quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Um pequeno texto Machado de Assis

 

Machado de Assis aos 25 anos

 A história dos subúrbios*

 (Machado de Assis. Gazeta de Notícias, 4 de novembro de 1900)

              “Em vão passavam as gerações, ele não passava.

Chamava-se João.

Noivos casavam, ele repicava às bodas;

crianças nasciam, ele repicava ao batizado;

pais e mães morriam, ele dobrava aos funerais.

Acompanhou a história da cidade.

Veio a febre amarela, o cólera-morbo, e João dobrando.

Os partidos subiam ou caíam,

João dobrava ou repicava sem saber deles.

Um dia começou a Guerra do Paraguai, e durou cinco anos;

João repicava e dobrava,

dobrava e repicava pelos mortos e pelas vitórias.

Quando se decretou o ventre-livre das escravas,

João é que repicou.

Quando se fez a abolição completa,

quem repicou foi João.

Um dia proclamou-se a República,

João repicou por ela, e repicaria pelo Império,

se o Império tornasse.

Não lhe atribuas inconsistências de opiniões;

era o ofício.

João não sabia de mortos nem de vivos;

a sua obrigação de 1853 era servir à Glória,

tocando os sinos, e tocar os sinos para servir à Glória,

alegremente ou tristemente,

conforme a ordem.”

(*Quanta gente, que nós conhecemos, é exatamente assim...) 


Sempre pergunte, nunca suponha!

 

Um fotógrafo da CNN telefonou ao seu chefe e solicitou prioridade para umas tomadas aéreas de um foco de um incêndio num bosque.

Com seu pedido aprovado, o repórter fotográfico da CNN rapidamente usou seu celular para chamar o aeroporto local para fretar um voo.

Ele foi informado que uma aeronave bimotor estaria esperando por ele no aeroporto.

Ao chegar ao aeroporto, ele avistou uma aeronave aquecendo os motores do lado de fora do hangar. 

Ele pulou para dentro com suas coisas, bateu a porta e gritou:

- Vamos lá!

O piloto taxiou, colocou a aeronave contra o vento e decolou.

Uma vez no ar, o fotógrafo instruiu o piloto:

- Voe sobre o vale e faça passagens baixas de modo que eu possa tirar fotos do fogo nas colinas. 

- Por quê? - perguntou o piloto.

- Porque sou repórter fotográfico da CNN, ele respondeu, e preciso tirar algumas fotos bem de perto. 

O piloto ficou estranhamente silencioso por um momento e, finalmente, gaguejou: 

- Então, o que você está me dizendo é que não é o meu instrutor de voo?!

A lição:

 Sempre pergunte, nunca suponha!


Abbey Road, 51 anos

 Se o assunto são LPs antigos, hoje é o aniversário de lançamento de um dos álbuns mais famosos da música popular mundial  Abbey Road, dos Beatles, chegou ao mundo no dia 26 de setembro de 1969. Foi, na verdade, o último disco do quarteto inglês  Let it Be só foi lançado em 1970, mas tinha sido gravado no início de 1969, antes de Abbey Road.

 O repertório é de algumas das mais famosas músicas do cancioneiro beatle - Come Together, Oh! Darling, Something e Here Comes the Sun entre elas. Talvez até mais famosa seja a foto da capa do disco, feita pelo escocês Iain McMillan no final da manhã de 8 de agosto, em questão de 10 minutos. A célebre imagem de John Lennon, Ringo Starr, Paul McCartney e George Harrison atravessando a Abbey Road - endereço do estúdio da EMI onde o disco foi gravado  resultou de seis tentativas, reproduzidas abaixo.


Pequenas histórias para rir

 É a vida, é a vida...

Um casal muito rico e entediado com a vida está discutindo a relação. Ela o abraça carinhosamente

Ela, fazendo beicinho:

- Você não gosta mais de mim!

Ele, sem tirar os o do jornal:

- Deixa de bobagens, querida! Acho que você está um pouco deprimida. Por que não vai até o shopping e compra alguma coisa? Tenho certeza de que vai se sentir melhor!

Ela, fazendo birra:

- Não, não quero comprar nada! Já tenho tudo!

Ele, virando a página do jornal:

- Quer que eu troque o seu carro?

Ela, com voz chorosa:

- Não! A minha Mercedes ainda não tem cinco mil quilômetros!

Ele, depois de uma breve reflexão:

- Por que não passa alguns dias na Europa?

Ela, séria:

- Outra vez? Eu não aguento mais aquela gente!

Ele, perdendo a paciência:

- O que você quer, então?

Ela, ensaiando um sorriso:

- O divórcio!

Ele, desapontado:

- Eu não estava pensando em gastar tanto!

                                             Memórias

Dois amigos de infância trocam recordações. Um deles, finalmente, pergunta:

− Me diz uma coisa: tu dormiste com a tua mulher antes de casar?

− Claro que não. Tu bem sabes como era rígida a moral naquela época. E tu dormiste?

− Sim, cara, mas eu não sabia que tu ias casar com ela?

A dívida

Um homem chega ao consultório do psiquiatra e desabafa:

- Doutor, preciso da sua ajuda! Acho que estou ficando louco! Já faz três noites que não consigo dormir de tanta preocupação!

- E qual é o motivo de sua preocupação?

- Dinheiro, doutor!

- Ah! Mas é muito fácil! É só o senhor parar de pensar no assunto. Outro dia esteve aqui um camarada que também não conseguia dormir por causa das dívidas que tinha contraído com o tio. Falei para ele que o tio é que deveria ficar preocupado, já que tinha dinheiro para receber. Daí em diante, ele passou a dormir tranquilo.

- Pois é, doutor, o devedor era o meu sobrinho!

                                           A fuga alucinada

Na clínica psiquiátrica, dois pacientes planejavam fugir. Ao anoitecer, um vai ao outro para dizer que tudo estava pronto, que a moto estava preparada para que a escapada fosse mais rápida.

O outro paciente volta-se e olha a moto e pergunta:

– Mas, Gervásio, o que queremos como uma moto sem rodas?

O Gervásio, com ar de inteligente, responde:

– Elementar, meu caro amigo, esta moto não deixa rastro!

                 segredo” para o sucesso profissional a jato

O manda-chuva chama um dos seus funcionários para um pronunciamento cheio de elogios ao desempenho dele no escritório:

Eu quero dizer que você tem demonstrado grande capacidade e competência no desempenho das funções que lhe foram confiadas. Veja que você entrou aqui como escriturário não faz nem um ano. E, apesar de sua pouca idade, pois sequer completou 18 anos, você teve uma rápida ascensão. Apenas dois meses depois de chegar, você logo foi promovido a supervisor. Mais três meses e você foi designado chefe de sua seção. Não demorou nem três meses e logo recebeu outra promoção: foi designado chefe do departamento. Hoje, apenas dois meses depois e você já é um de nossos diretores. O mais influente de nossos colaboradores sobre todos os assuntos. Eu pergunto: você está satisfeito conosco, com suas atividades, com suas promoções por merecimento e também com o seu alto salário:

- Estou sim, papai.

A implosão da mentira*

 

Mentiram- me.
Mentiram- me ontem
e hoje mentem novamente.
Mentem de corpo e alma completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo impunemente.
Não mentem tristes,
alegremente mentem.
Mentem tão nacionalmente
que acho que mentindo história afora,·

vão enganar a morte eternamente.

Mentem, mentem e calam,
mas as frases falam e desfilam de tal modo nuas
que mesmo o cego pode ver a verdade
em trapos pelas ruas.

Sei que a verdade é difícil e para alguns
é cara e escura,
mas não se chega à verdade pela mentira
nem à democracia pela ditadura.

Evidentemente crer que uma flor nasceu
em Hiroshima e em Auschwitz havia um circo
permanentemente.

Mentem, mentem caricaturalmente,
mentem como a careca mente ao pente,
mentem como a dentadura mente ao dente
mentem como a carroça à besta em frente,
mentem como a doença ao doente,
mentem como o espelho transparente
mentem deslavadamente como nenhuma
lavadeira mente ao ver a nódoa sobre o rio
mentem com a cara limpa e na mão
o sangue quente,

mentem ardentemente como doente nos
seus instantes de febre,
mentem fabulosamente
como o caçador que quer passar gato por lebre
e nessa pilha de mentiras a caça é que caça o caçador
e assim cada qual mente indubitavelmente.
Mentem partidariamente,
mentem incrivelmente,
mentem tropicalmente,
mentem hereditariamente,
mentem, mentem e de tanto mentir
tão bravamente
constroem um país de mentiras diariamente.

           Alfonso Romano de Sant´Anna

 * Aqui está uma parte do poema. 


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Confira os dez mandamentos para o voto consciente

 Segundo a Diocese de Barretos (SP)*

1º) Procure conhecer o passado, as ideias e valores do candidato ou candidata. Se ele já se envolveu em escândalos de corrupção, comprou votos, foi cassado pela justiça, renunciou a mandatos para escapar de punições ou se aliou a grupos envolvidos com essas práticas: simplesmente não vote nele(a).

2º) Não basta que os candidatos tenham a “ficha limpa”. É preciso conhecer as intenções e propósitos de cada candidato(a): quem financia a sua campanha? Quem ele realmente vai representar? Procure se informar. Exija dele(a) uma vida honrada, do mesmo jeito que você procura conduzir a sua vida.

3º) Conheça mais sobre a lei eleitoral: participe de palestras, reuniões e debates. Sua vida em comunidade exige que você esteja mais informado sobre assuntos tão importantes.

4º) Ajude a criar ou a fortalecer um comitê da lei 9840 para o combate a corrupção eleitoral (MCCE) e aplicação da ficha limpa. Se você faz parte de algum grupo ou organização social (associação, sindicato, igreja, clube de mães, centro de direitos humanos). Saiba como fazer no site www.mcce.org.br.

5º) Denuncie a compra de votos: quando uma pessoa aceita um benefício em troca do seu voto se condena a viver sem emprego, educação, segurança pública. Assim, o remédio hoje recebido em troca de voto poderá mais tarde custar à falta do hospital que salvaria a sua vida ou a do seu filho.

6º) Denuncie o desvio de recursos públicos para fins eleitorais. É muito grave que um candidato se utilize de bens e serviços públicos para ganhar as eleições.

7º) Tire fotos, grave ou filme se notar qualquer sinal de compra de voto ou de apoio eleitoral, utilizando o mau uso do dinheiro público, pois ajuda a comprovar a irregularidade na denúncia ao juiz eleitoral, ao ministério público, ou até mesmo à polícia.

8º) Não vote em pessoas que mudam de partido, como “quem muda de roupa”. Ao votar no candidato, não estamos votando só na pessoa, mas no partido, ajudando a eleger outros candidatos do mesmo partido ou coligação: por isso saiba quem são os outros candidatos da legenda.

9º) Procure saber se o candidato tem compromisso com a defesa da vida em todas as suas fases, bem como com a realização da reforma política, reforma agrária e com direitos sociais fundamentais: como criação de emprego e geração de renda, melhoria da saúde e da educação, defesa do meio ambiente e da cultura da paz. Cobre esse compromisso.

10º) Pense bem antes de votar, escolhendo pessoas que se preparam para administrar (presidente e governador) ou fazer leis (deputado federal e estadual e para o senado) em benefício de toda a sociedade, nunca em proveito pessoal. Não deixa para última hora a escolha dos candidatos a deputado e senador. Depois da eleição, acompanhe o trabalho dos eleitos.

* O decálogo elaborado pelo padre Luís Paulo Soares.

P.S. Independentemente do arranjo de cargos utilizado, o número máximo de servidores comissionados que cada gabinete parlamentar pode nomear é 50 (cinquenta) assessores. Um político brasileiro desonesto emprega, no máximo, umas cinco pessoas, embolsando, através das “rachadinhas”, uma quantidade enorme de dinheiro público. Não vote nesses políticos que se utilizam dessa forma desonesta de enriquecer ilicitamente.

 

Boneco-candidato manipulado por representante de grupo econômico:

Vide: Odebrecht e outras empreiteiras...


A verdade

 Arthur Azevedo


Gabinete de trabalho. O Juquinha chegou do colégio, entra para tomar a benção ao pai, Dr. Furtado, que está sentado numa poltrona, a ler jornais.

Juquinha: – Benção, papai?

Dr. Furtado: – Ora viva! (Depois de lhe dar a bênção.) Venha cá, sente-se ao pé de mim. (Juquinha senta-se). Saiba que estou muito zangado com o senhor.

Juqunha: – Comigo?

Dr. Furtado: – O diretor do colégio deu-me uma bonita informação a seu respeito!

Juquinha: – Esta semana só tive notas boas.

Dr. Furtado: – Não é dos seus estudos que se trata, mas do seu comportamento.

Juquinha: – Eu não fiz nada.

Dr. Furtado: – O diretor disse-me que o senhor não abre a boca que não pregue uma mentira! Isso é muito feio, senhor Juquinha!

Juquinha: – Mas, papai, eu...

Dr. Furtado: – O homem que mente é o animal mais desprezível da criação! Retire-se. (Juquinha vai saindo penalizado. O pai adoça a voz.) Olha, vem cá. (Juquinha volta.) Tu sabes quem foi Epaminondas?

Juquinha: – Lá no colégio tem um menino com esse nome.

Dr. Furtado: – Não é esse. Ainda não sabes, mas hás de lá chegar, quando estudares a história da Grécia. O Epaminondas, de quem te falo, era um general tebano, vencedor dos lacedemônios, que ficou celebre não pelos grandes feitos que cometeu, como também porque não mentia nem brincando.

Juquinha: – Então nem brincando a gente deve mentir?

Dr. Furtado: – Nem brincando! A mentira é degradante. Degradante e inútil: o mentiroso é sempre apanhado. A sabedoria das nações lá diz que mais depressa é pegado um mentiroso a correr que um coxo a andar. O homem honrado – presta-me toda a atenção! – o homem honrado não mente em nenhuma circunstância da vida, ainda a mais insignificante! (Batem palma no corredor.) Quem será? Algum importuno!

Juquinha: – Papai, quer que eu vá ver quem é?

Dr. Furtado: – Vai, e se for alguém que me procure, dize-lhe que não estou em casa.

                                                    FIM

Referência: AZEVEDO, Artur. Teatro a vapor. São Paulo/Brasília: Cultrix/MEC, 1977.