, tão conhecida: “One apple a day, keep the doctor away”, e que nós traduzindo deveríamos usar: “Uma banana por dia mantém o doutor sem freguesia!

PS: Bananas devem ser a razão pela qual os macacos são tão felizes o tempo todo! Vou acrescentar uma dica aqui; quer um brilho rápido nos sapatos? Pegue a parte de dentro da casca da banana e esfregue diretamente sobre o sapato... passe após, um pano seco. Fruto incrível!



segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O álbum brasileiro mais cultuado no mundo

Depoimento de João Marcelo Bôscoli*


As primeiras imagens na minha cabeça ligadas a estúdio (e à própria vida) são do XXX Studios em Los Angeles, durante a gravação do álbum Elis & Tom em 1974) obra da Elis; Tom convidado). Embora fosse a gravação do álbum brasileiro mais respeitado e cultuado no mundo, o maior de Elis, o maior de Tom, lembro-me de jogar bola (de fita adesiva) dentro do espaço. Fora isso, algumas recordações da Disneyland, meu casaco vermelho, calça jeans e botinha ortopédica branca, afagos do Tom, a festa na técnica ao ouvirem as canções, o César com colete, camisa branca clássica em seus quadriculados finos de cinza e gravata, a cantora Wanderlea. Wanderlea? Sim, a própria. Como eu estava dando muito trabalho, a Ternurinha − então moradora da cidade − ajudou minha Mãe e recebeu-me na sua casa. O objetivo era ganhar um refresco nas sessões de gravação. Ao vê-la pela primeira vez, contam, fiquei vidrado, pasmado. Escondi a chupeta no bolso. Queria namorar aquela Estátua da Liberdade loura, sei lá por quê; tinha 4 anos. Recordo fechar uma porta e pedir pra ela tirar a roupa.

São poucas as reminiscências dessa viagem. Ainda assim, tudo lembrado foi confirmado por meio de muitas fotografias e filmes. Não eram interpretações ou lacunas preenchidas por fantasias de uma criança. As coisas estavam lá. Era o gravador de um quarto de polegada, a mesa de madeira, algumas plantas verdes, eu agarrado nela, o suéter e os charutos do Tom. Partículas em suspensão e o sol no oeste da Califórnia são uma combinação inebriante pra memória. A luz era essa: natural. Ou a dos refletores alugados pelo diretor Roberto de Oliveira, empresário da Elis, responsável pela captação de imagens e irmão do cantor e compositor Renato Teixeira.

É fácil fundir os diversos depoimentos ouvidos durante minha vida inteira às lembranças reais da capital do cinema, ampliando as experiências originais. Talvez por senso de sobrevivência, fui construindo uma biblioteca emocional mental com esse tipo de experiência: memórias ampliadas. Sou incapaz de traduzi-las; só consigo senti-las. Por isso e pelo propósito original deste registro, fico circunscrito ao que lembro, do jeito que lembro. Ali estava meu grupo favorito: César Mariano (piano, teclados e arranjos), Luizão (baixo), Hélio Delmiro (guitarra) e o Paulinho Braga (bateria) − este, um dos meus músicos favoritos. Certa vez durante um ensaio, em determinado momento, minha Mãe perdeu-me de vista. A preocupação inicial em segundos tornou-se desespero. Eram anos de chumbo. Parte da equipe já estava na rua pensando no pior. No meio dessa tensão, Paulinho apareceu e aclamou Elis. Eu estava dormindo dentro do bumbo da sua bateria. Esse é o tamanho da sua musicalidade: seu bumbo adormece uma criança.

Trinta anos depois, trabalhando na restauração, mixagem e remasterização do projeto Elis & Tom, foi engraçado e comovente ouvi-la comentando na gravação ter dormido pouco porque eu não estava deixando, em um diálogo com Jobim. Na hora pensei: Poderia ter permanecido no Brasil; era um projeto complexo. Mas ela decidiu levar o primogênito. Pedro ainda não havia nascido. E mais: segundo Ronaldo, ele soube de tudo pelos meios de comunicação.

Como ela conseguiu sair do seu país comigo e entrar nos Estados Unidos sem a permissão do meu pai, mesmo sendo minha Mãe? Nunca saberei. Ninguém, por toda a minha vida, soube me explicar esse movimento. Belo começo. E “Só tinha de ser com você” continua sendo nosso hino de amor.

Foi em Los Angeles, através do som das caixas gravado pelo futuro multiganhador de Grammys, o engenheiro Humberto Gatica, o início da minha percepção do quão única era a voz da minha Mãe. E também havia os comentários dos músicos, do Tom, dos produtores. Todos falavam dela como uma força da natureza, alguém pelo qual o canto em si manifestava-se. Senti forte como se fosse eu a cantar. Amava minha Mãe e Elis a cada dia mais.

Do livro:
 “Elis e Eu 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe”,
de João Marcelo Bôscoli


Elis com João Marcelo


Ronaldo Bôscoli, João Marcelo e Elis Regina


Elis, João Marcelo, Pedro e Maria Rita