segunda-feira, 23 de março de 2020

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Homem financeiramente instável:

Devo a todo mundo. Se você não é um dos meus credores, gostaria de conhecê-la. Envie seu número de celular, o meu foi cortado por falta de pagamento.

Médico radiologista:

Tenho 35 anos e quero encontrar uma mulher com beleza interior. Enviar chapas de raio X.

Mentiroso compulsivo:

Procuro mulher para dividir meu castelo de sonhos na Riviera Francesa. Max Cascata.

Charmosíssima:

Linda, charmosa, elegante, bem-sucedida, inteligente e sensível são palavras que não se aplicam a mim. Escreva assim mesmo. Bela acordada.

Mulher sensível:

Tenho 21 anos e procuro relacionamento sincero com homens mais velhos, donos de ações, mansões e, de preferência, poços de petróleo. Deve passar semanas fora da cidade. Enviar foto e cópia da declaração de renda...

Frankor:

Senhor do planeta Zimbo deseja conhecer deusa da 4ª dimensão para partilhar seu trono na galáxia Zuborawa.

Detetive

Ando à procura de você, mulher misteriosa, sigo-a por toda a parte, já colhi suas impressões, logo vou revelar a sua identidade.


Que sociedade vai emergir da pandemia?



“Gostaria de acreditar que uma sociedade mais unida, mais integrada, mais empática. Certamente o coronavírus não irá transformar o mundo, tampouco a imensa diversidade tão complexa dos seres humanos. Mas ele já está nos relembrando que somos um planeta único, um sistema integrado, que o ser humano é igualmente vulnerável sendo chinês ou americano, com mais ou menos dinheiro, branco ou negro. O vírus também nos lembra que o ser humano consegue rapidamente se articular, buscar respostas, mas que também sobrevive se desacelerar, que tem capacidade de se preocupar e cuidar e acima de tudo ser criativo e pode cantar e brincar. Que isso permaneça! Que não seja um privilégio só dos tempos de crise!”

Giuliana Chiapin, Psicóloga

“É importante que uns tentem ajudar os outros. Vivemos tempos que requerem solidariedade. Solidariedade é contrário do neoliberalismo que há anos e anos buscam nos impor. Tudo o que aprendemos sobre Estado mínimo estava errado. Imaginar o amanhã é o desafio que passa por aprender já o quão decisivo são a educação pública, a saúde pública, com o fantástico SUS que os últimos governos vêm atacando ao minguar as verbas. A hora não é de fanatismo político ou religioso, a hora é de os cientistas desenvolverem novas vacinas, e a hora é dos artistas que precisam inventar como chegar aos seus públicos pelas redes sociais. A hora é de a civilização crescer, amadurecer e mobilizar suas forças de integração, ao contrário dos últimos anos, nos quais Trump e outros líderes fizeram guerra. O vírus, hoje, adoece, às vezes mata, gera tristeza, mas novos caminhos serão criados como foram no passado. De algo estou seguro: os mais ricos, os ricos e os letrados ou não têm de aprender mais sobre a importância da solidariedade. É tempo de aprender que o futuro da humanidade passa pela solidariedade e não por acumular milhões e bilhões como o triste Tio Patinhas.”

Abrão Slavutzky, Psicanalista

“Uma coisa é um sociedade que gostaria que emergisse: mais solidária, mais consciente da sua responsabilidade com o coletivo, que desse mais valor a investimentos de longo prazo, como atenção a saneamento, saúde básica e educação, em vez de deixar-se guiar pela montanha-russa dos mercados financeiros. Tenho minhas dúvidas de que isso mude por essa crise que, embora de dimensões globais, ao que tudo indica deve passar em questão de meses. Talvez saíamos dela como uma sociedade que lava mais as mãos, usa mais álcool gel, beija menos e evita aglomerações − ao menos por um tempo. Não sei se as marcas dessa crise serão profundas o suficiente para haver mudanças radicais; desejo que sim, desconfio que não. Tem circulado na internet um vídeo de cinco anos atrás no qual, após a crise do ebola − mais letal, mas menos contagioso −, Bill Gates alertava para os perigos de uma outra epidemia viral e desenhava estratégias relativamente simples, mas importantes de serem adotadas pelos governos. Não aconteceu.”

Paulo Gleich, Psicanalista

(Do caderno Vida de Zero Hora, março de 2020)


domingo, 22 de março de 2020

O dia que a Terra parou

(A música profética de Raul Seixas e Cláudio Roberto)


Essa noite eu tive um sonho
De sonhador,
Maluco que sou, eu sonhei
Com o dia em que a Terra parou,
Com o dia em que a Terra parou.

Foi assim...
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa,
Como que se fosse combinado em todo
O planeta.
Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém, ninguém.

O empregado não saiu pro seu trabalho,
Pois sabia que o patrão também não tava lá.
Dona de casa não saiu pra comprar pão,
Pois sabia que o padeiro também não tava lá.
E o guarda não saiu para prender,
Pois sabia que o ladrão, também não tava lá.
E o ladrão não saiu para roubar,
Pois sabia que não ia ter onde gastar.

No dia em que a Terra parou (êê).
No dia em que a Terra parou (ôô).
No dia em que a Terra parou (ôô).
No dia em que a Terra parou.

E nas Igrejas nem um sino a badalar,
Pois sabiam que os fiéis também não tavam lá.
E os fiéis não saíram pra rezar,
Pois sabiam que o padre também não tava lá.
E o aluno não saiu para estudar,
Pois sabia o professor também não tava lá.
E o professor não saiu pra lecionar,
Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar.

No dia em que a Terra parou (ôô).
No dia em que a Terra parou (ôô).
No dia em que a Terra parou.
No dia em que a Terra parou

O comandante não saiu para o quartel,
Pois sabia que o soldado também não tava lá.
E o soldado não saiu pra ir pra guerra,
Pois sabia que o inimigo também não tava lá.
E o paciente não saiu pra se tratar,
Pois sabia que o doutor também não tava lá,
E o doutor não saiu pra medicar,
Pois sabia que não tinha mais doença pra curar.

No dia em que a Terra parou (oh yeah).
No dia em que a Terra parou (foi tudo).
No dia em que a Terra parou (ôô).
No dia em que a Terra parou.

Esta noite eu tive um sonho de sonhador,
Maluco que sou, acordei...

No dia em que a Terra parou (oh yeah).
No dia em que a Terra parou (ôô).
No dia em que a Terra parou (Eu acordei!)
No dia em que a Terra parou (Acordei!)
No dia em que a Terra parou (justamente!)
No dia em que a Terra parou (Eu não sonhei acordado!)
No dia em que a Terra parou
No dia em que a Terra parou (No dia em que a terra Parou!)

*****

O Dia em que a Terra Parou é o sétimo álbum de estúdio da carreira solo do cantor e compositor brasileiro Raul Seixas, sendo o primeiro gravado e lançado pela gravadora WEA, em 1977.

Este álbum marcou a estreia de Raul Seixas em uma nova gravadora, a WEA. Traz um de seus maiores sucessos, “Maluco Beleza”, além de outros como “Sapato 36”, “No Fundo do Quintal da Escola”, “Que Luz É Essa?” (com participação de Gilberto Gil) e a canção título. Todas as músicas foram compostas por Raul Seixas e Cláudio Roberto.

No disco, há duas incursões pelo funk nas faixas “De Cabeça pra Baixo” e “Tapanacara” (acompanhado pela Banda Black Rio), essa última, uma resposta à canção “Odara” do álbum Bicho de Caetano Veloso, lançado no mesmo ano.

O disco representou uma ruptura estética para Raul. Agora, ele se mostrava de cabelo curto e vestido de terno, contra uma imagem mais anti-sistema dos discos anteriores. Isso acarretou numa performance ruim em termos de vendas; o álbum encalhava nas lojas mesmo vendido a dois cruzeiros.




A pandemia e uma reflexão

Francesca Morelli*

   
Eu acho que o universo tem sua maneira de restaurar as coisas para equilibrá-las de acordo com suas próprias leis, quando elas são alteradas. Os tempos em que vivemos, cheios de paradoxos, alimentam o pensamento.

Numa época em que as mudanças climáticas atingem níveis preocupantes devido aos desastres naturais que estão ocorrendo, a China em primeiro lugar e muitos outros países depois são forçados a bloquear; a economia entra em colapso, mas a poluição diminui consideravelmente. A qualidade do ar que respiramos melhora, usamos máscaras, mas ainda respiramos.

Em um momento histórico em que certas políticas e ideologias discriminatórias estão surgindo em todo o mundo, aparece um vírus que nos faz experimentar que, num piscar de olhos, podemos nos tornar os discriminados, aqueles que não têm permissão para atravessar a fronteira, aqueles que transmitem doenças. Mesmo sendo branco, ocidental e com todos os tipos de luxos baratos que temos ao nosso alcance.

Em uma sociedade baseada na produtividade e no consumo, na qual todos passamos 14 horas por dia correndo, não sabemos muito bem para onde, sem descanso, sem pausa, de repente somos forçados a parar. Recolhidos em casa, dia após dia. Contando as horas de um período do qual perdemos o valor, se não for medido em algum tipo de remuneração ou em dinheiro. Ainda sabemos como usar nosso tempo sem uma finalidade específica?

No momento em que os pais, por motivos maiores, costumam delegar seus filhos a outras pessoas e instituições, o Coronavirus força as escolas a fecharem e nos obriga a buscar soluções alternativas, coloca os pais juntos aos seus filhos. Nos obriga a sermos família novamente.

Numa dimensão em que as relações interpessoais, a comunicação, a socialização, são realizadas no espaço virtual das redes sociais, dando-nos a falsa ilusão de proximidade, esse vírus nos tira a proximidade verdadeira e real: sem toques, beijos, abraços, tudo deve ser feito à distância, na frieza da falta de contato. Quanto de nós damos a esses gestos seu verdadeiro significado?

(...)

Vamos parar de procurar culpados ou nos perguntar por que isso aconteceu e começar a pensar sobre o que podemos aprender com tudo isso. Todos temos muito em que refletir e nos empenhar. Com o universo e suas leis, parece que a humanidade já está bastante endividada e que essa epidemia está chegando para nos explicar, a um preço caro.

*Psicóloga italiana.

sábado, 21 de março de 2020

O vírus e o presidente


Eduardo Bueno

Há sinais claros de que o presidente não se cuidou − ou cuidou-se tarde demais. Mas não foi por falta de aviso.

A epidemia já era fato consumado e ele seguia disposto a negá-la, ou minimizá-la, mantendo os contatos típicos da política. Sendo idoso, e ainda em recuperação das afiadas agruras da campanha, estava duplamente no grupo de risco. Mas os homens do presidente sabiam que ele era um cabeça-dura. Então, o óbvio aconteceu: o presidente contraiu o vírus. Todos os cuidados lhe foram dispensados, claro. Seus filhos, sempre próximos, padeceram em vigília ao lado do leito do enfermo. Como não havia cura, nem vacina, a agonia foi lenta e pesarosa.

E o presidente veio a falecer.

Como ditava a Constituição, o vice tomou posse. Na prática, já vinha exercendo o cargo: o presidente eleito dava sinais de doença desde antes da posse e nem chegara a assumir. Sua morte só oficializou a situação. Mas havia dois problemas: por não se terem completado dois anos de mandato, era preciso convocar novas eleições. E o vice em exercício também estava doente: não (ainda) acometido pelos vírus, mas por uma bactéria. Ele tinha sífilis. Por conta da moléstia, manifestava frequente “lacunas em seu pensamento; era reticente”. Tão reticente quanto seu breve governo, que passaria à História com o apelido de “regência republicana”.

Com o mundo recém saído da guerra, novas eleições foram convocadas. A campanha foi curta, mas turbulenta. Venceu um ministro aposentado do STF. Ocorre que o eleito obtivera a aposentadoria precoce do cargo alegando “incapacidade física permanente”. E, quando o resultado foi anunciado, nem estava no Brasil − estava em Paris. Mas pegou navio de volta e assumiu o trono, ops, a Presidência em nova afronta à lei. O vice voltou a ser vice, mas morreu logo depois.

Faz exatos cem anos, mas parece que foi hoje.

Dando nome aos bois: o “conselheiro” Rodrigues Alves foi eleito presidente do Brasil (pela segunda vez) em novembro de 1918. Morreu de gripe espanhola em 17 de janeiro de 1919, sem tomar posse. O vice Delfim Moreira virou presidente, mesmo sem poder. O ministro do STF aposentado Epitácio Pessoa foi eleito em abril de 1919 e assumiu o governo em 28 de julho, Delfim voltou a ser vice, mas bateu as botas em 1º de julho de 1920. Os exames mostravam que, além da sífilis, contraíra o vírus da gripe. Parece que ao visitar o falecido presidente.

Rodrigues Alves

Delfim Moreira

Epitácio Pessoa

Em tempo, a 30 de maio de 1918, morreu em Nova York um certo Frederick Trump. Causa mortis? Gripe espanhola. Não há registros de que Rodrigues Alves e vovô Trump tenham se encontrado.

Frederick Trump

Dizem que a História sempre se repete, como farsa ou como tragédia. Não sei se é verdade. Mas sei que vivemos no tempo dos farsantes.

(Em Zero Hora, 20 de março de 2020)



As epidemias na história


Veja algumas das principais epidemias e pandemias que atingiram a humanidade, e número de mortos que deixaram.


Peste Antonina (165 − 180)

+ 5 milhões de mortos

→ Contribuiu para desestabilizar o Império Romano, tamanho o impacto social e econômico, o que culminaria na desintegração da parte oriental. Pelas descrições dos sintomas da época, acredita-se que tenha sido causada pela varíola.

Praga de Justiniano (541 − 542)

+ 30 a 50 milhões

→ Com origem na China e na Índia, a doença enfraqueceu o Império Bizantino. Estima-se que 5 mil a 10 mil pessoas morreram por dia em Constantinopla, atual Istambul.

Peste Negra (1347 − 1351)

+ 200 milhões

→ Considerada a pior pandemia já vista, só na Europa teria matado algo perto de um terço da população. Trouxe grandes alterações sociais e contribuiu para acabar com o sistema de servidão importo aos camponeses à época. A prática de quarentena ganhou força como medida preventiva.

Varíola (1520)

+ 56 milhões

→ Foi trazida à América pelos espanhóis e teve um impacto devastador sobre a população local.

Cólera (1817 − 1923)

+ 1 milhão

→ A primeira pandemia se estendeu do Vale do Ganges (Índia) ao norte da África e outras regiões da Ásia. Os russos acabaram levando a doença para a Europa. Até 1923, a bactéria provocaria seis pandemias.

Terceira pandemia (1855)

+ 12 milhões

→ Foi uma terceira onda do bacilo da Peste Bubônica que se espalhou da China para o mundo com a expansão do transporte marítimo.

Febre amarela (final do século 19)

+ 150 mil

→ O Brasil foi um dos países mais afetados pela doença, principalmente depois que um navio supostamente contaminado chegou ao Rio de Janeiro em 1849. Cerca de 4 mil dos 266 mil habitantes da cidade teriam morrido, o que reforçou investimentos em políticas de higienização no país.

Gripe russa (1889 − 1890)

+ 1,5 milhão

→ Teria começado no atual Uzbesquistão e se espalhou por Europa, Ásia, África e América. No Brasil, o imperador D. Pedro II teria contraído o vírus H2N2.

Gripe espanhola (1918-1919)

+ 50 milhões

→ Sem tratamento, o H1N1 foi combatido com quarentenas, higiene e alívio dos sintomas. Inclusive no Brasil, cidades ficaram esvaziadas, e os necrotérios, lotados. Eleito presidente, Rodrigues Alves morreu antes de assumir o mandato.

Gripe asiática (1957 - 1958)

+ 1 milhão a 4 milhões

→ Quatro décadas após o trauma provocado pela gripe espanhola, outro vírus influenza, o H2N2, voltou a provocar uma pandemia. Avançou do norte da China para a Ásia, Oceania, África, Europa e EUA por terra e mar. A recorrência de infecções respiratórias criaria uma cultura de prevenção como uso de máscara em países da Ásia.

HIV/Aids (1981 − hoje)

+ 32 milhões

→ Segue como uma ameaça apesar de avanços no tratamento. Segundo a OMS, 770 mil pessoas morreram por complicações da Aids em 2018. Provocou mudanças comportamentais do ponto de vista sexual e disseminação do uso de preservativos.

Gripe A (2009 − 2010)

+ 100 mil a 400 mil

→ Embora a conta oficial preliminar fosse 18,5 mil mortes, a OMS estima que o total de vítimas do H1N1 pode ter superado cem mil. Pela primeira vez, uma vacina foi criada e distribuída ainda no primeiro ano de pandemia. Ampliou-se colaboração internacional no combate a epidemias e pandemias.

Ebola (2014 − 2016)

+ 11,3 mil

→ Teve início na África e se espalhou por países como Guiné, Libéria e Serra Leoa. Altamente letal, estima-se que provoque a morte de 50% dos infectados, em média.

Coronavírus (2019)

(11 mil até sexta-feira – 20 de março)

→ Surgida na China, a variação do coronavírus segue se alastrando em ritmo acelerado em todos os continentes. Países determinam restrições de circulação, aglomeração e funcionamento de escolas e comércio.

Fontes:

OMS, CDC, Fórum Econômico Mundial,
Encyclopedia Britannica, Agência Fiocruz

(Do jornal Zero Hora, março de 2020)

sexta-feira, 20 de março de 2020

Proteja-se do coronavírus



Um guia sobe o vírus que ameaça a saúde mundial
COVID-19

Existem vários tipos de coronavírus, que podem infectar animais e humanos. O coronavírus identificado em dezembro de 2019 causa em humanos uma doença chamada covid-19. Como não temos imunidades, ela pode ser grave e até matar.

Quais são os sintomas principais

Febre
Cansaço
Tosse seca
Dificuldade de respirar

Outros

Congestão nasal
Coriza
Dor de garganta
Dores no corpo
Diarreia

Casos graves

Pneumonia
Insuficiência renal
Morte

Preste atenção

Casos graves atingem um a cada seis doentes.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria dos infectados com o coronavírus desenvolve sintomas semelhantes ao da gripe e apenas 20% progridem para doenças mais graves, como pneumonia e insuficiência respiratória.

Pessoas infectadas podem não ter nenhum sintoma. A transmissão nesse caso é possível, mas o risco não é alto.

Como se transmite

Gotículas de saliva
Espirro
Tosse
Catarro

A transmissão pode acontecer

Pelo ar (entrando pela boca, pelo nariz ou pelos olhos).
Por contato físico (beijos, abraços, apertos de mão).
Por contato com objetos contaminados por secreções, levadas à boca, ao nariz ou aos olhos.

Letalidade

3 pessoa a cada 100 infectadas morrem.
Na síndrome respiratória aguda grave (sars), de 9.5%.
Na síndrome respiratória do Oriente Médio (mers), de 34,4%.

Incubação

É o tempo entre o contato com o vírus e o aparecimento dos sintomas. No coronavírus, leva entre um e 14 dias, mas em geral é de cinco dias.

Período de transmissão

Na maioria das vezes, enquanto persistirem os sintomas.

Grupos vulneráveis
  
   
São as pessoas que apresentam uma ou mais dessas condições:

Idade avançada
Pressão alta
Problemas cardíacos
Problemas pulmonares
Diabetes
Propensão a desenvolver doenças graves

Como se proteger do contágio


Lave freqüentemente as mãos por pelo menos 20 segundos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o ambiente em que elas estiveram, e antes de se alimentar. A higiene precisa contemplar todas as partes das mãos. Sempre lembrarmos de esfregar as palmas, mas o dorso, a região entre os dedos, o polegar e a ponta dos dedos não podem ficar de fora. A ponta dos dedos requer atenção, porque o vírus pode se resguardar embaixo das unhas.

Outra dica importante é não encostar a mão recém-higienizada no registro da torneira. O correto é pegar papel toalha para fechá-la e depois jogar a folha utilizada no lixo.

Se não tiver água e sabão, use álcool em gel 70%, caso as mãos não tenham sujeira visível.

Mantenha-se a pelo menos, um metro de quem tem sintomas como tosse e espirro.

85% das infecções respiratórias são transmitidas a menos de 1,5m de distância.

Evite tocar nos olhos, no nariz e na boca: as mãos tocam muitas superfícies que podem ter vírus.

Tenha boa higiene respiratória: ao tossir, cubra a boca e o nariz com um lenço descartável e descarte-o imediatamente. Se não tiver o lenço, dobre o cotovelo e tussa ou espirre na dobra, assim, você não espalha o vírus e protege as pessoas ao seu redor.

Fique em casa se não se sentir bem. Se tiver febre, tosse ou dificuldade para respirar, faça contato com um serviço médico por telefone e siga as instruções, isso permitirá que seu médico o direcione rapidamente para o centro de saúde certo e o ajudará a evitar a propagação do vírus e outras infecções.

Desinfete superfícies suspeitas (mas estudos sugerem que o vírus permanece ativo por algumas horas ou mesmo dias).

Evite viajar para lugares com surtos de coronavírus: a chance é maior de pegar o vírus em uma dessas áreas.

Evite aglomerações, especialmente se estiver doente.

Evite tomar chimarrão compartilhando a mesma cuia.

Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas.

Mantenha os ambientes bem ventilados.

Quem deve usar máscara


Só use máscara se você tiver sintomas ou se estiver cuidando de alguém suspeito de estar com a doença. Descarte a máscara depois de usá-la uma vez.

Se você não está doente nem cuidando de alguém doente, está desperdiçando uma máscara em momento de escassez.

Máscara de proteção → As mais utilizadas.

Máscara cirúrgica → Proteção em apenas um sentido: retém as partículas emitidas por quem utiliza.

N95 ou FFP2 → Proteção em dois sentidos: com filtro de ar para quem a utiliza.

Diagnóstico da doença

É feito com a coleta de materiais respiratórios (aspiração de vias aéreas ou indução de escarro)

Duas amostras são encaminhadas a laboratório para análise.

Tratamento


Existe vacina contra o coronavírus?

→ Estão em desenvolvimento.

Existem remédios para tratar a covid-19?

→ Não há um antiviral específico (há estudos em curso), e sim medicamentos para alívio dos sintomas.

Antibióticos podem ajudar?

→ Não, eles não funcionam contra vírus.

A vacina da gripe protege contra o coronavírus?


→ Não, somente contra o vírus influenza. Mas é importante se vacinar contra a gripe comum para descartar uma suspeita de coronavírus, já que os sintomas são parecidos, e, assim, ajudar a desafogar o sistema de saúde.

Como é o tratamento?


Repouso e consumo de bastante água.

Medicamentos para dor e febre.

Uso de umidificador no quarto ou tomar banho quente para auxiliar no alívio da dor de garganta e tosse.

Casos graves devem ser tratados em hospital. *

* Casos muito graves devem ser encaminhados a um hospital de referência estadual (público) para isolamento e tratamento.

Casos suspeitos leves podem não necessitar de hospitalização, recebendo acompanhamento e obedecendo a medidas de precaução domiciliar.

Isolamento domiciliar

Pacientes suspeitos de ter a doença ou que foram infectados podem ter de ficar em isolamento domiciliar, conforme determinação de profissional de saúde.

O isolamento pode ser determinado por prescrição médica ou recomendação de agente de vigilância por 14 dias, podendo chegar a até 28 dias, a partir do resultado de exames.

Assim que a medida for indicada, o paciente deve assinar um termo de consentimento de que foi informado sobre a necessidade de isolamento ou quarentena.

Perguntas e respostas

01) De que forma surgiu o surto atual?

Acredita-se que a fonte primária do vírus seja animal, provavelmente um mercado de frutos do mar e animais selvagens vivos − como morcegos ou pangolins − em Wuhan, na China.

02) Por que se chama “coronavírus”?

Porque o vírus parece, no microscópio, uma coroa. Em inglês, a palavra é “crown”, cuja pronúncia remete a “corona” (coroa em espanhol). Oficialmente, o nome é covid-19.

03) Há riscos de transmissão entre animais domésticos?

Especialistas dizem que a doença não circula entre pets. Trata-se de um evento extremamente raro.

04) Como limpar a casa para se prevenir do coronavírus?

Água e sabão neutro são os produtos necessários. Limpar as superfícies e o chão com um pano umedecido na solução é suficiente. Pode-se, após o processo, usar desinfetante. O uso de clorofila diluída em água também é eficaz, mas deve ser feito com cuidado e luvas. Superfícies, principalmente as compartilhadas, podem ser higienizadas com álcool 70%. Graduações menores do produto, como a do álcool de cozinha, não inativam o coronavírus.

05) Qual a frequência para a limpeza?

Depende muito da circulação na casa. Se houver alguém diagnosticado ou com suspeita de covid-19, os cuidados devem ser redobrados. Além da limpeza frequente no cômodo do isolamento, o banheiro requer atenção especial, já que há possibilidades de as fezes hospedarem coronavírus − higienize-se após cada utilização. Se não houver caso suspeito ou diagnosticado, a limpeza deve ser feita, em média, uma vez por turno. Ou a cada entrada de uma pessoa na casa. As toalhas não devem ser compartilhadas, e a troca diária é recomendada. Além disso, a orientação é de não secar o rosto com a mesma toalha utilizada para as mãos.

06) O que devo fazer quando entrar em casa?

Lavar as mãos com água e sabão e secar com papel toalha. Se for permanecer em casa, é aconselhado trocar de roupa.

07) Quais objetos requerem maior atenção?

Os de uso compartilhado, como controle remoto, telefone, interruptores, campainhas, maçanetas e corrimãos. Após cada uso, é recomendado a limpeza com álcool 70% ou solução com água e sabão neutro líquido.

08) É possível aumentar a imunidade do corpo contra a doença?

Especialistas dizem que medidas para se proteger do vírus passam pela prevenção.

09) Quais são os sintomas mais característicos?

Febre e tosse persistente.

10) Se eu tiver coronavírus, fico imune?

Estudos indicam que não. Quatro pacientes atendidos no hospital da Universidade de Wuhan, na cidade epicentro do coronavírus na China, tiveram resultados positivos para infecção por uma segunda vez.

Outro caso documentado é o de uma japonesa que contraiu a doença em janeiro: no mês seguinte, após parecer ter se recuperado, ela retornou ao hospital com sintomas da doença e testou positivo para o vírus.

(ZH Especial, 19 de março de 2020)