quarta-feira, 23 de julho de 2014

Dialoguinhos e papos furados



Autor: Jô Soares, na revista Veja

Amigo – Que tal a estreia?
Ator – Eu estive ótimo, mas o público falhou várias vezes.

Viajante – Ainda tem lugar neste trem que vai pro subúrbio?
Bilheteiro – Do lado de dentro ou do lado de fora?

Pedestre – Como é que eu faço pra atravessar a rua?
Guarda – Experimenta voltar de madrugada.

Médico – O senhor já teve isso antes?
Paciente – Já.
Médico – Então está tendo de novo.

Professor – Que idade tem uma pessoa nascida em 1945?
Aluno – Depende. Homem ou mulher?

Mãe (ao telefone) – Doutor, meu filho engoliu uma caixa de balas calibre 38! O que é que eu faço?
Médico – Não aponte ele pra ninguém.

Passageiro (no avião) – O cafezinho está quente?
Aeromoça – Quente, em avião, só a cerveja.

Médico – É uma coisa à toa. Não é caso pra cirurgia.
Doente – O senhor não podia ter em dito isso antes da operação?

Freguês (no restaurante) – O senhor tem coxinhas de galinha?
Garçom – Não. Eu ando assim por causa da artrite.

Freguesa – Eu tenho um jardim muito pequeno, cheio de altos e baixos, sem água, cheio de pedras, areia, ervas daninhas e onde bate sol o dia inteiro. O que é que o senhor me aconselha?
Jardineiro – Um guarda-sol, minha senhora.

Delegado – Como você encontrou o cadáver?
Policial novo – Morto, doutor.

Delegado – Quer dizer, então, que a senhora matou seu marido por acidente?
Suspeita – Sim.
Delegado – Com seis tiros?

Homem (entrando num bar com um macaco) – Garçom, um uísque duplo pra mim e um copo de leite para o meu amigo.
Garçom – Por que um copo de leite para o macaco?
Homem – Porque é ele que está dirigindo.

Assaltante (invadindo uma livraria) – O dinheiro ou a vida!
Balconista – O senhor, por acaso, sabe o nome do autor?

Zezinho – Professora, alguém pode ser castigado por alguma coisa que não fez?
Professora – Não, Zezinho, nunca!
Zezinho – Estou livre... não fiz a lição de casa...

Médico – Há quanto tempo o senhor tem essa mania de ser galo?
Paciente – Desde quando eu era pinto.

Mendigo 1 – Dizem que tomar banho faz mal à saúde.
Mendigo 2 – É mentira. Não tomar banho é que é falta de higiene. Eu tomo banho uma vez por ano, mesmo quando não preciso.

Bêbado 1 – Minha mulher fugiu com meu melhor amigo.
Bêbado 2 – E quem é ele?
Bêbado 1 – Eu não sei, mas pra fugir com aquilo só mesmo sendo muito amigo.

Velhinho 1 – Olha que lindo... os rapazes correndo pelo parque atrás das moças. Você lembra quando a gente fazia a mesma coisa?
Velhinho 2 – Lembro... Eu só não lembro por quê...

Médico – O senhor tem hábito de falar quando dorme?
Político – Não, doutor, mas todo mundo dorme quando eu falo.

Mãe – Pois é, minha filha, eu posso dizer que casei virgem. Será que você vai poder dizer a mesma coisa?
Filha – Eu acho que sim, mamãe, mas não com essa sua cara-de-pau.

Homem 1 – Eu tenho a impressão de que a minha mulher anda me enganando.
Homem 2 – Por quê?
Homem 1 – Eu me mudei do Rio pra Porto Alegre e o meu entregador de pizza continua sendo o mesmo...

O homem perfeito

O homem perfeito é lindo,
Tem um pouco de mistério.
É belo quando está rindo,
E belo quando está sério.

O homem perfeito é bom,
Tem um jeito carinhoso.
Quando fala em meigo tom
Causa arrepio gostoso.

O homem perfeito é fino,
É solicito, é fiel.
Tem a graça de um menino
E é mais doce do que o mel.

O homem perfeito adora dar flores,
Botões de rosa
À uma velha senhora,
Ou uma jovem formosa.

O homem perfeito tem a energia
Não se cansa, lava a louça
Cozinha, gosta muito de criança.

O homem perfeito é sensível
À grande arte, osta de dança e balê,
Nunca há de magoar-te.

Pra encerrar a preceito,
Esses versos que alinhei,
Se existe um homem perfeito
Ele só pode ser gay.






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